Entrevistas


Ex-aluna do Energia conta como organizou seu estudos para passar no vestibular

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Luiza Bonin foi aluna do Sistema de Ensino Energia de Rio do Sul e obteu êxito nas duas universidades mais concorridas de Santa Catarina. Passou no vestibular em ADM na ESAG/UDESC e em Engenharia de Materiais na UFSC. Seus dois irmãos também fazem Engenharia na UFSC.

CRISTIAN: Você planejou seus estudos? Como foi?

LUIZA: -Eu planejei sim.

-Estudava mais para as matérias que tinha mais dificuldades, e fazia os exercícios do dia sempre naquele dia.

-O que restava era feito aos sábados e não costumava estudar nos domingos.

-Tinha noção da nota de corte que eu precisava alcançar e ia atrás daquilo.

-Fiz muitas provas antigas, o que é fundamental principalmente pra UDESC.

-E uma das coisas que mais me ajudou foi ser tranqüila e confiante, tinha no meu subconsciente sempre uma firmeza que eu iria passar.

Isso, exatamente isso.

CRISTIAN: Depois que você passou nos vestibulares, mudou sua forma de avaliar seus estudos?

LUIZA: -Este final de semana que passou a Dandara (ex-aluna energia que passou em ADM na ESAG/UDESC e em Odontologia na UFSC) e eu, viemos juntas para Rio do Sul e estávamos comentando do que deu certo, e do que a gente podia ter estudado mais e diferente.

-Agora a gente tem outra noção, e uma das coisas que estávamos comentando é que muito mais do que a quantidade de estudo, a QUALIDADE dele é muito importante

Esse dois fatores aliados ninguém derruba!

-Mas por exemplo, tinha dias que passávamos a tarde inteira na biblioteca fazendo exercícios de uma ou duas matérias porém o ganho em conteúdo era pequeno. O segredo está em estudar as coisas certas. Ter uma estratégia de estudos.

CRISTIAN: Que tipos de materiais você utilizou para estudar?

LUIZA: Essa é outra coisa importante.

-Como os professores conhecem muito bem a apostila, a aula deles é direcionada para os exercícios da apostila, aí tu observa a aula que é muito boa e consegue fazer os exercícios. A partir disso tu pensa que sabe tudo sobre o assunto, o que pode ser uma ilusão.

-Então é importante que o aluno tenha um senso crítico quanto a isso, que leia o assunto na apostila ou em outros livros (estes ajudam muito) para ir um pouco além, porque o vestibular quase sempre vai.

CRISTIAN: Que outros conselhos você pode dar aos alunos que vão prestar vestibular?

LUIZA: Acho que deve colocar também que é importante ter um momento pra fazer algo que realmente goste, uma atividade de lazer ou esporte. Eu faço Judô.

-Tem um fator chave: As companhias no ano do vestibular fazem toda a diferença, é um ano que é bom ter amigos que realmente querem estudar ou que pelo menos respeitem o seu estudo.

-Os alunos devem sugar os professores, tirar o máximo de conhecimento que conseguir, pois os professores sabem muito mais do que passam em suas aulas.

-E a última dica é o treino: Fazer muitas, mas muitas provas de vestibulares anteriores e simulados, e um dica, com o tempo cronometrado, por que no dia do vestibular o tempo para fazer a prova voa, e você tem que estar acostumado com a pressão e o ritmo.

Rio do Sul, 13 de maio de 2009

Optar por um curso é mais que escolher uma carreira: é esboçar um projeto de vida.

· O sr. é bastante crítico aos testes vocacionais. Eles não são úteis para ajudar o jovem na escolha de sua profissão?

Silvio Bock - Os testes pretendem mais que isso: em geral se pensa que através de perguntas e respostas pode-se chegar a definir a vocação de uma pessoa. Estou certo de que os testes são um instrumento incapaz de medir aquilo a que se propõem. Primeiro porque partem do pressuposto de que as profissões e as pessoas não mudam. Segundo porque pretendem que deve haver uma harmonia perfeita entre pessoas e profissão – e ambas são dinâmicas, mutáveis.

· Mas escolher uma profissão não significa, antes de mais nada, descobrir a própria vocação?

Silvio Bock -Também sou cauteloso quanto a essa história de vocação. Na verdade o conceito de vocação sempre foi utilizado como justificador e legitimador de desigualdades sociais: o negro como trabalhador braçal, mulher como refém da maternidade; isso no fundo é o mesmo que dizer que umas pessoas nascem para mandar e outras para a subserviência. É a tal da vocação genética, que vem a ser o determinismo biológico. Eu costumo dizer que quem tem vocação biológica são os animais. Isto é, uma abelha já nasce absolutamente determinada para se relacionar com o mundo de uma forma específica, e ela sempre o fará da mesma maneira desde que não aconteçam mudanças radicais na natureza. Já o ser humano não nasce com nenhuma determinação biológica nesse sentido, e portanto é livre para ser o que quiser.

· O que significa, então, escolher um curso ou uma profissão?

Silvio Bock -Antes de mais nada, escolher uma profissão é esboçar um projeto de vida. Não se trata apenas de se perguntar: faço Química ou faço Física? A pergunta mais apropriada é: que projeto de vida eu desejo para mim? Estabelecer e fixar esse projeto é mais que uma escolha, pois implica principalmente renunciar a várias outras escolhas possíveis. Uma pessoa pode amar várias profissões em perspectiva e ter de escolher uma. Será preciso decidir e essa decisão é um ato de coragem que significará perda. Às vezes é máis difícil admitir as perdas da renúncia que assumir o ganho da escolha em si.

· Que fatores devem pesar na hora da escolha?

Silvio Bock -Em primeiro lugar, ninguém deve esperar que a escolha se manifeste de uma forma mágica, como uma iluminação que vem do céu. Encarar a escolha significa, antes de mais nada, encarar o conflito que se trava dentro de nós. É uma coisa às vezes dolorosa, cansativa e angustiante, mas que deve ser enfrentada. O jovem deve buscar informações, colocar o seu conflito para fora. Enfim, sistematizar o que está buscando. Há maneiras de se informar sobre as profissões existentes, de saber o que pensam os profissionais de cada área e, principalmente, o que pensa o próprio interessado a respeito. Ele se deve colocar a questão do prazer e da realização pessoal, do mercado e da contribuição social. e não deve sentir vergonha de ter dúvidas. É um engodo a concepção de que se deve ter em mente desde pequeno o que se vai ser quando crescer. No fundo, por ter todos os caminhos ainda abertos à sua frente, o indeciso tem todas as possibilidades de fazer uma boa escolha.

· Nesse processo de escolha, ouvir as outras pessoas é uma boa?

Silvio Bock -Naturalmente. Claro que se alguém disser “você deve”, desconfie. E salutar conversar com os pais, com os mestres e com as pessoas mais experientes que trabalham em ocupações distintas. Acho mesmo que as escolas deveriam fazer um trabalho sério de orientação profissional, especialmente na de segundo grau, mas vejo que a maioria delas continua omissa quanto a isso. Certamente os jovens podem chegar a escolhas adequadas sem o trabalho de um orientador, mas com a sua ajuda eles organizariam melhor sua reflexão.

· Até que ponto a interferência dos pais na escolha profissional dos filhos é benéfica?

Silvio Bock -No próprio processo de vida do jovem os pais interferem desde o começo. Isso é inevitável. No passado o pai mapeava o espectro social e distribuía papéis ocupacionais para os filhos: você var ser advogado, você médico, você engenheiro ou bispo. Hoje a diferença é que os pais já não interferem autoritariamente. O problema é às vezes o inverso: por excesso de liberalismo, muitos pais acabam se omitindo. Por isso é importante que o jovem tome a iniciativa de falar a respeito com os pais, dialogar com eles conscientemente. Deve-se conhecer as expectativas deles a seu respeito, por que não? O diálogo traz sempre um ganho interessante. Agora, a decisão final tem de ser sua. É frequente ouvir hoje em dia: “Eu não quero decepcionar meus pais, por isso vou fazer tal curso”. É um discurso oposto ao dos ano 60 e 70, quando o costume era dizer: “Meus pais que se danem, não tenho culpa de ter sido posto no mundo”. Ambas as posições são extremadas e é possível que a razão esteja no meio.

· A maioria dos jovens geralmente tem dúvidas entre cursos de áreas afins (por exemplo: Física ou Engenharia Elétrica), mas há quem hesite entre cursos muito diferentes (Química ou Letras). Isso é absurdo?

Silvio Bock -De modo algum. As profissões são antagônicas apenas na aparência. A lógica da conveniência diz: você está absolutamente confuso, meu caro. Mas a realidade responde: isso é absolutamente possível. Por que é que a escolha deve ser somente entre sorvete de morango e sorvete de abacaxi? Pode ser que você queira escolher entre sorvete e hambúguer! Muitas pessoas são realmente capazes de demonstrar aptidões para atividades as mais distintas. É ainda uma questão de escolher.

· Na hora da escolha, o jovem deve apostar na carreira que mais se aproxima das matérias em que ele se destaca?

Silvio Bock -Pode ser útil como um primeiro indicador, mas não é um critério absoluto. O fato de não se ir bem numa disciplina não significa que se deva evitá-la a todo custo. Na verdade a correlação entre matéria escolar e profissão tem menos a ver do que geralmente se pensa. Gostar tem a ver é com a experiência concreta. Odeia-se hoje História e amanhã um determinado professor poderá torná-la um matéria fascinante. As pessoas simplesmente têm potencialidades insuspeitadas.

· O potencial econômico da uma profissão deve pesar na balança no momento da escolha?

Silvio Bock -As pessoas costumam colocar a questão desta forma: eu quero uma profissão que me satisfaça intimamente ou que me realize financeiramente? A colocação é falsa porque pressupõe que o que satisfaz não realiza. De um modo geral a idéia de priorizar o mercado merece lá as suas reservas. Primeiro porque a profissão pode vir a não “realizar” o profissonal na medida em que ele passa a se sentir descontente com aquilo que não o “satisfaz”. E segundo porque o mercado é dinâmico e as situações se modificam com o tempo: profissões promissoras podem não o ser amanhã e vice-versa. Avaliar conscientemente o mercado é válido e pode ser importante como um elemento a mais na escolha profissional, mas não é o único e nem o primeiro.

· Que fazer em relação às carreiras que se foi obrigado a descartar?

Silvio Bock -As profissões descartadas, por serem as mais próximas da escolha principal, devem ser colocadas como segundo e terceira opções. Acontece que, de um modo geral, o problema para a maioria dos vestibulandos não é propriamente escolher a profissão, mas passar no vestibular. Passando, seja lá no que for, eles se sentem compensados. Penso que, nesse aspecto, o jovem não deve fazer concessões. Por exemplo, em hipótese alguma ele deve escolher um curso menos concorrido apenas porque as chances de entrar são maiores. Nem tampouco buscar o mais concorrido por imaginar que assim ele estará valorizando a sua escolha. Nada disso. A escolha deve ser consciente, mas também sensata.

UNICAMP 93 (REVISTA DO VESTIBULANDO)

Fonte: http://www.estudantes.com.br/vocacional/entrevista.asp

Henrique Meirelles
Pres. Geral do Bank Boston
Liderar é uma combinação de vocação com treinamento. Ao mesmo tempo que é inato, porque não é qualquer um que consegue exercer liderança, é também fruto de muita dedicação e preparo. Se pudesse resumir toda a complexidade que envolve liderança em uma idéia seria a de que liderar é transmitir um sonho. É preciso inspirar as pessoas a chegar a um lugar em que elas ainda não estão. Não basta motivar-se, tem de motivar os outros. Não é suficiente ter uma idéia clara de onde ir, mas principalmente de como ir. O mais completo é o que sabe também assumir a função de gerência.
Talvez o aprendizado mais importante seja a necessidade de definir claramente as regras do jogo. Seja na política, seja numa empresa global, seja num campo de futebol, o primeiro degrau para o sucesso é entender o que pode e o que não pode, o que deve e o que não deve. Faz parte do papel de um líder colocar isso na cabeça de todos.
Esta definido pela evolução da sociedade que prevalece a vontade da maioria em qualquer circunstância, seja no município, seja no Estado, seja no governo federal. Isso elimina o conflito. Na empresa, o poder reside na assembléia de acionistas. É ela que define as regras do jogo e nomeia o conselho de administração. Os executivos contratados devem gerir a empresa balizados por essas regras.
Veja: Que características são indispensáveis a um profissional que ambicione uma carreira como a sua?
Henrique Meirelles: Tenho que pensar no que eu procuro quando vou contratar um profissional. A primeira coisa é o preparo. É muito importante que a pessoa domine as ferramentas básicas para a função. Um exemplo: quem quer trabalhar no departamento financeiro de uma empresa precisa conhecer finanças. Parece óbvio, mas muita gente negligencia o básico, achando que pode sair-se bem apenas com determinação e jogo de cintura. Há alguns anos, peguei um táxi numa capital latino-americana. O motorista era articulado e começou a criticar o ministro da Fazenda do pais. Chamou minha atenção pela inteligência, capacidade de comunicação e nível de informação. Só que o táxi estava mal cuidado, amassado, sujo e ele dirigia mal. Na semana seguinte, estava em Zurique e perguntei a um motorista de táxi o que ele achava do ministro da Fazenda. Ele não sabia sequer o nome do sujeito. Mas seu carro estava arrumado, limpo, bem conservado. Dirigia muito bem e me levou sem sobressaltos ao desatino. O segundo motorista evidentemente estava mais bem preparado para o trabalho que o outro. O segundo ponto que levo em consideração é se o candidato gosta do que faz.
Veja: Gostar do trabalho faz realmente diferença?
Henrique Meirelles: Faz toda. E é preciso deixar isso claro. Vou dar um exemplo. Há muitos anos, contratei uma recepcionista. Com alguns dias de trabalho, notei que ela recebia as pessoas de forma muito sisuda. Conversando com a moça, descobri duas coisas. A primeira foi que ela não gostava de sorrir. A segunda, que ela não gostava de ser interrompida quando envolvida em alguma tarefa. Ora, ninguém é obrigado a gostar de sorrir e achar legal ser interrompido. Só que recepcionistas, por definição, são interrompidas e sorriem. Precisam demonstrar satisfação e prazer em receber. Ela não servia para o cargo.
Veja: Então esse é o grande segredo? Ter competência técnica e gostar do que se faz?
Henrique Meirelles: Essas são apenas as premissas básicas. Há uma qualidade rara, que eu chamo de assunção de responsabilidade pelo resultado. Significa saber se responsabilizar pelo trabalho. Funcionários com essa característica são mercadoria preciosa. É fácil reconhecer um. Ele nunca diz “Não foi minha culpa”, uma das frases mais irritantes que um chefe é obrigado a ouvir. Nem se sente injustiçado quando responsabilizado pelo fracasso de uma missão que repassou a seus subordinados. É bem mais comum encontrar funcionários que despejam explicações e concluem dizendo “Fiz a minha parte”. Ora, meu trabalho é fazer com que o banco não perca crédito, dê lucro e satisfaça os clientes. A partir daí, o que está acontecendo com a economia é um problema que eu tenho de lidar.
Definindo bem o resultado que se espera, todos podem focar o mesmo resultado. Definidos os resultados esperados, o profissional que quer obter sucesso deve fixar padrões pessoais de excelência superiores à média. É fundamental. Os resultados que você espera de si mesmo têm de estar à frente daqueles que seus colegas, na maioria, esperam de si próprios. É comum eu me sentar com um subordinado para comunicar que nós dois estamos definindo o que é resultado satisfatório de maneiras diferentes. Às vezes, o que ele julga bom para ele não é suficiente para mim. Como eu sou o chefe, ou à pessoa se adapta ou procura outro trabalho.
Veja: À exceção da competência técnica, tudo o que o senhor citou pode ser qualificado como inteligência emocional.
Henrique Meirelles: É isso mesmo. Gostar do que se faz, assumir responsabilidade, focar resultados e ter padrão de cobrança pessoal elevado são componentes emocionais.
Veja: O senhor é ambicioso?
Henrique Meirelles: É preciso definir o que é ambição. Agora há pouco eu disse que é necessário fixar padrões de excelência pessoal acima da média para obter sucesso. Isso pode ser considerado ambição. Quero sempre entregar os melhores resultados.
É importante que todo profissional seja remunerado de forma justa. Mas não se pode tomar decisões profissionais colocando essa preocupação em primeiro lugar.
Entrevista com o SR. Henrique Meirelles, Presidente Mundial do BankBoston, publicada na Revista Veja, Ano 34 – Nº 9 de 07/03/2001

Fonte: Karin Sato  -  20/02/08 – 08h54  -  InfoMoney

SÃO PAULO – Os jovens não se comportam de forma adequada no ambiente corporativo, menos por má vontade e mais por desconhecer suas regras, que, infelizmente, na maioria das vezes, são rígidas.

Eles usam programas de mensagens instantâneas para falar com amigos, visitam sites indevidos, usam roupas inadequadas, como jeans rasgados, bermudas e blusas com decotes grandes, além de falar gírias e pecar no quesito simpatia.

Dicas
Antes de cometer uma gafe, acompanhe as dicas da consultora de etiqueta profissional, Renata Mello.

Se você é candidato a uma vaga de emprego, na entrevista, lembre-se:

  • Demonstre boa vontade, sorria ao interagir com o entrevistado;
  • Preste atenção na maneira como você se senta, evite sentar esparramado, como se estivesse na faculdade ou no cursinho;
  • Evite ficar balançando o pé ou a perna, uma vez que o entrevistador pode entender isso como ansiedade;
  • Se ficar esperando em pé, não se encoste nem ponha o pé na parede. Mantenha a postura ereta e firme;
  • Evite se atrasar. Se acontecer, peça desculpas e não fique culpando o trânsito;
  • Não entre na sala de entrevista sem pedir licença;
  • Procure informações sobre a empresa, antes da entrevista. Entre na internet e converse com os amigos. Isso aponta interesse e iniciativa. Mas jamais demonstre ser o “senhor sabe tudo”;
  • Procure se vestir de acordo com o perfil da empresa, sem exageros;
  • Ouça as perguntas com atenção e procure ser objetivo nas respostas;
  • Cuidado com o português. Fale correto, mas não necessariamente usando palavras difíceis. Elas podem ser uma armadilha;
  • Se não entender a pergunta, tire suas dúvidas, para responder adequadamente;
  • Simpatia e descontração pode ajudar a conseguir o emprego. Mas cuidado com a famosa pose ou tratamento de “brother”, tão em voga. Ela é assustadora para as empresas.

Você conseguiu o emprego. Atenção para essas regrinhas básicas:

  • Seja comprometido com a empresa;
  • Não confunda sua sala de trabalho com uma sala de estar. Evite usar seu telefone celular ou o da empresa para ficar conversando com amigos;
  • Cuidado com o uso dos programas de mensagens instantâneas no horário do trabalho. Procure descobrir qual é o procedimento da empresa e evite ao máximo usar;
  • É inaceitável usar jeans rasgados, roupas tipo skatistas, decotes profundos e saias ou blusas curtas em um ambiente corporativo. Essas peças só são permitidas se você trabalhar em lojas de moda ou em locais que permitam esses trajes;
  • Cuidado com o corte dos cabelos e as cores exageradas;
  • Não use gírias nem gerúndios (por exemplo: “vou estar perguntando”) ao conversar com colegas e clientes;
  • Não fale ao telefone com a boca cheia;
  • Ao usar e-mails, atenção à escrita. Seja breve. Evite envio de e-mails pessoais em sua caixa postal de trabalho. Eles podem ser acessados pela sua chefia, pois a máquina é da empresa e não sua;
  • Preste atenção ao seu tom de voz;
  • Assuma seus erros;
  • Preste atenção aos níveis hierárquicos da empresa. Você é chefiado por alguém, e é a essa pessoa a quem você precisa responder e acatar ordens;
  • Cuidado com o termo “tipo assim”. Não use;
  • Seja pontual.

 A escola e a preparação para o trabalho

Fonte: http://www.mundojovem.pucrs.br/

Publicada na edição nº 376, maio de 2007.

Maria Carla Corrochano Os jovens têm vivido a crise do mercado de trabalho de modo dramático: além de mais atingidos pelos índices de desemprego, parte considerável dos jovens são mais fortemente sujeitos a empregos onde predominam baixos salários, longas jornadas e péssimas condições de trabalho.      Sobre este contexto e o papel da escola na preparação para o trabalho conversamos com Maria Carla Corrochano.
Maria Carla Corrochano,
da Ação Educativa (ONG que atua nas áreas de educação e juventude), São Paulo, SP.
Endereço eletrônico: carla@acaoeducativa.org

Mundo Jovem: Preparar para o mercado de trabalho é uma finalidade da escola?

Maria Clara: O artigo 205 de nossa Constituição responde de maneira muito clara: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Assim, a escola tem como um de seus deveres a preparação para o trabalho. Ocorre que é muito comum percebermos crianças, jovens e adultos em uma sala de aula apenas como estudantes. Especialmente em relação às crianças e adolescentes até os 16 anos sabe-se que, na verdade, seu lugar não é no trabalho, mas na escola, conforme a Constituição de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Entretanto, quando consideramos a realidade brasileira, muitas dessas crianças e adolescentes começam a trabalhar desde muito cedo. Assim, a escola tanto tem como tarefa a preparação para um trabalho futuro, como também a reflexão e debate em torno da própria situação presente de seus alunos. Muitos deles já estão hoje, no presente, inseridos no mercado de trabalho, tendo começado inclusive antes da idade permitida por lei. Não é apenas para o futuro que a escola deve olhar, é preciso contemplar a situação presente dos alunos em relação ao trabalho. O que fazem quando não estão na escola? Eles trabalham? Em qual trabalho? Procuram emprego?

Mundo Jovem: A escola está atenta à realidade e à vida dos jovens?

Maria Clara: Penso que, apesar dos vários esforços que vêm sendo realizados por uma ou outra escola, um ou outro professor, pesquisas recentes têm apontado que ainda predomina um certo distanciamento da escola em relação à vida dos jovens. Em geral os jovens são percebidos e considerados apenas em sua condição de estudantes. Mas não podemos esquecer que, além de alunos, são também jovens, moças e rapazes de diferentes classes e raças, trabalhadores ou desejosos de um trabalho e possivelmente também podem estar envolvidos em diferentes grupos e movimentos ligados à religião, à música, ao meio ambiente etc.

Algumas escolas tentam aproximar-se da realidade desses alunos por meio da implementação de projetos que geralmente repercutem pouco no cotidiano da sala de aula. Ou seja, muitas escolas até realizam projetos diferenciados nas escolas, em horários alternativos ou nos horários de intervalo das aulas, mas as aulas dos professores permanecem as mesmas e muitos jovens têm reclamado da grande distância entre suas vidas e os conteúdos aprendidos na esfera escolar.

Mundo Jovem: E o ensino superior inclui mais jovens no trabalho?

Maria Clara: Acho mais importante aqui um questionamento sobre a porcentagem de jovens que consegue atingir o Ensino Superior. Todos sabemos que é muito pequena. Dos 39.869.954 de jovens brasileiros de 18 a 29 anos, apenas 3.768.950, ou seja, 9% estavam matriculados no Ensino Superior, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-2005). Assim, a grande maioria dos jovens no Brasil sequer chega a esse nível de ensino. Hoje em dia, para muitos jovens, fundamentalmente de mais baixa renda, completar o Ensino Médio já representa uma grande vitória. Programas como o ProUni do Governo Federal têm contribuído para ampliar o acesso de jovens de mais baixa renda ao Ensino Superior mas ainda apresenta muitos limites, dado que observou-se uma sobra de 43% das vagas oferecidas pelo programa segundo dados do INEP.

Mundo Jovem: Como as escolas podem acompanhar as mudanças no mercado de trabalho?

Maria Clara: Antes de responder a essa questão, vale interrogar se a escola deve mesmo acompanhar as mudanças no mundo do trabalho. Trata-se de uma questão bastante controversa. Há autores que defendem claramente que não e outros que sim. Além disso, é preciso questionar: tudo muda? E as mudanças não atingem do mesmo modo diferentes regiões, setores e perfis de trabalhadores. Além disso, nem tudo é mudança. Há muitas permanências no mundo do trabalho. A tarefa primordial da escola é responder ao seu projeto pedagógico. Nesse sentido, o próprio projeto pode e deve incorporar questões relativas às mudanças, mas também às inúmeras permanências observadas no mundo do trabalho.

Quanto ao como, penso que um passo importante pode ser conhecer a própria realidade de trabalho dos alunos e/ou de seus pais. Certamente eles terão muito a informar sobre essa temática. Mas não podemos atribuir apenas à escola a responsabilidade pelo diálogo com o mundo do trabalho. Seriam necessárias políticas e programas específicos que contribuíssem para a aproximação entre a escola e o mundo do trabalho. Além disso, as próprias empresas deveriam assumir mais fortemente essa responsabilidade.

Mundo Jovem: Como e onde qualificar-se para o mercado de trabalho?

Maria Clara: Há inúmeras maneiras de qualificar-se para o mercado de trabalho e atualmente um dos discursos mais correntes é que a obtenção de uma vaga no mercado de trabalho depende de qualificação. Assim, não são poucos os jovens e adultos que procuram diferentes alternativas para qualificar-se. Também são inúmeros e muito diversos os cursos oferecidos por programas de governo, empresas e ONGs. Essa tendência que foi fortalecida nos anos 90 vem sendo fortemente questionada.

É inegável que um maior número de estudos e cursos realizados podem contribuir, mas sozinhos não conseguem garantir uma vaga no mercado de trabalho atualmente. Esta é uma questão a ser enfatizada. Muitos indivíduos acabam sentindo-se culpados por não conseguirem uma vaga no mercado de trabalho: “Não consegui porque não me qualifiquei”. No entanto não são poucas as pesquisas que têm enfatizado vários outros fatores que entram em jogo no momento de obter uma vaga: o sexo, a tal da aparência, o local de moradia, as redes de relações, o conhecido quem indica, dentre outras. Além disso, é evidente que o país precisa crescer economicamente, crescer tendo como elemento central a geração de trabalho e renda. O final da década de 90 marcou uma difícil transição, onde o desemprego e a luta pelo acesso ao trabalho e à renda passaram a ser características centrais de uma sociedade marcada não mais pelo incessante crescimento da economia e das oportunidades de emprego.

A carteira de trabalho passa a ser um sonho, objeto de desejo e de veneração. Agora, é o chamado mercado informal que dá as cartas. E o chamado trabalho informal que predomina, trabalho incerto e inseguro, trabalho literalmente temporário, na ampla maioria dos casos. Não é ainda o fim dos empregos, mas é o tempo do desemprego como epidemia social e econômica. Assim, é preciso ir muito mais além do debate em torno de como e onde qualificar-se.

Mundo Jovem: Sobre as diferentes profissões e o status de cada uma (pedreiro e engenheiro, por exemplo). Como a escola pode ajudar a equilibrar, a valorizar as diferentes profissões?

Maria Clara: Eu começaria perguntando: por que valorizamos mais o engenheiro? Em um país onde a escravidão foi a forma de trabalho dominante até o final do século 19 vivemos por muito tempo a desvalorização e a associação direta do trabalho do corpo e das mãos ao regime escravagista, demarcando a rejeição do trabalho por parte das elites coloniais (e também das pós-coloniais, até os dias atuais).

Tal herança é ainda evidente, como mostram a quase absoluta ausência do mundo do trabalho nas típicas telenovelas brasileiras, ou a infalível presença de atrizes negras como eternas empregadas domésticas. Ou ainda, para tomarmos a sociedade como um todo e não só os símbolos dos meios de comunicação em particular, como indica a persistente condição dos trabalhadores negros enquanto aqueles de pior inserção e maior vulnerabilidade na precária esfera do trabalho à brasileira. Basta um rápido olhar para as condições de trabalho e salário de um engenheiro e de um pedreiro para compreendermos por que uma profissão acaba sendo mais valorizada que a outra. Ao meu ver, a escola deveria levar os alunos a compreenderem as inúmeras razões que estão por detrás da desvalorização de algumas profissões em detrimento de outras.


Um novo mundo do trabalho?

Quando falamos em preparação para o mercado de trabalho, do que estamos falando? Eu ampliaria o conceito de trabalho. Entendo o trabalho como a transformação da natureza em produtos ou serviços, portanto em elementos de cultura. O trabalho é, desse modo, o esforço realizado, e também a capacidade de reflexão, criação e coordenação. Ao longo da história, o trabalho assumiu múltiplas formas. No mundo capitalista o trabalho assumiu uma forma muito específica: o emprego assalariado. Para que os trabalhadores fossem convencidos a vender seu trabalho em troca de salário, foi preciso destruir formas autônomas de sobrevivência, criar leis obrigando pessoas livres a trabalhar, reprimir todos aqueles vistos pela elite dominante como vagabundos e indignos. Só no fim do século 19 começam a ser legalizados os sindicatos e esboçadas as primeiras leis em defesa dos trabalhadores. Vale ressaltar que, em determinados grupos sociais, o trabalho pode fazer parte do processo de socialização das crianças, como em sociedades tribais, por exemplo.

Em nossa sociedade, ele está associado mais fortemente à sobrevivência. Mas o conceito de trabalho vai além do seu formato como emprego assalariado, embora nossa tendência seja associá-los. Um exemplo pode ajudar aqui: as mulheres que cuidam de suas casas e filhos estão trabalhando? Evidentemente, mas estão empregadas? Na grande maioria, não! São poucos os países que reconhecem os direitos das mulheres que trabalham no próprio lar! Caminhando nesse sentido, poderíamos imaginar vários outros tipos de trabalho que vão muito além do emprego, tais como o trabalho cooperativo, o trabalho por conta própria etc. Assim, de antemão parece importante ampliar o conceito de trabalho para além do trabalho assalariado. De todo modo, o mercado de trabalho assalariado está atravessando uma de suas maiores crises e vem se transformando ao longo dos últimos anos. No Brasil, é especialmente a partir dos anos 90 que observamos um aumento dos índices de desemprego e uma intensa precarização do mercado de trabalho. No interior dos espaços de trabalho é inegável reconhecer algumas mudanças: ampliam-se ofertas de trabalho que exigem novas competências em uma sociedade do conhecimento.

As transformações ocorrem geralmente nas empresas de grande porte, nas atividades econômicas mais dinâmicas, mas o momento é ainda de convivência, entre o tradicional e o inovador, entre o trabalho convencional e o trabalho dos símbolos, entre os tempos de suor e graxa e uma nova era do conhecimento, que não chegou aos quatro cantos do planeta. Até em um mesmo espaço de trabalho não é difícil encontrar situações de convivência de um trabalho altamente qualificado ao lado de um trabalho precário e degradado, sendo labor, cansaço e penosidade.

A colheita vem depois…

Fonte: http://www.mundojovem.pucrs.br/
Publicada na edição nº 381, outubro de 2007.

Rubem Alves Rubem Alves, 73 anos, escritor, gosta dos temas comuns da vida e escreve histórias para crianças. Assim apresenta-se o renomado educador, e vai logo dizendo: “nesse momento a minha grande preocupação e a minha grande aflição é a crise ambiental que está se anunciando sobre a terra. Há previsões de que ao final do século haverá apenas uma região terrestre para ser habitada, que é o pólo Sul. O gelo vai derreter e o resto do planeta vai se transformar num deserto. Isso me dá grande tristeza. Há muita coisa que pode ser feita para reflorestamento, despoluição, controle ambiental. Mas para mim, estes são cuidados paliativos.

A coisa é muito simples: nós somos um planeta limitado, com recursos limitados. E a idéia de crescimento constante é absolutamente incompatível com as limitações do planeta”.

Rubem Alves,
73 anos, educador, escritor, gosta dos temas comuns da vida e escreve histórias para crianças.
Na internet: www.rubemalves.com.br

Mundo Jovem: O que a escola e a educação têm a ver com a vida?

Rubem Alves: Por que os seres humanos se educam? A primeira razão por que os seres humanos aprendem é para sobreviver. Nós aprendemos ferramentas de sobrevivência. Todos os saberes são ferramentas de sobrevivência. É para isso que a gente aprende.

Os nossos saberes têm que ter um objetivo prático. Para que servem? Para dar competência para sobreviver. Outra coisa é que a gente aprende não só para sobreviver, mas para sobreviver bem. Nós temos padrões estéticos de beleza, de prazer, de busca. Isto faz parte da vida humana. Vida humana não é só viver, mas é vida com a toda sua exuberância cultural.

O que está acontecendo é que a coisa fundamental para que isso se dê, que é a vida, está sendo colocada em cheque. Do meu ponto de vista, a primeira prioridade para a educação, seria exatamente a questão da sobrevivência da Terra. Em tudo o que se ensina deveria se fazer a pergunta: o que é que isto tem a ver com a preservação da Terra? Porque se ensina muita coisa que não tem a ver com coisa nenhuma. Mas agora existe uma prioridade, e nós temos que tomar esta prioridade que é a preservação da Terra, a salvação da Terra.

Mundo Jovem: Os educadores estão preparados para educar para a vida?

Rubem Alves: Há educadores extraordinários. Há escolas extraordinárias. Mas há professores que vivem numa situação de penúria, de indigência intelectual nesses confins do Brasil.

Se a educação é a grande prioridade, fico desanimado. E a gente tem que pensar: o que a gente pode fazer?

Do meu ponto de vista, a transformação da educação brasileira não virá de nenhum ato burocrático, institucional. Aliás, a burocracia é a grande inimiga da educação, porque a burocracia impede as soluções ou as apreensões da realidade que acontecem no dia-a-dia, porque a burocracia formaliza tudo. As coisas são todas em grade. Aliás, se usa esta expressão na escola: a grade curricular. Eu diria que a expressão grade curricular foi inventada por um carcereiro desocupado. A vida não acontece em grades. Então é preciso mudar a substância da nossa educação.

Mundo Jovem: Como isso acontece na escola?

Rubem Alves: Vou dar um exemplo bem simples, o exemplo que mais uso: acho análise sintática absolutamente inútil. Não ensina as pessoas a ler, não ensina as pessoas a compreender, não tem a menor utilidade. Por que a análise sintática está no programa? Porque devia haver algum professor de análise sintática na comissão que elaborou os programas. Os programas não são feitos pela análise das necessidades, os programas são feitos por vaidades pessoais. Então, gasta-se tanto tempo com isto.

O que deve mudar? Quero muito que os alunos amem a leitura e amem os livros. Mas como é que a gente ama a leitura e ama os livros? Lendo, lendo, lendo! A gente aprende lendo e não fazendo análise sintática. Se quiserem colocar análise sintática na pós-graduação, ótimo, mas para a menina lá de 12 anos de idade não tem a menor utilidade, não ensina a ler. Então, as crianças, os adolescentes, têm que ler muito sobre a nossa crise para saber o que está acontecendo.

As pessoas, em geral, no dia-a-dia, não se dão conta da gravidade. É como se isso não fosse com elas. Isso é resultado do nosso hábito de televisão. Você vê as coisas acontecendo na televisão, mas nunca é com você. Sempre é uma coisa lá adiante. Então você coloca também a crise ambiental como se fosse na terra da televisão, como se não tivesse nada a ver com você, como se não fosse a sua vida e a vida dos seus descendentes.

Mundo Jovem: O que os jovens esperam dos professores e da educação?

Rubem Alves: É difícil você pensar os jovens em geral. Eu acho uma coisa: a gente aprende, tem que aprender aquilo que tem a ver com o que está em torno da gente. Se eu vivo numa floresta amazônica, não tem o menor sentido eu aprender coisas do deserto do Saara, porque não é o meu meio ambiente. Se existe um menino de 14-15 anos que vive numa periferia violenta ou no tráfico de drogas, ele precisa aprender coisas que tenham a ver com esse seu ambiente. Todos os alunos querem aprender coisas que tenham a ver com a sua vida. Mas a grande crítica dos alunos é que as coisas que estão lá não têm a ver com a sua vida.

Houve uma estatística sobre os alunos que deixam a escola, e lá diz que a grande razão pela qual os alunos deixam a escola não é porque não tenham dinheiro para pagar, mas é porque a escola é muito chata. E por que a escola é chata? Porque não tem a ver com os problemas concretos que as crianças e os adolescentes vivem.

Mundo Jovem: E sobre o genocídio da juventude brasileira que é muito grande nas periferias?

Rubem Alves: Eu lamento muito, não sei o que dizer. O fato é que a gente está no momento com uma série de problemas para os quais nós não temos solução.

A criminalidade hoje é uma realidade completamente diferente do que era há 30 anos. Antigamente a criminalidade era o marido que matava a esposa, por infidelidade; era um que roubava lá, que roubava cá, eram atos individuais. Hoje, o crime se constitui numa empresa riquíssima. É um negócio muito bem organizado. Então não é mais aquele pobre que assalta o outro. São empresas que se especializam em ganhar dinheiro. Logo, o crime, não é coisa de gente pobre, é coisa de gente rica. O que fazer? Eu não sei de ninguém que tenha uma resposta para isto. Então, eu me sinto assim vivendo num mundo cheio de problemas para os quais simplesmente não tenho resposta.

Mundo Jovem: Em termos de esperança, o que dizer para os professores e para os jovens?

Rubem Alves: Olha, as pessoas, nas coisas que elas crêem, têm sempre uma dose de esperança. A esperança que eu tenho hoje é muito diferente da esperança que eu tinha há 30 anos, por exemplo.

As pessoas me perguntam: você tem esperança de que estas coisas que você acredita venham a se realizar? E eu respondo a elas: há muito tempo que não faço esta pergunta. Não estou me interessando pela colheita. Só estou me interessando pela semeadura. Se eu tenho um desafio e quero ver se a minha resposta vai dar certo, simplesmente faço o que é correto. Eu faço a minha semeadura, fico feliz com minha semeadura e vamos dizer que a colheita a Deus pertence, não está nas minhas mãos. O que importa é a gente ser honesto com a gente mesmo, viver a vida com integridade e é isso o máximo que a gente vai fazer. E se a coisa vai acontecer ou se não vai acontecer, continua semeando.


Abençoada seja a paixão de ensinar

Conte-me, e eu vou esquecer. Mostre-me, e eu vou lembrar.
Envolva-me, e eu vou entender. (Confúcio)

Vivemos tempos em que é permitido pisotear flores, ignorar pérolas, subjugar pessoas e a mãe natureza. Mas, em especial, também é um tempo em que é permitido menosprezar aquelas e aqueles que, heroicamente, tecem histórias suas, e de outros, construindo o mundo da vida e da sabedoria. Estes são tempos em que aqueles que cuidam, não são cuidados. Aqueles que educam, não são valorizados. Aqueles que amam, sofrem com o deboche e o desprezo daqueles que não acreditam mais no amor.

Somos movidos pelas nossas utopias e paixões. Mas a realidade cotidiana é sempre dura, reveladora e cheia de contradições. A vida daqueles que denominamos mestres, educadores, professores, infelizmente, também é triste e desmotivada. Sim, logo aqueles e aquelas dos quais a sociedade ainda espera muito (saber, sabor e sabedoria). Pouco valorizados e feridos em sua dignidade, mas resistem bravamente. A escola tornou-se lugar de onde se espera muitas soluções. Muitas delas estão muito além das demandas de ensino-aprendizagem e das competências a partir das quais a mesma se organiza.

Os professores não deveriam, mas já se acostumaram. Acostumaram a ganhar baixos salários. Acostumaram a ter de trabalhar 60 horas semanais para garantir mais dignidade à sua família. Acostumaram a aceitar todo o tipo de pressão que a sociedade e os governos exercem sobre seu ofício e sobre a escola. E agora, pasmem, alguns já estão se acostumando com a desesperança, que pode ser lida na expressão de seus rostos e de seus olhares. Uma constatação triste, pois sempre foram e são vistos pelos adolescentes e jovens como um alento da esperança.

Nossos professores e nossas professoras estão doentes e estressados. Cuidaram, encaminharam e salvaram vidas alheias, mas não dedicaram o devido tempo para cuidar de sua própria vida. Como contemporiza a escritora Marina Colasanti, “eu sei que a gente se acostuma, mas não devia. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. A gente se acostuma para poupar a vida, que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma”.

Apesar de já terem se acostumado com tantas coisas, a maioria mantém sua missão de semear esperanças. Converse com algum deles e você verá como resistem para não virarem meros números, como quer a burocracia estatal, nas mais recentes investidas, questionando tamanho das salas x número de alunos x carga horária de professores. Muitos deles já pensaram em desistir, mas não conseguiram. “Desistir… eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça” (Geraldo Estáquio de Souza). Ainda bem que são tomados por uma imensa paixão de ensinar.

Nei Alberto Pies,
professor e militante de direitos humanos,
Passo Fundo, RS.
Endereço eletrônico: neialberto@gmail.com

Fonte: Max Gehringer’ – palestrante e colunista de EXAME

Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso
surpreende muita gente. Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um
grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal.
Figuras como o Raul. Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na
época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio. Na hora de
fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque
o Pena fazia tudo sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia
muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho – com tinta nanquim.
Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no
grupo era um só, apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse o Raul já
estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase. Deu no que deu. O
Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio
na carona do Pena – que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos,
ainda permitia que a gente colasse dele nas provas. No dia da formatura, o
diretor da escola chamou o Pena de ‘paradigma do estudante que enobrece esta
instituição de ensino’. E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo.
Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma
multinacional. Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas
de cinco e dez anos. E quem era o chefe do Pena?
O Raul. E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém
na empresa sabia explicar direito.
O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali
parecia discordar de tal afirmação. Além disso, o Raul continuava a fazer o que
fazia na escola, ele apoiava. Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul
que o Raul dava um jeito. Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia
sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa. Quando conversou
comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na
matriz, o mais ‘burrinho’ já tinha sido astronauta. E eu perguntei ao Raul qual era
a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta.
O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria,
ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer. Foi quando, num
evento em São Paulo, eu conheci o vice-presidente de recursos humanos da
empresa do Raul. E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor
inestimável: …ele entendia de gente. Entendia tanto que não se preocupava em
ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem
melhor, e fossem mais produtivos. E, para me explicar o Raul, o vice-presidente
citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase
ótima: ‘Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendêlo’.
Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as
relações entre as pessoas. Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um
expert, e todo pintor comum, um gênio.
É praticamente uma lei na vida que quando uma porta se fecha para nós, outra
se abre. A dificuldade está em que, freqüentemente, ficamos olhando com tanto
pesar a porta fechada, que não vemos aquela que se abriu. (Andrew Carnegie)

O reitor de uma Universidade do Sul da Califórnia enviou um e-mail para a Microsoft convidando Bill Gates a fazer um discurso no dia de formatura, incentivando os formandos no início de suas carreiras e, para sua surpresa, Bill Gates aceitou. Esperava-se que ele fizesse um discurso longo, de mais de uma hora, afinal ele é o dono da Microsoft e possuiu a maior fortuna pessoal do mundo! Mas Bill foi extremamente lacônico, falou apenas durante 5 minutos, subiu em seu helicóptero e foi embora.
A seguir, as 11 regras que ele compartilhou com os formandos naquela ocasião:
“- Vocês estão se formando e deixando os bancos escolares, para enfrentarem a vida lá fora.  Não a vida que você querem, não a vida que vocês sonharam ter, a vida como ela é.  Você estão saindo de um mundo educacional que está pervertendo o conceito da educação, adotando um esquema que visa proporcionar uma vida fácil para a nova geração.  Essa política educacional leva as pessoas a falharem em suas vidas pessoais e profissionais mais tarde.  Vou compartilhar com vocês onze regras que não se aprendem nas escolas:
Regra 1: A vida não é fácil.  Acostume-se com isso.
Regra 2: O mundo não está preocupado com a sua auto-estima.  O mundo espera que você faça alguma coisa de útil por ele (o mundo) antes de aceitá-lo.
Regra 3: Você não vai ganhar vinte mil dólares por mês assim que sair da faculdade.  Você não será vice-presidente de uma grande empresa, com um carrão e um telefone à sua disposição, antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e ter seu próprio telefone.
Regra 4: Se você acha que seu pai ou seu professor são rudes, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.
Regra 5: Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social.  Seu avós tinham uma palavra diferente para isso.  Eles chamavam isso de “oportunidade”
Regra 6: Se você fracassar não ache que a culpa é de seus pais.  Não lamente seus erros, aprenda com eles.
Regra 7: Antes de você nascer seus pais não eram tão críticos como agora.  Eles só ficaram assim por terem de pagar suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos”.  Então, antes de tentar salvar o planeta para a próxima geração, querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente arrumar o seu próprio quarto.
Regra 8: Sua escola pode ter criado trabalhos em grupo, para melhorar suas notas e eliminar a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim.  Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar para ficar de DP até acertar.  Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real.  Se pisar na bola está despedido… RUA! Faça certo da primeira vez.
Regra 9: A vida não é dividida em semestres.  Você não terá sempre férias de verão e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.
Regra 10: Televisão não é vida real.  Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.
Regra 11: Seja legal com os CDF´s – aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas.  Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar para um deles.”
Reflita agora sobre as palavras do Bill e pense em como isso se enquadra no conceito de Valor e Honra.

Cresci escutando relatos de pessoas que “chegaram lá”: aquele empresário famoso, o médico daquele hospital importante, o artista que se deu bem e está numa exposição em Nova Iorque. Ninguém porém, me falou sobre o que eles sentiam quando “chegavam lá” nem o que significava isso.


Eu pensava que o importante em uma profissão seria chegar em algum lugar, num ponto decisivo e definitivo a partir do qual todas as questões, dilemas, anseios e problemas acabariam. Chegar lá seria o máximo!

Se eu chegasse lá, tudo ficaria tranqüilo e cristalino e minha vida seria um lago calmo e plácido.


Mas… quem disse que eu queria uma vida assim? Ora, sou uma pessoa inquieta. Desde o momento em que escolhi minha profissão percebi isso: eu gostava de um monte de coisas: arquitetura, engenharia, educação física, administração e psicologia. Acabei optando por esta última e lembro como se fosse hoje a cara do meu pai: preocupado com meu futuro e se eu conseguiria chegar lá. Meus amigos me perguntavam se eu não preferia tentar uma profissão mais tradicional, mais séria, eles diziam. Mas não, aquela era a minha escolha e eu acreditava que poderia chegar lá de um jeito ou de outro.

Cheguei. Neste 15 anos de carreira, conquistei muito mais do que eu mesmo sonhara. E hoje frequentemente me percebo sonhando mais e mais e mais. Percebi que meus sonhos jamais pararão de crescer, pois sonhar faz parte da minha natureza.

Quer saber a verdade? O melhor de tudo que conquistei não foram os valores que eu recebi. Isso me trouxe conforto e alguma segurança, mas felicidade é outra coisa. Se hoje fosse o último dia da minha vida, poderia dizer tranquilamente que o que valeu, o que me marcou não foram os valores pagos pelo meu trabalho. Foi o sorriso dos meus pacientes, as coisas que aprendi, as pessoas que amparei, os erros com os quais aprendi e cresci, além, claro, das pessoas que amei e pelas quais fui amado. Isso é que teve impacto real na pessoa que me tornei hoje.

Há pessoas que são mais amenas em seus desejos. Isso não quer dizer que elas sejam acomodadas ou tolas. Cada um é único e deve seguir os seus instintos, seu ritmo, mas também saber que é preciso pagar o preço de nossas escolhas com responsabilidade e dignidade.

Há pessoas que sonham com uma vida calma e serena. Elas apenas precisam saber que com pouco empenho profissional, deverão esperar também pouco retorno financeiro da vida. Afinal, salvo um golpe de sorte, o mundo lhes devolverá o mesmo grau de investimento que elas fizeram na vida. Isso, de forma alguma é errado ou indigno. Há quem realmente não ambicione uma vida farta de recursos, nem quer ter um carrão ou um apartamento num bairro chique.

Para alcançar a posição profissional que tenho hoje, optei por abrir mão de muitos finais de semana cheios de sol, investi boa parte do meu dinheiro em livros e cursos, enfim, cheguei até a sacrificar momentos gostosos com minhas namoradas, em função de algo que pulsava dentro de mim, que me pedia para criar mais um teste, mais um livro[bb], para estudar aquele caso desafiador de um paciente, para melhorar minhas palestras, enfim, eu precisava atender à minha vida interior que explodia de dentro para fora, me pedindo para ir além, para não parar de melhorar.

Hoje percebo que nunca chegarei lá. Sempre desejarei mais. Isso é meu, faz parte da natureza da minha alma.

Lá, é um lugar dentro da gente, que se acende quando estamos no caminho certo. É dentro do peito, aquela energia, aquela vontade de viver que a gente sente quando está fazendo algo que irá fazer a diferença para nós mesmos e para os outros. Lá é um lugar que pulsa de força, quando estamos atrás de nossos verdadeiros sonhos.

Se você ainda não sabe a sua missão, nem como chegar lá, pode ser que você tenha uma natureza menos sonhadora e irá trabalhar com mais moderação, obtendo prazer e satisfação em outras áreas da sua vida. Ok, tudo bem em ser assim, até mesmo pois quem sonha menos se frustra menos também.

Porém, pode ser que você se acomodou com a idéia de que seus pais iriam lhe proporcionar tudo que precisasse. E, claro, pode ser também que você tenha um montão de sonhos, mas tem medo de encará-los por pura vaidade: -“Ah… e se eu tentar e não der certo?”; “E se eu não chegar lá?”; “E o que os outros vão pensar se eu falhar?”. Se este for o seu caso meu amigo, enfrente uma boa terapia, procure um aconselhamento filosófico, faça uma viagem sozinho, dê um tempo, enfim, crie espaço para que seu inconsciente lhe traga de novo as pistas de onde estão os sonhos que na sua infância certamente existiam.

Ás vezes, as vozes dos outros gritam tão alto dentro de nossa cabeça que nem conseguimos mais escutar a nós mesmos.

Aí é o momento de se perguntar: se eu quero chegar lá, por que tenho tanto medo de estar aqui, dentro de mim me escutando, me respeitando. Viva a sua vida meu amigo, este é o único modo de chegar em algum lugar, caso contrário, quando olhar para trás não verá as suas pegadas no chão e sim que andou por cima do desejo dos outros. A isso chamo de covardia. Você também pode chegar lá. Ou não. A vida é sua.

Falar com quem entende a sua língua. É com esse mote que as empresas de recolocação profissional têm atuado em determinadas áreas, atendendo apenas a nichos específicos do mercado de trabalho.

A empresa Carreira Jurídica, por exemplo, é especializada no recrutamento e seleção de advogados, profissão que pode confundir o RH de muitas empresas mundo afora. Isso porque, segundo a sócia da empresa, Maria Lucia Piratininga, quem não é do ramo dificilmente saberá avaliar adequadamente as habilidades do candidato.

“Nosso primeiro sócio sentiu a necessidade de uma consultoria como esta quando ainda era gerente de banco e tinha dificuldade em contratar advogados”, conta ela que já atuou nas áreas de RH e Direito.

Maria Lucia afirma que a empresa possui um banco de dados com cerca de 8 mil profissionais, com cargos que variam desde recém-formados até diretores jurídicos, todos devidamente avaliados e com o perfil traçado por uma equipe formada de consultores que também atuam na área do Direito.

“A pessoa cadastra-se gratuitamente e passa pelas entrevistas e testes. Quando uma empresa precisar de alguém com aquelas habilidades, com aquele perfil, nós a encaminhamos”, explica a consultora. O advogado paga um salário pelo serviço, mas apenas em caso de contratação. Para quem solicita o profissional, o custo é zero. “Mas o mais importante é a certeza de que estará recebendo alguém realmente qualificado para a vaga”, diz Maria Lucia.

Professores, diretores e coordenadores têm dificuldade para achar uma boa colocação no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que é consenso entre escolas e universidades que contratar profissionais na área de educação não é tarefa das mais fáceis.

Segundo a consultora educacional Ana Paula Souza, quando se trata de educação, empresas de recolocação geral não costumam ter um bom desempenho, pois não levam em conta particularidades da profissão.

“É preciso saber os períodos de troca de professores, como funciona a legislação na área, o que as instituições buscam e o que os candidatos devem oferecer”.

Ana Paula atua na Spaço In, empresa que busca vagas e encaminha profissionais para escolas e universidades de todo o País “mas o cadastro deve ser feito pessoalmente na sede da empresa, em São Paulo”, afirma. O local de trabalho não é barreira. De acordo com a consultora, os candidatos se dispõem a trabalhar em cidades próximas e, quando necessário, até se mudam. “Já mandamos coordenador de São Paulo pra Foz do Iguaçu.”

No caso da Spaço In, o candidato contrata os serviços e recebe desde preparação para entrevistas à captação de vagas propriamente dita. Ana Paula diz que mesmo empregados, quem procura a empresas costuma renovar o contrato para continuar recebendo propostas, “uma vez que podem atuar numa escola de manhã e em outra à noite, por exemplo.”

Secretárias economizam tempo para os executivos, permitindo-os concluir seus negócios com maior agilidade e rendimento. Por esse motivo, as empresas, principalmente multinacionais, são cautelosas no momento da contratação.

“A parte técnica elas aprendem na universidade. Nosso foco é o treinamento específico para determinada companhia, além do trabalho motivacional, ensiná-las a criar opções e administrar melhor o tempo”, diz Stefi Maerker, diretora da Sec Talentos Humanos.

A empresa, especializada em colocação profissional e treinamento, trabalha exclusivamente com secretárias. “Temos um banco de dados com cerca de 8 mil nomes, com habilidades e características das mais variadas”, afirma Stefi.

As bilíngues, principalmente com domínio de inglês ou espanhol, são as mais procuradas pelas empresas, mas, com o crescimento econômico da China, as que falam mandarim também são muito valorizadas.

Stefi diz que o número de homens interessados na profissão tem crescido. “Não há nada que impeça homens de trabalharem na área. Mesmo que timidamente, eles já estão procurando formação nas faculdades.”

(O Estado de S. Paulo)

Para os recém-formados, ser trainee em uma empresa de renome é conseguir entrar pela porta da frente no mercado de trabalho. As vagas atraem milhares de interessados e se tornam mais disputadas que nos vestibulares. Mas ser o primeiro da classe não é suficiente – características como liderança e criatividade fazem a diferença no momento de seleção.

Ganhar vaga depende do “conjunto da obra”

Ser trainee é o principal objetivo da maioria dos recém-formados, mas só uma pequena elite obtém vaga nos programas que formam futuros gerentes, diretores e presidentes das empresas. Qual o segredo para ser escolhido?

Monica Pinto, 30, gerente de recrutamento e seleção da Unilever, que tem um dos programas de trainees mais concorridos (na última seleção, foram 15.500 para 33 vagas), dá algumas dicas. Diz, por exemplo, que não busca experiência e nenhum tipo de habilidade específica desenvolvida. Mas fluência em inglês é essencial.

“Trabalhamos com um conjunto de competências, como empreendedorismo, criatividade, capacidade analítica e perfil para trabalho em equipes”, afirma.
Os processos de seleção para essa posição chegam a durar três meses.

Envolvem dinâmicas de grupo, entrevistas e painéis em que os candidatos resolvem casos práticos sob os olhares atentos de altos executivos da organização.

Programas mais disputados atraem milhares de concorrentes, para um número de vagas que raramente ultrapassa três dezenas.

O primeiro corte geralmente é feito pela Internet, como no caso da American Express, que teve 8.000 inscritos para oito vagas no processo seletivo de 2002.
Os candidatos responderam pela rede a uma série de perguntas iniciais. Quem não tinha inglês fluente e bons conhecimentos de informática foi eliminado.

Só nessa fase foram reprovadas 6.400 pessoas. Os restantes, convocados para um teste de inglês e de conhecimentos gerais.

A etapa seguinte, que envolveu dinâmicas de grupo, procurou identificar as chamadas competências ligadas a comportamento, como capacidade de comunicação, liderança e vivência internacional, conta Sergio Nery, 48, gerente de RH da empresa.

Philip Orloff, 24, formado em administração mercadológica pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), acredita que seu “background” europeu o ajudou a ser selecionado. Descendente de russos e ingleses, já esteve no continente por três vezes.

Ele passou a integrar o programa em maio de 2001 e hoje é supervisor de relacionamento.

Marcelo Azevedo, 24, hoje analista sênior de marketing da Credicard, também se beneficiou da vivência internacional. Morou na Inglaterra dos oito aos dez anos.

“Isso contribuiu para minha formação. Sou uma pessoa extrovertida, principalmente por ter tido uma educação aberta.”

Nem todos os programas estabelecem limite de idade ou de tempo de formado para a admissão dos “treinandos”.

O Grupo Pão de Açúcar, que busca pessoal qualificado para gerenciar lojas, é um exemplo. “Queremos profissionais amadurecidos, que estejam preparados para administrar conflitos”, diz Marília Parada, 41, gerente de RH.

Esse perfil “casou” com a trajetória de Fernanda Salles, 40. Ela cursou biologia na PUC-Camp (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), desistiu da área e, em seguida, montou uma loja de bebidas importadas.

Após perder um filho, partiu para a Inglaterra, onde ficou por um ano e meio. De volta ao Brasil, buscou um programa de trainees, nove anos depois de graduada.

“Foi um recomeço. O trainee recebe direcionamento na carreira, desde que tenha comprometimento e objetivos definidos”, diz Salles, que hoje é diretora-regional do Barateiro (rede do grupo).

As organizações acenam com uma série de benefícios para atrair os mais qualificados. Os salários, por exemplo, são “polpudos”. Na Unilever o trainee recebe R$ 2.500 por mês; no Citibank, R$ 2.800. Na Natura, há aumento durante o programa: de R$ 2.355, para R$ 2.944 depois de um ano.

Outra vantagem está no treinamento. Na Credicard, há palestras com todos os diretores e desenvolvimento de projetos especiais. Quando concluídos, os trainees sustentam sua viabilidade como se defendessem uma tese.

“Seu desenvolvimento mais acelerado é esperado. Afinal, não selecionamos potenciais tão grandes e os submetemos a tanto treinamento para que sejam meros burocratas na organização”, diz Marilene Corona, gerente de RH.

(Folha de S. Paulo)

Selecionados colecionam atributos

Os jovens escolhidos geralmente acumulam predicados. É o caso da trainee da Natura Flávia Galvão, 23.

Além de um estágio na empresa júnior do Ibmec -outra característica valorizada pelos selecionadores é a participação em atividades e projetos acadêmicos-, ela morou na Filadélfia (EUA), onde estudou inglês. Também desenvolveu expressividade em um curso de teatro.

“Sou muito dinâmica”, afirma. Tantos atributos lhe renderam um “difícil” problema: optar pela empresa em que iria trabalhar. Além da Natura, Galvão passou em outros três processos.

Saber trabalhar bem em equipe, outra competência valorizada pelas companhias, não se aprende só em ambientes de trabalho mas também em situações informais, como a prática de um esporte.

Recém-aprovada no programa de trainees da Alcoa, Caroline Zulueta, 21, diz que ter jogado vôlei, com frequência, dos 12 aos 19 anos, foi fundamental ao aperfeiçoamento dessa característica.

“Aprendi a trabalhar sob pressão, a reunir esforços para ganhar um jogo e que é preciso muito trabalho conjunto e individual para chegar a um resultado”, conta.
Por ter morado em São Paulo, Brasília e no Rio de Janeiro, acredita também que adquiriu a capacidade de se adaptar facilmente a novos ambientes.

(Folha de S. Paulo)

por Inês Martins

Súmula

11/10/2007 Em entrevista realizada com José Augusto Minarelli para a newsletter da ABOP o autor do livro “Networking – Como utilizar a rede de relacionamentos na vida e na carreira” (Ed. Gente) e presidente da Lens & Minarelli, consultoria em outplacement e aconselhamento de carreira, falou sobre o conceito de networking.

Como podemos definir o networking? É um conjunto de princípios e procedimentos ligados à criação, manutenção e utilização da rede de relacionamentos em todos os assuntos da vida e não apenas exclusivamente de aplicação profissional. Ele mostra a importância do relacionamento com as pessoas com as quais a gente cria vínculos, a partir de afinidades, descobertas em encontros e diálogos. Essas afinidades aproximam as pessoas desde que elas estejam dispostas a cultivar, reciprocamente, esse relacionamento. O grande benefício do networking é que ao estar conectado a outras pessoas podemos nos beneficiar de conhecimento, informações, oportunidades, ligações daquela pessoa. E o mesmo com relação ao que podemos dar aos outros. É importante conhecermos e sermos conhecidos e criar vínculos a partir de alguns interesses, mas sem sermos interesseiros. Como assim? Uma das críticas que fazem ao networking é que as pessoas se aproximam uma das outras por interesse. Na realidade, a gente se aproxima por interesse, mas se as exploramos passamos a ser interesseiros e isso não é networtking; isso é falta de educação, falta de educação, selvageria. Qual é o princípio então do networking? Quando a gente conhece uma pessoa, descobre afinidades profissionais, de crenças, de origem, de experiências, de histórias de vida. Networking é trabalhar com a rede de relacionamentos para criar vínculos; mas não basta conhecer é preciso cultivar o relacionamento em uma perspectiva de longo prazo, sabendo que é uma via de duas mãos. Hoje eu posso precisar de você, amanhã você pode precisar de mim. Mas isso não é interesseiro? Interesseiro é quando eu me aproximo de você para te explorar visando beneficiar meus negócios. Um interesseiro explora unilateralmente. Networking é convivência, que nas cidades pequenas, nas famílias, era uma coisa natural. O conceito então veio lembrar a importância da convivência, que é a essência da vida em comunidade, à importância dos relacionamentos pessoais para todos os assuntos da vida. Sempre insisto muito que networking diz respeito aos aspectos da vida e da carreira.   E o que não é networking? Utilizar o conceito para entregar currículos, para vender alguma coisa e explorar o próximo. Também não ficar entregando cartões e pegando cartões dos outros. O cartão de visita é uma decorrência de um diálogo que gera interesse, simpatia e confiança entre as pessoas. O cartão traz os meios de acesso para continuar o relacionamento e manter o vínculo. O networking legítimo se caracteriza por uma atitude que valoriza as pessoas que a gente conhece; isso não significa conhecer só pessoas ricas, poderosas, influentes, mas pessoas que tenham alguma coisa que nos chame atenção, que tenha algo com que nos sentimos identificados. O político não é alguém que tende a praticar o networking? Com algumas pessoas sim, com outras ele pratica um relacionamento interesseiro porque ele quer o voto. Normalmente um networking sadio é uma relação de amizade que começa por interesse como começa, por exemplo, o namoro, a prospecção de negócios. Tem que se aproximar, tem que conversar, tem que falar de você, perguntar do outro, interagir. Temos que entender que isso é importante para todo mundo. Hoje você pode precisar de uma pessoa e vice-versa. Quais são as habilidades necessárias a um bom networking? A primeira é a educação. Uma pessoa educada pratica networking de uma forma elegante, civilizada e respeitosa. Ou seja, invadir o tempo e a privacidade do outro em nome do conhecimento ou amizade não é networking. É preciso também ter habilidade de comunicação, de falar e ouvir. Há quem ache que networking é falar de si o tempo todo, ocupar todo o espaço do diálogo do interlocutor, por isso quero destacar a importância do ouvir. Como o networking é uma via de duas mãos, que aproxima pessoas que têm interesse entre si, é muito importante conhecer o outro e ser conhecido pelo outro; daí a necessidade de um diálogo equilibrado em que você fala e ouve. Quando a gente troca informações, você dá e recebe, conectando dois universos. O mágico do networking é que gradativamente você vai unindo o seu universo com outra pessoa que também é um universo e enriquecendo este processo.  É uma oportunidade de ensinar e aprender, pedir ajuda e dar ajuda. Ao ter a habilidade de prestar atenção é interessante poder captar detalhes para aprofundar a relação naquele momento ou em outro dia. Eu costumo recomendar que somente depois de conhecer uma pessoa e achar que vale a pena cultivar o relacionamento, vale a pena trocar o cartão de visita. Costumo recomendar também que você deve utilizar o verso desse cartão para marcar o dia, o mês e o ano em que houve o primeiro contato, local ou evento onde houve o encontro, enfim, todas as informações que você julgar pertinentes para lembrar da pessoa, profissão, características físicas, se tem ou filho ou não, cidade natal, etc, síntese que lhe auxiliará a fazer com que a próxima conversa não fique vazia. Lembre-se, cultivar requer trabalho e tempo. Por isso, não dá para cultivar relacionamento com todo o mundo que você conhece daí a necessidade de um critério qualitativo. É preciso eleger aquelas que são merecedoras da sua atenção. É como se você classificasse intencionalmente em A, B e C; A te interessa bastante, B menos e C um pouco menos. E aí você arruma tempo para se relacionar com as pessoas dando prioridade para aquelas A. Desde quando o Sr. se deu conta de que o networking era importante para o desenvolvimento de carreira? Eu trabalho com aconselhamento de carreiras há 25 anos, desde que fundei a Lens & Minarelli, para auxiliar executivos a encontrar um novo trabalho depois de uma demissão. E desde o início eu notei que as pessoas que têm relacionamentos e crédito com as pessoas com as quais se relacionam, têm facilidade de obter informações, indicações, convites. A maior parte das oportunidades vem dessa rede de relacionamento, principalmente porque nesses anos todos houve um desequilíbrio entre a oferta e procura de empregos. A gente sempre se lembra de quem conhece e confia ou de quem é indicado por quem você conhece e confia; conhecimento e confiança andam juntos. Por isso não podemos ser interesseiros, ninguém gosta de ser explorado, se a gente descobre um amigo de ‘conveniência’ corta as relações. Como é o que Sr. vê a evolução do conceito de networking para netliving? Olha, eu escrevi no livro dizendo que deveríamos evoluir de networking para netlliving para fugir dessa marca de que networking é uma técnica de procurar empregos ou contratos, ou seja, exclusivamente profissional. Eu acho que existe um empobrecimento do conceito. O networking não é inovação, é uma redescoberta da vida em sociedade onde as pessoas que têm vínculos são solidárias entre si, amistosas, colaboradoras, trocam favores entre si, têm interesses em comum, procuram o bem-estar uma das outras. É a redescoberta do valor da vida em comunidade. O conceito de netliving, sugerido por mim, vem sendo muito pouco utilizado, não “colou” muito, poucas pessoas replicaram. Se a gente entender que networking é para qualquer aplicação em qualquer assunto humano ou de vida, já estamos praticando o netliving.  A idéia era dar um sentido mais amplo, mas o melhor é ficar mesmo com o networking  lembrando que o conceito não pode ser resumido à procura de emprego. Quais são as regras básicas para praticar um bom networking no dia-a-dia? Esse é um bom aspecto. As pessoas só se lembram da importância da rede quando têm problemas. E aí tentam correr atrás do tempo perdido. Se você incorpora o networking  como uma atitude que valoriza as pessoas, onde quer que você esteja você aproveita para conversar, para trocar cartão de visitas. Se fizer isso sempre, todo dia você vai gastar um tempo, mas também poderá cultivar uma boa rede de relacionamentos. Dicas para um bom networking ·          Cultive os relacionamentos para não perdê-los; ·          Lembre-se das pessoas quando você não precisa delas, para ter acesso quando precisar; ·          Conte e pergunte o que está acontecendo; ·          Tenha cartões de visita, mas troque somente depois de uma prosa; ·          Anote no verso dos cartões dados sobre as pessoas e sobre a conversa que teve com elas; ·          Atenda as pessoas da sua rede quando elas procurarem; ·          Respeite os limites dos outros; ·          De vez em quando, procure encontrar-se ao vivo, para evitar o contato apenas por e-mail ou telefone; ·          Registre todos os dados dos seus relacionamentos numa espécie de “conta corrente de capital social”, afinal os relacionamentos, em alguns casos, valem muito mais que dinheiro e constituem um bem de valor. Vale agenda, palm top, computador para fazer o banco de dados da sua rede; ·          Guarde os cartões para não perder o back-up. O que não se deve fazer ü        Não adianta distribuir cartões antes de conversar; ü        Não ocupe todo o tempo falando de si mesmo; ü        Só se lembrar dos outros quando precisa; ü        Dar trabalho para os amigos. Peça apenas as coisas que você precisa para você mesmo fazer o trabalho. Lembre-se da técnica C.O.I.S.A: peça Conselhos, Orientações, Informações, Sugestões e obtenha uma decorrência dessa abordagem indireta, ou seja, Apresentações espontâneas ou provocadas, de contatos profissionais ou ajuda. 

FRASE: “A conta corrente de capital social, entre aspas, inspira-se no conceito de registrar as coisas valiosas que você tem para você poder localizá-las quando precisar e quando convier”.

Entrevista
UMA DAS 10 MAIS ADMIRADAS DO BRASIL


Naísa Modesto

Sara Behmer só tem a comemorar sua longa experiência na área de Recursos Humanos. Trabalhando na multinacional da área de cosméticos Avon há seis anos, recentemente foi indicada como um dos dez profissionais de RH mais admirados do Brasil.

Sara conversou com o Jornal Carreira & Sucesso sobre sua trajetória e a importância de estar preparado profissionalmente nos dias de hoje. “No mundo de hoje, em qualquer empresa, não dá para fingir que sabe. Você tem de ter autoconhecimento, conhecer a atividade para qual se propõe, estudar e estar aberto para aprender”, conta. Confira a entrevista:

Jornal Carreira & Sucesso: Como começou a sua carreira?
Sara Behmer:
A minha carreira começou quando estava no colegial e decidi estudar Psicologia Organizacional para trabalhar nas empresas. Achei que a Psicologia poderia ser um conhecimento que ajudaria na produtividade das empresas. Se as pessoas são produtivas, serão bem-sucedidas. Esse foi o meu raciocínio.

C&S: Há quanto tempo está na Avon? Começou em qual cargo?
Sara:
Seis anos. Comecei no mesmo cargo que ocupo hoje. Sou a primeira pessoa da área de Recursos Humanos no Brasil.

C&S: Quais foram as mudanças mais significativas que você trouxe para a empresa, em sua opinião?
Sara:
A mudança mais significativa foi desenhar várias estratégias para apoiar as áreas de negócio na implementação das estratégias da companhia. Todo o processo que nós temos vivido de modernização, tanto de produtos como de posicionamento, por trás têm pessoas e elas precisam estar preparadas para isso. Então, quando a gente lança um novo Renew, por exemplo, ele tem uma tecnologia e as pessoas precisam conhecer essa tecnologia e saber trabalhar com ela. Isso implica em um processo de capacitação que começa no chão de fábrica e vai até a equipe de vendas, que deve conhecer profundamente o produto para poder vender.

C&S: A Avon oferece um programa de alfabetização de funcionários. Como ele surgiu?
Sara:
Surgiu em um momento que os colaboradores precisavam ser capacitados para os novos produtos. Identificamos que vários funcionários antigos da empresa – que chegaram num período em que não havia a necessidade do uso da leitura e da escrita –foram desaprendendo. Identificamos um analfabetismo funcional e desenvolvemos um programa de capacitação para que eles fossem alfabetizados. Nós temos muitos programas de capacitação de pessoas para os mais diversos públicos, desde cargos de liderança até o chão de fábrica, porque uma empresa hoje precisa renovar seu conhecimento. Para isso existem dois jeitos: você troca ou treina. Por isso, buscamos treinar.

C&S: Você encontrou alguma resistência por optar pelo treinamento em vez de trocar os colaboradores?
Sara:
Não, muito pelo contrário. A decisão foi muito bem-vinda, treinar é bem-vindo. Às vezes, a organização – não estou falando da Avon – não tem tempo de desenvolver as pessoas se você precisa de conhecimento específico, por isso precisa trazer uma pessoa capacitada do mercado. Isso também pode acontecer com a gente.

C&S: Quantas pessoas trabalham com você no RH?
Sara:
Hoje, trabalham 30 pessoas.

C&S: Quando você começou na Avon, tinha o mesmo número de pessoas?
Sara:
Não, eram umas 70 pessoas.

C&S: Como você explica essa diferença tão grande de colaboradores?
Sara:
Nós automatizamos muitos processos e tínhamos algumas atividades que não eram core de Recursos Humanos.

C&S: Você foi eleita uma dos dez profissionais de RH mais admirados do País. A que você atribui este reconhecimento?
Sara:
Foi uma surpresa, honestamente, não esperava. Acho que essa conquista se deve a alguns fatores, um deles é o fato de ter passado por várias empresas. Em todas elas realizei trabalhos muito sólidos de juntar as estratégias da empresa às ações de Recursos Humanos. Não adianta o RH trabalhar sem ter um objetivo que aumente a produtividade ou resultado da empresa, sempre trabalhei vinculada. Também muitas pessoas, como diretores de algumas companhias, que no passado foram meus estagiários. Talvez essa valorização da área de RH em todos os locais por onde passei seja um dos motivos desse reconhecimento.

C&S: Qual característica pessoal a ajuda na vida profissional?
Sara:
Analisar muito bem o contexto antes de fazer alguma coisa, porque não adianta você dar a resposta certa no momento errado. Você tem de analisar o contexto e fazer sua proposta.

C&S: Por ser mulher, enfrentou algum preconceito ou seu desenvolvimento profissional foi prejudicado de alguma forma?
Sara:
Com relação ao desenvolvimento, não. Mas, no passado, fui rejeitada em alguns processos de seleção.

C&S: Só por ser mulher?
Sara:
Sim, por isso.

C&S: Você acredita que essa situação está mudando?
Sara:
Depende muito do ramo de atividade. Existem empresas que têm uma resistência e outras, não. Depende muito do ramo de atividade.

C&S: Que conselho você daria para quem está começando agora a trabalhar com RH?
Sara:
Entender da empresa e buscar soluções que alavanquem os resultados da companhia – soluções que envolvem pessoas produtivas e felizes.

C&S: Qual a maior recompensa de trabalhar nesta área?
Sara:
Ver as pessoas promovidas. Quando alguém é promovido, fico muito feliz.

C&S: O que motiva você para continuar trabalhando com isso?
Sara:
Construir um mundo melhor. Se cada pessoa, na sua atividade, estiver feliz e for produtiva, sem dúvida vai trabalhar para um mundo melhor.

C&S: Se pudesse resumir sua trajetória profissional com uma palavra ou frase, qual seria?
Sara:
Uma jornada de descobertas.