Redação


Tema: “Como vencer a pobreza e a desigualdade”
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

‘PÁTRIA MADRASTA VIL’

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência…
Exagero de escassez… Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a
abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.

O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.

Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.

A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.

E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!

É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!

A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.

Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?

Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?

Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos…

Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas.
Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?

Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina
faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil
estudantes universitários.

Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre ‘Como vencer a pobreza e a desigualdade’.

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.

Via Ser Universitário

A linguagem dos jovens
O uso do ´internetês` e o exagero do gerúndio no dia-a-dia de universitários preocupam os professores de Língua Portuguesa. Especialistas apontam se os jovens sabem distinguir o momento de usar a norma padrão da língua
Publicado em 04/05/2005 - 02:00

Fonte: http://ww1.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=6971

Junto com o surgimento dos comunicadores instantâneos (chats online, blogs, MSN, ICQ), surgiu também uma linguagem típica da Internet. Ela é caracterizada pela agilidade e facilidade de escrita, e, por isso, é composta quase que inteiramente por abreviações – ou podemos até dizer por códigos. Aliás, se uma pessoa que não está acostumada a conversar em chats online, se deparar com a frase abaixo, dificilmente conseguirá entender muita coisa:

Pq vc naum xego na hr q eu t flei?

Traduzindo, seria: “Por que você não chegou na hora em que eu te falei?”. Esse é o chamado “internetês”, a linguagem típica usada para se comunicar na Internet. Para os jovens acostumados com esse linguajar, o mais importante quando se está conversando virtualmente é se fazer entender e, mais do que isso, da maneira mais rápida. Porém, não é apenas no mundo virtual que os jovens mantêm relações sociais. Diariamente, ele é cobrado na escola, universidade ou no trabalho para que tenha o português impecável. Mas, será mesmo que os jovens de hoje escrevem corretamente?

“Com base na minha experiência como corretor de vestibulares de grandes universidades públicas e particulares, diria que muitos jovens escrevem muito bem, com originalidade e criatividade. Todas as generalizações são perigosas, como dizer que ´os jovens de hoje não escrevem bem como os de antigamente`. Um bilhete para uma empregada, uma carta de amor, um requerimento para o INNS e um trabalho acadêmico para uma revista têm diferentes finalidades”, explica o professor do Departamento de Lingüística Aplicada da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), John Robert Schmitz. “Um requerimento e um trabalho em revista científica devem obedecer às regras da norma culta. Numa declaração de amor ou em um bilhete, quem escreve tem mais liberdade redacional.”

Já a professora do Departamento de Metodologia do Ensino da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), Claudia Reyes, acredita que os jovens têm muita dificuldade em escrever corretamente. “Isso tem um pouco a ver com a história da leitura e escrita no Brasil. Na década de 80 houve uma interpretação errônea por parte de quem estava aplicando as políticas públicas de Educação, pois achavam que não se deveria corrigir os alunos para não reprimir a escrita. Foi por isso que os estudantes tiveram muitas dificuldades em se adequar à norma padrão, ortograficamente correta, quando chegaram na universidade”, conta.

Nesse contexto, é necessário que os jovens saibam distinguir exatamente os momentos em que precisam usar a norma culta daqueles em que podem usar uma linguagem mais informal, ou mesmo o “internetês”. Esse é o ponto principal. “Em si, o ´internetês` é igual a qualquer outro gênero de escrita, e deve ser usado em ambiente próprio”, alerta a também professora do Departamento de Lingüística da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Maria Irma Hadler Coudry. “O que é desaconselhável? Usar o ´internetês` fora de seu ambiente, por exemplo, para escrever textos solicitados pela escola. O jovem deve ajustar o tipo de escrita para o seu leitor. O ´internetês` em si não faz mal nenhum; a criatividade humana tem inventado diversos tipos de escrita. Isso é uma característica da própria escrita.”

Claudia conta que alguns de seus alunos da graduação em Pedagogia resolveram fazer um estudo a respeito da linguagem dos chats. A questão principal, colocada no trabalho, era se ela interferia na escrita padrão dos jovens. “Eles constataram que isto não interfere na norma padrão. Os alunos, por exemplo, querem escrever ´cada` e escrevem ´cd`, aí o professor corrige e eles passam a usar a norma padrão novamente. São linguagens diferentes, usadas em locais distintos. Assim como falamos outro idioma em outros países, quando estamos na internet falamos outra língua”, explica.

A principal função da linguagem, tanto escrita quanto falada, é a comunicação entre duas ou mais pessoas. Assim, se a linguagem cumprir satisfatoriamente esse papel, não importa como é apresentada. “Qualquer linguagem particular obedece aos princípios gerais do sistema lingüístico, mas o restante é algo pessoal. Uma vez que é aceito, não há problema nenhum. O que acontece no linguajar da internet é que tudo hoje é mais corrido, por isso as palavras são cortadas ou abreviadas”, relata o professor de pós-graduação em Lingüística e Língua Portuguesa da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e organizador do Dicionário Unesp de Português Contemporâneo, Francisco S. Borba. “O perigo que se corre é de chegar à uma forma tão condensada e complexa, que acaba sendo obscura e secreta – e aí ela perde a função comunicativa. Em princípio, tudo bem, cada um usa a linguagem do jeito que quer, na condição de que se faça entender.”

Ainda assim, muitos professores de português estão assustados, achando que o internetês pode tomar conta das salas de aula e fazer com que os estudantes simplesmente desaprendam a norma culta da língua ou pior, nem aprendam. Com a argumentação acima, por que será que ainda assusta? “Talvez a escola não esteja dando conta de ensinar o português padrão e as crianças não estão aprendendo a escrever e, por conta disso, migram o internetês para a sala de aula. Isso não deve acontecer, pois cada gênero tem o seu ambiente próprio e a escola não precisa ficar assustada. Tudo é uma questão de ajuste. Não faz mal, é um outro tipo de escrita, um novo gênero de discurso”, ressalta Maria Irma.

Uso do gerúndio

Outra questão que toma conta do português contemporâneo é o uso do gerúndio, o chamado “gerundismo”. O professor Schmitz, da Unicamp, lembra que o termo não está registrado no dicionário Houaiss. “Imagino que ´gerundismo` seria o uso exagerado do gerúndio ou especificamente o uso do gerúndio em frases como: ´Vou estar enviando um fax esta tarde`”, explica.

No Brasil, os principais disseminadores do gerundismo são os atendentes de telemarketing. Cada vez se torna mais comum o uso de frases como: “Vamos estar passando a sua ligação para o outro setor” ou “vamos estar enviando o seu produto amanhã pela tarde”. Sua utilização tem se proliferado pois a perífrase com o gerúndio tem um valor progressivo, dá a idéia de uma ação que continua. Mas, será necessária a construção de frases dessa maneira? “Considero o uso exagerado de qualquer construção problemático. A repetição constante de gírias, palavrões, e até mesmo o “né” doem nos ouvidos, sem dúvida. É importante observar que o gerúndio é parte integrante do sistema verbal do português. Refiro-me ao fenômeno de aspecto verbal. O gramático Evanildo Bechara, membro da ABL (Academia Brasileira de Letras) na sua Moderna Gramática Portuguesa apresenta uma análise lúcida sobre o gerúndio”, esclarece Schmitz.

Muitos gramáticos e lingüistas acreditam que o gerundismo surgiu da tradução literal do inglês. Na língua inglesa existe o tempo que diz ´eu vou estar fazendo`, que é o ´I will be doing`. “Esse tempo foi traduzido literalmente para o português e, de repente, essa coisa começou a pegar. Quem trabalha com Língua Portuguesa e Inglesa percebe que é uma tradução indevida, porque em Português há construções semelhantes e melhores do que essa com o gerúndio”, rebate o professor de Inglês da Faculdade de Educação e Letras da Metodista (Universidade Metodista de São Paulo), Esdras Pinto da Silva.

“Lido muito com linguagem, só trabalho com a língua escrita. Estou a toda hora na internet, jornais, livros, em todo lugar e tenho percebido que o uso do gerúndio já está se arrefecendo. Na verdade, o que há aí, não é o uso indevido, é uma extensão do uso comum que é inadequada e, além disso, mais difícil do que a forma adequada “, analisa Borba.

Será que vai para frente?

Quanto ao uso exagerado do gerúndio ser um modismo ou uma “mega” tendência que veio para ficar e se incorporar de vez à fala do brasileiro, as opiniões divergem. “Quem trabalha com idiomas sabe que a língua vai adquirindo, emprestando coisas, vocábulos e estruturas de outras línguas, mas o gerundismo é algo mecânico e desnecessário. Por que eu tenho que dizer´vocês vão estar trabalhando com este texto`, se ´vocês trabalharão com este texto` é mais simples, mais brasileiro?”, comenta Silva. “O gerundismo foi uma moda, e agora já está diminuindo. As pessoas estão percebendo que é uma perífrase inútil e a inutilidade na comunicação humana é espontaneamente eliminada”, acrescenta o professor da Unesp.

Já o professor Schmitz acredita que quando um advogado diz “vou estar cuidando do seu caso”, ele quer dar a idéia que continuidade e mais apreço pelo cliente. Soaria mais frio e seco se o profissional dissesse, simplesmente: “Vou cuidar do seu caso”. “Diria que não é uma tendência, é um fato. Veja qualquer texto escrito e ouça qualquer conversa. Neles, se encontram vários tipos de gerúndio, todos descritos no livro de Evanildo Bechara”, observa.

Para o professor da Unicamp, é importante distinguir entre os que nunca tiveram a oportunidade de estudar e tachá-los de ´ignorantes` por não falar de acordo com as regras do idioma. “A escola deve ensinar a norma padrão sem ofender os que ouviram outra variedade de português em casa. Trata-se de uma discriminação lingüística que, possivelmente, esconde outros preconceitos – de classe social, raça e religião”, finaliza Schmitz. “Você não pode impedir o desenvolvimento de uma língua, pois é algo dinâmico. Não podemos dizer: isso não pode, isso não deve, isso é desaconselhável”, explica o professor da Metodista.

A língua muda?

Que a Língua Portuguesa é muito complexa, todos nós sabemos. Tempos verbais diversos, advérbios, perífrases, verbo transitivo direto, intransitivo indireto, oração subordinada. Porém, será que o português do ano de 1500 é exatamente o mesmo que falamos hoje em dia, 2005? É claro que não. Quem nunca ouviu falar de neologismos ou estrangeirismos? Define-se neologismo como toda palavra ou expressão de criação recente. Podemos citar a palavra xerox, que é usada no lugar de fotocópia. E estrangeirismos são palavras de outras línguas que foram ´aportuguesadas` e incorporadas ao dia-a-dia do brasileiro, como por exemplo, ketchup e abajur.

Tudo isso é sinal de que a língua está em constante evolução e mudança, o que é perfeitamente aceitável pelos lingüistas e gramáticos. “Veja por exemplo a forma de tratamento mais usual, o “você”. Começou de uma expressão bem maior, que era “vossa mercê”, um tratamento mais respeitoso. Depois foi “vosmecê”, “você” e hoje “cê”, observa Borba.

Para o professor Schmitz, até as telenovelas mostram as diferenças do português dos séculos dez e nove para a língua portuguesa contemporânea. “A língua muda paulatinamente e nem sempre percebemos as mudanças. É só notar como é diferente o português do Padre Vieira do falado hoje em dia. Existem bons estudos sobre Gramática Histórica do Português e até Dicionários Históricos”.

A linguagem é uma capacidade nata ao ser humano, usada para a comunicação. Essa habilidade se manifesta por meio de sistemas lingüísticos ou língua. A língua é o sistema que cada comunidade usa. Esse sistema vigente nas comunidades precisa ter um determinado equilíbrio ou as pessoas acabam não se entendendo. Mas esse equilíbrio é naturalmente instável, pois a língua está sempre em movimento – uma vez que as pessoas estão sempre falando. “A impressão que se tem é que é a mesma língua, mas cada um tem o seu linguajar. Com isso, ela vai sempre mudar e se movimentar, não só no aspecto fonético, mas também no sentido. Temos muitas palavras aqui no Sul que são diferentes na Bahia. Um exemplo clássico é abóbora, que no Norte é o jerimum. Por isso podemos dizer que a língua está sempre em mudança, no tempo e no espaço”, esclarece o professor Borba, da Unesp.

Treinou redação pro vestibular? Então corra, pois está chegando a hora

Atualizado em 22/06/2007 - 00:01
Fonte: http://ww1.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=12262

Você já ouviu aquela história de que um vestibulando da Fuvest tirou 10 numa redação cujo tema era “O Lápis e a Borracha” apenas escrevendo a frase “O que o lápis escreve a borracha apaga”? Se ouviu, pode esquecer o mau exemplo, porque tentar “dar uma de esperto” não vai te ajudar a escrever bem no vestibular. “Há o mito de que existe uma receita pronta para se fazer uma boa redação. Coisas como ‘não usar verbo no título’ ou ‘não escrever usando letras de forma’, por exemplo. Nenhuma dessas informações tem a menor relevância”, esclarece o professor de redação Eduardo Antônio Lopes, autor do material didático do Curso Anglo e do Sistema Anglo de Ensino.

Portanto, não desperdice sua energia tentando guardar fórmulas mágicas e modelos de redação. O ideal para se dar bem no vestibular é praticar bastante.O professor Lopes conta que costuma comparar aprender a escrever bem com tocar um instrumento musical: “você não imagina que alguém vai aprender a tocar violão sem nunca praticar o instrumento. Com a redação acontece a mesma coisa, é preciso ensaiar sempre”.

Isso não significa que você deve escrever um texto burocrático e sem graça na sua redação do vestibular. “As bancas valorizam textos com marca autoral, que mostram que o estudante é um participante crítico da realidade. Escrever algo sem nenhum ’sabor’ não é bem visto”, afirma Lopes. Ou seja, o ideal é não pensar em criatividade no sentido de ter uma sacada sensacional que salve a sua redação mal feita no vestibular – como a história do lápis e da borracha tenta convencer – mas sim pensar em ter senso crítico apurado e ser original nos seus argumentos. O professor do Cursinho da Poli Gesu Wanderlei Costa também confirma a exigência de originalidade: “os textos mais bem avaliados são de alunos ousados, críticos, que não acreditaram em regrinhas ou fórmulas de fazer redação”.

Ficou com medo de errar a medida? Veja alguns conselhos para quem quer se dar bem na redação:

Na hora de estudar: Costa afirma que os vestibulandos deveriam fazer da prática da redação um “sacerdócio”. Ele próprio escreve duas crônicas e um conto semanalmente, só para não perder a prática. “Para escrever bem, o aluno tem que mudar de comportamento, e se preocupar em se tornar um escritor independentemente do vestibular”, afirma. Para ajudar seus alunos a se familiarizar com esse universo, ele costuma aplicar exercícios de “desbloqueio” bem no começo do curso – nesses exercícios os alunos são estimulados a escrever todas as suas idéias sobre um determinado assunto num papel, aleatoriamente, só para “perder o medo” da escrita.

A partir daí, ele conta que há três níveis de aperfeiçoamento na redação. Em primeiro lugar, é preciso aprender as normas gramaticais – ou seja, dominar regras de acentuação gráfica, ortografia, pontuação e se sentir confortável para escrever na norma culta, garantindo assim a clareza do texto. Num segundo momento, o aluno deve se preocupar com a coesão textual, o que significa cuidar para demonstrar o encadeamento lógico e a precisão das suas idéias, construindo um texto dotado de começo, meio e fim. E depois de ter superado esses dois níveis de aprendizado da escrita, ele deve começar a praticar a sua argumentação, tendo em mente que precisa convencer o leitor da consistência crítica dos seus argumentos.

Como saber se você está conseguindo superar esses três estágios do aprendizado? “É essencial ter alguém pra corrigir o seu texto”, afirma Costa. “Costumo dizer para os meus alunos que às vezes ter alguém para ler o texto chega a ser mais importante do que vir à aula. Quem não faz cursinho pode pedir para o professor do colégio ou até para um amigo corrigir os seus textos de vez em quando.” Ele recomenda que os alunos comparem suas redações com os melhores textos de vestibulares passados, como os da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), que organiza o processo seletivo da USP (Universidade de São Paulo), que você pode encontrar clicando aqui.

E para quem está tentando adivinhar sobre que assunto vai ter que escrever na redação do vestibular, mais um conselho: “ficar preocupado com qual vai ser o tema da prova durante esse treinamento é bobagem”, afirma Costa. Ele explica que, ao ler jornais, revistas e livros durante o preparo para a prova, é importante tentar captar o posicionamento do autor em relação ao tema, e que interesses podem estar envolvidos na sua escrita. Ele lembra que, depois de 1999 – em que a FUVEST pediu para os estudantes analisarem cinco trechos de pensamentos filosóficos refinados, numa das provas de redação mais difíceis da história dos vestibulares – os exames têm preferido abordar temas relacionados ao cotidiano social dos adolescentes. Ou seja, é muito remota a possibilidade de você ter que escrever a sua redação sobre um tema do qual nunca ouviu falar.

Na hora da prova: As dicas para fazer uma boa prova são do professor do Anglo Eduardo Lopes. Ele acredita que o vestibulando deve ler a proposta atentamente e, ainda antes de iniciar o texto, planejar o objetivo da sua argumentação. “Vai ficar muito difícil encadear os parágrafos e selecionar os argumentos sem ter certeza de onde se quer chegar”, explica. Depois disso, o estudante deve utilizar esse direcionamento para reler a coletânea de textos (fragmentos dados na proposta), com a intenção de não apenas alcançar um bom resultado, e sim de escrever algo que atenda às expectativas da banca examinadora da prova. “A coletânea é como uma pesquisa que a banca faz para o vestibulando, com a finalidade de diminuir a artificialidade dessa situação, em que alguém escreve sem ter a possibilidade de pesquisar sobre o assunto”, afirma Lopes.

Outro recado importante na hora de escolher os argumentos que vão sustentar a redação: cuidado para não emitir opiniões preconceituosas e infundadas, problemas que aparecem nos textos de vestibular com mais freqüência do que você pode imaginar. “A banca espera que o aluno demonstre apreço pela cidadania e pelos valores democráticos. Qualquer posicionamento é válido, desde que respeite os direitos humanos universais, os direitos do indivíduo e os interesses da maioria“, finaliza Lopes. Com um bom preparo e muito treino, com certeza você não vai precisar de sorte para se dar bem na redação do vestibular!

Especialistas dão o caminho das pedras para escrever um texto vencedor

Fonte: http://ww1.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=14581

Do Universia

Desde 2001, o MEC considera obrigatória a redação nos vestibulares.

Dicas para se dar bem na redação

Não comece escrever sem pensar e definir sua opinião sobre o tema;
Tome cuidado para não fugir do tema proposto;
Não tente “modernizar” a escrita durante a prova;
Evite o uso de clichês;
Evite repetição de termos e palavras. Faça uso de sinônimos e elipse;
Fundamente os argumentos, mas nunca use exemplos pessoais;
Lembre-se: o texto é uma conversa com um interlocutor desconhecido, portanto seja o mais claro possível

 

“Um dos piores erros que os candidatos podem cometer em uma prova de redação é a extrema preocupação com a forma, com a gramática. O importante é que ele opine sobre o tema”, explica a coordenadora da banca de avaliação de redações da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Marisa Magnus Smith.Já faz tempo que o segredo de escrever uma boa redação deixou de ser o fato de não errar a gramática. Na opinião de especialistas, acima de tudo, uma boa redação de vestibular – que nada mais é do que um teste para averiguar a capacidade do estudante em opinar e refletir – deve conter argumentação bem colocada e bem fundamentada.

Para se sair bem em sua “defesa”, os especialistas dizem que os candidatos não devem ficar “em cima do muro” (ora a favor, ora contra o tema), tampouco comprar opiniões do senso-comum. Se o candidato não estiver certo do que está dizendo e não expuser razões para pensar daquela forma o texto fica vazio. “O texto tem que ter posicionamento, se for exclusivamente informativo não é bom. Aliás, não dá nem para começar a escrever um texto se não tiver uma opinião. Um texto sem opinião não existe”, reforça o professor de redação do Cursinho Anglo, Maurício Soares Filho.

Para entender melhor por que os especialistas defendem essa idéia é fácil: imagine que as drogas acabaram de ser legalizadas pelo governo. Segundo os especialistas, se as pessoas abrem o jornal e procuram um artigo sobre a questão e encontram um texto sem nenhuma argumentação ou opinião, elas não refletirão, além de chato de ler. Para eles, aquilo que o leitor espera de um articulista é o mesmo que um examinador de vestibular espera de um futuro universitário (especialmente se for de universidade pública): opinião e reflexão.

De acordo com Soares Filho, para seu texto causar impacto, porém, a opinião deve estar muito clara. Por isso, a construção da redação deve valorizar seus argumentos. A ordem é apostar na organização da estrutura textual para não perder o fio da meada. “Organizar as informações é o segredo para fazer que a opinião apareça”, complementa Soares Filho.

Treinando um texto nota 10

Se a intenção é obter destaque por meio de uma boa argumentação, o que fazer para se preparar? Ler, ler, ler e escrever, escrever e escrever. “O hábito da leitura ajuda a desenvolver a escrita. Além disso, com a prática da redação, alguns padrões de textualidade são mais facilmente assimilados do que pelo professor a falar em sala de aula”, enfatiza Marisa.

Para Soares Filho, a prova de redação é 50% leitura e 50% escrita. “Uma é conseqüência da outra. O primeiro passo para ter sucesso é ler o tema com muita atenção e, em seguida, posicionar sua opinião para definir o que será defendido”.

Uma boa dica é ler editoriais, crônicas, artigos e textos assinados que emitam opinião sobre o tema que é retratado. Com isso, é possível criar uma bagagem de como e em que momentos é pertinente evidenciar as opiniões pessoais.

Outra dica valiosa é procurar ser autêntico. Na hora de escrever um texto sobre a legalização das drogas ou do aborto ninguém precisa “encarnar o revolucionário” para passar em um vestibular de uma universidade famosa por sua histórica política de contestação. A autenticidade do seu pensamento deve estar refletida em seu texto, nem mais, nem menos.

“Como professor, uma de minhas preocupações é esclarecer para os meus alunos que eles não devem fingir ser uma pessoa que não são na hora de escrever, pois assim, vão ter dificuldades em sustentar os argumentos, e fica muito fácil se contradizer, o que compromete a qualidade do texto”, diz Maurício.

Por fim, a prova de redação serve para avaliar a capacidade do candidato de se comunicar por escrito, de fazer reflexão e de conseguir se expressar de maneira simples e coesa. Por isso é tão importante não ser superficial e mostrar uma visão crítica sobre o tema a ser discutido.