Primeiro emprego


Se você colocou na cabeça que a melhor solução para o sucesso profissional é entrar na faculdade imediatamente, pare para pensar. Quem ajuda você é o consultor de empresas Max Gehringer. Ele mostra agora que existe um caminho mais curto para você entrar no mercado de trabalho.

O que está acontecendo com o mercado de trabalho? De um lado, há um batalhão de candidatos, principalmente jovens entre 17 e 25 anos, com formação superior, que não conseguem emprego. Do outro lado, as empresas estão dizendo que as vagas existem, mas faltam candidatos qualificados.

“A maior dificuldade é achar a mão-de-obra que está dentro das nossas expectativas técnicas”, revela Michael Bauer, presidente de empresa.

A realidade é que estão sobrando candidatos com curso superior e faltando candidatos de nível técnico. Foi isso o que fez Ronald da Silva desistir da faculdade de economia para começar um curso técnico em cerâmica no Senai.

“Ia estudar uma coisa que ia ficar quatro anos e meio estudando aquilo, e depois como é que eu ia conseguir mercado? Não ia ter mercado para eu trabalhar”, comenta Ronald da Silva, estudante do curso técnico em cerâmica.

Formado pelo Senai, Kleber Teixeira desenvolve projetos de potes e tampas plásticas numa fábrica em São Paulo. Em apenas dez meses na empresa, ele já foi promovido e passou a ganhar um ótimo salário.

“O técnico, após o seu estágio, é contratado por salários de R$ 2.500. Que primeiro emprego você consegue começar com esse salário?”, pergunta Cláudia Cunha, gerente da fábrica.

A faculdade ficou para o ano que vem. “Se já tivesse embarcado na engenharia logo depois de ter terminado o ensino médio, eu acredito que nesse salário que eu estou hoje em dia, não estaria lá”, avalia Kleber Teixeira, técnico em plástico.

Atualmente, informática é o setor que mais está oferecendo vagas. Estima-se que nos próximos cinco anos haverá uma falta de cem mil técnicos em informática. O mercado também está à procura de técnicos em logística, um curso em alta no momento.

“Hoje o mercado está aquecido para esse profissonal de logística. A grosso modo, o salário varia de R$ 1 mil a R$ 1,1 mil para o operacional, começando, e o gerencial está na faixa de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil”, comenta Diogo Teixeira, coordenador do curso de logística do Senac/SP.

No outro extremo do mercado de trabalho de trabalho haverá um excesso de dezenas de milhares de bacharéis de direito, jornalistas e psicólogos.

No Brasil ainda é forte a cultura do bacharel. Aquela impressão de que um diploma de curso superior, qualquer que seja, irá resultar em muito mais oportunidades do que um diploma de curso técnico.

Qual é a vantagem de ter feito técnico antes de fazer a faculdade?

“Experiência. Você ganha muita experiência. Acaba saindo na frente de muita gente que faz faculdade e não tem essa experiência de trabalho mesmo, de vivência, de rotina, e isso a gente consegue ter com o técnico”, responde Milena Ferreira, técnica em química.

A falta de técnicos é tão acentuada que muitas empresas estão fazendo parcerias com escolas profissionalizantes. Uma recente pesquisa, da Confederação Nacional das Indústrias, mostra que 61% das empresas pesquisadas estão capacitando seus próprios técnicos.

É o caso de uma multinacional alemã que produz máquinas para a indústria automobilística em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

“E 90% dos engenheiros recém-formados que vêm aqui acabam não dando certo porque eles não conseguem entender os problemas da fábrica. Tanto que nós temos uma escola, um centro de treinamento aqui, de dois anos de duração. Nós formamos nossos próprios técnicos”, conta Michael Bauer, presidente da empresa.

Dez alunos com idade entre 14 e 15 anos têm aulas de 7h às 16h dentro da empresa. Uma rotina puxada para Caio Monteiro, que ainda freqüenta o ensino médio à noite. Mas ele acha que vale a pena o esforço.

“Esse curso técnico vai ser muito bom para mim no futuro, vai me abrir muitas portas de emprego”, acredita Caio, 15 anos.

E vai mesmo: quase todos os alunos formados pelo curso, oferecido em parceria com o Senai, são contratados.

“O curso técnico te dá o empurrão. Você consegue uma profissão, um salário razoável, que dá para você pagar a faculdade”, diz Adriano de Deus, estudante de desenho de projetos.

O caminho mais indicado é dar um passo de cada vez. Fazer um curso técnico, conseguir um bom emprego e depois investir em cursos de especialização, incluindo o curso superior mais adequado.

Para mais informações sobre o tema, clique aqui e veja uma lista completa dos 185 cursos técnicos disponíveis no Brasil, elaborada pelo Ministério da Educação.

E veja também: conheça a rede federal de educação profissional e tecnológica do Ministério da Educação e visite o site do Senai.

Vamos falar, no próximo episódio, sobre outra alternativa para você entrar no mercado de trabalho: o curso de tecnólogo, mais curto do que uma faculdade convencional. Quais são as vantagens e as armadilhas? Emprego de A a Z volta domingo que vem. Até lá!

Como já publicamos diversas vezes, quase 40% das vagas não chegam nem a serem anunciadas pelas empresas, isto porque as empresas procuram por indicações, e que na maioria dos casos, encontram excelentes profissionais para os seus quadros.

1-Cursos on-line, grátis e com certificado... quem ainda não fez… aproveite:
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Marketing Por Ari Lima Assinar feed do autor
jari_limaj@yahoo.com.br
Um momento crítico na vida de qualquer profissional é quando ele está desempregado e precisa procurar com urgência uma recolocação no mercado de trabalho. É nesta hora que o marketing pessoal poderá se tornar fundamental para vencer esta situação de forma satisfatória e rápida.

Existem uma série de ações que poderão ajudar neste empreendimento, todas elas relacionadas a um planejamento estratégico de marketing pessoal. É essencial elaborar um plano contendo as seguintes etapas:

Estudo de suas habilidades naturais, competências técnicas, experiências profissionais e áreas de interesse;

Conhecimento do mercado de trabalho em que estiver inserido, e quais são as empresas que poderiam ter interesse pelo seu trabalho, baseado em suas habilidades e talentos;

  • Desenvolver um produto pessoal para oferecer a estas empresas, tendo em vista não as suas necessidades, mas as necessidades destas empresas;
  • Elaborar um plano de venda para o produto (seu trabalho) que irá oferecer a estas organizações;
  • Preparar-se para possíveis e prováveis entrevistas de emprego, elas serão fundamentais neste processo de recolocação;
  • Elaborar um cronograma de atividades e executá-lo prontamente.

A seguir vamos analisar mais detalhadamente cada um destes tópicos.

Para elaborar um estudo de suas habilidades e talentos é preciso colocar no papel tudo que possa julgar como virtude pessoal. Liste suas qualidades como: senso de organização; capacidade de comunicação interpessoal; aparência; iniciativa; cursos que realizou; toda sua experiência profissional formal e informal; áreas de interesse como leitura, artes, esportes, etc.

Pense em todo trabalho que realizou nas empresas que passou, e tente descobrir algo que foi excepcionalmente relevante, que recebeu elogios e que tenha sido de grande ajuda naquela empresa. Enfim, relacione tudo, pois estas informações serão a base para que você possa desenvolver o produto ou serviço que irá oferecer ao mercado de trabalho.

O segundo passo é o conhecimento do mercado de trabalho. Inicialmente relacione todas as empresas que trabalhou, e tente imaginar as principais carências destas empresas que não estão sendo satisfeitas, e áreas dentro destas organizações que estão sendo negligenciadas. Posteriormente, descubra se há dentro destas empresas um trabalho relevante que não está sendo desenvolvido de maneira adequada. Relacione e coloque tudo no papel, estas informações são importantes.

É preciso encontrar o trabalho que precisa ser feito

O terceiro passo, após analisar suas aptidões e relacioná-las ao mercado de trabalho, crie algumas soluções para estas empresas, baseando-se em suas habilidades pessoais e profissionais. Descubra as áreas negligenciadas dentro destas empresas, e desenvolva um produto ou serviço para atender as necessidades destas organizações.

Na quarta etapa elabore um currículo e um perfil profissional orientado para vender este produto que você desenvolveu junto ao mercado de trabalho. Destaque tanto no currículo como no seu perfil profissional, o produto ou serviço que tem a oferecer, salientando os benefícios e sua importância para estas empresas.

O seu perfil profissional é uma espécie de biografia. Ela dirá de maneira clara e objetiva, a seu futuro empregador, aquilo que nenhum currículo poderá fazer. Apresentará o trabalho que você realizará, o produto ou serviço que estará vendendo, e sua real capacidade de ser útil a esta empresa.

No quinto passo, prepare-se para as entrevistas, tanto na apresentação pessoal, de acordo com o cargo que pretende exercer, como também na venda do produto e do trabalho que a empresa poderá contratar. Exponha todas as possíveis qualidades de seu produto, os benefícios que eles trarão para quem o contratar, seu conhecimento específico do mercado, da empresa e do serviço a ser realizado. Procure estar seguro, motivado e disposto a iniciar o quanto antes.

A sexta etapa é o momento de ação. Você mesmo terá que sair para vender seu produto. O objetivo é conseguir marcar entrevistas para que possa expor suas idéias e seu produto. Mande currículo e perfil profissional, tanto respondendo a anúncios de empregos, como também para as empresas que poderão precisar de seu trabalho, independente de anúncios. Depois faça contato, ofereça-se para uma entrevista, demonstre que tem interesse em trabalhar nestas empresas, e fale com as pessoas responsáveis pelo setor de contratações.

Com certeza se você realizou um bom trabalho nas etapas anteriores, irá despertar bastante interesse em muitas empresas, e estará abrindo as portas para uma possível contratação. Este é certamente um processo incomum, porém dinâmico e baseado na forma de agir de empresas que procuram promover seus produtos no mercado. Se o profissional agir como uma empresa, oferecendo um bom produto ao mercado e promovendo-o dessa forma, obterá ótimos resultados, assim como uma empresa consegue bons resultados quando promove adequadamente seus produtos e sua marca.

Segundo Max Gehringer, situação atual é a melhor dos últimos anos. Ele faz quatro recomendações para quem busca trabalho.

Para quem está procurando emprego, as horas passam devagar e as semanas passam depressa. Mas, no Brasil, atualmente, existem duas situações contraditórias. Tem gente que está procurando emprego e não acha. E tem empresas querendo contratar, mas não encontram os candidatos certos.

Porém, no geral, as notícias são positivas. De cada 15 pessoas que procuraram emprego em 2007, 14 conseguiram. Logo, quem está na luta não deve desanimar. Existe emprego e todas as pesquisas recentes mostram isso.

Mas estamos falando da quantidade de vagas, e não da qualidade delas. Existem duas coisas que essas pesquisas não mostram.

A primeira é o grau de satisfação de quem está empregado. Com a função, o ambiente da empresa, as possibilidades de carreira, o mau humor do chefe, ou com o café que não tem cheiro nem gosto. E a segunda coisa é que muitos profissionais não estão atuando na área em que se formaram. É aquela dúvida entre aceitar o que aparece ou esperar pelo emprego perfeito.

Candidato x entrevistador

Apenas como mera sugestão, vou inserir um par de diálogos para serem aproveitados, corrigidos ou descartados. Este é o primeiro. Um candidato e um entrevistador.

Entrevistador: Por que você acha que é o candidato adequado para esta vaga?
Candidato: Bom, veja bem. Eu sou formado em Psicotecnologia, pós-graduado em Administração Atômica, com mestrado em Ciências Monoperiféricas e doutorado em Energização Esquizossomática.
Entrevistador: Mas nós estamos procurando um auxiliar de atendimento ao cliente.
Candidato: Nesse caso, eu também tenho PhD em Relações Internacionais.

Segunda sugestão. Candidato e Entrevistador.

Candidato: Estou aqui para a vaga de assistente do assessor do auxiliar do subchefe.
Entrevistador: Mas o que é isso? Temos uma vaga muito melhor, de gerente.
Candidato: Gerente? Mas eu não tenho estudo.
Entrevistador: Estudo, pra que estudo? O que interessa é a experiência.
Candidato: Mas eu também não tenho experiência em ser gerente.
Entrevistador: Mas terá. Em uma semana você aprende tudo.
Candidato: Que maravilha!
Entrevistador: Qual é a sua pretensão salarial?
Candidato: Sei lá, tipo assim, uns R$ 700.
Entrevistador: Que é isso, meu amigo? Pense grande. Vamos começar com R$ 5 mil.
Candidato: R$ 5 mil?

Entrevistador: US$ 5 mil. Mais carro do ano e mordomias aos montes!
Candidato: E quais serão as minhas obrigações?
Entrevistador: Nem me fale essa palavra que me dá arrepios. Aqui ninguém é obrigado a nada. Você faz o que acha que deve fazer.
Candidato: Mas e se eu não for bem? Porque, sinceramente, eu não entendo nada de nada.
Entrevistador: Bom, aí, você já está demonstrando que pode ser rapidamente promovido a diretor.

Evidentemente, o emprego perfeito não existe. Mas a situação atual, embora não seja a ideal, é a melhor dos últimos anos. Pensando num futuro bem próximo, quando as boas vagas estarão ainda mais disputadas, aqui vão quatro recomendações.

Primeira - Quem é jovem não deve esperar muito para conseguir o primeiro emprego. O ideal é começar a trabalhar entre os 18 e os 20 anos. As empresas dão preferência à combinação de escolaridade com experiência prática.

Segunda - Se não houver uma vaga na área que você deseja, não fique parado. É melhor aceitar uma oportunidade razoável que aparece, do que ficar esperando pela vaga perfeita. No mercado de trabalho, quem espera sempre cansa.

Terceira – Estude. Não importa se você tem 20 ou 40 anos. Um curso superior já foi um diferencial. Atualmente, passou a ser um pré-requisito. Um diploma que parece não fazer falta hoje, fará muita falta amanhã.

Quarta – Acerte no curso. Uma coisa é o que a pessoa gostaria de estudar. Outra coisa é saber se vão existir oportunidades naquela área. Uma das maiores consultorias de recrutamento do Brasil informou que, no ano de 2007, para as vagas que exigem curso superior, os profissionais mais procurados foram os formados em Engenharia, Administração de Empresas e Informática.

Por isso, antes de optar por um curso que tem um nome bonito e atrativo, dê uma pesquisada, para saber qual é o tamanho do mercado para aquela profissão.

 

Crescem vagas e efetivações, mas é grande o déficit de oportunidades

Se por um lado o mercado está saturado, também há áreas em que ele está altamente favorável. É o caso da Engenharia. Segundo o diretor do Departamento de Recolocação Profissional do Sintracon-SP (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo), Antonio de Souza Ramalho Junior, a área está carente de profissionais formados, o que reflete diretamente no setor de estágios.“É necessário um engenheiro formado para passar a experiência para o estagiário. Com a falta de profissionais formados as empresas também não conseguem empregar estudantes”, diz. Isso resulta num número razoável de vagas não preenchidas.

Reflexo desta tendência de mercado foi sentido pela Unisanta (Universidade Santa Cecília), em São Paulo. De acordo com informações da Central de Estágios da instituição, até o final de novembro passado, o número de solicitações de empresas da Capital, Região do ABCD e Baixada Santista a procura de recém-formados e alunos dos últimos anos das diversas áreas de Engenharia (civil, elétrica, eletrônica, de computação, mecânica e química) aumentou em 40% em relação ao ano de 2006.

Esse “apagão” de engenheiros, na opinião do diretor do Sintracon-SP, resulta da pouca quantidade de estudantes que termina o curso, por não agüentar o longo tempo de duração (cinco anos) e a pesada jornada de estudos. “Um estudante de engenharia precisa de mais anos para se formar, o que pode gerar um maior índice de desistência. Além disso, nos primeiros anos do curso, os estudantes de engenharia passam praticamente o dia todo na sala de aula”, afirma Ramalho Junior.

Para ele, o ideal seria que os estudantes, além de assistirem às aulas, mantivessem contato com sindicatos de engenheiros para que eles pudessem ter a vivência do dia-a-dia da profissão e dos problemas legais que podem enfrentar.

Entretanto, a grade curricular do curso de Engenharia não permite que os alunos tenham essa vivência prática da profissão. “Defendo uma mudança na carga horária do curso, mesclando atividades teóricas e práticas. A parte prática, porém, não deveria se restringir aos laboratórios, como é o que acontece nas universidades. Os alunos devem chegar ao canteiro de obras”, declara Ramalho Junior.

Pesquisas realizadas por entidades brasileiras ligadas à inserção do estudante no mercado de trabalho revelam que apesar do crescimento no número de vagas de estágio e das efetivações de estudantes, ainda faltam oportunidades para acolher os jovens aptos a trabalhar no Brasil. Com isso, a experiência do primeiro emprego é, muitas vezes, adiada ou não acontece em determinadas áreas de estudos.Em janeiro deste ano, o CIPEE (Centro de Incentivo Profissional ao Estudante a Empresa) divulgou uma pesquisa, com base em informações do ano de 2007, que aponta aumento de 87% no número de vagas de estágio e de 15% nos casos de efetivação de estagiários em relação ao ano anterior.

Segundo o representante da entidade e especialista em gestão corporativa e recursos humanos, Werner Kulgelmeier, esse crescimento de oportunidades reflete amadurecimento do setor empresarial e dos estudantes, que passaram a valorizar mais o estágio como escola de formação profissional. “Esses dados mostram que tanto as empresas têm melhorado sua postura em relação a ‘escalar’ mão-de-obra inexperiente para seu time, como os estudantes estão mais conscientes da importância de ter um aprendizado prático antes de sua formação”, resume ele.

Na opinião do especialista, parte dessa mudança decorre de muitas companhias terem colhido bons frutos ao recrutar estagiários. “Isso serve como prova de que ao invés de simplesmente explorar mão-de-obra barata, vale a pena investir no estudante. Por outro lado, muitos estudantes observaram essa mudança no cenário corporativo e, mais motivados, passaram a se comportar melhor, mostrar maior interesse nessa vivência e deixar de encarar o estágio como extensão da faculdade”, diz Kulgelmeier.

Ainda que os dados das CIPEE revelem uma adequação do setor, outro levantamento, feito pela Abres (Associação Brasileira de Estágios) aponta a necessidade de número quatro vezes maior de vagas para dar conta da atual demanda de alunos. “Hoje, há em torno de quatro milhões de jovens no Ensino Superior e apenas 715 mil vagas de estágio em todo o país”, afirma Carlos Henrique Mencaci, presidente da Abres.

Mencaci defende que há potencial para que, com as empresas já instaladas no Brasil, seja possível dar conta da demanda de estudantes. Basta que o empresariado se mostre mais propenso a absorver estes jovens. E o problema está justamente em convencer as empresas. “Apesar de cada vez mais companhias abrirem as portas para tal mão-de-obra, há muita resistência em contratar estudantes”, lamenta ele.

A explicação para tanta resistência decorre tanto de experiências negativas anteriores, como do preconceito em relação à maturidade dos jovens. Segundo Mencaci, muitos empresários ainda desconfiam do grau de responsabilidade e compromisso dos estudantes. “Os erros mais comuns dos estagiários são a falta de seriedade, a vergonha de demonstrar que não sabem fazer determinadas tarefas, a repressão da curiosidade e a falta de interesse em aprender”, diz.

As empresas, por sua vez, também têm sua parcela de culpa nessa história. “Muitas erram ao manter programas de estágio que não oferecem nada mais de que trabalhos primitivos de escritório, oportunidades que frustram os estudantes e podem levá-los até ao abandono do estágio”, completa Mencaci.

Como melhorar o cenário?

Hoje, a Lei de Estágio garante flexibilidade para as empresas na contratação dos estudantes. Assim, as companhias que investem nessa idéia não são obrigadas a pagar 13º salário, férias, INSS, nem benefícios como vale-transporte ou vale-refeição para o estagiário. Tais medidas servem como estímulo para criação de vagas. No entanto, não são suficientes.

Uma das saídas sugeridas pelos especialistas para elevar o número de oportunidades no setor seria estimular a criação de vagas em pequenas e médias empresas. Hoje, as Micro e Pequenas Empresas estão fora deste quinhão. Segundo informações do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio Às Micro e Pequenas Empresas), as companhias de pequeno porte representam 99% do total das 5,5 milhões de empresas que existem no País e empregam um contingente de 26 milhões de trabalhadores, o que representa 56% da força de trabalho do Brasil.

Para aumentar o número de vagas nestas empresas, porém, seria necessário uma grande campanha. “Creio que seria possível estimular a contratação de universitários nas empresas pequenas e médias ao levar para elas o conhecimento dos casos de sucesso de grandes empresas que obtiveram ótimo desempenho com a inclusão dos estagiários”, aposta Kulgelmeier.

Mencaci, por sua vez, acredita que estas empresas só se sensibilizariam para a questão caso obtivessem algum tipo de orientação para a contratação e aproveitamento de estudantes em seus quadros de funcionários. “Quando falamos de empresas de tamanho reduzido, muitas vezes, não há nelas o setor de treinamento adequado para preparar e aproveitar o estagiário”, explica.

Na opinião do presidente do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios), Seme Arone Junior, além de ampliar o leque nas pequenas e médias empresas também é necessário conscientizar os gestores sobre o perfil de mão-de-obra que contratam. “Tem muito programa que dá errado porque o gestor contrata estudante e dá a ele atribuições de um profissional. É preciso orientar o gestor que o estagiário não tem experiência e que caberá à empresa investir no seu potencial”, afirma ele.

Kulgelmeier complementa que as empresas restringem as vagas por não gostarem do perfil dos estagiários, acreditam que eles não vão corresponder às suas expectativas. A expectativa em relação ao estagiário, no entanto, deve estar ligada ao compromisso e ao interesse do estudante em aprender e evoluir, não em executar uma tarefa digna de um profissional e, ainda, com excelência.

A coordenadora de relacionamentos de mercado do IEL (Instituto Euvaldo Lodi), Emmanuele Spaine, não acredita que as empresas tenham medo de contratar estagiários, mas concorda com os especialistas quando diz que muitas são resistentes em trabalhar com tal mão-de-obra. “Na verdade, há uma resistência por causa de comentários de outras empresas de que seu estagiário não fazia o serviço direito. Isso gera uma relutância em alguns empresários, mas não na maioria”, acredita ela.

Emmanuele acrescenta ainda que o Paraná, onde está localizado o IEL, promove ações voltadas para incentivar que as empresas invistam na contratação de estagiários a fim de mudar a mentalidade do empresariado. As ações estão atreladas à missão do IEL em promover a interação entre a indústria e a universidade, já que o órgão faz parte da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

30% dos estagiários atuam fora da área

A falta de vagas e o receio das empresas em contratar estagiários fazem com que, muitas vezes, os estudantes busquem experiência profissional em oportunidades pouco ou nada relacionadas à sua área de estudos. Outra pesquisa realizada pelo CIPEE constatou que 30% dos estudantes que ocupam algumas das 715 mil vagas de estágio existentes no Brasil atuam fora de sua área.

É o caso do estudante de Administração com ênfase em Comércio Exterior, Gilson Getúlio da Silva, de 20 anos (na foto à esquerda). Ele foi contratado por uma grande empresa como estagiário para dar suporte ao usuário pela Internet. Cansado de procurar vagas sem sucesso e colecionar reprovações em dinâmicas de grupo, ele aceitou a oferta.

“Desde os primeiros semestres da faculdade, as vagas para meu curso exigiam fluência no inglês, algo que não tenho. Apesar do curso de Administração ser um dos que mais oferece vagas de estágio, acho que as empresas são muitos exigentes e o mercado muito concorrido”, diz. Segundo um levantamento da Abres, as áreas que mais oferecem vagas de estágio no Brasil são: Administração de Empresas (41,5%); Comunicação Social (14%); Informática (10,2%) e Engenharia (9%).

Hoje, Gilson nunca esteve tão longe e ao mesmo tempo tão perto de realizar seu sonho. Ele, que sempre quis trabalhar na Administração de uma empresa, vislumbra a oportunidade na companhia onde está hoje, embora faça parte do quadro de funcionários como efetivo na área de suporte, onde começou como estagiário.

Longe de sua formatura, porém, o estudante ainda sonha em conseguir uma colocação mais próxima a sua área de estudos. “Acredito que por estar dentro da empresa tenha mais facilidade em disputar uma vaga em minha área quando a oportunidade surgir.”

Fonte: Universia

Trabalhar, em seu sentido mais tradicional, sempre foi a antítese de diversão. Como minha avó costumava dizer, quando eu me queixava de um chefe ou de um prazo apertado, “é por isso que se chama trabalho”. Minha avó ficaria mais que surpresa diante do que Adrian Gostick e Scott Christopher têm a dizer em The Levity Effect: Why It Pays to Lighten Up, seu livro que defende a teoria de que locais de trabalho divertidos influenciam positivamente os lucros. E eles estão falando muito sério.

“Quando as pessoas riem, elas prestam atenção”, disse Gostick, escritor e consultor de motivação no trabalho.

Christopher, comediante e colunista de humor na revista Human Capital, riem juntos ao expor seus principais argumentos:

Pessoas divertidas são contratadas com mais facilidade.
Um estudo entre 737 presidentes de grandes empresas constatou que 98% deles contratariam um candidato com senso de humor, se outro concorrente ao posto demonstrasse menos humor.

Diversão gera lealdade nos funcionários.
De acordo com uma pesquisa da Ipsos que envolveu 1 mil trabalhadores, os funcionários que riem no trabalho mudam menos de emprego. Os que consideram que seu chefe tem senso de humor “acima da média” também têm probabilidade superior a 90% de permanecer em um emprego por mais de um ano. Caso trabalhem para um chefe com senso de humor “médio”, a retenção cai a 77%.

As pessoas divertidas vão longe.
De acordo com um estudo publicado pela Harvard Business Review, executivos descritos pelos colegas como pessoas bem humoradas “sobem na hierarquia com mais rapidez, e ganham mais do que seus companheiros”.

Rir faz bem à saúde.
Um estudo da Universidade de Maryland demonstrou que, enquanto o estresse reduz o fluxo sangüíneo, o humor o eleva. E em 22%.

Está bem, o humor é benéfico. E pode ser bom para os negócios. Mas será que saber disso não representa uma outra forma de estresse? Quero dizer, e se a pessoa não tiver graça?

Já não temos bastante com que nos preocupar em entrevistas de emprego? Agora precisamos também ser engraçados? Humor é muito subjetivo, e pode cair muito mal caso não funcione. E os chefes já não têm problemas suficientes a resolver, com a crise econômica? Agora eles terão de reanimar seus comandados sendo engraçadinhos? Há muita gente competente que não seria capaz de se levantar diante dos colegas de trabalho e se lançar a um número cômico.

Gostick diz que não é preciso se preocupar com isso. “Nossa definição se relaciona mais à leveza. A pessoa não precisa ser engraçada, mas é preciso que as outras pessoas se divirtam por tê-la em sua companhia”, ele diz. “Os grandes líderes fazem dos locais de trabalho um ambiente mais leve”.

“O chefe não necessariamente faz humor”, disse Christopher. (Os dois tendem a alternar respostas, nas entrevistas.) “O que ele faz é incentivar o humor, ou pelo menos tolerá-lo”.

A consultoria Bain o faz ao reunir 400 funcionários de todo o mundo para sua copa de futebol anual. A fabricante de brinquedos Lego America encoraja os funcionários a usarem ciclomotores para ir ao trabalho. O Google organiza campeonatos de hóquei sobre patins no estacionamento duas vezes por semana, promove torneios do jogo “Palavras Cruzadas” ao longo do dia e tem um piano em seu refeitório.

Algumas empresas chegam a colocar um grupo ou pessoa no comando da diversão.

Na Iris North America, uma agência de publicidade, a equipe leva o nome “esquadrão do riso”, diz Stewart Shanley, um dos fundadores da empresa. A equipe tem orçamento e logotipo próprios, e é responsável “pelo bem-estar e pela diversão ocasional” dos 475 funcionários da agência, ele acrescenta.

“Manter as pessoas contentes as faz trabalhar melhor”, afirma. “O truque para dirigir um negócio de sucesso é atrair talentos, mas essa parte costuma ser esquecida”

. Na Iris, além do esquadrão do riso, há o esquadrão do esporte e o esquadrão da farra, cuja função, explica Shanley, “é embriagar as pessoas ocasionalmente”.

Opa, bebedeiras promovidas pelo empregador? Isso não causaria desconforto a certos funcionários? E os alcoólatras que estiverem em recuperação? Ou as pessoas cuja religião ou estado de saúde proíbam o álcool?

“Há hora e lugar para tudo”, disse Christopher. “Leveza não quer dizer insensibilidade”.

Mas da mesma maneira que algumas empresas parecem estar se saindo bem com esses métodos, a história recente oferece diversos exemplos de chefes que entenderam tudo errado.

Um estudo japonês publicado em fevereiro trata dos danos físicos e emocionais sofridos por mulheres que trabalham no varejo e são forçadas a sorrir o dia inteiro. O Dr. Makoto Natsume, psiquiatra da Universidade de Osaka, identificou entre as mulheres participantes da pesquisa uma “síndrome da máscara risonha”, que pode causar depressão e lesões por esforço repetitivo no rosto.

Ou seja, alegria forçada pode fazer mal à saúde.

E há o caso do Dr. Robert Woo, dentista de Auburn, Washington, que substituiu por implantes dois dos dentes da frente de uma assistente, cuja família criava porcos, um assunto que era de conhecimento comum dos funcionários da clínica.

Quando a paciente estava anestesiada, Woo por brincadeira colocou duas próteses em forma de presas de javali no maxilar da assistente, e fotografou a funcionária adormecida com elas. Mas as próteses corretas foram instaladas antes que ela despertasse.

No entanto, ela descobriu a piada quando as fotos foram mostradas em uma festa do escritório. A funcionária pediu demissão e processou Woo, que fez acordo por US$ 250 mil para escapar da ação.

Fonte: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200803231200_NYT_72161092&idtel=

Fonte: http://www.catho.com.br/jcs/inputer_view.phtml?id=9214

* Tom Coelho

“Contaram-me que os peixes não se importam de serem pescados, pois têm o sangue frio e não sentem dor. Mas não foi um peixe que me contou isso.”
(Heywood Broun)

Não sejamos hipócritas. Esta história de que concorrência é saudável porque estimula o desenvolvimento e combate o imobilismo é filosoficamente bela, mas não retrata a realidade.

Frédéric Bastiat, economista francês do século XIX e grande defensor do livre comércio, dizia: “Destruir a concorrência é matar a inteligência”. Pois então, que morra, neste caso, a inteligência! Qualquer empresário ou gestor há de concordar que concorrência boa, é concorrência morta.

É por isso que o mundo corporativo tem sido marcado por fusões e aquisições, com a formação de grandes grupos econômicos. Tome-se como exemplo o setor bancário. Chama menos atenção a redução do número de instituições financeiras, o que não seria uma medida estatisticamente adequada, mas a concentração do patrimônio líquido, dos depósitos e do crédito entre os 15 maiores bancos do país.

As grandes companhias buscam o caminho dos ganhos de escala e da redução de custos operacionais, princípios econômicos legados da Era Industrial. É uma forma de debelar a concorrência absorvendo-a (aquisição) ou aliando-se a ela (fusão). Mas fica a pergunta: e quanto às pequenas empresas?

Firmas de pequeno e médio porte têm uma natural vocação autofágica. Em outras palavras, digladiam-se por um pedaço de osso como se fosse carne de primeira. Chegam até mesmo a praticar dumping (vender abaixo do preço de custo) para evitar que o vizinho ganhe o pedido. Cooperativismo e associativismo são palavras ausentes do vocabulário – e do dicionário – da maioria dos empresários. É uma questão cultural alicerçada num modelo mental ultrapassado: cada um que cuide de seu terreiro.

Houve uma época em que bastava produzir o que fosse para surgir um comprador. Outro economista francês, este no final do século XVIII, Jean-Baptiste Say, cunhou uma lei de mercado que dizia: “Toda oferta cria sua própria demanda”. Sua assertiva teve vida longa, a ponto de Henry Ford declarar no auge da produção de seu veículo Modelo T: “Você pode ter o carro da cor que quiser, contanto que ele seja preto.”

Mas os tempos áureos sucumbiram em 1929, com a Grande Depressão. O impacto econômico foi tamanho que, nos Estados Unidos, a taxa de desemprego saltou de 9% para 25% em apenas três anos.

Hoje vivemos um período de comoditização ampla, geral e irrestrita. Os produtos são todos muito parecidos em funcionalidade. E os consumidores dão as cartas, reinando no trono da infidelidade e com elevado poder de barganha.

O sofrimento é ainda maior no comércio que na indústria. Basta caminhar em São Paulo, por exemplo, pela Teodoro Sampaio dos instrumentos musicais, a Consolação dos lustres, a Santa Ifigênia dos eletrônicos ou simplesmente as praças de alimentação de qualquer shopping center para sentir na pele e na veia a ferocidade da concorrência. O que fazer?

1 – Cuide do visual
O jogo começa na aparência que conduz à sedução. É o marketing de percepção. Você precisa captar a atenção do cliente para que ele escolha, entre as inúmeras alternativas, o seu ponto. Isso envolve a fachada, o letreiro e até mesmo o nome do estabelecimento. Os trajes dos atendentes, a pintura das paredes, a limpeza do piso, o índice de luminosidade, a organização dos produtos expostos e a facilidade de acesso a eles. Perceba que as mesmas regras aplicam-se a uma loja virtual. Neste caso, falamos de um site de fácil navegação, com diagramação e cores agradáveis, ágil na transição de páginas, amigável na busca por produtos.

2 – Treine seu pessoal
Considerando-se que os produtos são similares e, portanto, facilmente comparáveis, o único canal possível de diferenciação é o da prestação de serviços. A palavra de ordem agora é “atendimento”. Não apenas um atendimento bom, mas sim um excepcional, prestado por uma força de vendas que antes de tudo conhece em profundidade o que está ofertando. É a chamada “venda consultiva” que compreende necessidades, orienta sobre tipos e modelos, instrui com foco na adequação e assiste através do pós-venda promovendo a fidelização.

3 – Tenha o produto disponível.
Parece óbvio, mas esta é uma das grandes falhas de gerenciamento no ponto-de-venda. Imagine ter atraído o consumidor para sua loja e tê-lo presenteado com um atendimento exemplar. Após analisar todas as possibilidades, ele escolhe um produto que está esgotado. Era o modelo perfeito de calçado, mas não na cor desejada. Era o prato ideal para o almoço, mas sem o molho preferido. Você terá o desprazer de ver seu cliente, igualmente frustrado, sair pela porta afora de mãos vazias – mas agora seguro do que pretende comprar, evidentemente em seu concorrente. Portanto, mantenha um estoque de segurança. E se você não dispõe de espaço ou capital para tê-lo, é preferível reduzir a gama de produtos oferecidos ou especializar-se em um grupo específico. Se você não é o primeiro e nem o maior, seja o melhor no que se propõe a fazer.

4 – Crie diferenciais
Além do excelente atendimento, seja criativo nos detalhes e tenha a inovação como lema. Promova campanhas e concursos, crie bônus por fidelidade, escute e surpreenda seus clientes com novas soluções integradas. Propicie condições variadas de pagamento estabelecendo, por exemplo, parceria com instituições financeiras. Vivemos uma onda de crédito abundante e facilitado, ainda que caro, mas que permite adquirir bens para pagamento em longo prazo mediante suaves prestações mensais. Você não precisa assumir o ônus dos riscos do financiamento. Não é este o seu negócio. Mas uma financeira fará este papel com todo prazer.

5 – Diga não à guerra de preços.
Venda benefícios associados aos produtos, desviando o foco do preço. A regra é vender valor, e não preço. Por isso a importância do atendimento, inclusive no pós-venda, além da oferta de acessórios, de assistência técnica permanente e de condições diferenciadas de pagamento, conforme já mencionado.

6 – Em guerra deflagrada, lute para ganhar.
Jamais se esqueça de que você está em guerra permanente com seus concorrentes. Esteja, pois, preparado. Conheça bem, e de perto, seus concorrentes. Visite-os ou coloque alguém para visitá-los. Telefone para monitorar a qualidade do atendimento. Pesquise preços. Descubra seus pontos fortes e os copie. Descubra seus pontos fracos e guarde as cartas na manga. Contrate seus melhores funcionários. E, fundamentalmente, inove. Torne-se único a ponto de tornar a concorrência irrelevante. Mas lembre-se: eles podem estar fazendo exatamente o mesmo em relação a você.

Tom Coelho, com formação em Publicidade pela ESPM, Economia pela USP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, e mestrando em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente pelo Senac, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA.

     

Marketing Por Ari Lima
jari_limaj@yahoo.com.br
Construir uma rede de relacionamentos é tão importante que já estão surgindo no mercado as agências de networking. Elas fazem agendamento de happy hour para executivos que querem ampliar sua rede de contatos. Um exemplo, é a Table for Six, de São Paulo, citada pela revista VOCÊ S.A (edição 101, novembro 2006) como uma agência de networking.

Vejamos algumas dicas práticas para um profissional desenvolver uma boa rede de contatos.

  • Dica 1 – desenvolva interesse genuíno pelas pessoas que pretende incluir em sua networking. Não procure as pessoas apenas quando estiver precisando de favor.
  • Dica 2 – esteja sempre disponível para ajudar as pessoas de sua rede na medida de suas possibilidades, e sempre retribua um favor na mesma “moeda”.
  • Dica 3 – tornar-se palestrante ou professor ajuda a criar um ciclo de contatos.
  • Dica 4 – freqüentar cursos, palestras e convenções coloca o profissional em contato com pessoas de diversos setores.
  • Dica 5 – participar de associações, comitês e entidades gera muitos contatos profissionais.
  • Dica 6 – procure fazer contatos com pessoas de áreas diversas de seu setor de atividade.
  • Dica 7 – turbine a utilização de seu cartão de visita, utilize-o de maneira dinâmica.
  • Dica 8 – faça contatos personalizados, evite mandar e-mails para diversas pessoas ao mesmo tempo.
  • Dica 9 – quando indicar uma pessoa para outra de sua networking, avise antes, apresente-as.
  • Dica 10 – faça contatos freqüentes, uma boa dica é criar um networking no MSN e, sempre que possível, esteja presente trocando idéias com este grupo.
  • Dica 11 – evite falar muito nas conversas, procure ouvir mais e obter informações e conhecimento sobre as pessoas.
  • Dica 12 – procure mostrar sempre que você pode ser útil à sua rede de contatos.
  • Dica 13 – avise sempre o que está fazendo profissionalmente, seja trocando de emprego, realizando um novo empreendimento, escrevendo artigos, dando entrevistas, etc.
  • Dica 14 – tenha um blog e convide todos de sua rede de relacionamento para visitá-lo e contribuir com artigos e notícias.
  • Dica 15 – esteja sempre disponível para sua networking.
  • Dica 16 – lembre-se do nome das pessoas e data de aniversário.

Estas são algumas dicas de como construir e manter uma networking. Elas devem ser adaptadas a sua realidade, ao seu estilo profissional e ao seu perfil. Algumas combinarão melhor com você, outras não, mas é fundamental analisar todas elas e escolher as mais úteis para desenvolver sua rede de contatos.

Portanto, procure priorizar em sua vida profissional este importante meio de promoção pessoal, sempre com uma visão de médio e longo prazo, pois, como diz a sabedoria popular “o mundo dá muitas voltas”, e numa destas voltas uma pessoa de sua networking poderá desempenhar um papel fundamental em sua carreira.

MERCADO INFORMAL, EMPREGABILIDADE E COOPERATIVISMO: AS TRANSFORMAÇÕES DAS RELAÇÕES DE TRABALHO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Empregabilidade e carreira*

Sigmar Malvezzi1

A sociedade dos nossos dias pode ser caracterizada pela peculiaridade de ter testemunhado, em curto espaço de tempo, a transição da engenharia de tarefas (tecnologia eletromecânica) para a globalização (tecnologia da teleinformação). Teria essa mudança um impacto significativo na formação e capacitação para os empregos? Altera-se a probabilidade de obtenção e manutenção dos empregos? Para enriquecer a reflexão produzida neste evento, vamos tratar dessas questões.

O processo de globalização consiste num conjunto integrado de mudanças que tem como dimensão ontológica a compressão do espaço e do tempo. Pela tecnologia da teleinformação, podemos manobrar máquinas distantes de nós, dar aulas a múltiplas classes, ao mesmo tempo, e realizar uma reunião na qual pessoas, embora localizadas em cidades distintas falam e discutem entre si, tentam persuadir umas às outras, como se estivessem numa reunião numa mesma sala. Essas possibilidades são exponenciadas pela associação a outros fatores a elas interdependentes. O desenvolvimento científico e tecnológico é veloz em quase todas as áreas do saber, possibilitando a contínua incorporação de nova instrumentalidade aos negócios, alterando seu equacionamento econômico. Isto implica que a manutenção e desenvolvimento dos negócios (e consequentemente, dos empregos) depende da atualização tecnológica enquanto conteúdo e enquanto velocidade de incorporação de novas tecnologias que tem potencialidade de afetar não apenas o custo e o tempo de produção, mas a incorporação de valores que melhor atendem as necessidades e expectativas dos clientes. Como conseqüência dessa contínua alimentação da competitividade através do desenvolvimento da organização da produção temos produtos mais baratos e mais acessíveis, e crédito automático estimulando, por sua vez a produção. Esse fato explica a decadência da indústria. A renovação industrial é muito cara e mais difícil de ser operacionalizada porque seus fluxos de transformação são de natureza hardware. Ao montar-se uma empresa para produzir canetas, é importante saber que seu preço de custo pode cair pela simples incorporação de uma nova tecnologia. Desse modo, essa empresa só sobreviverá se se adaptar e se produzir em maior quantidade. Essa contínua adaptação é um problema sério: basta ver que tínhamos há algumas décadas atrás 26 ou 27 indústrias de televisão no país e, hoje, elas não passam de 6 ou 7 e esse número ainda vai cair mais. Pode-se concluir desses fatos que o desenvolvimento tecnológico elimina os empregos industriais.

Essa nova condição dos negócios, altera o papel dos sindicatos. Como defensores dos empregos, os sindicatos arcam com o ônus do acompanhamento da evolução tecnológica e da vigilância sobre a atualização das empresas. Na sociedade globalizada, a manutenção dos empregos depende do ritmo da competitividade e do acompanhamento de seus passos. As regras do jogo foram alteradas, como se percebe nas freqüentes turbulências que reorganizam os mercados, dos quais os empregos dependem, por isso, em certo sentido, os sindicatos têm sido obrigados a se aliarem à classe produtora. Qual o problema que as empresas enfrentam hoje? A mesma sina dos trabalhadores: a sobrevivência. Não há empresa hoje que, em se descuidando de seu ajustamento ao mercado e às regras da competitividade, não corra riscos de sobrevivência. Todos conhecemos casos de empresas grandes ou tradicionais e sólidas que perderam rapidamente competitividade e enfrentaram enormes dificuldades para se recuperar. Por causa da necessidade de sobrevivência, a competitividade passou a ser um imperativo do qual não se pode fugir.

Por sua vez, o enfrentamento da competitividade obriga as empresas a reverem suas estratégias de produção. É difícil para qualquer negócio sobreviver (mesmo uma simples padaria) fora do binômio da automação associada a decisões artesanais. Lamentamos a automação porque ela elimina empregos, mas raros são os casos nos quais os custos de um negócio sejam competitivos sem a incorporação de fluxos automatizados de produção. Podemos constatar essa condição na análise do caso dos bancos. Entre 1990 e 2000 tivemos uma diminuição aproximada de dois terços dos empregos dos bancários com a automação dos serviços. A situação é análoga nas fábricas de automóveis e nos escritórios. Todos sabemos que o serviço público é um emprego em extinção, não se discute mais o “se” mas o “quando” vamos automatizar a máquina governamental e enfrentar a demissão de milhares de funcionários. Talvez essa decisão seja um dos mais complexos dilemas políticos que enfrentamos hoje; utilizar o dinheiro público para recuperar nossas deficiências históricas de infraestrutura de saneamento, saúde, educação e transporte, ou manter o emprego de milhares de pessoas que terão sérias dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, por não estarem treinadas ao trabalho competitivo.

De outra parte, a contínua incorporação de novas tecnologias aos negócios, as inesperadas turbulências no mercado financeiro, as crises na produção e o manejo freqüente de símbolos e significados minaram a potencialidade dos manuais e da autoridade hierárquica. A manutenção dos resultados parciais em qualquer fluxo de transformação depende de uma avaliação das contingências “de plantão”, às quais os eventos têm que ser ajustados. Essa condição torna o trabalhador um elemento da produção mais necessário do que nunca, menos pela sua força de trabalho do que pela sua capacidade de discriminar contingências e tomar decisões; a eficácia dos resultados depende de seus diagnósticos do aqui e agora. O trabalhador responsável está atento à variabilidade no contexto e no evento em particular como condição essencial para criar a melhor solução, capaz de resolver os problemas daquele momento. O trabalhador é chamado a realizar contínuos diagnósticos da situação e propor soluções, muito freqüentemente novas, ainda não previstas nos manuais. Não se pode mais apenas seguir as regras, mas recriá-las a cada novo evento. Em uma pesquisa que estamos realizando neste momento, a partir de resultados preliminares e parciais, pudemos constatar que em torno de 70% das pessoas entrevistadas, tanto em cargos técnicos como operativos e gerenciais, não possuem uma rotina de trabalho e de atividades. A eficácia de um simples funcionário auxiliar de operações depende de seus diagnósticos e de sua capacidade de realizar simulações. Portanto, estamos diante do emprego just-in-time: quem trabalha não tem certeza das tarefas que enfrentará no momento seguinte. Uma das dificuldades que temos observado na manutenção dos empregos está na resistência ou insegurança das pessoas, habituadas a operar sob contínua tutelagem, preferindo ter alguém que as oriente.

Outro aspecto essencial da manutenção dos empregos é a percepção de sua migração e da alteração de seu caráter de atividades substantivas. Constatamos o desaparecimento dos empregos na indústria, mas observamos o desenvolvimento dos empregos na distribuição. Os empregos estão migrando de setor. No Brasil, em 1970, segundo o IBGE, 49% dos empregos do país estavam na indústria. Hoje, esse índice não chega a 22%. Por outro lado, os empregos na área de distribuição e no setor de serviços estão crescendo. Só no ramo de hotelaria e flat-hotéis, há uma estimativa de 23 mil novos empregos diretos, sem contar as atividades satélites que se criam ao redor da área hoteleira. Em paralelo a essa migração, constatamos o rápido e crescente desenvolvimento dos produtos culturais, como fonte de trabalho e capital. Num mercado ávido pela novidade e sensível ao bombardeio de símbolos aos objetos e sujeitos, é natural que a economia se desenvolva na esfera de produção de cultura. Recentemente, o nascimento de uma menina, filha de uma famosa apresentadora de televisão, com reputação nacional transformou-se numa polpuda fonte de produção de capital. Essa menina foi transformada num produto cultural através do qual lucros e dividendos engrossaram os resultados de diversas empresas. Esses fatos evidenciam que os empregos estão migrando da indústria e dos bancos para empresas relacionadas a produtos culturais, hoje, um grande potencial de negócios

Diante do exposto, o que surge como modelo de emprego? O empreendedorismo. É difícil sobreviver na sociedade globalizada, fora desse modelo. Ser empreendedor é a regra para a manutenção de um emprego, não importa se alocado num banco, numa fábrica, num consultório ou como vendedor ambulante. Os negócios estão sendo pulverizados, os empregos são criados pelas pessoas e os resultados dependem de ajustamento aos eventos que recriam as regras do jogo naquele momento. Quem é o empreendedor? É aquele trabalhador que comprometido com os resultados, cria competências organizacionais, sociais e econômicas para realizar a transformação que o negócio exige. Estou, atualmente, denominando esse trabalhador de agente econômico reflexivo, porque é o trabalhador que deve produzir valor econômico, a partir de sua atividade, tendo a reflexão como seu principal instrumento de trabalho. É um indivíduo que administra sua vida profissional, agora sujeita a alterações imprevisíveis e freqüentes, obrigando-o a reorientar sua identidade, suas atitudes, metas, rotinas e redes sociais. O agente econômico reflexivo é aquele profissional que reinventa-se a si mesmo, agindo de tal modo que os outros confiem nele e vejam vantagens em se associar a ele.

A contratação de um novo funcionário, ou a manutenção de um, anteriormente contratado, depende de uma estimativa e avaliação de sua eficácia, ou do valor que ele agregará (ou já agrega) ao produto ou serviço. Ele é avaliado não apenas por seu compromisso com os resultados, mas também pela diferenciação de qualidades que ele é ou será capaz de produzir no produto ou serviço. Para tanto, verifica-se ou estima-se o quanto ele é capaz de estar atento aos detalhes do processo e dos resultados, bem como valorizar os custos comprometidos nessa transformação. Aferem-se, igualmente, seus hábitos de monitoramento de seu próprio desempenho, avaliam-se suas iniciativas por melhores resultados e sua desenvoltura de atuação distante da tutela do chefe. Valoriza-se sua capacidade de integrar-se a novas tarefas e de recriar seu posto de trabalho em função das exigências de respostas à competitividade. Além disso, considera-se, igualmente, seu empenho em elaborar e realizar um projeto de desenvolvimento pessoal e profissional, cuidando de sua atualização e do acréscimo de novas competências. Finalmente, considera-se sua realização pessoal, o prazer que ele revela na realização de suas tarefas e na produção de resultados. O trabalhador ideal é aquele que é crítico de seu trabalho e de sua empresa e move-se profissionalmente, numa relação de reciprocidade entre sua empregabilidade e a empresabilidade por parte da empresa. Como escreveu Eugène Enriquez, é aquele que é capaz de integrar as metas de sua carreira aos alvos de seus ideais de ego. Não é fácil, para quem esteve por muitos anos habituado a um ambiente de trabalho calmo e conservador, ajustar-se ao perfil do agente econômico reflexivo.

Esse ajustamento promove a alteração do modelo de carreira. Da carreira tradicional, estamos migrando para o modelo de carreira sem fronteiras (boundaryless careers). Chamamos de carreira a mobilidade entre as atividades profissionais na vida de um indivíduo. Essa mobilidade reflete seu crescimento psicológico, profissional e econômico, sua estagnação, ou sua marginalização. No modelo tradicional de carreira, essa mobilidade acontecia de forma planejada, era linear e ascendente na escala hierárquica, balizada pela empresa que criava uma trajetória crescentemente complexa de tal forma que poderia ser avaliada por sinais visíveis e inequívocos de progresso em seus diferentes estágios. Esse modelo de carreira foi introjetado em nossas mentes e, grande parte dos trabalhadores ainda o tem como a trajetória para si mesmo. O modelo emergente de carreira, aqui denominado de carreira sem fronteiras, implica uma mobilidade irregular e imprevisível tanto no grau de desafio como na remuneração entre atividades dentro de uma mesma empresa, entre empresas ou fora delas, no trabalho autônomo. Nela, os indivíduos não recebem nem buscam empregos mas os criam e recriam, a partir de suas próprias competências e do manejo dos contratos psicológicos. Nessa forma de carreira, os sinais de progresso são ambíguos e equívocos, por isso, os indivíduos dependem de constantes avaliações advindas dos resultados, da rede social e profissional nas quais se inserem e do balizamento de sua própria identidade profissional que é o capital através do qual os indivíduos negociam sua inserção em novos projetos ou cargos.

Chegamos aqui ao ponto chave de nossas questões iniciais que constitui uma hipótese sobre as condições de emprego na sociedade atual: as pessoas hoje não sabem o que está acontecendo no mercado; não têm bem claras as novas regras do jogo nos negócios e, conseqüentemente, estão atuando de maneira inadequada. Insistem em manter-se no mesmo ramo, quando este está decadente. Seria o caso de um fresador de Santo André. As fábricas estão migrando para outros municípios. Esse fresador enfrenta um dilema. Para manter-se fresador, ele deve migrar para onde as fábricas estão se instalando, caso contrário, decidindo permanecer em Santo André, ele terá que mudar sua profissão e identidade, e tentar emprego no ramo comercial ou hotelaria. Como seu ramo profissional está decadente na cidade, para continuar no mercado de trabalho ele é obrigado a tomar uma decisão radical. Os empregos estão diminuindo em alguns setores, aumentado em outros e há muitas chances de criação de empregos no trabalho autônomo. Procurar emprego em uma grande indústria é sempre um risco, criar um espaço de trabalho como autônomo é sempre uma opção disponível, embora, hoje, seja muito complicado distinguir uma oportunidade de um risco. Conhecendo a competitividade sanguinária que assola o mercado e a exigência de eficácia e qualidade, as pessoas não têm alternativa senão acompanhar o mercado do trabalho em sua metamorfose. Para tanto, é imperativo cuidar da própria capacitação, desenvolver as redes sociais e acompanhar a evolução dos negócios e do mercado. Procurar um emprego numa grande empresa apresentando o próprio currículo é um caminho duvidoso. Temos que criar nosso emprego dentro ou fora da empresa, mas somos nós que criamos os empregos. Ao me dirigir ao recrutador de um grande banco ou indústria, o esperado é que eu saiba, de antemão, o que essa empresa espera de seu funcionário. Tenho que conhecer os projetos e problemas que ela enfrenta e discuti-los com o entrevistador, de tal modo que este perceba minha capacidade de agregar valor e o meu compromisso. Ao invés de falar diretamente sobre mim, devo apresentar propostas e idéias que, podendo ser discutidas com o recrutador, revelem a ele meu potencial de trabalho. A regra é agir de tal modo que os outros queiram se juntar a você porque você é capaz de criar competências organizacionais, sociais e econômicas que agreguem valor ao produto ou serviço.

Alguns dados recentes de pesquisa têm evidenciado essas condições. Nicholson e West (1996) estudando a mobilidade dos trabalhadores ingleses constataram que 50% das pessoas que um ano antes haviam dito que procurariam um novo emprego, lograram encontrá-lo como almejaram. Isso demonstra que o mercado de trabalho está poroso e que há espaço para as pessoas intervirem nele. O aumento do mercado informal é uma outra evidência dessa tendência. Muitas pessoas estão inventando novas atividades como o mecânico virtual, o pagador de contas bancárias, os diferentes tipos de aulas particulares, etc. É o momento do agente econômico reflexivo. Nessas condições, o ponto essencial da capacitação é o desenvolvimento do capital social, do capital intelectual e da responsabilidade pelos resultados. Assim como a produção nos dias de hoje depende do binômio automação versus decisões artesanais, o trabalhador depende igualmente de um trinômio: a busca de capacitação, a busca de visibilidade e o conhecimento da sociedade atual e suas novas regras. Deve ser visível nele sua capacidade de criar e coordenar competências. Este último para mim é o ponto mais importante. Hoje, o mundo dos negócios exige que se criem competências. O trabalhador de hoje administra a sua empregabilidade através do desenvolvimento de sua identidade profissional, que é o capital com o qual ele negocia sua participação em novos cargos, missões e projetos. Para tanto ele deverá ter um plano pessoal de desenvolvimento profissional através do qual ele monitora três metas: a) o desenvolvimento de novos recursos pessoais e o desenvolvimento da qualidade daqueles recursos que ele já possui. b) o desenvolvimento de seu vínculo com o trabalho, tornando-o fundamentado no compromisso com os resultados. c) a criação de uma história de realizações, através da qual seu capital profissional se torna visível. Sem dúvida, seria mais fácil ter um emprego estável na forma da institucionalização do trabalho na sociedade industrial, porém esse mundo, embora, aparentemente melhor, já não está disponível. É por isso que vivemos estressados e sem espaço para descanso. A resposta às nossas questões iniciais podem ser resumidas na seguinte frase: os empregos estão se tornando menos substantivados, mais voláteis, migrantes e criados pelas pessoas, mais do que pelas empresas. O destino do trabalhador é se apropriar de seu próprio desenvolvimento e competir no mercado de trabalho, como as empresas competem entre si. Embora essa condição seja desumana é a condição na qual temos que viver. A desumanização do trabalho nesses últimos 20 anos, deixou de ser caracterizada pelas más condições de trabalho, passando para a competitividade entre os empregos.

Referência Bibliográfica

Nicholson, N. & West, M. (1996). Men and women in transition. In J. Billsberry (ed.), The effective manager: perspectives and illustrations (pp. 29-33). London: Sage.

* Mesa-redonda “Mercado informal, empregabilidade e cooperativismo: as transformações das relações de trabalho no mundo contemporâneo”, organizada pelo Centro de Psicologia Aplicada ao Trabalho do IPUSP em 29 de abril de 1999. Diante de uma situação na qual os índices de desemprego aumentam, observa-se o crescimento do mercado informal de trabalho, das formas cooperativas de relação de trabalho e a emergência da noção de empregabilidade. Para debater esses três assuntos, foram convidados: Ricardo Antunes, Maria Cristina Cacciamali, Sigmar Malvezzi e Luigi H. Verardo, cujas exposições são apresentadas a seguir.
1 Professor do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.

 

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Empregabilidade: bons relacionamentos “abrem portas”, mostra pesquisa
por Por Flávia Furlan Nunes – Infomoney

Dizer “oi” a todos quando chegar, agradecer uma ajuda, se desculpar pelos erros e manter um clima harmonioso no trabalho. Tudo isso são apenas detalhes para você? Pois está totalmente enganado. As atitudes são essenciais e não devem ser ignoradas, pois garantem bons relacionamentos na carreira e, conseqüentemente, podem “abrir portas”.

Essa é a principal conclusão da pesquisa “A contratação, a demissão e a carreira dos profissionais brasileiros – edição 2007″, realizada pelo Grupo Catho, que mostrou ainda que 40,08% dos profissionais consultados já aceitaram um convite de ex-superior ou ex-colega para trabalhar em outra empresa.

Sexo e cargos
De acordo com a pesquisa, é pequena a diferença na proporção das mulheres e dos homens que já receberam um convite de ex-empregadores para trabalhar: de 17,21%, no primeiro caso, e de 17,32%, no segundo. A média geral é de 17,28%.

Os consultores são os profissionais que mais ganham convites, com 22% que disseram já ter recebido um. Em contraposição, os vice-presidentes são os que menos recebem, com 11,90% que afirmaram já terem sido chamados para trabalhar com um ex-colega.

Dentre os homens, 26,67% dos professores universitários disseram ter recebido um convite, a maior proporção, enquanto o menor índice foi entre os vice-presidentes (10,81%). Dentre as mulheres, são as gerentes (23,27%) e as presidentes e gerentes gerais (8,51%) que se classificam melhor e pior quanto ao recebimento de convites.

Convites feitos
A pesquisa ainda mostrou que 42,52% dos 12.122 profissionais consultados declararam ter feito um convite de emprego, pelo menos uma vez, para ex-funcionários e ex-empregadores. Outros 44,36% conseguiram uma vaga graças a uma indicação de amigos.

Tudo isso ressalta a idéia de que bons relacionamentos podem gerar oportunidades de trabalho em épocas de insatisfação com a carreira ou desemprego. Quem procura uma chance deve sempre manter o networking em dia.

Sofia Esteves do Amaral, consultora da Cia de Talentos, esclarece as dúvidas de um leitor que está em busca do primeiro emprego.

Sou descendente de italianos e conheço um pouco do idioma. Isso é diferencial para o currículo?
Infelizmente não é o suficiente. Hoje em dia, o conhecimento do idioma inglês é quase obrigatório, e o de espanhol, aconselhável, para tornar o currículo atraente.

Ainda se usa mandar uma carta de apresentação com o currículo ao responder um anúncio?
Sim, uma carta objetiva e curta, com até 15 linhas, é uma boa forma de chamar a atenção do selecionador. Sugiro o seguinte enunciado: ” Respondendo ao anúncio publicado no dia “x”, envio o meu currículo, com a intenção de iniciar carreira na sua empresa. Como minha prioridade é obter uma colocação, a pretensão salarial está em aberto, de acordo com as possibilidades da empresa”.

Como devo me comportar numa dinâmica de grupo?
Na dinâmica, um dos pontos avaliados é o relacionamento em equipe. Por isso procure não falar demais nem ficar mudo, aja naturalmente. Seja participativo, não tente falsificar uma imagem, mesmo sabendo que está sendo avaliado. A barreira da timidez deve ser ultrapassada, para que demonstre que tem as próprias opiniões.

As empresas não têm me chamado para entrevistas. Suponho que é por não ter como comprovar experiência profissional. Por onde começar?
Procure agências de emprego, parentes e amigos que possam indicá-lo nos locais em que trabalham e dê preferência a empresas de pequeno e médio porte. Outra opção é divulgar o currículo na Internet, em sites gratuitos especializados em recursos humanos.

Como distribuir os dados pessoais no currículo? Devo incluir números de documentos?
No alto da página, coloque o nome na primeira linha e logo abaixo, em uma fonte menor, o endereço completo, a data de nascimento ou a idade e o estado civil. Os números dos documentos só precisam ser informados na contratação.

Devo reenviar o meu currículo para as empresas a cada novo curso realizado? Os currículos em papel recebem a mesma atenção dos selecionadores quantos os enviados por e-mail?
Dependendo do curso, não é necessário, a não ser que seja muito relevante para o aprimoramento, como um de nível superior. Há empresas que só pedem currículo via e-mail por causa da rapidez e da praticidade. Pior isso é aconselhável cadastrar-se num provedor que ofereça um e-mail grátis.

(Folha de S. Paulo)

O livro “O Meu Primeiro Emprego”, de José Ney Pereira Lanças, tem como objetivo auxiliar os jovens na difícil escolha da profissão e do primeiro emprego. Engenheiro Mecânico, Pereira Lanças começou como estagiário na Coca-Cola e chegou a diretor corporativo para a América Latina.

“Os exemplos foram extraídos a partir da observação de muitos jovens com que tive contato, em especial meus filhos, e que se encontravam totalmente perdidos quanto ao que fazer no futuro próximo”, explica Lanças.

O autor conta que, pela vontade do seu pai, teria feito carreira no Banco do Brasil. “No primeiro momento gostaria de fazer Belas Artes, Astronomia ou curso para Maestro de Orquestra. Só pelas opções já dá para perceber que não tinha a menor idéia do que fazer profissionalmente”, lembra.

A escolha do curso certo é o primeiro grande passo. Lanças enfatiza que, em seguida o jovem deve tirar o máximo proveito das matérias curriculares e extracurriculares, garantindo o diploma. “O terceiro grande passo, e não menos importante, é a escolha do emprego certo, intimamente ligado à empresa certa e, por sua vez, à área certa e ao orientador certo,” ressalta o autor.

Um dos alertas do livro se refere à fase de trainees. Segundo Lanças, o maior risco é o nível de arrogância que muitos adquirem após passarem por concorridos processos de seleção.

Depois da fase lua de mel quando os trainees estão sendo treinados e passando por programas de integração, almoços, viagens, cursos e sendo preparados para ocupar funções de destaque da empresa vem a entrada na vida real onde se precisa da ajuda de todos e sem boa vontade e colaboração nada se consegue,” observa.

Ele ainda lembra que ficar isolado do resto dos funcionários e numa redoma de vidro colocado pelos próprios dirigentes não é nada bom. “Já vi muitos programas de trainees com excelentes profissionais irem por água abaixo justamente pelo excesso de zelo das empresas”, conta Lanças.

A dica do autor é: fuja da armadilha. Seja humilde, amável, amigável e companheiro de todos na empresa, não importando o cargo que ocupam. Procure aprender com os mais velhos, esteja aberto a sugestões, comentários e críticas”, sugere.

O meu primeiro emprego
Autor: José Ney Pereira Lanças
Editora: Campus
Preço: R$ 35
Central de Atendimento Campus: 0800-265340
Site: www.campus.com.br

(Diário de S. Paulo – 13/01/03)