Concursos Públicos


Maior remuneração é de R$ 21 mil, no Ministério Público do Trabalho.
Vagas com salários altos são para nível superior.

Do G1, em São Paulo

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Um levantamento feito pelo G1 mostra os 10 concursos com salários mais altos no país e que estão atualmente com inscrições abertas. Todos os cargos com salários que oferecem altas remunerações exigem nível superior de escolaridade – em cinco dos 10 concursos o cargo com salário mais alto é o de médico (veja mais informações abaixo).

 

Confira lista de concursos e oportunidades
O salário mais alto oferecido atualmente é para procurador do trabalho: R$ 21 mil. As vagas são para as Procuradorias do Trabalho em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará, Paraná, Distrito Federal, Amazonas, Santa Catarina, Rondônia/Acre, Campinas, Espírito Santo, Goiás, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Outros cargos com salários altos são defensor público, analista tributário, gerente de engenharia de processo e advogado.

 

 

Instituição/Órgão Prazo Vagas Salário máximo Escolaridade Local de trabalho Edital
Ministério Público do Trabalho 11/11/09 104 R$ 21 mil nível superior em direito São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará, Paraná, Distrito Federal, Amazonas, Santa Catarina, Rondônia/Acre, Campinas (SP), Espírito Santo, Goiás, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul veja edital
Defensoria Pública do Estado do Piauí 03/11/09 12 R$ 14.224,28 nível superior em direito Teresina veja edital
Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) 30/10/09 7 R$ 17 mil nível médio e superior Rio Grande do Sul veja edital
Prefeitura de Colíder (MT) 04/11/09 135 R$ 9.848,71 nível fundamental, médio e superior Colíder (MT) veja edita
Prefeitura de Foz do Iguaçu (PR) 19/11/09 86 R$ 10,8 mil nível médio e superior Foz do Iguaçu (PR) veja edital
Fundação Hospitalar de Saúde Municipal de Ibaiti (PR) 03/11/09 38 R$ 8.722,74 nível técnico e superior Ibaiti (PR) veja edital
Grupo Hospitalar Conceição (RS) 01/11/09 cadstro reserva R$ 8.250 (advogado) nível superior Rio Grande do Sul veja edital
Prefeitura de Divinolândia de Minas (MG) 27/11/09 168 R$ 7.940,15 nível alfabetizado, fundamental, médio e superior Divinolândia de Minas (MG) veja edital
Prefeitura de Quedas do Iguaçu (PR) 18/11/09 69 R$ 7.800 fundamental, médio incompleto, médio-técnico e superior Quedas do Iguaçu (PR) veja edital
Receita Federal 02/11/09 700 R$ 7.624,56 nível superior todo o país veja edital

 

Veja abaixo mais detalhes sobre cada concurso:

 

Ministério Público do Trabalho
O Ministério Público do Trabalho oferece 104 vagas de procurador do trabalho. O salário é de R$ 21 mil. O candidato deve ter nível superior completo em direito e três anos de atividade jurídica até a etapa de inscrição definitiva, no período de 23 a 30 de junho de 2010. O candidato que tiver a partir de 65 anos não poderá ser nomeado. As inscrições devem ser feitas até as 18h de 11 de novembro pelo site www.pgt.mpt.gov.br/concursos. A taxa é de R$ 150.

 

Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec)
O Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica (Ceitec), empresa pública federal ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, no Rio Grande do Sul, está com sete vagas abertas para nível médio e superior com salários de R$ 2,5 mil (secretária de diretor) a R$ 17 mil (para gerente de engenharia de processo). As inscrições devem ser feitas até o dia 30 de outubro por meio do site www.ceitec-sa.com/trabalhe_conosco. Não é cobrada taxa de inscrição.
Defensoria Pública do Estado do Piauí
A Defensoria Pública do Estado do Piauí está com as inscrições abertas para 12 vagas de defensores públicos – 3 delas são reservadas aos candidatos portadores de deficiência. A remuneração oferecida será de R$ 14.224,28. As inscrições devem ser feitas pelo site www.cespe.unb.br/concursos/dpepi2009 até as 23h59 de 3 de novembro. A taxa é de R$ 200.
Prefeitura de Colíder
A Prefeitura de Colíder (MT) está com as inscrições abertas para 135 vagas para nível fundamental, médio e superior. Os salários variam de R$ 491,83 (vários cargos) a R$ 9.848,71 (médico clínico geral). Do total, 20% das vagas são reservadas para deficientes. As inscrições devem ser feitas até o dia 4 de novembro no Centro Cultural Albino Barbiero (avenida Mato Grosso, 246, Centro, das 8h às 11h30 e das 13h às 17h). As taxas vão de R$ 30 (nível fundamental) a R$ 100 (nível superior).
Prefeitura de Foz do Iguaçu
A Prefeitura de Foz do Iguaçu (PR) abriu concurso para 86 vagas de nível médio e superior. Os salários vão de R$ 594,05 (recepcionista) a R$ 10,8 mil (médico da família). As inscrições devem ser feitas até o dia 19 de novembro pelo site www.fundatec.com.br. A taxa varia de R$ 50 a R$ 120.

Fundação Hospitalar de Saúde Municipal de Ibaiti
A Fundação Hospitalar de Saúde Municipal de Ibaiti, no Paraná, está com as inscrições abertas para 38 vagas de nível técnico e superior. Os salários vão de R$ 465 (auxiliar de consultório dentário) a R$ 8.722,74 (médico). As inscrições devem ser feitas no site www.consesp.com.br, até o dia 3 de novembro. A taxa é de R$ 35 para nível técnico e de R$ 60 para nível superior.
Grupo Hospitalar Conceição (CHC)
Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul, está com inscrições abertas para formação de cadastro de reserva. As oportunidades são para nível superior. Os salários variam de R$ 3.150 (fisioterapeuta) a R$ 8.250 (advogado). As inscrições devem ser feitas até o dia 1º de novembro pelo site www.fundacaolasalle.org.br. A taxa é de R$ 75.
Prefeitura de Divinolândia de Minas
A Prefeitura de Divinolândia de Minas (MG) está com as inscrições abertas para 168 vagas para níveis alfabetizado, fundamental, médio e superior – 5% das vagas serão destinadas a deficientes. Os salários variam de R$ 465 (vários cargos) a R$ 7.940,15 (médico clínico geral). As inscrições devem ser feitas até o dia 27 de novembro no prédio da prefeitura municipal (Rua Monsenhor Ayala, 37, Centro de Divinolândia de Minas), das 12h às 17h, ou pelo site www.trconcursos.com.br. A taxa varia de R$ 40 a R$ 132.
Prefeitura de Quedas do Iguaçu
Prefeitura de Quedas do Iguaçu (PR) oferece 69 vagas para nível fundamental, médio incompleto, médio-técnico e superior – 5% das vagas serão destinadas a deficientes. Os salários variam R$ 465 (vários cargos) a R$ 7,8 mil (médico clínico geral). As inscrições devem ser feitas pelo site www.abccon.com.br até as 15h (horário de Brasília) do dia 18 de novembro. A taxa é de R$ 25 (nível fundamental), R$ 50 (nível médio, técnico e superior) e R$ 75 (nível superior).
Receita Federal
A Receita Federal está com as inscrições abertas para 700 vagas de analista-tributário, que exige nível superior em qualquer área de formação. O salário é de R$ 7.624,56. Do total de vagas, 665 são para ampla concorrência e 35 para portadores de necessidades especiais. As inscrições devem ser feitas até 23h59 de 2 de novembro pelo site www.esaf.fazenda.gov.br. A taxa é de R$ 100.

 

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A Prefeitura de Rio do Sul está com inscrições abertas para processo seletivo de 21 vagas (O Rio-sulense, 17/06/09)

A Prefeitura de Rio do Sul está com inscrições abertas para processo seletivo que visa contratação de profissionais para cargos de nível fundamental, médio e superior. No total são 21 vagas, com salários que variam de R$ 532,65 a 2.156,90 para a administração direta, indireta e formação de cadastro reserva. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 26 de junho, conforme edital que está publicado no site oficial do município: www.riodosul.sc.gov.br, no menu: “Publicações Legais”, e no link “Processo Seletivo”.

Para os cargos de farmacêutico, assistente social, auxiliar de consultório dentário e auxiliar administrativo 3, as inscrições devem ser realizadas na sala 97 da Secretaria de Saúde, que fica na rua Tuiuti, nº 154, no centro de Rio do Sul, das 7h30min até às 13h.

Já os candidatos aos cargos de engenheiro civil, psicopedagogo, topógrafo, técnico em informática, operador de equipamentos e calceteiro devem procurar o Departamento de Recursos Humanos da Prefeitura, que fica na Praça 25 de Julho, nº 01, no horário das 7h30min às 12h30min. A Fundação Cultural também está com vagas abertas para auxiliar administrativo 3 e motorista de veículo leve, e os candidatos podem fazer a inscrição na própria Fundação, que fica na rua Rui Barbosa, nº 204, no bairro Sumaré, no horário das 8h30min às 11h30min e das 14h às 17h.

O processo seletivo será realizado através de prova escrita (menos para os cargos de calceteiro e operador de equipamentos), análise de currículo e entrevista. A prova escrita está marcada para o dia 3 de julho, no Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (Unidavi), e somente quem atingir a média mínimas prevista no edital será convocado para entrevista. O resultado final dos aprovados deve ser divulgado no dia 28 de julho. Informações podem ser obtidas no edital que está no site: www.riodosul.sc.gov.br, no menu: “Publicações Legais”, e no link “Processo Seletivo”.

Clóvis Eduardo Cuco
Departamento de Comunicação – (47) 3531-1214
gab.imprensa01@riodosul.sc.gov.br

Gula, soberba, preguiça, inveja, ira, luxúria, avareza. Os sete pecados capitais. Atire a primeira pedra quem nunca cometeu algum deles. Realmente resistir às tentações não é fácil. E você já parou para pensar que até na hora de estudar e prestar um certame é possível pecar? Isso é o que garante um dos maiores experts em concursos públicos do país: William Douglas, que é juiz federal, professor e autor de obras importantes da área jurídica relacionadas a concursos. “Segundo os religiosos, o pecado faz mal e leva para o inferno; os ‘pecados do concurso’ fazem mal também, e levam à reprovação. Ou, dependendo do caso, levam o candidato a desanimar e a desistir de seus sonhos”, filosofa.
Para cada um dos pecados, Douglas faz uma análise diferenciada e avalia que o mais grave cometido pelos concurseiros é a falta de capacidade de administrar o tempo e o excesso de lazer, apesar de a total falta de atividades prazerosas também ser ruim. Mas sem dúvida, os mais comuns, de acordo com o “papa dos concursos”, são a gula e a preguiça.
Mas o que fazer para não se tornar um costumeiro pecador de concursos? Fé sempre e, claro, muito sacrifício. “O que recomendo é que o candidato faça a sua parte e pague o seu preço para chegar aonde quer. Ao dar nossa parcela de fé e sacrifício, chegaremos cedo ou tarde à ‘Terra Prometida’, ao ‘Paraíso’, com o mérito dos santos. ‘Santo’, por sinal, significa, etimologicamente, ‘separado’. Gente que passa em concurso é assim: meio diferente da média, mais dedicada, mais focada. Isso é santidade. Faço votos de que todos passem no concurso de seus sonhos”, finaliza William Douglas.

Fique por dentro dos pecados concursais

1 – GULA
É a pressa de passar. Concurso não se faz para passar, mas até passar. E, para isso, é preciso um processo de maturação. A aprovação é resultado de um processo longo, mas é algo que a pessoa – se trabalhar direito – pode contar.

2 – SOBERBA
Soberba é a arrogância, o achar que já é o “dr. sabe-tudo”, o “rei da cocada”, mal que atinge muitos candidatos bem preparados (e outros nem tanto!). Muitos candidatos inteligentes e bem formados são vítimas da soberba, ao passo que os menos capazes, mas esforçados, chegam lá, assim como na história da corrida da lebre com a tartaruga. A humildade nas aulas, no estudo, nas provas, em todo o processo, enfim, é o caminho para a glória.

3 – PREGUIÇA
Nem é preciso escrever nada. A palavra é auto-explicativa. Contudo, eu sou meio preguiçoso, reconheço. Por isso sempre procurei técnicas de estudo para render mais e poder ter resultados de forma mais eficiente.

4 – INVEJA
A inveja acontece quando o concurseiro fica vigiando a vida, as notas e as coisas boas que os outros possuem ao invés de ir resolver a própria vida.

5 – IRA
A ira representa deixar-se “estourar” pela enorme quantidade de fatos que até dão raiva mesmo mas que fazem parte do processo, do sistema: cansaço, carteiras duras (do curso e a sua), dificuldades com a família, com a matéria, os absurdos ou fraudes em concursos, taxas de inscrição abusivas etc. Haja paciência! (ops! Estamos falando de pecados e não de virtudes…) Mas não adianta ficar irado. O jeito é estudar, pois um dia a gente passa, apesar de tudo.

6 – LUXÚRIA
A luxúria é talvez o maior pecado: o lazer exagerado, as viagens, passeios, baladas e tudo o mais que é delicioso, um luxo, e que nos tira tempo de estudar e treinar, bem como a chance de fazer isso no futuro, já nomeado e empossado.

7 – AVAREZA
A avareza tem duas manifestações. A primeira, do candidato que economiza nos investimentos necessários para ser aprovado e a segunda avareza, a pior delas, ocorre quando o cidadão é aprovado e deixa de utilizar o cargo, os poderes e competências dele para o bem da coletividade. Não sejamos avaros com o país, nem com o povo que o (e nos) sustenta. Ao passar, para não ser blasfemo, herege ou apóstata, é preciso devolver ao povo o quanto nós custamos. Isso pode ser feito com trabalho, eficiência, simpatia, honestidade e entusiasmo.

Via: http://oimparcial.site.br.com/index.php?option=com_content&task=view&id=20668&Itemid=41

Pessoal, eu comecei esse texto sem nenhuma pretensão, coloquei-o no fórum concurseiros, mas ao ver o mesmo receber mais de 3 mil acessos em 4 dias, vi que teve muita gente interessada nele. E conversando com o Vicente, pensamos em colocá-lo aqui no site do ponto, para mais pessoas terem acesso.             E uma dica inicial: se você realmente está disposto a ler esse texto, imprima-o, porque é muito longo para lê-lo na tela. E ainda poderá ler novamente alguns pontos que achar necessário e emprestar pros colegas.             Antes de qualquer coisa, deixem eu me apresentar rapidamente. Sou carioca da Ilha do Governador, mas moro em BH há 11 anos, onde desde então sou fiscal de ISS. De 1992 a 1994 estudei e prestei alguns concursos, sendo aprovado para Fiscal de ISS-BH, ICMS-MG e TFC, e reprovado no AFTN-94 (hoje AFRF). Optei por vir pro ISS-BH. Nesse AFTN fui reprovado por uma questão, e como houve fraude no mesmo e umas 50 pessoas foram eliminadas do concurso, fiquei esperando revoltado que chamassem mais gente, o que não aconteceu. E tomei a decisão mais burra da minha vida: parar de estudar para concursos, e contentar-me com o pouco que já havia conquistado. Esse concurso sempre ficou entalado na minha garganta, e ficava pelos cantos dando a desculpa da fraude, sempre que me perguntavam por que não estudava mais e/ou não tinha passado nele. Sofria a doença da desculpite, que falarei dela mais para frente. Veio o concurso de setembro de 94 e eu nem dei bola para ele, e vi muitos que tinham tirado muito menos que eu no meu concurso de março serem aprovados.             Vi vários colegas e amigos, muitos desses que não foram aprovados nos concursos que eu fui, passarem depois para concursos muito melhores e levarem uma vida muito mais confortável que a minha.             Em 1998 resolvi voltar aos estudos, e estudei muito durante uns 6 a 8 meses, mas sem método algum, fazendo tudo errado, como constataria depois. E abortei tudo, parei novamente sem ter feito uma prova sequer. Voltei a minha vida de doente da desculpite.             Até que em meados de 2005, cansado de ver todos ganhando mais do que eu,  resolvi me curar da desculpite da única forma possível: passando num bom concurso, como AFRF ou algum fiscal de ICMS.             E retomei a vida de concurseiro com tudo, mas dessa vez resolvi fazer diferente de antes, resolvi ser metódico e rigoroso nos meus estudos, e adotei várias estratégias de estudos.             Antes que apareça alguém me acusando de plágio, digo que a grande maioria dos conselhos que aqui darei obtive lendo excelentes livros sobre técnicas de estudos, como os dois livros do Willian Douglas, o da Lia Salgado e o ótimo livro do Alex Viegas chamado “Manual de um Concurseiro”. E fiz uma adaptação deles todos ao meu jeito de estudar e fui aprimorando-o. Tem muita gente que acha que é bobagem “perder tempo” lendo esses livros ou um texto como esse meu, que seria um tempo melhor aproveitado se estivesse estudando. Eu digo que se o cara realmente já sabe como estudar, e se dá bem com esse método, concordo com ele. Agora, digo que 95% das pessoas teriam muito a ganhar se lessem os mesmos. E que muitos ficam anos estudando sem passar em nada porque não sabem estudar, e já poderiam ter passado se tivessem lido algo do gênero.             Graças a essa diferente forma de estudar fui aprovado em 6º lugar no AFRF para 6ª região (MG), tendo estudado apenas uns 6 meses. Tenho certeza mais do que absoluta que não teria conseguido se não fosse essa nova metodologia. Obviamente não comecei a estudar do zero, já tinha uma base por ter estudado muitos anos antes.             Fiz 220 pontos no AFRF, estudando basicamente 6 meses, junto com trabalho, mestrado em Estatística na UFMG e família (incluindo um pai, que é meu grande ídolo, que teve que fazer às pressas 6 pontes safena nesse período), e eu garanto que não teria conseguido se não fossem essas dicas abaixo. Obviamente que tudo que eu havia estudado até 94 e em 98 me ajudaram muito dessa vez, não comecei do zero, mas não muito longe disso também. E tenho uma base em matemática muito forte, que me garantiu ótimas notas em mat financeira, estatística e informática, sem praticamente estudar nada. Tenho duas graduações, pós-graduação e mestrado nessas áreas, todas cursadas em federais. Em compensação os “direitos” e a minha memória sempre estavam lá para me atrapalhar.             Eu antigamente era muito bagunçado, como sou com tudo até hoje (coisa peculiar a todo matemático), e decidi no estudo ser dessa vez extremamente organizado, porque sabia que só assim iria me dar bem. Tinha que mudar radicalmente meu jeito de estudar. E olha que não me considero um derrotado. Dentre concursos militares (fiz o 2º grau na EsPCEx), vestibulares e concursos, fiz 25 seleções, e fui aprovado em 20. Com o AFRF agora são 21 em 26. Mas essas 5 reprovações me doeram muito, porque eram algumas das principais, como o AFTN 94 (hoje AFRF) e o Colégio Naval 84, e sabia que minha desorganização foi decisiva nelas. E mudei mesmo meu jeito de estudar. Radicalmente.              Quem tiver paciência para ler esse texto poderá economizar e otimizar muito seu estudo, garanto. ISTO aqui me fez passar, e poderá o ajudar também. Cada um tem necessidades e formas de estudar diferentes, mas com certeza algumas coisas poderão ser adaptadas e utilizadas por você.

            Vamos então às minhas dicas:


            1) Anotação dos Horários de Estudo


            Anote todos os minutos que estudar, por disciplina. Assim: deixe um relógio digital na sua frente (tem que ser digital, porque o tic-tac nos desvia do estudo), e um bloquinho de papel do lado. Se começar a estudar Contabilidade às 18:03, coloque lá o início. Se for ao banheiro, desconte os minutos gastos e por aí vai. Tudo anotado. No fim do dia passe para um calendário quanto estudou de cada matéria e o total de estudo do dia.
           
            Você assim vai ter controle do seu estudo diário, e não vai se iludir com ele. Você vai ver que ficar em casa por conta do estudo de 8h às 23h não quer dizer que você estudou 15h no dia. Você estudará, num excelente dia, umas 9h ou 10h no máximo, e isso tudo raramente. Vai lhe mostrar o quanto perde de tempo no telefone, vendo TV, enrolando etc. Mas essas horas anotadas serão horas reais de estudo, que lhe trarão mais cobrança com seus horários e um aumento no número de horas estudadas. Você vai notar que pode ficar uma semana inteira “estudando” aparentemente o mesmo tempo todo dia, e o tempo real de estudo variar de 3 a 9h/dia, sem que você tenha notado muita diferença de um dia pro outro. Você só vai perceber e corrigir isso se anotar tudo. Você vai identificar os porquês de um dia não ter rendido tanto, e saberá minimizar aquilo que o prejudicou para nos próximos dias não repetir os mesmos desperdícios de tempo.

            Outra coisa que eu tinha mania e o livro do WD me corrigiu: parei de esperar as horas cheias para estudar. Assim que puder, sente para estudar. Depois que você sentar é que olhará a hora e a anotará no bloquinho. Você ganhará mais horas de estudo se fizer isso. Tenho certeza que muitas pessoas ficando adiando a volta ao estudo, pensando: “às 14h eu volto”. Aí dá 14:10 e o cara, em vez de correr para estudar, pensa: “14:30 eu volto então” etc. Pare com essa perda de tempo idiota, sente para estudar assim que der e depois olhe para o relógio para marcar seu início. Mude a ordem das coisas: primeiro você senta pra estudar, depois olhe o relógio, e não o inverso.             E outro toque que o WD também dá e que concordo: pare com essa bobagem de antigamente de que tinha que esperar uma ou duas horas para voltar aos estudos após uma refeição. Isso é pura bobagem. Coma devagar, relaxe, e logo que puder volte com tudo. Não tem essa de enjôo, dor-de-cabeça, colapso, convulsão etc. Isso é do tempo que não podia comer manga com leite. Vai ver que é porque naqueles tempos não havia concurso eheheh.Eu sempre almoçava umas 12:40, para ver o Globo Esporte junto, que acaba às 13:15, e lá pelas 13:30, no máximo 13:45, já estava de volta, e nunca senti nada, nem conheço alguém que já tenha sentido. Outra perda de tempo idiota essa.             E lembre-se sempre de uma coisa muito importante: o que o passará num concurso é muita HBC, mas muita mesmo (HBC = Horas-Bunda-Cadeira). Tem muita gente que passa horas por dia em corredores de cursinhos, enrolando, em salas de aulas ruins etc., e evita o principal: a HBC. Isso vai lhe passar, muito mais que qualquer outra coisa. Claro que bons cursos e professores são importantes muitas vezes, mas não se lote de cursos e esqueça do principal, que é estudar sozinho. Seu tempo de estudo tem que ser sempre muito maior do que o gasto em salas de aula e outras coisas mais.

             2) Relação Candidato-Vaga (C/Vg)   Uma Tremenda Bobagem

             Existem duas perguntas que me irritam: a 1ª: qual o seu signo? e a 2ª: qual a relação C/Vg?             Como a 1ª nada tem a ver com concurso, vamos à 2ª:
Em sala de aula e conversando com amigos eu já dei um exemplo que muita gente riu, mas não é para rir só, é para se motivar mesmo e esquecer essa bobagem que é a relação C/Vg.
           
            Você já foi aprovado na maior relação C/Vg que você poderia passar um dia: 100milhões de candidatos por somente uma vaga. SIM! você já foi aprovado nesse concurso. Você só está nesse mundo porque foi aquele exato espermatozóide, dentre outros 100 milhões, que encontrou o óvulo. Se não tivesse passado nesse concurso quase impossível, você não estaria aqui. Eu não me lembro, mas tenho certeza que lá estava eu, usando a camisa 10 do Roberto Dinamite, contra 99.999.999 flamenguistas, e eu venci! Lembre-se que um dia você foi esse valente guerreiro, e venceu. Qualquer relação C/Vg de 40, 300 ou mil é ridícula perto desse seu primeiro concurso, e que você foi aprovado, sem precisar de questão anulada nem nada. Lembre-se sempre disso, perca o medo dessa bobagem de C/Vg. Se eu não tivesse passado nesse 1º concurso, não estaria aqui escrevendo isso tudo, quem sabe seria mais um flamenguista no mundo, em vez de um vascaíno feliz, ou um examinador da ESAF, ou o pior: um examinador da ESAF flamenguista!

            95% das pessoas que estão inscritas nem sabem que já passamos da Emenda Constitucional 45, nem o que é uma DRE. Não representam nada, estão ali porque a família pediu para ir lá, porque há 15 anos atrás um parente passou pro BB sem saber nada, e vai que você dá essa sorte também, né? são meros turistas. Dá uma prova escrita em grego para eles que suas notas serão praticamente as mesmas.
            Vou dar alguns exemplos de como isso é bobagem. Sempre vejo as notícias das maiores relações C/Vg de vestibulares pras federais. E todo ano os vestibulandos, até mesmo especialistas, falam na TV e nos jornais tremendas bobagens, tais como “Fisioterapia vai ser muito difícil”, porque tem a maior relação C/Vg de todas etc. Ora, as áreas mais difíceis sempre serão as mesmas, independente da relação C/Vg: medicina, odonto, computação…o que interessa é a nota mínima para passar, e não a relação C/Vg.
Olhem esse último AFRF:
7a regiao, RJ: C/Vg 202. Nota mínima: 187
UC, Brasília: C/Vg 38. Nota mínima: 194
E olhem que o RJ é a capital mundial dos concursos.
            Têm centenas de cariocas que fizeram inscrição para outras regiões e ficaram totalmente felizes em não terem escolhido o Rio quando viram essas C/Vg. Depois constataram que a C/Vg é uma tremenda bobagem, quando viram que tiraram mais do que 187 pontos e não passaram para onde tinham se inscrito, com C/Vg muito menores. Ou então passaram para regiões distantes do Rio e levarão muitos anos até voltarem para a Cidade Maravilhosa. Óbvio que ninguém sabia de antemão que iria acontecer esse absurdo, o que quero dizer é que rir da relação C/Vg é uma tremenda bobagem. Eles teriam feito para seu estado de origem, e não para longe, e ainda teriam passado.

            Resumindo, não percam tempo olhando a relação C/Vg por região e se desesperando ou ficando mais animados por causa disso. É a maior bobagem.

            Lembro que na minha região, a 6ª (MG), eram 80 C/Vg. Quando entrei na sala para fazer a prova, com uns 40 candidatos, pensei: passará um cara só a cada duas dessas salas cheias. E do meu lado tinham 3 candidatos que estavam fazendo o curso de formação aqui no AFRE-MG, ou seja, tinham ficado dentre os 50 primeiros desse concurso tão difícil, e também feito pela ESAF. Pensei: caramba, só passará um cara a cada duas salas dessas e só do meu lado têm 3 bem cotados. Acalmei-me, e pensei que era para tirar isso da cabeça, que nós 4 passássemos então e que ficassem várias salas sem ninguém passar. Bem, eu passei, e bem colocado, e eles não passaram. E mais um outro colega, que depois virou amigo, que só conheci no CF e que não era nenhum desses 4, em 7º lugar (é o Galobis Xulambis do fórum). A minha preocupação era realmente idiota mesmo.              Descobri que continuo sendo aquele mesmo espermatozóide guerreiro, e é só querer que você também continuará sendo.             Você também já foi um desses, nunca se esqueça disso!


            3) Estudo Antes do Edital   O Uso dos Ciclos


            Eu, antes do edital, fiz um estudo por ciclos, eu aprendi isso numa edição antiga do livrão do WD.

            Mas como é isso? Dividi meu estudo, por exemplo, em ciclos de 16h, em 4 fases de 4h. Coloquei nele umas 10 matérias, variando o tempo de cada uma de acordo com meu grau de conhecimento e da importância delas. Obviamente quanto maior seu conhecimento nela menor o tempo de estudo reservado para ela, e quanto maior sua importância no total de pontos da prova, maior o tempo de estudo. Tem que saber combinar bem os dois fatores anteriores, mas com um pouco de bom senso dá para dividir bem.            Dividi uma folha A4, na horizontal, em 4 faixas grossas horizontais. Cada uma dessas partes era uma das 4 fases do ciclo. Cada uma com 4h. E dividi o tempo que estipulei antes de cada matéria no total dessas 16h totais do ciclo. Exemplo: Contab com 3h30´; Dir Const, Dir Trib e Economia com 2h cada; Dir Admin e Info, 1h30min; mat fin, estat e port 1h e inglês, 30min.             Dividi essas 16h nas 4 fases, tentando alternar matéria mais decoreba com de raciocínio, e dividindo as de 2h em duas de 1h. E ia estudando na ordem, marcando cada uma conforme acabasse, continuamente, sem quase nunca mudar a ordem. Tem muita gente que me escreveu porque não entendeu isso, então vou explicar melhor. Não é para estudar cada fase de 4h de cada vez, separadamente, ou por dia, não é isso, você vai estudando na ordem, sempre. Se parar na metade de uma fase hoje, não tem problema, você recomeça amanhã a partir dali.              Aí está o ciclo do exemplo dado: 

CICLO    REDUZIDO    (16h)
  0´ a 30´ 30´ a 1h 1h a 1h30´ 1h30´ a 2h 2h a 2h30´ 2h30´ a 3h 3h a 3h30´ 3h30´ a 4h
1a Fase CONTABILIDADE                                                            (1h) DIREITO                                           ADMINISTRATIVO                                            (1h30´) INFORMÁTICA                                                           (1h30´)
2a Fase TRIBUTÁRIO                                                           (1h) CONTABILIDADE                                                            (1h) DIREITO CONSTITUCIONAL                                                          (1h) ESTATÍSTICA                         (1h)
3a Fase INGLÊS                                                           (30´) ECONOMIA                                                            (2h) CONTABILIDADE                                                            (1h30´)
4a Fase TRIBUTÁRIO                                                           (1h) DIREITO CONSTITUCIONAL                                                          (1h) MATEMÁTICA FINANCEIRA                         (1h) PORTUGUÊS                                                           (1h)

             Então, no exemplo de ciclo acima, você estudará: 1h de Cont, 1h30´ de Dir Adm, 1h30´de Info, 1h de Dir Trib, 1h de Cont … até 1h de Port, quando voltará lá para o início, com 1h de Cont, 1h30´de Dir Adm etc.             Eu chamei as 4 partes de 4 horas de fases só para ficar mais fácil para fazer a planilha no micro, mas não há diferença entre elas. Tem gente que entendeu que era para estudar 4 vezes cada uma, e depois partir para a fase seguinte etc. Não é nada disso. Conforme já escrevi, é só a ordem das disciplinas a serem estudadas. Seria mais correto eu colocar tudo em forma de um anel, uma seguida da outra, mas fica difícil desenhar e entender isso. Também não precisa cada fase ter o mesmo número de horas, o que interessa é o total de todas elas, que nesse exemplo foi de 16h, e a ordem a ser seguida. Você pode fazer com mais ou menos fases, com mais ou menos do que 16h, do jeito que quiser. A que eu fiz foi assim, mas pode ser de qualquer outro jeito.              Nesse ciclo há 10 disciplinas, só como exemplo. As vermelhas são mais teóricas e as pretas são mais exatas (Informática é meio termo – não coloquei cada letra de uma cor para não ficar muito flamenguista). Tente intercalar vermelhas com pretas e colocar as disciplinas iguais, quando divididas em mais de uma parte, em lugares espaçados igualmente. Lembre-se que não é para colocar um na 1ª fase e outro na 4ª, por exemplo, porque você estudará as duas quase juntas quando virar o ciclo, com intervalo de poucas horas entre uma e outra. É para colocar um bloco na 1ª fase e o outro na 3ª, ou na 2ª e na 4ª. Coloque Mat Fin e Est também assim, como se fossem uma coisa só. Separe Dir Admin e Dir Const também, porque o cérebro funciona igualzinho para as duas (o mesmo para MF e EST), e a idéia é fazê-lo variar o máximo. Cole esse quadro na sua frente, na parede, por exemplo, e vá fazendo uma marca em cada quadrinho que for estudando. Quando necessário, estude mais tempo cada bloco, ou mude a ordem, mas depois volte aos que ficaram para trás, se achar conveniente. Eu anotava sempre os minutos excedentes em cima da marca que fazia, porque às vezes você vai estudar um pouco menos aquela matéria numa outra vez e a sua consciência não pesará. Colocava “+15´”, por exemplo, no quadrinho dela.             Evite estudar direto mais de 2h30min cada disciplina, porque seu rendimento será bem menor. A idéia é variar bastante as disciplinas. Duas horas já é um ótimo limite na maioria das vezes, porque mais do que isso vale mais você dividir em fases diferentes. Claro que estudar 30min, por exemplo, salvo raras exceções, também não é proveitoso, porque você ainda está entrando no ritmo, mas mais do que 2h30min só em casos extremos. Se no seu ciclo tiver 16h, e você reservou 3h30min para Contab, como no exemplo dado, separe essas 3h30min em 3 blocos, como eu fiz, ou em dois. Isso trará duas vantagens imensas: a 1ª, você sempre estudará a matéria com a cabeça pronta para aprender, o cérebro pronto para as novidades, e não entrará na curva descendente de aprendizado, quando seu rendimento cai demais após algum tempo de estudo; e a 2ª, você estará sempre vendo aquela matéria, o que é ótimo para manter boa sua memória. Nesse exemplo dado, você verá Contabilidade praticamente todos os dias, e não em um dia aqui e outro lá na frente, e com um aproveitamento muito melhor do que se estudasse 3h30min direto.                        Esse ciclo anterior eu recomendo para quem já tenha uma boa noção de várias dessas matérias. Eu acho que um ciclo maior, com duração de horas maior em cada disciplina, e com menos disciplinas, melhor para quem tá começando. Pode começar com um de 24h, por exemplo, com umas 5 disciplinas, como o seguinte:
 

CICLO       INICIAL       (24h)
    a   30´ 30´ a   1h 1h   a 1h30´ 1h30´ a  2h 2h   a  2h30´ 2h30´  a  3h 3h   a   3h30´ 3h30´  a  4h 4h   a 4h30´ 4h30´  a  5h 5h   a 5h30´ 5h30´ a   6h
1a  Fase CONTABILIDADE                                                            (2h30´) DIREITO  CONST. (1h30´) TRIBUTÁRIO                                                           (2h)
2a  Fase CONTABILIDADE                                                            (2h30´) DIREITO  ADMIN. (1h30´) TRIBUTÁRIO                                                           (2h)
3a  Fase CONTABILIDADE                                                            (2h30´) DIREITO  CONST. (1h30´) TRIBUTÁRIO                                                           (2h)
4a  Fase CONTABILIDADE                                                            (2h30´) DIREITO  ADMIN. (1h30´) PORTUGUÊS                                                            (2h)

             Eu considero esse um bom ciclo para quem está começando a estudar para a área fiscal, usando 5 disciplinas básicas. Para Contabilidade, como demora mais para pegar sua base e o programa é imenso, há uma boa quantidade de horas, assim como Dir Trib. Os tempos de estudo em cada disciplina são maiores, porque nessa fase inicial é muito mais teoria, e demora a pegar o ritmo em cada uma e a engrenar no estudo. Após uma boa quantidade de rodadas nesse ciclo, você poderá aumentar o número de disciplinas, reduzir a carga horária de cada uma das básicas, e futuramente passar para o ciclo de 16h. Mas aconselho a só fazer isso se estiver perto de sair o edital do concurso e/ou a sua base nessas disciplinas estiver boa.             Não é para se prender a isso igual um bitolado. Por exemplo, se faltam 10min e você acabou um assunto, anote que estudou menos 10min naquele dia, parta para o próximo bloco e depois estude mais tempo outro dia, quando precisar. Funciona como se fosse um quadro de compensação de horas para cada disciplina. Ou então use o tempo excedente para revisar seus resumos ou mapas mentais. Eu refiz algumas vezes os ciclos, conforme ia melhorando em alguma disciplina ou precisasse mais de outra, ou trocasse algumas disciplinas etc. Não precisa ter um ciclo para sempre, aliás, a idéia é que tenha alguns diferentes, o importante é você seguir a ordem quando fizer um novo, para estar sempre em contato com várias disciplinas toda semana. Com os ciclos você vai estudar de duas a 8 disciplinas em um dia só. É ótimo pro cérebro e para sua memória. Esses seus dois aliados vão adorar os ciclos, com certeza.             Tem gente também que me perguntou onde eu encaixava os exercícios nela, se em um ciclo estudava só teoria e no outro só exercícios, por exemplo. Não fiz nada disso, eu simplesmente estudei tanto a teoria quanto exercícios conforme a necessidade e o conhecimento de cada. Por exemplo, se fosse a vez de estudar contabilidade, eu que decidia na hora se seria teoria ou exercícios, e que podia ser o contrário da disciplina seguinte. Não tinha isso de num ciclo ser obrigatoriamente de teoria e o outro de exercícios, cada disciplina era uma coisa.

            Eu recebi muitos emails de pessoas pedindo para ajudá-las a montarem seus ciclos. Não posso fazer isso. Cada pessoa tem seus conhecimentos prévios, formações, dificuldades etc. Entenda como funciona e adapte às suas particularidades. A idéia de como montar um ciclo é a que lancei aí em cima, mas foi para o meu caso, porque conheço muito bem minhas limitações e qualidades. Não adianta me pedir, porque não dará para ajudar. Desculpem-me, não é por má vontade, muito longe disso, é porque não sei nada de vocês, e não vai ser em um simples email, mesmo que imenso, que saberei mais. Veja como eu fiz e monte o seu, ninguém melhor do que você para fazer isso.             Esse uso dos ciclos é excelente, porque o força a não deixar nada para trás, você está sempre vendo todas as matérias toda semana. Isso eu fazia muito errado antigamente, pq tirava uma disciplina só para estudar por uma ou duas semanas, só ela, e me desesperava quando voltava a uma anterior e não lembrava nada, muita gente faz isso, que é totalmente errado.              Deixe eu explicar uma coisa aqui: as pessoas estudam para concursos como se ainda estivessem na faculdade ou na escola. Lá você tinha uma prova por semana e podia estudar desesperadamente uma matéria por semana e depois da prova esquecer tudo. No concurso não, você vai estudar sem nem ter idéia de quando sairá um edital, muitas vezes ele só sairá daqui a um ou dois anos. Então por que você ainda estuda como se estivesse na faculdade, se naquela poca você esquecia tudo depois de uma semana? isso é burrice, meu amigo, caia na real. É tudo muito diferente daqueles tempos de vida mansa em que você não xingava tanto sua memória. Para um concurso você tem que estudar tudo ou quase todo o programa, e o principal, MANTER na memória tudo que estudou. E o uso dos ciclos, ou coisa parecida, vai ajudá-lo muito mais nisso que esses estudos de uma só matéria por horas seguidas, às vezes dias. Pense sempre nisto: manter o estudo na memória é muitas vezes mais importante do que só se preocupar em estudar sempre para a frente no programa, sem manter na memória o que estudou. No concurso você não vai fazer prova de uma ou duas disciplinas por semana, e sim de 12 a 25 num fim de semana só, então por que você ainda estuda assim? acorde! você já terminou a faculdade há tempos, só lá que funcionava assim, no mundo do concurso público isso não funciona!             Com o ciclo, você não esquece muito as coisas, está sempre revendo tudo. Além da motivação de marcar cada vez mais tracinhos no ciclo, estudando mais e mais. 
            4) Estudo Após o Edital


            No dia que saiu o edital tirei o dia todo para me organizar. Peguei meia-folha de cartolina e fiz um calendário até a prova. Nele marquei todos os meus compromissos, como trabalho, mestrado etc. E marquei em cada dia quantas horas eu estudaria em média. Pronto. Isso deu um total de 280h até a 4ª feira antes da prova. Peguei essas 280h e as dividi pelas disciplinas. Por exemplo: 20h para Contabilidade, 40h para Direito Previdenciário, 6h para Mat Financeira etc., até totalizar as 280h.
             Coloquei então num papel as disciplinas e o total de estudo que tinha para cada uma delas até a prova. E o legal foi que na 4ª feira antes da prova eu somei tudo e vi que tinha estudado 320h, 40h a mais do que tinha me programado 50 dias antes. Deu-me uma sensação de dever cumprido e uma segurança excelente para a prova.
            Conforme ia estudando cada uma, ia descontando do total dela o que tinha estudado naquele dia. E ia me controlando, deixando um pouco de cada uma pras últimas duas semanas, quando faria uma revisão geral. Claro que fiz vários remanejamentos durante esse período, tirando algum tempo de uma e pondo em outra. Não tinha como saber no dia do edital quanto tempo iria gastar com matérias que nunca tinha visto e nem sabia o tamanho e a dificuldade de cada, mas as linhas básicas eu segui.

            É comum uma pessoa disparar no estudo de uma ou duas disciplinas e quando chegar na semana da prova se desesperar, vendo que não reservou algumas horas para revisar várias outras que não vê há muito tempo. E o resultado isso quase sempre é desastroso.
             Usando o controle de horas de cada uma você vai balanceando tudo.              Faça uma espécie de ciclo nas disciplinas, estudando algumas por dia, intercaladas.

            Eu dou o seguinte exemplo: para uma seleção ser campeã do mundo, não basta ter ótimos atacante, goleiro e um lateral, e os outros 8 jogadores estarem mal. Não basta 3 ou 5 estarem voando e os outros se cansando rápido e entregando o jogo no final. Você tem que chegar na decisão com os 11 bem fisicamente, atacando e defendendo em bloco. Lógico que com um ou outro gênios em campo (que seriam as disciplinas que você mais domina, no meu caso tudo da área de exatas), mas com os outros jogadores dando pro gasto, pelo menos. É a mesma coisa que se você não fizer uma boa revisão de cada disciplina nas duas semanas anteriores, porque planejou mal seu estudo. Você vai chegar bem demais em algumas e totalmente esquecido ou ruim em outras. E o que poderá acontecer, como aconteceu com muita gente no AFRF e em qualquer outro concurso? o cara arrebentará em várias, fará mais de 200 pontos, e ficará em outras, porque planejou mal seu estudo. Dividindo bem seu estudo pelas disciplinas, você chegará na prova com todos os jogadores bem fisicamente, ou pelo menos não comprometendo o time.

            Por que a seleção da Holanda fez tanto sucesso em 74? porque ela atacava e defendia em bloco. Faça o mesmo com seu estudo, ataque e defenda em bloco.

            A seguir está a planilha que fiz para estipular o número de horas de cada uma e a marcação das horas que ia estudando de cada:
 

AFRFB  -  2005
Disciplina / semana Questões         x          peso Mínimo de Horas Horas  que  faltam
Cont.Geral e An.Bal. 20×2 = 40    
Dir. Tributário 20×2 = 40    
Dir. Constitucional 20×2 = 40    
Dir. Administrativo 20×2 = 40    
Dir. Previdenciário 15×2 = 30    
Dir. Int. Público 15×2 = 30   Nestas linhas vá riscando o tempo restante em cada matéria,
Comércio Intern.  descontando quanto ainda tinha do que estudou no dia.
Economia 10×2 = 20   Exemplo supondo que você ainda tinha 10h para estudar:
Finanças Públicas 10h   9h    8h15´    7h    5h20´    4h     3h    1h30´     0
Português 20×1 = 20    
Inglês 10×1 = 10    
Informática 15×1 = 15    
Mat. Financeira 15×1 = 15    
Estatística  

             E ainda fiz mais: conforme fui fazendo as provas anteriores, eu anotava quantas questões tinha acertado de cada matéria em cada uma. Faltando umas 3 semanas para a prova eu fiz uma média de acertos em cada disciplina e fiz minha projeção de acertos pro AFRF. Tomei o cuidado de algumas vezes diminuir um pouco a minha meta, primeiro por que a prova do AFRF costuma ser mais difícil que as outras, e depois porque alguns exercícios certamente eu acertei porque já tinha visto a resolução em algum livro anteriormente. E aumentei minha meta em algumas outras, porque não tinha estudado tudo ainda e me fez falta esses novos conhecimentos que ainda estudaria quando fiz a prova treinando.
            O mais interessante e surpreendente é que no dia que saiu o edital eu estipulei uma meta de pontuação: 207 pontos. E falei para um amigo: “meu objetivo é fazer 207 pontos!”. No dia que saiu o gabarito eu liguei para ele e perguntei se ele se lembrava de quantos pontos eu tinha falado para ele no dia do edital e ele se lembrou, e quando ouviu que eu tinha feito exatamente os 207, nem acreditou. Depois ganhei mais 13 com anulações, mas fiz os 207 cravados antes delas. Em só 4 das 11 disciplinas eu errei meu objetivo em mais de duas questões, para baixo ou para cima. Ou seja, em 7 provas eu praticamente acertei as metas que eu tinha estipulado baseadas no meu desempenho em resolver as provas anteriores.

            Estude muito bem o edital. Veja os programas, o que cai e o que não cai em cada disciplina, principalmente analise o que mudou em relação ao edital anterior. No de Dir Const, por exemplo, houve mudanças, que muita gente foi para prova sem saber, ficou estudando Estado de Sítio, que tinha saído, e nem olhado Direitos Sociais, que tinha entrado, por exemplo. Ou pelo menos chegou a estudar coisas que não cairiam mais por alguns dias depois do edital.              Saiba de cor quantas questões caem de cada, o peso delas e o mínimo para passar. Eu fico impressionado como tem gente que na véspera da prova não sabe quantas questões são de alguma(s) disciplina(s). Caramba, como é que dividiu seu tempo de estudo então? foi à vera? não balanceou o quanto deveria estudar de cada? e olhe que existe muita gente assim.
            Deixe o telefone mudo, só na secretária. Quando for almoçar ou parar um pouco, olhe se tem recado. Celular sempre no silencioso, e depois olhe as chamadas não atendidas. A pior coisa é estudar atendendo telefone. Não faça isso. Até 10 anos atrás ninguém tinha celular, e se você não estivesse em casa ninguém o acharia. Qual o problema em voltar uma ligação para a pessoa uma ou duas horas depois? tem um colega meu aqui que até a véspera da prova eu ligava para ele e ele atendia o telefone, interrompendo seus estudos. Eu sempre falava para ele não fazer isso. E ele ria da minha paranóia.

            Então atenda ao telefone e depois me diga se você volta ao estudo normalmente, se não vai perder vários minutos de estudo, tanto falando com a pessoa quanto para se concentrar de novo…             E uma coisa: eu passei, meu colega ficou por pouco. Será que todo o seu tempo perdido com telefonemas foi decisivo? pode ser que sim. São pequenos detalhes que separam os últimos aprovados. Uma questão só faz muita diferença. Veja o estrago que fez a anulação tardia de uma mísera questão de mat fin no AFRF, valendo um pontinho só em 300 possíveis. Mudou a vida de 128 pessoas, metade chorando de alegria tardiamente porque entraram na nova lista e os outros 64 chorando pela eliminação após comemorarem. Portanto, um pequeno detalhe muitas vezes é fundamental sim! atente aos detalhes no seu estudo.Então: DESLIGUE OS TELEFONES!

            Lazer, quase nenhum. Um cinema a cada duas semanas e olhe lá. E alguns filmes no DVD/video/TV também. Depois da prova você vai ter tempo demais para isso, e com melhor qualidade se passar. Álcool nem pensar, prejudica seu estudo no dia seguinte. No domingo após a prova, chamei minha esposa para jantar e tomei “uma” cerveja após 2 ou 3 meses sem beber. No dia que saiu o resultado tomei todas que podia, de felicidade. E por alguns dias seguidos também; mas durante o estudo, sem chance.              Você não tem que ser social após um edital. Não tem que ir para tudo que é casamento, formatura ou festa. Só quando for extremamente primordial, fique só o tempo necessário, e beba muito pouco, ou nada.             Duas semanas antes da prova um grande amigo meu do mestrado casou, e eu fui só à missa, não fui à festa, mesmo com todos os meus amigos me “xingando” por isso. Cheguei em casa cedo e ainda estudei, além de estar mais bem disposto no dia seguinte. Se tivesse ido à festa, eu teria perdido essa noite de estudo e boa parte do dia seguinte, além de estudar neste com uma concentração bem menor.             Depois que você passar, chame seus amigos e familiares para um chopp, jantar ou churrasco e pague. Tudo será festa.

            5) Uso de Resumos e Mapas Mentais

             Quem fala muito bem sobre isso é o Alex Viegas, no seu livro mencionado lá no início. E como recebi dezenas de emails perguntando como comprar esse livro, você consegue comprar mandando um email para ele: alexviegas10@hotmail.com. É muito difícil encontrar esse livro nas livrarias. A 2ª edição saiu dia 17 de julho de 2006. E, antes que me acusem de alguma coisa, digo que não o conheço, infelizmente, mas talvez ainda tenha esse prazer. Recomendo demais esse livro. Leitura rápida, que acrescenta muito.
            Em algumas disciplinas, como Dir Trib e Contab, fiz alguns resumos e mapas mentais. É ótimo para fixar tudo, manter ativa a memória e revisar perto da prova. Se não passar no próximo concurso, você verá ainda mais a utilidade deles para os próximos.
            Agora, uns detalhes importantes: não perca tempo embelezando-os, faça-os com sua letra, e não digitando tudo no micro. Tem muita gente, principalmente mulher, que faz resumos lindos, perde um tempão com isso, e quase não vai ter tempo para os ler.
            Quando você os digita, fica muito impessoal, é mais difícil você lembrar na prova. Com sua letra você lembrará muito mais fácil, e perderá menos tempo os fazendo. Faça-os com sua letra, todos coloridos, mas rapidamente, e leia-os muitas vezes. Faça o mais “cheguei” possível. Use aquelas canetas de gel coloridas que agora você compra por aí. São ótimas. Compre o pacote com 10 ou mais, para variar bastante as cores de um resumo pro outro, porque isso também ajuda muito a lembrar dele na prova. Na hora da prova você vai lembrar exatamente das cores, da cara do resumo etc. Se meu pai visse alguns que fiz, cheios de rosinha, teria medo de seu filho “ter mudado de time”. Não ligue para isso. Faça tudo espalhafatoso mesmo. O ridículo e o mau gosto são as regras a serem seguidas. O cérebro gosta disso. Se fizer todos com as mesmas cores e padrão, será muito mais difícil lembrar na prova.
            Quando era alguma exceção eu escrevia em vermelho. Aqueles montes de “salvo disposição em contrário” de Dir Trib eu colocava em hidrocor vinho ou vermelho. A ESAF tá adorando fazer questões nos pegando nesses “SDC”, e você vai lembrar facilmente que ali tem isso se fizer o resumo assim. Veja a prova de Auditor Fiscal do RN de 2005, foi cheia de SDC na prova. Quando fiz essa prova em casa como treinamento acertei todas as questões que tinham isso só por causa da lembrança dos meus resumos. Antes eu errava tudo que na lei tinha SDC.
            Eles têm que ser pequenos, rápidos, com pouca coisa em cada um. Use abreviaturas, como a “SDC” acima, ou “%” para alíquotas. Quanto mais limpo o papel, melhor. Não faça aqueles cheios de coisas em cada folha, lotados de texto. O cérebro precisa de espaço para se organizar e fazer suas associações. Se o resumo do assunto for grande, divida-o em várias folhas. Faça desenhos coloridos.             Eu geralmente fazia os resumos meio esculhambados durante o estudo, para ajudar a fixar e para passar a limpo depois. Como sou fanático por futebol (vascaíno é “fanático”, essa coisa de “doente” é para flamenguista), passava tudo a limpo, colorindo, durante os jogos de 4ª à noite e domingo. Sentava numa mesa em frente à TV e fazia os resumos. Assim, já que não deixaria mesmo de assistir a alguns jogos, pelo menos eu não perdia aquelas duas horas totalmente. Minha consciência ficava tranqüila de não ter perdido tempo de estudo vendo o jogo, ainda mais quando meu time perdia. Também servia para descansar um pouco a mente. Se é que dá para descansar a mente vendo meu time tomando sapatada toda hora, porque fui mal acostumado com ele.
            O Alex recomenda aquelas fichas pautadas, mas eu não gosto delas, prefiro cortar ao meio folhas A4 em branco ou de rascunho no verso. É o tamanho ideal, e não tem as linhas para atrapalhar a visualização e confundir o cérebro. Numere-as com a sigla de cada disciplina, no canto, bem pequeno. Exemplo: DT5, para 5ª ficha de Dir Trib. E prenda tudo na ordem com um clipe ou um elástico (aqui em BH chamam elástico de “gominha”, é mole?).
            Abaixo estão dois que fiz, um sobre Resoluções do Senado e outro sobre o Simples. Muitas questões, até de legislação estadual, eu resolvo facilmente só pensando no 1º resumo, e nunca mais errei isso. Tente decorar isso no texto da Constituição e me diga depois se não é bem mais difícil e sujeito a erros na prova.
            Leia os resumos muitas vezes, principalmente na semana da prova. Claro que com o tempo não precisará ler sempre todos eles, você poderá deixar alguns de lado, porque se tornarão triviais. São ótimos para serem lidos no consultório do médico, no carro esperando alguém ou parado no trânsito, na hora do almoço no trabalho etc.                 6)  Exercícios

            Faça o máximo possível de exercícios da banca, no caso do AFRF foi a ESAF. Segui esse conselho à risca da mesma fonte que o 1º colocado no AFRF, o Deme, seguiu, um texto sobre a importância de fazer exercícios do excelente Gustavo Barchet. Você acha isso na 1ª página da aula 0 de exercícios de Dir Admin do ponto, que tinha download liberado. Leia, o depoimento dele é impressionante e motivador, e são só umas duas páginas.
            Para quem quiser ler esse arquivo do Barchet, a aula zero não está mais disponível no site do ponto, mas você pode baixá-la nesta minha página abaixo. Lá também tem todas as planilhas que menciono neste meu texto e um outro com minhas dicas de bibliografias, tanto as que usei quanto as que foram recomendadas pelos colegas do fórum concurseiros. Tem mais algumas coisinhas também, como a entrevista do Deme, a “lenda”, alguns resumos meus, os slidees da palestra minha e do Deme na Feira do Concurso, os links mais utilizados por mim etc.            Link da minha página:http://alexandremeirelles.googlepages.com/alexandremeirelles             Nesta planilha a seguir eu coloquei as questões que tinham para fazer de cada prova anterior da ESAF, e ia riscando conforme ia fazendo, anotando quantas acertei ao lado. Os números nas células são da quantidade de questões que cada prova tinha. Depois eu escrevi de lápis ao lado quantas tinha acertado. 

Disciplina AFRE MG 05 Gestor MG 05 AFTE RN 05 MPOG 05 AFC    05 PFN   04 PFN    03 PDF   04 Anal. e Tec. MPU 04 ANEEL 04 Anal. IRB 04 Adv. IRB 04 AFC CGU 04 TOTAL
Cont. e An.Bal. 15 15 20 20             10   14 94
Dir. Tributário 10 10 20     15 14 11       10   90
Dir. Constit. 5 5 5 10 5 15   18 10 10   10 15 108
Dir. Admin. 5 5 5 10 5 15   18 10 10 5 10 15 113
Dir. Previd.                           0
Dir. Int. Púb.           6 4             10
Com. Intern.                           0
Economia         10       40   5     55
Fin. Públicas         10               15 25
Português 10 10 20   20       20 30 15 15 20 160
Inglês       10 10         5 10 10 10 55
Informática 5 5 10   9       70   65 5 24 193
Mat. Fin. 5 5     10           7     27
Estatística   2                 5     7
TOTAL 55 57 80 50 79 51 18 47 150 55 122 60 113 937

                         Fiquei impressionado como no dia seguinte à prova do AFRF o Deme colocou no fórum praticamente todas as questões de Dir Admin da prova do AFRF repetidas de outras provas da ESAF. Praticamente as mesmas questões, mencionando qual era a prova que tinha tido igual antes comparando com as do AFRF. Tudo repetido. E como ele sabia disso? porque tinha feito cada prova várias vezes. Na hora da prova já sabia vários gabaritos. Mérito dele, que estudou demais e bem. Não foi à toa que tirou “míseros” 269 pontos e passou em 1º lugar, com a nota tida por muitos como a mais fantástica da história. Só serviu para comprovar que realmente a melhor dica de todas é fazer muitos exercícios da banca. Se você fizer as últimas provas de Contabilidade da ESAF verá que é quase tudo igual. Esqueça essa última prova do AFRF, que foi completamente louca e fora do padrão.            Segui isso literalmente com Economia e Finanças Públicas. Nunca tinha visto essas matérias, e como não gostei dos materiais teóricos que vi, resolvi aprender na marra a fazer os exercícios da ESAF. Praticamente só fiz exercícios, consultando o livro do Viceconti. Fiz os exercícios das últimas provas e vi que tinha muita coisa repetida. Muita mesmo. Não deu outra, para minha felicidade, a prova do AFRF veio a maior receita de bolo do mundo, e facilmente acertei as 10 questões da prova. Era a matéria que até a véspera da prova eu tinha mais medo de ser eliminado, e durante a prova fiz as 10 questões em poucos minutos, consciente que tinha acertado tudo, com os pés nas costas. As 5 de economia foram idênticas às outras provas, não tinha como errar quem fez as provas anteriores. Eram até bem mais fáceis que as anteriores.

            Marque os exercícios mais interessantes, para você depois só refazer esses. Refaça os marcados sempre, várias vezes, e quando ficarem fáceis para você, apague as marcações, não perca mais tempo com eles. Isto também é um conselho importante: marque todos os exercícios bons que você encontrar, para não perder tempo resolvendo coisas bobas de novo. Eu costumo fazer uma bolinha no número da questão, e depois anoto antes da 1ª questão quantos “bizus” têm ali, envolvendo com um círculo a quantidade de bizus. Marque também quantos acertar, assim: 15 √ / 20, ou seja, acertou 15 em 20. Refaça esses bizus sempre que puder, principalmente perto da prova.             Lá no site que disponibilizei os arquivos, tem uma planilha feita pelo meu colega Halex Maciel que controla seu estudo de aulas e exercícios. Essa não utilizei, porque ele fez depois do meu concurso, mas é bem legal também. E o bom dessas planilhas é que de lambuja você ainda vai aprendendo um pouco mais de Excel, que cai em tudo que é concurso e é um excelente programa pro seu cotidiano.             E nunca faça exercício sem gabarito. Nunca.


            7) Material de Estudo


            Estude principalmente por um só livro de teoria de cada disciplina. Pegue no fórum, no meu site ou com amigos as dicas de qual o melhor de cada uma, e estude quase sempre só por eles. Geralmente são os das editoras Impetus/Campus ou Ferreira, com raras exceções. As aulas online do ponto também são quase todas muito boas. Antigamente eu estudava com 3 ou 4 livros abertos em cima da mesa, lia cada assunto em todos eles. Isso é horroroso, não faça isso. Além de você perder tempo lendo a mesma coisa várias vezes, você não vai lembrar direito na hora da prova. Quando você estuda basicamente por um só livro, você vê a questão mentalmente no livro na hora da prova, você lembra a posição daquele assunto na página, isso o ajuda demais. Quando você usa vários materiais, você perde isso. É importante você ter outras fontes de estudo, para complementar alguma coisa, mas não estude também por elas freqüentemente.

            Claro que há exceções, e vou dar aqui uma: Dir Tributário. Quem começar a estudar isso pela 1ª vez, recomendo o livro do Cláudio Borba. Nada melhor para um 1º contato. Depois, estude o do João Marcelo Rocha e depois o Manual do VP e do Marcelo Alexandrino. Nessa disciplina é importante você estudar mais de um. Agora, em Dir Const, Dir Admin ou Dir Previdenciário, não acho necessário. É um só de base e outro para consulta eventual e rara, e pronto. Nas duas 1as disciplinas eu recomendo sem dúvida alguma os livros do VP e do MA.             Eu nunca tinha visto Dir Previdenciário até um mês antes da prova. Estudei pelas aulas online do Fábio Zambitte do ponto, tanto as teóricas quanto as de exercícios. Não vi mais nada além dessas aulas. E fui um dos 5 dentre os mil aprovados que gabaritaram as 15 questões da prova. Milhares estudaram um monte de livros, verdadeiras bíblias, fizeram cursinhos etc e tiraram 10 ou 11. Eu li só uma fonte, várias vezes, e gabaritei. E foi nessa prova que descontei um pouco de algumas notas baixas que eu não previa em outras, e me fez conquistar muitas colocações.             A não ser que você tenha muito tempo até a prova, sem perspectiva alguma de data até a mesma, não se importe com Alexandre de Moraes, Maria Sylvia, Hely Lopes Meirelles, Hugo de Brito Machado etc. Mas esclareço: se tiver bastante tempo e já souber bem a matéria, leia-os; mas se não for o caso, esqueça-os. São excelentes livros, mas quase sempre só para consultas eventuais. Tem gente que vai estudá-los faltando menos de um mês para prova. Ou o cara é um Deme da vida e já sabe tudo e está só se aperfeiçoando, ou então, na grande maioria dos casos, está perdendo um tempo imenso para estudar pela sua fonte de sempre e revisar tudo dela ou estudar outra coisa. Muitas vezes os livros doutrinários contêm as opiniões dos autores sobre algum assunto, e a da banca pode ser outra. Os livros voltados pra concursos já dão o que cai de acordo com a banca, tudo mastigado.

            Outro detalhe importante: fuja de apostilas como o diabo foge da cruz. Quase sempre são cheias de erros, defasadas, horrorosas. Com raras exceções, raríssimas, elas servem para alguma coisa. Quase todo mundo quando está começando a estudar compra essas que vendem em bancas de jornal ou livrarias, achando que vão passar só com aquilo. Depois quando vão fazer a prova acham até que entraram na sala para fazer o concurso errado. Não tem nada delas na prova. Quem quer passar para um bom concurso tem que estudar por bons livros ou aulas online, que nada mais são do que livros em forma digital.             E para quem utilizar as aulas online, nunca estude direto na tela. Dá sono, você não pode fazer marcações, enfim, é horroroso. Imprima tudo e estude no papel. Eu sempre imprimi tudo em duas páginas por folha, porque é exagero imprimir uma página só em cada folha, a letra fica muito grande e gasta papel e tinta à toa, além de ficar muito grosso o material, dificultando o manuseio (sem trocadilhos, por favor, isso aqui é um texto sério ehehehe). Se imprimir duas páginas por folha, o papel sairá na horizontal (não precisa configurar a impressão para paisagem, já sairá assim automaticamente, é só mandar imprimir duas páginas por folha) e você poderá encadernar depois, reduzindo pela metade a grossura e facilitando seu manuseio. A letra ainda ficará com ótimo tamanho para leitura. Só entre o edital e a prova recarreguei meu cartucho de tinta 4 vezes. Após psssar no AFRF, estudando pro ICMS-SP comprei uma laser por 10 parcelas de R$ 50,00, e adorei minha compra. Você imprime milhares de páginas com um cartunho só, e para recarregar eu gasto só uns R$ 55,00. A qualidade é muito melhor, fora a rapidez, e a relação custo/página é muito menor. Ela se paga com o tempo. E não vai ter que perder tempo toda hora indo a um lugar recarregar o cartucho das impressoras a jato de tinta, que duram muito pouco. Claro que entra aí a grana disponível, sei que cada caso é um caso.             Não seja pão-duro com materiais. Por mais que você gaste com livros, impressão etc. no seu primeiro salário você pagará tudo com sobras. Sei que o dinheiro não está fácil, mas tem gente que fecha  a mão para comprar livros e depois troca de carro, ou numa noitada gasta o preço de 2 ou 3 livros. Deixe isso para depois que passar, agora é hora de canalizar sua grana pros estudos. Uma questão que seja que você poderia ter aprendido em algum livro que deixou de comprar já é o bastante para te deixar na pindaíba ainda por um bom tempo, esperando outro concurso, que ainda por cima o fará gastar muito mais depois com mais materiais, cursinhos, viagens etc. Típica economia burra. Tem gente que vê um bom livro e não compra, e depois sai à noite e gasta tudo em bebida. Está aí uma das piores trocas de prioridades que já vi.              Faça marcações nos livros à vontade. Livros de concurso não temos que ter pena, porque daqui a um ou dois anos já estarão totalmente defasados, não servirão para nada, principalmente os de Direito, pois nossa CF muda toda semana. Aliás, há algumas livrarias agora que não vendem mais a CF, porque não trabalham com periódicos ehehehh.  Rabisque, sublinhe, marque com caneta marca-texto etc. Eu volta e meia quando compro algum livro grosso, de difícil manuseio, mando cortar a lateral toda e encaderno. Fica muito mais fácil para estudar depois. Quem gosta de livro bonitinho é colecionador ou livreiro, não é concurseiro. Eu tinha um professor que falava que quem tinha livro com cara de novo não passava para nada, e que só acreditava no sucesso de quem tinha livro todo amassado, sujo, rabiscado etc. E tinha razão, com certeza. Quando for rever a matéria, leia só as marcações e faça os exercícios que você já marcou antes.

            Um detalhe: não sei onde li há anos atrás, mas pesquisadores renomados provaram que a única caneta marca-texto que ajuda a memória é a amarela, e ajuda mesmo. As outras: verde, azul, rosa etc são só para marcar títulos, porque não ajudam sua memória.

            Outra coisa: não faça os exercícios de um capítulo no mesmo dia que estudou a teoria. A melhor coisa que você pode fazer é, por exemplo, estudar o Cap 1, marcando o principal. Na próxima vez que for estudar a disciplina, reveja as marcações do Cap 1 e faça seus exercícios, ou faça direto sem olhar as marcações. Depois, estude o Cap 2, e assim por diante. Quando você faz os exercícios logo após o estudo do mesmo capítulo você terá 2 problemas: o primeiro é que você vai se iludir com seu desempenho, você não treinará sua memória e achará que está sabendo tudo. Segundo: você perderá uma excelente chance de rever a matéria dias depois, quando você já estará esquecendo tudo, e perderá esse “refresh”. O ritmo será o mesmo, você gastará o mesmo tempo que fazendo tudo na ordem, mas assimilará muito mais, porque estará estudando a teoria num dia e revisando-a em outro dia, ao fazer os exercícios dela e terá uma medida mais confiável para analisar o quanto compreendeu sobre o assunto.

            E uma dica para comprar mais barato: sempre pesquise no site da editora os preços nos distribuidores do seu estado, quase sempre você compra com 20% de desconto. Em muitas livrarias de universidades, principalmente as federais, também há os 20%. E pra quem mora no Rio, há duas grandes dicas: uma é a livraria do Moisés, perto da Cinelândia, muitas vezes com preços até melhores que nas distribuidoras. Fone: 2240-8342. A outra é a Livraria Academia, no Curso Academia, que dá 20% de desconto nos livros da Impetus/Campus e divide no cartão. Fone: 2220-1208. Obs.: não sou amigo deles, mas já comprei lá algumas vezes. Portanto, não me pagam comissão pelo merchandising e nem sabem quem eu sou eheheheheh.             Pode também utilizar o site do Buscapé, que procura em tempo real em todas as livrarias e devolve os preços de cada uma. Aliás, uso este site pra comprar tudo.       www.buscape.com.br.   
            8) Véspera da Prova


            Bem, aqui vou discordar de alguns colegas. Eu necessito muito estudar na véspera da prova. Claro que não é para aprender mais coisas novas, e sim para rever as marcações mais importantes, os resumos, ler as leis secas e a CF e decorar fórmulas.

            Lembro que o Rodrigo Luz, meu colega de turma de faculdade (Informática-UFRJ-89), excelente professor, e, infelizmente, flamenguista (nem todo mundo é perfeito né? nem ele, o 5º colocado nacional no AFTN de 94), escreveu que era para cada um comer uma bela barra de chocolate e não estudar nos 2 dias antes da prova, se não me engano. Eu tive que rir quando li isso. 1º porque já estava comendo 5 barras de 200g de chocolate por semana desde o edital (e emagreci 3 Kg nesses 2 meses, após ter emagrecido outros 4 antes do edital – e quem me conhece sabe que sou magro, cambito mesmo), e depois porque era sem chance eu sair de casa. Tinha que rever o principal e as fórmulas. Não sairia de casa nem por decreto.

            E dou um exemplo do meu sucesso nisso: quando cheguei em casa após a prova de sábado, arrasado, porque sabia que tinha ido mal (e fui mesmo, tirei praticamente as piores notas de quem passou aqui para MG em Dir Const e Dir Admin – e não esperava por isso, achei que iria bem nessas), tomei um banho, chorei de desespero e descansei por uma hora após jantar. Sentei e li toda a parte da CF sobre Dir Previdenciário e as fórmulas de estat e mat fin. Gastei umas duas horas nisso e fui dormir (pelo menos tentar). Resultado: fui uma das 5 pessoas das mil aprovadas que gabaritaram Dir Previd e tirei 13 de 15 em estat e mat fin, a maior nota da minha região. E antes que venham me falar que essa decorada de véspera não foi importante, eu falo que foi, e muito. Principalmente da parte da CF que li para previdenciário e as fórmulas.
            Como minha memória ROM é péssima, eu sinto necessidade de ler as decorebas na véspera. Na véspera da prova de sábado eu ia ler as partes da CF que falavam sobre saúde e previdência, que não lia há dias. Resolvi não ler porque achei que isso só iria ser cobrado na prova de Dir Previd no domingo, e eu deixei a leitura então pro sábado após a prova. Resultado: errei todas as que apareceram sobre isso na prova de Dir Const, questões com a íntegra da CF, e só me safei em Dir Const porque acertei as 4 que caíram sobre Controle de Constitucionalidade, que tinha revisto na véspera e precisam mais de raciocínio e menos de decoreba. Antes das anulações eu tinha acertado 9, bati na trave. Se eu tivesse lido essa parte da CF na 6ª feira, certamente eu teria acertado mais algumas e teria sido o 2º ou 3º na minha região, e não o 6º, por causa de Dir Const. No meu caso, essa diferença na colocação seria bobagem, porque escolhi onde sempre quis trabalhar sem problemas (Confins), mas e se não tivesse passado no concurso por uma ou duas questões?
            Quando li essa parte da CF no sábado à noite fiquei revoltado por notar que tinha errado tudo na prova da tarde, fora o medo de não ter feito o mínimo, mas serviu para eu acertar tudo em Dir Previd no dia seguinte.             Não estou falando aqui para a pessoa se matar de estudar na véspera, não faça isso! é só para estudar algumas horas para rever o principal. Não vá para prova sem decorar as fórmulas na véspera.
            Na véspera eu gosto de colocar alguns finais de filme que tenho aqui e que me dão mais garra: Homens de Honra, Rocky 3, Dois Filhos de Francisco etc. Logicamente, esses filmes variam de uma pessoa para outra. Assisti a uns 5 finais desses, durante umas duas horas. E me fez ganhar uma boa raça e energia pro dia seguinte. Foi muito bom. Essa história dos filmes nunca mais deixarei de fazer.
             Cuidado com sua saúde nas semanas anteriores à prova. Tome cuidado com friagens, água muito gelada, comida em local desconhecido etc. Quem estiver fora de seu estado, nem sonhe em comer comida típica. Nas 3 semanas anteriores ao concurso do AFTN de 94 eu caí de cama, com garganta inflamada. Tomei 3 séries de antibióticos e nada de melhorar. Melhorei na véspera da prova, mas além de ter feito a prova em condições ruins, muito fraco ainda, não consegui estudar nas 3 semanas anteriores à prova. E não passei, tudo por causa de um belo dia que para espairecer um pouco fiquei na praia até de madrugada batendo papo com os amigos, na friagem. Bem, isso é mais uma das antigas desculpites minhas que falarei adiante, mas que aconteceu, aconteceu, e também contribuiu para eu não passar naquele certame. Mas xô, desculpite!            Também não coma muito nem comidas pesadas, como feijoada, massas etc. Principalmente quando fizer prova de manhã e for ter outra prova à tarde, coma algo bemleve. Seu corpo utiliza muita energia na digestão, e essa energia vai fazer falta para o seu cérebro na hora da prova, além de deixá-lo sonolento.
            Quanto à dica do Rodrigo para comer uma barra de chocolate, eu, como chocólatra, já faço isso todo dia mesmo, há décadas… acho que ele não se lembra de que eu comia chocolate todo dia na faculdade…

             9) Local de Estudo


            O mais silencioso possível, sem música e sem telefone. Se gostar ou conseguir aturar, dizem que música erudita, tipo Bach etc faz bem pro estudo. Mas não estude com música cantada, principalmente nacional, rock etc. Como eu gosto mesmo é de Pink Floyd e Iron Maiden, e não aturo música clássica, não estudo ouvindo nada.
             Use um suporte para colocar o livro inclinado. Você terá muito menos dor no pescoço e nas costas. Aqui em BH eu comprei um suporte de acrílico muito legal. Aquele de madeira para bíblia também serve. O que eu comprei foi ligando para esta empresa:  www.lectorbrasil.com.br, que fica aqui em BH. Ela que fabrica os suportes. No site você vai ver um que é mais para quem lê deitado, mas eles posssuem o que eu comprei, como estes de bíblia, para colocar em mesa. Este outro deles de cama também é muito legal, mas tem que tomar cuidado para não dormir. Eu o comprei após a prova e o uso para ler na cama, é muito bom. Se eu estivesse ganhando comissão desse povo todo (Ponto, Campus, Ferreira, Moisé, Lector, Alex Viegas etc.)  já dava para largar meu cargo e viver só de comissão eheheheh.             Não estude com o livro deitado em cima da mesa, você vai render muito menos quando as dores vierem. E de sentir dor ao estudar eu entendo. Passei as últimas 3 semanas antes da prova à base de antiinflamatório e dorflex. Sou todo ferrado da coluna há uns 10 anos.

            Se sua casa for barulhenta, procure alguma biblioteca de faculdade. Sente isolado, virado para o canto, para se distrair menos com as pessoas. Em quase toda faculdade, inclusive as particulares, a entrada é livre. Não terá telefone tocando, a cama e a TV ao lado o tentando, parentes interrompendo seu estudo etc.

            Deixe um copo d´água ao lado da mesa e vá bebendo. Beba muita água, muita gente fica estudando e se esquece disso.
            Eu coloquei uma foto de um Astra na minha frente, isso me motivava a estudar. E pensava também em certas pessoas que eu gostaria de ver a cara quando soubessem que passei para AFRF, uns por raiva outros por amor. E como foi bom ver a cara delas. Só falta agora o Astra, mas o que já me escreveram dizendo que o mesmo dá muito gasto com manutenção, já estou até desanimando. A foto continua lá, para eu não me esquecer ou pelo menos procurar outro carro melhor depois.


            10) Hora da Prova


            Eu levo uma garrafa d´água, um halls e uma barra de cereal, e sento lá atrás. Não entendo como alguém gosta de sentar na frente, escutando o barulho do corredor, dos fiscais conversando, das pessoas que saem etc. Acho um absurdo. Na hora final da prova você está cansado, precisando se concentrar para fazer as últimas e decisivas questões e fica perdendo concentração e tempo com o barulho de quem está saindo. Fora que pode se distrair e marcar errado o cartão-resposta.

            Seja ativo fazendo a prova. Não a deixe te dominar e nem você pode entrar em desespero. Se a prova está difícil, está para todo mundo. Se você tá nervoso porque esqueceu alguma coisa que tá lá pedindo na questão, todo mundo também está passando por isso, até o Deme, garanto. Você não achava que iria ser o único dos milhares de candidatos que não iria ter um branco né? Isso é normal, pule a questão e depois volte a ela.
             Marque o cartão 1º a lápis, com uma bolinha minúscula. Depois, confira tudo. Só então passe a caneta por cima. Fique tranqüilo, se a pequena bolinha de lápis atrapalhasse o leitor, eu não estaria entre os aprovados. Não apague com força, porque a borracha pode danificar tudo mesmo (isso eu não fiz, portanto, não garanto eheheh).             Nunca passe o gabarito direto à caneta. Uma colega minha não passou por um ponto, e na pressa ela passou uma questão de inglês errado, viu a bobagem na hora e não dava para fazer mais nada. E ainda saiu como aprovada na 1ª lista e depois reprovada na 2ª. Se tivesse feito 1º a lápis e conferido antes de passar a caneta, estaria aprovada. Era professora de inglês, que morou 4 anos nos EUA, e que errou somente essa nessa prova, mas por causa dessa bobagem não passou. Na hora a gente pensa que um ponto não fará falta, né?             Acostume-se a sempre, mesmo em casa, marcar as expressões: “não”, “exceto”, “errada” etc. que aparecerem no enunciado. Na 1ª vez que fazemos a questão ainda estamos antenados nisso, mas se formos tentar resolver a questão depois, nossa tendência é não ler mais o enunciado, e passar por cima disso e marcar uma alternativa que esteja correta, em vez de uma errada. Eu levo caneta marca-texto amarela para a prova, e uso sempre nesses casos ou quando preciso por outro motivo.              E outra coisa: NUNCA deixe de anotar o gabarito! Mesmo que tenho ido muito mal e tenha certeza que não vai passar, anote e confira depois, servirá de base para você planejar seus estudos futuramente.              Eu disse lá atrás que cheguei muito mal em casa após a prova de sábado. E cheguei mesmo, pensando como John Lennon: “o sonho acabou!”, e falei para minha esposa, chorando. Após um banho e comer algo, levantei a cabeça e lembrei que quase todo mundo também tinha se ferrado, com certeza. E que se eu tivesse tirado os mínimos ainda estaria na briga, que no domingo seria o verdadeiro jogo. E sou vascaíno, que é o famoso time da virada.             Estudei umas 2h, e falei para minha esposa, com raiva: “amanhã eu vou arrebentar naquela m…!” E fiz isso mesmo, fui para a prova com raiva, nem saí para o banheiro, comi a prova, sem sal. Quando acabou a prova da tarde, pensei: “arrebentei hoje! se fiz os mínimos ontem, passei”. Eu ainda tava na pilha quando acabou a prova. Resultado: mesmo com praticamente as piores notas da minha região em Dir Const e Admin, fiquei em 6º lugar, graças à prova de domingo. Tenho certeza que muita gente ficou arrasada como eu no sábado, e até tirou mais do que eu, mas não passou porque se abateu pro domingo. Quanta gente aqui no fórum disse que não passou porque não tirou os mínimos à tarde no domingo, porque não agüentava mais. Certamente esqueceu dos seus tempos de espermatozóide…            O jogo só acaba quando termina. Jogue a partida com o máximo de garra até o final. Você estudou por meses ou anos a fio pensando nesse dia, e vai desistir antes do jogo acabar? não posso entender como tanta gente faz isso. Não entregue os pontos antes do apito final. 
            11)  Trabalho  e  Relacionamentos


            Quanto ao trabalho, procure deixar suas férias para tirar nas semanas anteriores à prova, guarde-as para esse momento após o edital. Não use férias bobas à toa. Férias são para estudar, e muito. É quando você vai poder descontar um pouco da diferença que milhares de candidatos desempregados estão na sua frente. Se você utilizar o único mês do ano para poder estudar igual ou mais do que eles para “descansar”, esqueça. Curta suas férias, duro, no seu carrinho fuleiro, naquela casa que arrumou emprestada de um parente, comendo seu miojo com sazon. Esqueça passar num bom concurso e passar suas futuras férias viajando para Nordeste, Rio, Floripa, Europa etc. Férias são para estudar, e mais nada!  E de preferência após o edital. No meu caso eu tirei férias e depois férias-prêmio. Muita gente me chamou de louco, que era burrice perder a grana das férias-prêmio, e eu ria da situação, convicto que aquilo era um mero investimento, e que se passasse iria receber muito mais que aquela grana todo ano, só na diferença de salário. Eu e minha esposa sempre sonhamos com aqueles 6 meses de salário, que vêm sem descontos quaisquer, para colocarmos tudo em dia, pagar apto etc. Mas quando resolvi voltar aos estudos disse a ela que teríamos que esquecer aquilo, que gastaria tudo estudando e fazendo o curso de formação. E se não tivesse feito isso, como iria fazer o CF agora? com licença sem vencimentos? estaria ferrado. E ela, companheira como sempre (isso é muito importante, como veremos logo adiante), concordou comigo, mesmo com muita pena, mas hoje ela vê que foi o melhor mesmo.

            Quanto aos relacionamentos, sou radical nesse ponto. Se estiver com alguém que está reclamando muito que você só pensa em estudar, que não liga para ela, que não vai à festa dos seus amigos do trabalho etc., repense seu relacionamento, essa pessoa não está disposta a passar apertos com você na vida, e que certamente aparecerão, independentemente de grana.
             Existem 3 bilhões de mulheres e mais 3 de homens no mundo. Você não precisa dessa pessoa negativa do seu lado. Bem, eu sou matemático, sempre penso em números e em relação custo-benefício. Isso não quer dizer que não tenho sentimentos, óbvio que não é isso, estou com a minha esposa há 10 anos, muito feliz, mas isso só porque ela me apóia em tudo, assim como eu a ela, se não estaria com outra há anos, e ela também. Ela me apoiou demais nesse tempo, e isso só serviu para nos mantermos mais unidos.
            Vou dar um exemplo de como um relacionamento errado acaba com a vida de uma pessoa e que aconteceu mesmo. Tenho um colega no Rio que começou a namorar uma menina, que muita gente dizia que não valia nada. O cara tinha um emprego só para se manter com suas despesas básicas, porque morava com seus pais; ganhava uns mil reais da vida. Seu sonho era ser fiscal no nordeste. Há uns 10 anos atrás estudou demais e passou num concurso para fiscal lá, não lembro para qual. Ótimo salário, independência financeira, e moraria onde sempre sonhou. E o que aconteceu? essa recém-namorada disse que nunca sairia do Rio, que se ele fosse para lá eles terminariam. O idiota, mesmo com seus amigos mais chegados (que não me incluo) o execrando, dizendo que ela não valia isso, que era um namoro recente etc., o cara desistiu, continuou com seu empreguinho. Resultado: poucos meses depois a galera a pegou o traindo, ele terminou o namoro, perdeu o cargo tão sonhado e até hoje está no mesmo trabalho, morando na barra da saia da mãe, todo ferrado de grana, com 36 anos na cara e um carrinho fuleiro.
             Converse com a sua família: pais, irmãos, filhos etc. Explique a eles que você vai passar por uma fase difícil, que vai precisar da compreensão e do apoio deles, que é para um futuro bem melhor, tanto seu quanto deles, dê exemplos de pessoas, de preferência próximas, que passaram e hoje estão muito bem. Tenha aliados, e não inimigos em casa.


            12) Concurso é para Todos   Não  É  Só para Gênios


            Quando visitei na semana após o resultado o ótimo cursinho que fiz aqui em BH, o Ponto dos Concursos, veio uma menina e me perguntou se eu era o tal Alexandre Meirelles, que tinha feito 220 pontos e tinha sido o melhor classificado do curso aqui para MG. Quando disse que sim, ela ficou me olhando assustada e disse que nunca imaginaria um cara de aparência normal conseguir isso. Sempre imaginou caras com pontuação alta com cara de nerd, sósias do Bill Gates. Eu disse a ela que isso é pura bogagem, que quem passa em concurso é gente normal, não tem essa de cara de nerd. No livro do Alex ele fala muito bem sobre isso. O mais legal é que depois ela passou para o TRF em MG, eu a reencontrei no CF e se tornou minha amiga.

            Colega, quem passa em concurso é gente normal como você, que em uma bela hora resolveu tomar um rumo na vida e estudou muito por alguns meses ou anos, nada mais do que isso. Tire essa imagem de que são gênios da sua cabeça. Eu nunca fiquei entre os 10 primeiros em nenhum concurso na vida, nem como aluno em sala. Fiquei em 103º no AFRF no Brasil todo, colocação que qualquer um pode fazer muito melhor.

            Somos pessoas normais, que colamos em prova de faculdade, reprovamos em algumas disciplinas, fizemos recuperação na escola, brigamos na rua, fomos suspensos no colégio, demos pequenos desgostos aos pais, pulamos micareta, tomamos “todas” inúmeras vezes etc.

            Quer constatar isso? você certamente conhece alguém que passou no AFRF para o seu estado. Vá uma hora lá no curso de formação dele na ESAF, e repare nos aprovados. Você verá que a imensa maioria não tem cara de nerd, são pessoas normais, que você nunca conseguiria imaginar como AFRF. Verá gente com cara de menino, 22 ou 23 anos, e gente com mais de 60. Aqui para MG passou um casal muito legal, a Amanda, que tem 22 anos, e seu noivo, Evandro, uma figuraça, que só anda de boné, todo largado. Aqui também está o 1º lugar do fiscal de ICMS de MG, o André, que tem a maior cara de playboy. Têm dois campeões de jiu-jitsu, com faixa-preta e tudo mais. Resumindo, aqui no curso do AFRF é impressionante a quantidade de pessoas que você nunca daria nada se os visse num cursinho. Têm playboys, pessoas mais velhas, pessoas com cara de “ignorantes” etc. Isso tudo é coisa da nossa cabeça, só para pagarmos a língua e revermos nossos preconceitos mesmo.
            Tenho certeza que ninguém diz que têm cara de nerds, são pessoas normais, que tomam chopp e comem porção de aipim frito em barzinho sempre que podem. E alguns só sentam, como eu, nas últimas cadeiras da sala, lá atrás. Outra coisa que não entendo é o porquê de muitas pessoas olharem com maus olhos quem senta atrás na sala. Já cansei de ver o fundão passar e a galera da frente ficar a ver navios. Ninguém é melhor do que ninguém. Sinceramente, se você visse a cara de alguns que estão aqui, você pensaria: “caramba, se esse cara passou, eu também posso passar!”.


            13)  No  Final  Tudo  Compensa


            Pense sempre nisso. Por mais que você tenha ficado triste, desesperado, perdido namoros ou festas, duro por que seu dinheiro ia todo para livros e cursos, no final tudo compensa.

            Teve gente que já me escreveu dizendo que colou essa frase na frente de sua mesa de estudos.             Lembro que quando liguei cedo para dar a notícia da minha aprovação e da surpreendente colocação aos meus pais no Rio, foi uma das melhores sensações da minha vida. Escutar meu pai e minha mãe chorando do outro lado da linha emocionou-me demais. Esqueci todas as sessões de fisioterapia e dores nas costas que sofri, dos meus desesperos achando que não ia dar para passar, da angústia até sair o gabarito para ver que tirei todos os mínimos, das horas trancado no escritório longe da minha esposa, das festas que perdi nesse fim de ano, incluindo o casamento de um grande amigo do mestrado etc. Tudo foi compensado. Sou Auditor Fiscal da Receita Federal. Sou da elite agora.
            Lembro também que coloquei Iron Maiden no máximo aqui em casa e fiquei cantando alto, igual um louco, por uma meia hora, mesmo às 7h da manhã, incomodando os vizinhos, coisa que nunca fiz.

            Após o contato com a galera no fórum durante a manhã, fui à tarde na prefeitura, onde trabalho como fiscal de ISS, para dar a notícia. Coloquei mais Iron no talo no carro e fui cantando igual louco, com a cara para fora, até lá. Espero que nenhum conhecido tenha me visto….nem que tenha sido multado também ehehehh

            Todo o esforço foi compensado. Imagine esses momentos com você, não precisa bancar o louco igual eu fiz, mas imagine sua família ouvindo a notícia, não tem sensação melhor, nem motivação maior também.              14) Ajude os Colegas


            Ajude seus colegas de classe e de estudo. É a maior bobagem esconder materiais, dicas etc. Compartilhe tudo que tiver. Quanto mais você der, mais os outros vão te ajudar também. O fórum concurseiros é o maior exemplo disso. Todo mundo se ajudando, e quase todos os que mais ajudaram os outros passaram, como Deme, Rodrigo Cientista, Fiusa, Zork, FGamaJr, Oscar Lima etc., e nas primeiras colocações ainda, como Deme, FGamaJr, Fiusa, Oscar etc.
            Aliás, aqui vai mais uma dica: utilize esse fórum, ele é excelente, com todo mundo se ajudando. Bem diferente de outros fóruns em que todo mundo só fica se agredindo, nesse se alguém começar a bagunçar é suspenso ou expulso. E já são 11 mil usuários cadastrados no fórum, não é nenhuma panelinha não. Você sempre terá as notícias rapidamente, tirará suas dúvidas sobre a matéria, bibliografias a utilizar, professores, cursinhos, questões, fará simulados etc. Além de fazer novas amizades, com pessoas que estão no mesmo barco que você, passando pelas mesmas angústias, e não com pessoas que nem sabem o que é um concurso e toda hora o põem para baixo com comentários inconvenientes. Principalmente para quem mora longe dos grandes centros de concursos o uso do fórum é obrigatório. Este é o link dele: http://concurseiros.13.forumer.com            Alguns dos melhores professores possuem salas individuais só para tirar suas dúvidas. E tudo de graça. Tem gente que acha que o fórum é coisa de nerds. Bem, eu digo que não é, e que esses “nerds” estão passando demais, pegando quase todos os primeiros lugares e vagas nos concursos mais difíceis.               15) Concentração


            Eu sempre tive um enorme problema com a concentração. Garanto que pior do que quase todas as pessoas que reclamam disso.

            Quem é assim  não pode estudar com música ou barulho por perto. Se em casa tiver muito barulho, vai ser brabo mesmo. Conheço um cara que estudava no carro na garagem do prédio, por causa dos filhos em casa, e passou. Se for desempregado e for de dia seu horário de estudo, vá a uma biblioteca se em casa tiver barulho. Ou troque o dia pela noite, como eu fiz em 93. Lá em casa estava com um sobrinho e um irmão ainda crianças, e não teve jeito, inverti quase tudo. Dormia boa parte do dia com o ar ligado para abafar o barulho dos moleques e estudava à noite, já no silêncio. Passei para o ICMS-MG de 93 assim, bancando o morcego (bem, antes bancar o Batman do que o Robin, né?).

            Tenho um amigo de estudo que conheci em 93 que sua janela do quarto era em cima da entrada do cemitério de Inhaúma. O dia inteiro era a maior choradeira, gente desmaiando e tudo mais. Fora o barulho, era muito triste olhar aquilo tudo. O cara também virou um morcego. Almoçava de madrugada etc, tudo ao contrário, como se estivesse no Japão. Ele passou pro IME fazendo isso, um dos vestibulares mais difíceis do país junto com o ITA, cursou engenharia lá, depois passou para ICMS-MG de 93 (quando eu o conheci, além de ter ficado um mês comigo e o Rodrigo Luz na ESAF de Bsb, fazendo CF de TFC) e  ainda foi o 1º lugar para fiscal de ICMS-Bahia, tá lá até hoje.

            Outra coisa: quando estiver muito desconcentrado, pegue uma matéria que goste mais, de preferência de exatas, porque fazer exercício é bem melhor que ler livro teórico para se concentrar. Isso também vale pros direitos, quando não estiver conseguindo estudar teoria, faça exercícios, prendem muito mais a atenção.
            Nunca estude com muito sono. Mais valem duas horas boas de estudo e uma de cama do que 3 sonolentas, babando no livro. Eu sempre que tenho sono durmo uns 40min. Não precisa mais do que isso. E cuidado: não é para dar desculpa e dormir toda hora, ou dormir duas horas direto, é dormir um pouco e voltar pro batente. Um banho frio também ajuda, mas uma dormida de uns 30 ou 40min às vezes é melhor. Agora, se você ficar debaixo do chuveiro quentinho, é pedir para dormir. Quem dorme mais de 6 ou 7 horas por dia vá dormindo cada vez um pouco menos, para se acostumar a dormir menos. Tem concurseiro que dorme 10 horas por dia. Piada isso. Doutrine-se a dormir menos aos poucos, seu corpo se acostumará. Não pode é mudar isso de um dia para o outro, tem que ser aos poucos. E também evite varar noites, dormir pouco etc., como disse, seu rendimento cairá demais, não vale a pena. Não vale nada estudar um dia até de madrugada, cheio de sono, e no outro dia também ter qualidade ruim no estudo devido ao sono. Você estudará dois dias com baixa qualidade. Durma e aproveite melhor o dia seguinte.

            No site da editora Ferreira a professora Nanci ensina umas técnicas para aumentar a concentração. Como só apareceu isso em cima da prova, eu nem li, mas quem sabe quem tiver tempo para treinar não aproveita alguma coisa? talvez valha a pena tentar. Eu li algumas dicas dela e achei bem legais. Ela até já lançou um livro pela Editora Ferreira sobre o assunto.

            E outra coisa: a concentração aumenta conforme você vai entendendo a matéria. Quando estamos muito crus ainda, bate o maior desânimo e nos perdemos nos pensamentos. Conforme vamos aprendendo mais, a concentração aumenta muito, ficamos muito mais ativos estudando. No início é muito difícil ficar horas sentado estudando, isso você conseguirá aos poucos. É um verdadeiro exercício físico mesmo, mas de resistência do seu cérebro e da sua coluna.

            Geralmente não estude mais do que 1h30min ou 2h direto. Pare quando já passar de 1h mais ou menos e não estiver mais se concentrando direito. Dê um intervalo de uns 10 a 20min, estique-se um pouco, vá ao banheiro, beba mais água etc. e o principal: volte aos estudos logo.             Cuidado com mensagens negativas enviadas ao seu cérebro, pare de ficar pensando “que saco, lá vou eu ter que estudar”. O seu estudo terá tudo para ser um fracasso pensando assim. Quando for estudar, vá tranqüilo, aquilo ali será seu dia a dia por meses ou anos. O WD diz uma coisa muito certa: “você não gosta de uma matéria porque a aprende. Você aprende a matéria por que gosta dela. Se você quer começar a aprender uma matéria, comece por aprender a gostar dela”. Isso é a maior verdade, e vale para o aprendizado dela, para melhorar seu ânimo a estudar e para aumentar a concentração também.

            Mentalize de vez em quando sua aprovação, você dando a notícia a seus familiares, tendo mais dinheiro e tranqüilidade, a cara de quem não gosta de você morrendo de inveja etc. Isso motiva a estudar.

            16) Doença Grave que Ocorre em Muitos Concurseiros:  A  Desculpite


            O grande problema da maior parte dos concurseiros é uma doença chamada “desculpite”. Essa doença é grave, eu sofri dela por 11 anos, mas agora estou curado. Você vê essa doença principalmente em corredor de cursinhos. É todo mundo dando uma desculpa do porquê de não ter passado ou não conseguir estudar. Geralmente o inimigo comum da 1ª é a banca, como a ESAF, e da 2ª são os filhos, trabalho, barulho, doenças etc.
             Se você não passou por uma questão, tudo bem, é de doer mesmo, eu sei muito bem o que é isso. Mas analise bem: a prova do AFRF tinha 180 questões, valendo 300 pontos. Na média, quem fez 200 pontos e todos os mínimos, passou. Se um cara fez 199, ele perdeu 101 pontos, umas 70 questões em 180 ele errou, mais de um 1/3 do total. Vem a ESAF e erra a digitação ou o gabarito de uma delas e não a anula. De quem é a maior culpa, da ESAF que errou uma ou 5 questões ou sua, que errou as outras 69 ou 65 questões? ora, é muito simples colocar a culpa toda de sua reprovação na banca, no professor que não adivinhou as questões, no barulho que fazia lá fora, no piriri que deu no meio da prova etc. Pergunte ao Deme se ele acha que a ESAF o prejudicou muito? o cara não tá nem aí, e sabe o por quê? porque ele não precisa da competência ou incompetência da ESAF para nada, ele vai lá e faz o que sabe, e tirou 269 em 300 pontos. Se tivessem anulado tudo que estava errado, ou se todas as questões estivessem bem feitas, ele teria feito quase os 300, com certeza.
            Claro que não quero dizer com isso que as pessoas não têm que se revoltar com a incompetência da banca, quem ler minhas msgs no fórum vai ver que sou revoltado com o que a ESAF está fazendo. E se sentir realmente prejudicado tem mais é que procurar seus direitos na justiça, e torço muito para que consiga. Mas o que não pode é você viver 11 anos, como eu vivi, sofrendo de desculpite em corredor de cursinho ou na família. Levante a cabeça e estude mais pro próximo, vai ter uma hora que você não vai precisar da banca para nada. Tem gente que está há um mês só xingando a ESAF e se esqueceu de estudar pro TRF, ICMS-SP, TCU, AFC etc. Aí vai tomar bomba nesses todos e a culpa vai ser da ESAF de novo? se estivesse estudando passaria para um TCU ou ICMS-SP da vida, que são bem melhores que o AFRF.
             Será que quando você era aquele espermatozóide guerreiro você se preocupava com a ESAF? dela ter colocado o óvulo no local errado, e depois não ter anulado o resultado do vencedor, aquele espermatozóide muito menos preparado que você, mas que chutou o local certo do óvulo? garanto que você deu uma de Deme, correu para todos os lados e não deixou mais ninguém chegar perto. Se não você não estaria aqui lendo isso. Ah! que falta faz ser guerreiro como naqueles tempos espermatozóicos…
            Na hora da prova, o examinador não quer saber quem tem filho pequeno em casa, quem está com piriri, quem ficou doente nas semanas anteriores, quem não sabe fazer contas rápido, quem não controlou direito o tempo da prova, quem errou a marcação do cartão de respostas, quem trabalha e não tem tempo para estudar, quem tem problema de concentração etc. Pelo contrário, ele quer quem não tenha nada disso. Então pare com essa bobagem toda e encare o dragão de frente, sem desculpite.

            Quando eu digo que estou nessa vida de concursos há 20 anos, isso não é força de expressão não, é verdade mesmo. Claro que não estudo há 20 anos, o que digo é que sempre fiquei envolvido com isso, com meus amigos todos sempre fazendo concursos, ou quando dei aulas em cursinhos etc. E o legal é que nesse tempo todo eu conheci várias pessoas que superaram tudo e venceram na vida. E vou contar aqui mais um caso de um rapaz que eu conheci, amigo de um grande amigo meu.
             Ele era muito pobre, morava no subúrbio no Rio. Aos 14 anos teve o grande sonho de ser cadete, mas não tinha dinheiro para fazer cursinho. Em troca de ajudar no curso, assistiu às aulas de graça. Com muita ralação, e sem base alguma por ter feito escola pública, passou para EPCAR, concurso concorridíssimo na época. Cursou o 2º grau lá, e depois foi para AFA. Foi reprovado em vôo. Voltou para a casa dos pais, que eram muito humildes. Tentou emprego e só conseguiu ser balconista no Bob´s. Como não conseguia estudar, virou cobrador de ônibus. Isto mesmo: cobrador, e de uma linha horrorosa e violenta, no subúrbio do Rio. Estudava em cima do balcão de dinheiro do ônibus, com um tapa-ouvido que tinha de sua época de AFA. Entre um assalto e outro, ia se virando. Estudava demais. E, com sua ótima base da escola de cadetes, passou para Direito na federal. E sabe depois para o que ele passou? para Técnico da PGM do Rio, depois para TTN (hoje TRF) em SP, depois para Agente da Fazenda na Prefeitura do Rio, depois Oficial de Justica do RJ, depois Advogado Geral da União e, por último, Procurador da República. Será que esse cara poderia estar sofrendo de desculpite até hoje, com raiva de sua expulsão da AFA? claro que sim, mas resolveu vencer na vida, e hoje ganha muito mais e tem muito mais status que qualquer Major da sua turma, até mesmo um Brigadeiro. Imaginem bem, um Procurador da República que foi cobrador de ônibus e atendente do Bob´s !!??  Você no lugar dele teria conseguido estudar ou estaria até hoje com desculpites xingando o examinador do seu vôo lá na AFA?  bem, ele resolveu continuar sendo um espermatozóide guerreiro, e venceu na vida.             E segue ainda o exemplo do meu pai: órfão de pai aos 5 anos de idade, foi muito pobre a vida toda. Não tinha sequer cadernos para estudar, escrevia as aulas naqueles antigos papéis cor cinza de embrulhar pão que pedia pro português da padaria (talvez por isso tenha tido o excelente gosto de virar vascaíno). Usava miolo de pão como borracha. Estudando muito, sempre com livros emprestados, fez 3 faculdades na UFRJ, sendo duas engenharias, numa época que era o vestibular mais difícil do Rio e só tinham 40 vagas por ano, e não 400 como agora, e todo mundo ainda reclama da dificuldade pra passar. Venceu na vida e sustentou seus 4 filhos, sempre nas melhores escolas.              Portanto, eu vejo em pessoas com essa fala de que não têm tempo, não podem comprar livros, não têm base etc., uns futuros derrotados, vítimas crônicas da desculpite. Em casa eu aprendi que a gente pode mudar nosso destino na hora que quisermos, é só sentar e estudar para valer. No exército sempre ouvíamos que “nada resiste a uma boa noite de estudo!”.             Várias pessoas agora me param para conversar sobre concursos, e em vez de falarem sobre algo mais útil, já começam com suas desculpas de falta de tempo, dinheiro, cursinhos bons disponíveis, falta de apoio dos familiares, baixa concentração etc. Posso confessar uma coisa para vocês? eu respondo rápido e saio de perto, ou falo logo o que penso, tentando não ser muito grosso. Não tenho paciência para isso. Ora, ou desiste de uma vez dessa vida e volte para sua vida de sempre ou encare o dragão de frente com o que tem à disposição. Essa doença chamada desculpite pega, e eu quero distância dela. Se fosse me render a tudo de ruim que aconteceu comigo desde que voltei a estudar, eu não teria passado também, nem no AFRF nem no ICMS-SP.             Você pode vencer na vida basicamente por 5 motivos: o 1º, nascer em berço de ouro, o que não foi meu caso; o 2º, acertar na loteria, mas estatístico não perde dinheiro jogando na mega-sena, então tô fora; o 3º, casar com cônjuge rico, e isso também não fiz; o 4º, ralando no comércio, mas nunca levei jeito pra isso; e o 5º e último, estudando. Bem, lá em casa só restou esse último, assim como foi para o meu pai, então corremos atrás. Acredito que para você só tenha essa última opção também, e você ainda vai perder tempo com “desculpites”?
            Pare com a síndrome da desculpite! e digo que uma pessoa só se cura dela no dia que passar para o cargo que quer. Nunca mais vai ter seus sintomas.
             Pare de ficar em corredor de cursinho ou em casa tentando fazer os outros sentirem pena de você, mostrando-se um injustiçado e que a banca o sacaneou, que a culpa de tudo foi dela.              Seja “homem”, diga que não passou porque estudou menos que os outros, que sua hora ainda não chegou, mas ainda vai chegar, basta você querer. Além de ser uma atitude muito mais de “homem”, você não passará sua tristeza pros familiares e amigos. Estes não têm que sentir pena de você, e sim orgulho, quando virem seu nome no Diário Oficial. Não passar em concurso é normal, o anormal é passar. Reprovações poderão ser muitas, mas lembre-se: você só precisa de uma boa aprovação!


            17)  Conclusão


            Colega, adapte esses conselhos ao seu jeito de estudar, cada um rende melhor de um jeito. Comigo fiz assim após ler todos aqueles livros e ouvir diferentes dicas de amigos e professores nesses anos todos. No livro do Alex você vê que ele fez um pouco diferente, era muito mais radical com os tais resumos etc. Mas o básico pro sucesso de todos é bem parecido. No fórum tem um tópico com dicas de vários outros aprovados também, com muitos bizus bem legais. Lá você vai ler as dicas do Deme, Fiúsa, Rodrigo Cientista, Oscar Lima, FGamaJr, Amanda, Morpheus, Zork etc., todos vitoriosos em vários concursos, não só nesse. O endereço do fórum concurseiros é este:
http://concurseiros.13.forumer.com
            Concurso é estudo e disciplina, e nada mais. Se você estudar muito e da forma que você melhor aproveite o mesmo, mais cedo ou mais tarde, você vai passar, e se esquecerá de tudo que enfrentou e gastou de grana. É só não desistir.

            Eu tenho quase 36 anos, e pelas estatísticas (não se esqueceram que sou um desses loucos que gostam disso, né?), viverei mais 50 anos. O que foram esses meses de estudos e de muito stress perto dos 50 anos de bom salário e estabilidade que virão? NADA!

            ESTUDEM! e não deixem que falsos amigos ou derrotados na vida te perturbem falando que concurso é só para cartas marcadas ou gênios etc, quem me conhece vê que isso é pura bobagem. Quando após a prova encontrei o Rodrigo Cientista no Rio, que só conhecia pelo fórum, o cara se surpreendeu com minha parência aos 35 anos, pensou que encontraria um cara barrigudo, careca, com cara de coroa. Bem, sou auditor fiscal da prefeitura de BH há 11 anos, e certamente isso contribuiu pro meu menor envelhecimento. E quem conhecer o Rodrigo então, nem se fala, a maior cara de playboy, e ele tá lá, aprovadaço no AFRF, em Brasília, junto aos “hómi”. Um playboy no planalto. E gente boa, que é o que mais importa ser na vida, sempre ajudou todo mundo no fórum, do qual era um dos administradores.
            Todos os meus amigos de infância são fiscais: AFRF, AFPS, ICMS-SP, ICMS-RN etc. E ninguém é gênio, nem comprou prova, nem era rico, mas todos venceram na vida na raça mesmo, com muito estudo.

            E aqui conto meu último caso: meu melhor amigo tinha o grande sonho de ser fiscal de ICMS-SP, como o seu pai era. Estudou 5 anos até aparecer o concurso. Nesse período não passou para outros 4 concursos de fiscal, todos batendo na trave, mas não desistiu. Trocou de cadeira de estudo duas vezes, sério mesmo, porque estava toda ferrada de tanto ele ficar em cima dela. Quando veio o concurso do ICMS-SP de 97, arrebentou e passou. Hoje é mais feliz que pinto no lixo. Pergunte a ele se compensaram aqueles milhares de horas ali sentado, num quartinho de 3m2 abafado? eu entrava naquele quartinho e dava pena dele, porque tinha seu cheiro impregnado e a cadeira toda gasta, tanto o estofado quanto os braços dela. Seu irmão mais velho, vendo o sucesso dele, largou seu cargo de gerência da Loreal, onde ganhava muito bem, mas o stress era imenso, e estudou muito por 2 anos e meio até o ICMS-SP de 2002. Seu irmão caçula e seu pai ajudaram bastante nesse período de dureza. Também passou antes em outros concursos excelentes, e escolheu o ICMS-SP. Casou antes de ser nomeado com sua noiva que aguardou pacientemente que o grande dia de sua aprovação chegasse, sempre dando apoio. Agora possui muito mais qualidade de vida e muito menos stress. Pergunte a ele se compensaram aqueles milhares de horas no mesmo quartinho de 3m2 abafado, ouvindo todos o chamarem de louco por ter largado emprego tão bom, para arriscar numa vida cheia de fraudes, vendas de gabaritos etc, que é o papo de todos esses derrotados por aí? pergunte à sua esposa, que tinha uma vida legal com ele e viu seu noivo abrir mão de tudo e agüentou esses anos de dureza, esperando um futuro melhor para eles. Lembram-se do que escrevi anteriormente sobre analisar bem com quem você está namorando? ela, assim como minha esposa, certamente passaram nos testes.
             Após ter escrito esse texto, que rendeu aproximadamente 20 mil downloads, eu estudei muito e passei pro Fiscal de ICMS de SP, em maio de 2006, cargo esse que exerço atualmente e espero que para o resto da minha vida. Não fui para o AFRF, mesmo tendo feito 3 meses de CF pesado lá. Mas isso é uma outra história, que está disponível no meu site também:  http://alexandremeirelles.googlepages.com/alexandremeirelles 
            O maior jogador de basquete de todos os tempos, Michael Jordan, disse:  Errei mais de 9.000 cestas e perdi quase 300 jogos. Em 26 diferentes finais de partidas fui encarregado de jogar a bola que venceria o jogo… e falhei. Eu tenho uma história repleta de falhas e fracassos em minha vida.  E é exatamente por isso que sou um sucesso”.

            Seja como ele, não se abata por fracassos, eles só dão mais valor ao nosso sucesso. E esse sucesso, se você não desistir, é inevitável.
            Como bem diz o WD: “em concurso público a dor é temporária, mas o cargo é para sempre.”
             Volte a ser o mesmo espermatozóide guerreiro!             Bons estudos e um abraço de seu colega concurseiro,  Alexandre Meirellesalexandremeirelles@terra.com.brFiscal de ICMS de São Paulo

 

Foram 269 pontos em 300! Isso mesmo, acredite! O Demetrio, 1º colocado nacional no AFRF/2005, conseguiu essa marca histórica: 269 pontos em um total de 300! Um show de bola!

Essa marca é um escândalo, o Demetrio arrebentou! Você, leitor, pode achar que eu estou exagerando, mas não estou, sei muito bem o que estou falando. Digo isso porque as provas de algumas disciplinas do AFRF/2005 foram atípicas e difíceis, especialmente as de Contabilidade, Estatística, Matemática Financeira e Direito Tributário. Lembro-me bem que no meu concurso, de 1996, o Marcelo Alexandrino fez 264 pontos e, à época, já foi uma marca invejável, muito à frente da maioria dos demais aprovados (de mim, por exemplo, nem me lembro mais exatamente quantos pontos fiz, acho que algo em torno de 240). Só que há um importante detalhe: as provas do AFRF/2005 foram infinitamente mais difíceis do que as provas do AFTN/1996! Não dá nem para comparar! É esse o fato que torna essa marca alcançada pelo Demetrio histórica…

O meu intuito nesta entrevista é repassar a vocês, visitantes do Ponto, parte da experiência de preparação do Demetrio, que certamente será um incentivo para aqueles que continuarão na árdua luta, rumo à aprovação em um bom concurso.

O Demetrio reside em São Paulo (SP), é engenheiro mecânico e tem apenas 26 anos. Começou a estudar no ano de 2003, preparando-se para o concurso de Técnico da Receita Federal – TRF. No meio da preparação, saiu o concurso da Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Decidiu estudar as disciplinas específicas do concurso da CVM, e acabou sendo aprovado nos dois concursos. Decidiu, então, abrir mão do concurso de TRF, e sequer fez a matrícula no curso de formação deste concurso, para não tirar uma vaga de outro candidato.

Pois é, tudo certo, não? Não, de jeito nenhum! Em razão de uma ação ajuizada pelo Ministério Público, o desfecho do concurso da CVM foi suspenso por um ano, e o Demetrio ficou, durante todo esse período, sem a CVM e sem TRF! E mais: no final de 2004, decidiu-se pela anulação da prova de redação do concurso da CVM, e o Demetrio teve que fazer nova prova. Moral da história: só foi nomeado para o cargo na CVM no início de 2005!

Pois é, foi durante o ano de 2004 (sem CVM e sem TRF!) que o Demetrio deu uma guinada na sua preparação, em vez de desanimar e ficar em casa chorando o azar. Adquiriu bons livros, fez cursinhos com bons professores (ele fez questão de citar durante a nossa conversa os cursos que fez na Uni-Equipe em São Paulo, destacando os professores: Alexandre Lugon, Cláudio José, Marcelo Alexandrino, Antônio César, Fábio Zambitte, Rodrigo Luz e Vicente Paulo) e, após entrar em exercício na CVM, voltou a estudar especificamente para o AFRF a partir de março de 2005, não parando mais até a data das provas. O resultado vocês já sabem, são os tais 269 pontos!

Pronto, com uma aprovação dessas, agora é só sombra e água fresca, certo? Errado, muito errado. Falei com o Demetrio nesta semana, fiz um convite a ele para conhecer a Capital Federal, para conhecer o Ponto, para almoçarmos no Restaurante do Congresso Nacional (e não mais no corre-corre dos almoços nos intervalos das aulas na Uni-Equipe!), mas ele não topou. Não topou por que? Porque já estudando, diuturnamente, para o concurso de Fiscal de São Paulo, que tem provas previstas para abril de 2006, e dois dias de viagens seria muito tempo de estudo perdido! Pois é, esse é o Demetrio!

Bem, atrapalhando um pouco os estudos do Demetrio para o Fiscal de São Paulo, fiz a ele as seguintes perguntas:

Vicente Paulo: Sabe, Demetrio, você um dia, muito antes da divulgação do resultado do AFRF, já foi motivo de conversa na minha casa. Estava em casa tentando animar uma candidata ao AFRF, dizendo a ela que ainda havia chance de ser aprovada (e, de fato, ela acabou sendo aprovada!), e ela estressou-se comigo: “puxa, pára de me enganar, você sabe que eu não tenho chances, olha só, vi num ranking da internet que tem um tal de ‘Deme’ que fez, antes dos recursos, quase 260 pontos; como eu vou passar, com menos de 200 pontos?” Disse a ela, então: “se isso for verdade, ele será o primeiro colocado nacional no concurso, pode ter certeza”. E você, já pensava nesse primeiro lugar nacional antes da divulgação do resultado?

Demetrio: Acho que não. Com certeza eu não esperava esse resultado quando terminei de fazer a última prova. Eu lembro que quando saí do local de prova, enquanto voltava para casa, a única coisa que passava pela minha cabeça era que eu tinha chutado 9 questões de matemática financeira e estatística, todas na mesma alternativa. Não me conformava, achei que tinha sido eliminado justo na matéria em que eu achava que iria melhor. Não estava me sentindo nem um pouco seguro. Pensava assim: “essa prova foi muito maluca, o pessoal da ESAF ficou louco”. Com certeza muita gente também se sentiu assim porque nesse concurso o formato das questões foi muito diferente daquele que a ESAF adotou nas provas anteriores.

No dia seguinte quando conferi o gabarito vi que tinha conseguido acertar exatamente 6 questões de matemática e estatística, ou seja, tinha feito exatamente a nota mínima para não ser eliminado nesta matéria. Isso foi um alívio enorme. Mas eu tive a maior surpresa quando conferi o gabarito das outras matérias: não esperava ir tão bem assim. Fiquei tão contente que comecei a falar para todos os colegas do trabalho, para os amigos, foi a maior festa.

Vicente Paulo: Você me parece uma pessoa extremamente determinada. Intensificou os estudos quando tudo deu errado no concurso da CVM, em 2004. Agora, mal passou para o AFRF, e já está pensando no Fiscal de São Paulo. De onde você tira tanta disciplina?

Demetrio: Na verdade acho que não sou tão disciplinado assim, uma coisa que me ajudou muito foi ter ficado bastante motivado. Uma coisa fundamental nos concursos públicos é a motivação: quando uma pessoa está muito motivada a passar, quando ela sente que a aprovação vai melhorar muito sua vida e a de sua família, ela consegue fazer sacrifícios enormes para atingir esse objetivo. Acho que foi o que aconteceu comigo.

Eu comecei a estudar para concursos em 2003. Durante esses 3 anos de estudo, em diversas ocasiões eu me senti desanimado, pensei em parar e fazer outras coisas. Mas essas fases não duravam muito tempo, logo eu recomeçava a estudar. Acho que isso é muito importante no ramo dos concursos: a pessoa não pode desistir, tem que aprender a ser sempre capaz de recomeçar. Por exemplo, eu tinha alguns amigos que estudavam para o cargo de AFPS. Quando saiu a unificação da Receita com a Previdência, essas pessoas ficaram numa situação horrível pois haviam gasto anos se preparando para uma prova que não iria mais acontecer. Muitos foram perseverantes, não se deixaram abater pelo desânimo. Faltando poucos meses para a prova de AFRF elas tiveram que estudar do zero várias matérias novas (como a famigerada matemática financeira e estatística), além de se adaptar ao estilo de questões da ESAF. No fim muitas dessas pessoas conseguiram ser aprovadas no AFRF.

Esse último concurso de AFRF foi muito atrapalhado, sem dúvida. Faltando menos de 60 dias para a prova o formato do edital mudou completamente, entraram 6 matérias inéditas. As questões da prova foram atípicas e cheias de erros. Por isso muitas pessoas que vinham se preparando para esse concurso há bastante tempo foram muito prejudicadas pelas trapalhadas da ESAF e não conseguiram passar. Para essas pessoas o que eu digo é que não parem de estudar, recomecem o mais rápido possível pois esse ano de 2006 está sendo um ano com muitos concursos bons, alguns até melhores que AFRF (estão previstos 4 concursos de fiscais do ICMS, ISS de São Paulo, Fiscal do Trabalho, etc…).

Em 2003 eu consegui passar no concurso da CVM, cargo que ocupo hoje. Só que não pude tomar posse porque a prova de redação foi questionada na justiça. E o pior, depois de quase 1 ano de espera o judiciário resolveu anular a prova de redação e chamar todos candidatos para fazê-la novamente. Isso me deixou muito chateado. Mas o importante é que durante todo esse tempo de espera eu consegui me manter estudando, se não fosse por isso hoje eu não teria sido aprovado no concurso de AFRF.

Vicente Paulo: Digo sempre em sala de aula: inteligência não é o maior diferencial em concurso, disciplina é tudo. Você concorda com isso?

Demetrio: Concordo. Durante esse tempo em que me preparei para concursos percebi que o estudo para uma prova desse porte não é semelhante a uma corrida de velocidade, mas sim a uma corrida de resistência. Não adianta nada a pessoa passar dois meses estudando 14 horas por dia, o conhecimento precisa ser adquirido aos poucos em um período longo de tempo para ser bem digerido e assimilado. Quando você pega uma prova da ESAF e percebe que o candidato deve memorizar o texto literal da constituição, do CTN e de uma infinidade de outras leis, dá para perceber que é quase impossível adquirir todo esse conhecimento em apenas alguns meses. É por isso que a maior arma do concurseiro é a disciplina, a capacidade de investir todos os dias um pouco no seu objetivo, de fazer uma preparação de longo prazo.

Além disso acho que o candidato que conta muito com a sua inteligência é justamente aquele que subestima a complexidade das matérias e a importância de estar sempre revisando os principais pontos das disciplinas. Ele é uma vítima do excesso de autoconfiança. É muito importante que a pessoa seja muito humilde no estudo. No meu caso, por exemplo, sou formado em engenharia e por isso estudei na faculdade matérias de cálculo super complicadas, mas na prova de AFRF quase fui eliminado em matemática financeira porque não fui rápido para fazer contas de divisão sem calculadora. Tem muita gente que fez Direito, Economia ou Contabilidade e que acha que só por isso já estão “garantidas” nas matérias que estudaram na faculdade. Mas na realidade o estudo para concursos é totalmente diferente do estudo acadêmico, por isso ainda que o candidato tenha base ele deve sempre começar o estudo de uma matéria de concurso usando um material bem didático, com muita humildade. E depois de atingir um bom nível de conhecimento ele não deve confiar totalmente na sua memória, é importante manter uma rotina de revisões periódicas. Deve-se procurar ficar sempre tendo algum contato com aquela matéria, fazendo e refazendo exercícios, nem que seja só uma vez por semana.

Vicente Paulo: A preparação para o AFRF foi um tanto quanto tensa, com muitas incertezas e mudanças para os candidatos (unificação do concurso, novas disciplinas, “Super Receita” etc.). Como manter o equilíbrio nesse período que antecede as provas?

Demetrio: Acho que é essencial a pessoa tentar sempre olhar para a sua situação da maneira mais otimista possível. Sempre olhar para as vantagens da posição na qual ela sem encontra. Por exemplo, eu vinha me preparando para o concurso de AFRF na àrea de Auditoria, por isso nunca tinha tido contato com Comércio Internacional. Quando saiu o edital, ao invés de ficar o tempo todo pensando que eu estava em uma posição de desvantagem em relação aos candidatos que já tinham uma bagagem nessa àrea, escolhi ver as coisas da seguinte forma: os meus concorrentes que estudavam para a área de Aduana já estavam há pelo menos um ano sem ter nenhum contato com Comércio Internacional, por isso já tinham esquecido muita coisa. Eu iria estudar aquela matéria a partir daquele momento e chegar no dia da prova com o conhecimento fresco na cabeça. Por isso as nossas chances de ter um bom desempenho na prova se igualavam. Procurei pensar assim em relação a todas as matérias novas. Se não tivesse feito isso acho que teria tido uma crise de nervos…

Outra coisa importante foi ter sempre ter em mente que nos concursos nenhum estudo é perdido: mesmo que, em um primeiro momento, o estudo de uma matéria incerta pareça ser algo muito arriscado, sempre nós aproveitamos o conhecimento de alguma forma. No ano de 2005, antes da publicação do edital, eu cheguei a estudar informática, contabilidade avançada e um pouco de direito previdenciário, mesmo quando havia a possibilidade de essas matérias não serem cobradas na prova. Isso me ajudou bastante depois da publicação do edital, me poupou tempo. Por outro lado acabei estudando duas matérias que não foram cobradas, como Auditoria, Ética e Organização do ministério da fazenda.

Nesses períodos de incerteza acho que o importante tentar manter o equilíbrio emocional, sempre procurar fazer o melhor que possa ser feito com as informações que temos à disposição naquele momento. Parece loucura estudar uma matéria que você nem tem certeza de que será cobrada na prova, mas às vezes é o único modo de ficar em situação de igualdade com seus concorrentes. Uma vez li em um texto do Rodrigo Luz que “estudar para um concurso é como aplicar em ações, deve-se comprar na baixa para vender na alta”, ou seja, procurar sempre que possível estudar a matéria com antecedência, quando não há edital, para depois ficar em uma situação confortável quando o edital for publicado. Muitas pessoas são contra isso, pois o candidato estaria sacrificando um tempo que poderia ser usado para as matérias certas. Mas o problema é que depois de estudar durante muito tempo uma matéria, a pessoa chega em um nível muito alto de conhecimento em que ela já leu todos os livros, fez e refez todas as provas antigas… E aí há o perigo de ela se acomodar, já que não há mais nenhum desafio pela frente… nesse momento eu acho que é válido combinar a revisão das matérias tradicionais com o estudo de matérias novas, tanto matérias certas de outros concursos como matérias incertas do cargo para o qual ela se prepara.

Vicente Paulo: Quais foram os seus maiores acertos, aqueles pontos decisivos, na preparação para o AFRF/2005?

Demetrio: Acho que muitas coisas contribuíram para o meu sucesso nesse concurso. Em primeiro lugar, eu tive a sorte de conhecer diversas pessoas pela internet que, assim como eu, estudavam para esse concurso da Receita Federal. Elas me ajudaram muito a descobrir o material certo para estudar, os melhores professores e principalmente, me deram a motivação necessária para perseguir esse objetivo durante um período de tempo tão longo. Fiz grandes amigos através da Internet, primeiro no Fórum do CorreioWeb, depois no Fórum dos Concurseiros (http://concurseiros.13.forumer.com). Eu passei a conviver com outras pessoas que tinham os mesmos objetivos que eu, as mesmas dúvidas, os mesmos problemas. Acho que isso me deu um estímulo muito grande para que eu sempre tentasse superar minhas dificuldades.

Em segundo lugar, também tive a sorte de logo descobrir os livros direcionados para concursos: os livros da Editora Impetus/Campus e da Editora Ferreira. Sem esse material eu teria demorado muito mais tempo para adquirir o conhecimento necessário para fazer uma boa prova. E, por último, foi muito importante eu ter lido uma entrevista do professor Gustavo Barchet em que ele explicava como tinha sido aprovado em diversos concursos estudando através das questões de provas antigas. No ano de 2005 eu procurei incorporar essa metodologia à minha preparação, e com certeza esse foi um fator essencial para o meu bom desempenho na prova de AFRF.

Vicente Paulo: Agora, vamos inverter a pergunta: o que você fez, mas não faria novamente em uma nova preparação para concursos?

Demetrio: Acho que eu não teria feito um curso básico, estilo “pacotão”, com aulas de todas as matérias. Também não teria começado o meu estudo pelas apostilas, mesmo que de boa qualidade. Logo quando comecei a estudar, procurei conversar com pessoas que já tinham passado por essa experiência de concursos. Minha mãe foi aprovada no AFTN de março de 94, então é claro que fui bastante influenciado pela experiência dela. Mas acho que hoje o mundo dos concursos é muito diferente do que era naquela época, pois com a internet e com as editoras especializadas os candidatos têm acesso a um material com qualidade muito superior ao que existia 11 anos atrás. Hoje o nível dos candidatos é altíssimo, é comum ver pessoas gabaritando provas de português, direito tributário e contabilidade. Eu demorei algum tempo para perceber essa realidade, hoje sei que durante o meu primeiro ano de preparação (2003) meu estudo foi muito superficial. Uma pessoa que comece a estudar hoje para um concurso do porte de um AFRF deve ter em mente que será necessário estudar no mínimo de 100 a 200 horas cada matéria básica, pois com certeza é o que seus concorrentes farão.

Vicente Paulo: Você sempre estudou sozinho, ou gostava de estudar com outros colegas?

Demetrio: Eu sempre gostei de estudar sozinho, isso porque eu preciso me concentrar muito quando estou lendo uma matéria pela primeira vez, acho difícil fazer isso junto com outra pessoa. Mas, depois de estudar um assunto, gosto de sentar com outras pessoas para discutir as dúvidas e resolver exercícios difíceis. Eu fiz muito disso através da internet, com meus amigos virtuais do fórum. Eu achava que esse tipo de estudo era muito importante para me manter sempre motivado, principalmente quando não havia notícias do edital de AFRF. Há muitas pessoas que acham que o estudo em grupo é pouco produtivo, mas acho que ele pode ser bastante útil desde que seja complementado com muito estudo individual.

Vicente Paulo: Você faria resumos das disciplinas, ou acha isso perda de tempo? Que dica você daria para os candidatos sobre esse ponto (fazer ou não fazer resumos)?

Demetrio: Quando eu comecei a estudar fazia resumos de todas as matérias. Eu fixava melhor o conhecimento desta maneira. Fazia resumos à mão mesmo, sem computador. Isso porque eu sentia que os conceitos ficavam mais marcados na minha memória quando eu mesmo escrevia os resumos. Eu usava lápis para poder alterá-los depois se fosse necessário. Mas com o tempo fui percebendo que esse era um processo muito demorado, fiz tantos resumos que eu não conseguia mais ler todos eles quando precisava revisar. Quando comecei a trabalhar na CVM ficou impossível continuar assim. Então eu mudei o meu método de estudo. Ao invés de fazer resumos, passei a grifar as partes mais importantes dos livros e a reler esses grifos quando precisava fazer uma revisão. Se por um lado eu não fixava tão bem as informações, acho que meu estudo avançava mais depressa dessa forma.

Acho o seguinte: se a pessoa está estudando uma matéria pela primeira vez, com bastante tempo disponível, fazer um resumo é uma coisa bem legal, com certeza assim ela fixará melhor o conhecimento. Mas se o tempo estiver curto, acho desnecessário fazer resumos. Em algumas matérias de direito, pode-se usar a própria lei como um resumo: por exemplo, em direito tributário, eu fiz um resumo de 50 páginas do livro do João Marcelo Rocha, só que o próprio CTN tinha 50 páginas, então na hora de revisar eu nem lia o meu resumo, lia o próprio CTN. Quando eu lia algum artigo do CTN com redação confusa, lembrava da explicação que já tinha visto no livro. Em contabilidade meu resumo eram algumas provas antigas da ESAF, sempre que eu tinha que revisar eu refazia essas provas mais uma vez, isso era mais eficiente do que ler novamente a teoria.

Vicente Paulo: Você fez muitos exercícios de concursos anteriores, ou dedica-se somente ao estudo da teoria?

Demetrio: Depende da fase do estudo. Quando eu estava estudando as matérias básicas pela primeira vez eu passava 70% do meu tempo estudando a teoria e 30% fazendo exercícios. Mas conforme eu fui avançando no estudo dessas matérias, fui deixando cada vez mais a teoria de lado e passei a dedicar 100% do tempo aos exercícios. Eu procurava estudar através das questões de prova, seguindo o método do professor Gustavo Barchet (vi esse método na entrevista dele no vemconcursos e na aula zero de administrativo que estava disponível no site do ponto): lia a questão e procurava comentá-la mentalmente, fundamentando todas as respostas no material que eu tinha estudado. Se a questão copiava algum artigo de lei, eu pegava essa lei e dava uma lida rápida no artigo para refrescar a memória. Esse era o tipo de estudo que eu considerava mais importante para a prova: eu já não tinha mais como objetivo aprender novos conceitos, o que eu queria era automatizar o conhecimento que tinha adquirido, dar agilidade ao raciocínio.

Isso é o que considero mais importante na hora da prova: ter muita velocidade, agilidade para resolver os testes e ter feito infinitas vezes exercícios parecidos com as questões que forem cobradas. Só para mostrar como esse tipo de estudo foi importante: quando fiz a prova de direito administrativo de AFRF, lembro que eu tive a sensação de que já sabia a resposta de várias questões sem nem precisar ler as perguntas até o final. Depois, quando cheguei em casa, comparei essa prova de AFRF com as provas antigas da ESAF que eu tinha feito e vi que, daquelas 20 questões, 16 delas tinham sido copiadas de provas antigas, de forma literal. E eu acertei todas, pois como já tinha feito essas provas várias vezes eu sabia exatamente quais eram as respostas.

Vicente Paulo: Você fez cursinhos com vários professores, até me citou aqueles que, segundo você, fizeram a diferença na hora da prova. Como aproveitar melhor as aulas dos cursinhos? Eu sempre estudava previamente a disciplina, antes de freqüentar o cursinho. Você acha que esse é um bom caminho para aproveitar melhor as aulas?

Demetrio: Eu acho que a melhor maneira de aproveitar as aulas é tentar, na medida do possível, estudar o básico daquela matéria antes de freqüentar o cursinho. Isso porque quando assistimos uma aula mais aprofundada, em que o professor entra bastante nos detalhes, é quase impossível absorver tudo se não temos uma base anterior naquela matéria. Além disso, se o aluno já tem alguma noção da matéria ele consegue perceber com mais facilidade se aquela aula realmente vale a pena ou se o professor só está “enrolando”. Em 2004 eu tive muita sorte pois logo após ter terminado a leitura dos livros básicos eu tive a chance de fazer vários cursos excelentes aqui em São Paulo, justo dessas matérias que tinha acabado de estudar sozinho. Então o aproveitamento das aulas foi total.

Mas se não for possível estudar a matéria com antecedência, uma coisa bastante interessante a se fazer é gravar a aula para ouvir depois. Eu fiz isso com a aula de previdenciário do professor Fábio Zambitte: em 2004 fiz o curso teórico com ele porque também pensava em prestar o AFPS. Como esse concurso não era meu objetivo principal, acabei deixando essa matéria de lado, e por isso meu aproveitamento nesse curso foi muito baixo. Mas em 2005, quando tive que estudar direito previdenciário para o AFRF, logo após de estudar essa matéria pelos livros eu ouvi novamente a gravação do curso que havia feito, aí sim tive uma boa assimilação.

Outra coisa importante é o candidato sempre ter em mente que para cada hora de aula que ele assiste será necessário que ele estude sozinho mais 3 ou 4 horas para assimilar aquelas informações. Por mais que a aula no cursinho seja importante, com certeza o que faz a pessoa passar é o estudo individual, as horas de bunda na cadeira… Vi muita gente nos cursinhos passavam o dia todo só fazendo aulas, pois achavam que as aulas iam fazer com que fossem aprovados. Na realidade eu acho que o curso só é responsável por 10% da aprovação, o resto depende do próprio candidato.

Acho que só vale a pena assistir aulas se a pessoa tiver tempo de se dedicar sozinha em casa por pelo menos 3 vezes o tempo que gastará naquele curso. Quando saiu o edital de AFRF-2005, eu lembro de que como eu trabalhava e não poderia tirar férias, escolhi fazer um curso apenas: Comércio Internacional com o professor Rodrigo Luz. Eu já sabia que ele era um professor excelente e que seria difícil estudar essa matéria sozinho, já que quase não havia material direcionado para concursos. Decidi não fazer nenhum curso das outras matérias novas, pois sabia que não teria tempo para assistir aulas e estudar em casa também. Preferi estudar economia, finanças públicas, e direito internacional apenas por livros.

Vicente Paulo: Que tipo de cursinho você aconselharia no início e no término de uma preparação?

Demetrio: Quando eu comecei a estudar fiz um curso básico, estilo “pacotão”, com todas as matérias. Mas não aconselho ninguém a fazer o mesmo. Hoje acho que o ideal é o candidato começar a sua preparação estudando sozinho, com um material de boa qualidade e direcionado para concursos. E, logo em seguida, após ter uma noção básica das matérias, ele pode procurar se informar com outros concurseiros quais são os melhores professores de cada matéria e fazer um curso em módulos, em que ele só fará as disciplinas que quiser e com os professores que escolher. Sempre é bom se informar com os outros concurseiros sobre quais são os cursos que valem a pena, tentar assistir uma aula gratuita para ver se o professor é bom mesmo, e ,se for possível, gravar as aulas para ouvi-las novamente depois de ter estudado a matéria com profundidade. No término de uma preparação eu o ideal é fazer somente as aulas estritamente necessárias, como por exemplo as das matérias que são novidades e para as quais não existe um material de boa qualidade para o estudo autodidata.

Vicente Paulo: Se em vez de estudar para o concurso de Fiscal de São Paulo, você recebesse hoje a incumbência de orientar os estudos de um candidato que está iniciando os estudos na área fiscal, quais seriam as suas orientações? (fique à vontade para escrever, pode escrever quantas linhas/páginas quiser, acho essa pergunta uma das mais importantes desta entrevista)

Demetrio: Bem, antes de tudo eu aconselharia o candidato a ler o livro “como passar em provas e concursos” do Willian Douglas. Essa foi a primeira coisa que eu fiz quando comecei a estudar, e com certeza fui bastante influenciado por algumas idéias que li neste livro. Algumas das dicas não serviram para mim, mas a maior parte do que li acabou sendo incorporado de alguma forma à minha rotina de preparação.

Eu montei um quadro com todas as matérias que eu planejava estudar, com uma meta de horas de estudo de cada uma, assim como um espaço para preencher com as horas que tinha efetivamente conseguido estudar. Sempre estudava com um relógio digital ao lado, marcava a hora exata em que tinha começado e terminado, descontava os minutos que tinha perdido indo ao banheiro, atendendo telefone e com outras distrações. Só registrava naquele quadro as horas “líquidas” de estudo de cada matéria. Isso era bom porque me mostrava a realidade: às vezes eu tinha ficado “estudando” das 8:00 às 22:00, mas só tinha realmente estudado umas 6 horas. Com isso passei a me policiar mais para aproveitar melhor o tempo. Ao mesmo tempo, com esse quadro eu sabia exatamente quanto eu tinha me dedicado para cada matéria, se tinha deixado alguma de lado, etc…

Sempre procurei estudar mais de uma matéria de cada vez. Criava um ciclo com 5 ou 6 matérias e estudava 1:30h cada uma, procurando fazer um intervalo de 10 a 15 minutos entre uma matéria e outra. Há pessoas que preferem estudar somente uma matéria por vez, mas eu não conseguia ficar muitas horas estudando a mesma coisa com concentração total. Com certeza essa é uma forma de chegar mais rápido no final do livro, mas isso não quer dizer que a pessoa assimilou tudo. Alternando as matérias eu conseguia ficar estudando com alta concentração por até 13 horas seguidas.

Hoje eu percebo claramente como a preparação para a área fiscal envolve várias fases diferentes. Num primeiro momento, o objetivo do candidato é aprender as 5 matérias básicas: direito constitucional, administrativo, tributário, português e contabilidade geral. Nessa fase o estudo é muito mais teórico e voltado para a parte conceitual das matérias. É quando ele irá fazer os resumos, as aulas nos cursos preparatórios. Essa é a fase mais demorada e que consome 50% do tempo de toda a preparação, pois essas são as matérias mais complexas da prova e com conteúdo muito amplo. Além disso, é preciso que o candidato estude essas 5 matérias como se ele tivesse querendo gabaritar as provas, pois hoje a maioria dos candidatos aprovados acerta de 70 a 80% nessas disciplinas, então é preciso garantir ao menos essa pontuação.

A segunda fase é aquela em que o candidato já tem uma boa base nas 5 matérias básicas, então seu estudo dessas matérias passa a ser muito menos conceitual e muito mais decorativo, voltado para fazer as questões de provas e leitura da lei seca. É um estudo de revisão e aprofundamento, que ocupa cerca de 30% do seu tempo. Nos outros 70% ele irá estudar as matérias específicas (inglês, matemática financeira, estatística, informática, economia, previdenciário, DIP), que são matérias de menor complexidade e com menos peso na prova. Nessas matérias ele não precisa se preocupar em gabaritar, porque não são elas que decidem a aprovação. Apenas é preciso ter um desempenho razoável para passar (60 a 70% de acertos em cada).

Na terceira fase o candidato terminou de estudar todas as matérias (as básicas e as específicas), então deve procurar concentrar 100% do tempo para resolver questões de provas e decorar a legislação. Nesse ponto aquilo que era a maior dificuldade no início dos estudos, a parte conceitual, deixa de ser um problema. Dificilmente o concurseiro erra uma questão porque não sabe um conceito. É mais fácil ele errar uma questão que pede um artigo totalmente inútil da lei do SIMPLES ou da lei de licitações, por exemplo. Ou alguma coisa que está na parte final da Constituição Federal. Então o que ele deve procurar fazer é resolver todas as provas antigas de concurso, anotando todas as pegadinhas que ele for encontrando, prestando atenção de onde a ESAF tira as perguntas (se é do texto de alguma lei, se é de súmula, etc…). Nessa terceira fase o candidato não aprende mais nada de novo, o que ele faz é automatizar o conhecimento que ele já adquiriu: ele se torna uma máquina de resolver testes, consegue fazer uma prova complicada de português ou contabilidade na metade do tempo que levaria na fase dois. E dificilmente ele erra uma questão que transcreve alguma legislação de forma literal, mesmo que seja um artigo inútil. Essa é a parte mais gostosa do estudo, em que o concurseiro começa a ver o resultado de tudo o que fez até então, começa acertar 80%, 90% das provas. Ele percebe que mesmo que tiver azar no dia da prova (caso a prova seja atípica, ele fique nervoso, com dor de barriga, etc…) ele vai conseguir ser aprovado. Isso porque ele atingiu um nível de conhecimento tão alto que, mesmo que seja prejudicado por esses fatores aleatórios, é impossível que ele não passe.

Essas são as minhas impressões mais genéricas sobre a preparação para a área fiscal. Isso se aplica a qualquer prova de concurso de múltipla escolha, de qualquer banca examinadora, e por isso mesmo já está comentado em vários livros de técnicas de estudo. Mas eu também gostaria de transmitir para aqueles que estão começando a estudar alguma coisa mais específica, isto é, quais são os melhores livros para estudar, quais são as manhas para estudar cada uma das matérias que compõem o programa de AFRF, a que pontos se deve dar mais importância, etc… Isso é algo que só quem estudou recentemente para esse concurso pode dizer, e é claro que envolve um lado muito subjetivo, provavelmente alguns livros que agradam muito algumas pessoas são odiados por outras… Mas eu quero dizer como eu faria para aprender cada uma das disciplinas do programa de AFRF se estivesse começando meus estudos hoje.

Direito constitucional: Essa matéria sem dúvida é a que possui o conteúdo mais amplo de todos. A prova pode cobrar tanto a literalidade da Constituição Federal como Doutrina, Jurisprudência do STF e Teoria Geral do Estado. É comum ver a ESAF mudando completamente o estilo de questões de uma prova para outra, tanto nos assuntos abordados como no nível de dificuldade. Por isso é importante estar preparado para qualquer coisa.

O melhor é iniciar estudando pelo livro do Vicente Paulo (Aulas de Direito Constitucional, Ed Impetus), junto com o texto literal da Constituição Federal. Uma coisa complemente a outra, pois o livro é mais voltado para as questões conceituais e doutrinárias, e em algumas provas (como foi essa última de AFRF) é preciso ter memorizado o texto literal da Constituição.

Logo em seguida eu estudaria o livro de questões comentadas ESAF do Gustavo Barchet (Ed Impetus). Quase todas as questões já estão no livro do Vicente, mas são os comentários do Barchet que valem a pena, ele faz alguns “mini-resumos” da teoria, além de se aprofundar mais em alguns pontos da matéria. E Direito Constitucional é uma matéria em que vale a pena fazer também as questões do CESPE, pois elas se aprofundam muito mais na parte de doutrina / jurisprudência do que as questões da ESAF. Então, se estivesse sobrando tempo, eu estudaria também o livro do Gustavo Barchet de questões comentadas CESPE.

Na semana anterior à prova eu separaria um tempo para dar uma lida em toda a Constituição Federal. Eu fiz isso para a prova de AFRF e no fim foi o que me salvou (a prova foi burra, totalmente “decoreba”, às vezes isso acontece). É importante lembrar que se o examinador quiser inventar uma pergunta impossível de Direito Constitucional ele pode fazer isso, já fez algumas vezes (Ex: aquela questão do método hermenêutico concretizador), mas não é essa questão que vai fazer a diferença.

Um curso que vale a muito pena fazer é o de exercícios de Direito Constitucional, com Vicente Paulo (DF). Fiz esse curso em 2004, gravei aquelas aulas e cheguei a ouvir 4 ou 5 vezes essa gravação durante o ano de 2005. A cada vez que ouvia aprendia alguma coisa nova. Pena que a prova de AFRF tenha sido tão boba, não pude usar quase nada daquilo.

Direito Administrativo: Nessa matéria as provas da ESAF costumam ser bem diferentes das provas de direito constitucional: uma parte das questões é conceitual e doutrinária, essas normalmente não costumam ser muito complicadas. Há muitas questões que apenas reproduzem o texto de algumas leis. Em licitações e contratos, por exemplo, em 99% das questões a ESAF copia o texto literal da lei 8666. E por isso elas acabam sendo difíceis. Como as questões conceituais não costumam complicar muito, acho desnecessário estudar livros mais pesados de doutrina, como Maria Sylvia di Pietro. O que não se pode deixar de fazer de maneira nenhuma é ler periodicamente o texto de todas as leis que costumam ser cobradas.

Eu estudaria da seguinte maneira: primeiro começaria pelo livro do Marcelo Alexandrino (Ed Impetus), que, na minha opinião, é um livro excelente e atende uns 95% da parte conceitual e uns 80% da parte decorativa da prova. Depois de estudar esse livro e de fazer todos os seus exercícios, eu leria o texto das seguintes leis: 8666, 9784, 8112, 8987, 10520, além do capítulo da Constituição referente à administração pública. Uma lei que será muito importante nas próximas provas da ESAF é a 11079 (PPP´s), pois é novidade. Faria esse estudo junto com a leitura do livro do Gustavo Barchet de questões comentadas ESAF (Ed. Campus).

Muita gente não estuda a parte de licitação e contratos, porque não foi cobrada nos dois últimos concursos de AFRF. Mas eu a estudaria se estivesse fazendo uma preparação de longo prazo, por dois motivos: primeiro, essa matéria é cobrada em praticamente qualquer outro concurso, então se no meio do caminho eu resolvesse fazer uma prova de AFC, TCU ou fiscal do ICMS, já teria visto isso. Além disso, não é impossível que na próxima prova de AFRF o pessoal da ESAF resolva colocar a parte de licitações dentro do programa de administrativo, já que são 20 questões e essa é uma parte bem importante da matéria.

Recomendo o curso teórico com o professor Cláudio José (RJ), a aula dele é de um nível altíssimo, ele se aprofunda em pontos da doutrina que não estão nos livros da área fiscal e que de vez em quando caem nas provas. Recomendo esse curso para aqueles que já têm uma base na matéria.

Direito Tributário: Começaria o estudo de Direito Tributário pelo livro de teoria do João Marcelo Rocha (Ed Ferreira). É um livro excelente, talvez um dos melhores que eu já li. Acho ideal para quem está tendo um primeiro contato com a matéria. Como o autor não copia o texto literal das leis, é importante acompanhar o estudo do livro com a leitura simultânea do capítulo da constituição Federal referente ao STN e do Código Tributário Nacional. Logo em seguida é bom complementar com o Manual de Direito Tributário do Marcelo Alexandrino (Ed Impetus), ele se aprofunda em assuntos importantes que não estão no livro do João Marcelo, como por exemplo a parte de Jurisprudência do STF. Depois seria interessante estudar o livro de questões comentadas ESAF do João Marcelo Rocha (Ed Ferreira). Por último, vem a parte mais chata do estudo de tributário: é importante ler o CTN muitas vezes, memorizar o texto literal, porque as provas da ESAF cobram isso de uma forma muito “burra”, nessa parte da matéria decorar o texto da lei é indispensável. Quanto mais inútil for um dispositivo, maior é a chance de ele ser cobrado. Na prova de AFRF2003, por exemplo, quem sabia bem o texto do CTN e da Constituição conseguia acertar uns 80% da prova. Até artigos do ADCT eles pediram.

Ultimamente as provas da ESAF têm cobrado também questões envolvendo a legislação específica dos tributos federais. Eu só estudaria com profundidade a lei do SIMPLES (9137). Para os outros tributos eu seguiria o conselho do professor Marcelo Alexandrino, isto é, simplesmente abandonaria o estudo dessa parte do programa, se eles fossem cobrados na prova eu chutaria as questões usando o bom senso. E se, fosse o caso, perderia esses pontos. Foi essa minha estratégia na prova de AFRF 2005, daquelas 5 questões de tributos específicos acho que eu acertei 2 ou 3. Mas no total consegui fazer 17 dos 20 pontos possíveis.

Contabilidade: O melhor material nessa disciplina na minha opinião são os livros do Ricardo Ferreira (Ed Ferreira). Eu começaria estudando pelo livro de contabilidade básica. Logo em seguida estudaria o livro de questões comentadas ESAF. Depois estudaria o livro Contabilidade Intermediária e Avançada, mas sem me aprofundar muito nos capítulos de avançada, já que essa matéria não consta expressamente no programa de AFRF, apesar de ter sido cobrada nessa última prova. E por último estudaria o livro de Análise de Balanços, do mesmo autor.

Vale a pena lembrar que para ir bem nas provas de contabilidade da ESAF não basta saber a matéria, é preciso ter muita velocidade para fazer as questões, classificar as contas e montar as demonstrações. Por isso aconselho fazer esse livro de provas comentadas várias vezes. Eu mesmo fiz umas quatro ou cinco vezes. Só assim é possível memorizar a “jurisprudência esafiana” de contabilidade, ou seja, saber o quais são os nomes que a ESAF usa para as contas de despesa, de passivo, REF, qual o método que ela usa pra Reserva Legal, etc…

Quando as provas antigas já tiverem se esgotado, uma boa fonte de exercícios diferentes e difíceis é o livro de Contabilidade Geral do Ed Luiz Ferrari (Ed Campus). Eu pessoalmente não gosto da maneira como ele explica a matéria, acho pouco didática para um iniciante, mas sem dúvida as questões que ele inventou e colocou no livro são ótimas para forçar o raciocínio, algumas do capítulo de DOAR são muito mais complexas do que qualquer questão de prova. Eu vejo o livro do Ed como boa fonte de exercícios inéditos de contabilidade geral.

Recomendo o curso presencial com o Antônio César (RJ). Fiz com ele o curso de Contabilidade Avançada em 2004, pois na época ainda não havia o boato de que as áreas do concurso de AFRF seriam unificadas.

Português: Nessa matéria não saberia indicar um livro que cobrisse 100% do que é exigido nas provas, talvez o melhor livro para começar seja o do Professor Renato Aquino (Ed Campus), o problema é que é um livro muito básico, mais voltado para concursos de nível médio. As provas da ESAF vão muito além disso. Então acho que logo em seguida eu basearia meu estudo nas provas antigas da ESAF. Primeiro estudaria o livro do Décio Sena de provas comentadas ESAF (Ed Ferreira) e depois imprimiria todas as provas antigas que não estão nesse livro para tentar eu mesmo comentá-las. Em 2005 acho que eu imprimi e resolvi quase 40 provas de português. Eu também resolveria os simulados do professor Décio Sena, eles são muito mais difíceis do que as provas da ESAF e têm as respostas comentadas. Estão disponíveis no site do vemconcursos e no da Editora Ferreira.

Aqui em São Paulo há uma excelente professora de português, a Fátima, eu não cheguei a fazer o curso completo com ela, mas assisti algumas aulas grátis e recomendo. Várias pessoas vêm de cidades do interior para fazer o curso dela.

Matemática Financeira e Estatística: Sobre essas matérias não tenho muito a falar já que foi nelas que eu quase fui eliminado (fiz 6 questões antes das anulações, exatamente 40% da prova), acho que como sou engenheiro eu deixei essas duas matérias em segundo plano. Não cheguei a estudar por nenhum livro, só li a apostila do pró concurso e resolvi as provas anteriores.

Se estivesse começando hoje acho que estudaria pelo livro de Estatística do Sérgio Carvalho e pelo de Matemática Financeira do Benjamim César (Ed Campus). Não li esses dois livros, mas são os que a maior parte das pessoas recomenda. E, com certeza, durante o meu estudo eu passaria a fazer todas as contas de divisão, multiplicação e de raiz quadrada na mão mesmo, sem calculadora, pois é a isso que a ESAF está dando importância.

Inglês: Também não tenho muito a falar sobre essa matéria. Como eu já tinha uma base boa de inglês, essa também foi uma disciplina que praticamente não estudei. Em 2004 havia um livro que eu queria muito ler, o 5º do Harry Potter. Eu comprei a versão em inglês e passei a todos os dias tentar traduzir mentalmente três ou quatro páginas do livro. Para isso gastava uns 15 minutos por dia. Fiz isso durante uns 3 ou 4 meses, no final desse período eu já estava pronto para fazer qualquer prova da ESAF.

Se eu estivesse começando hoje, faria alguma coisa semelhante ao que fiz com o livro do Harry Potter, mas usaria para isso textos de revistas e jornais, já que são mais parecidos com aqueles que caem nas provas. Além disso estudaria o livro da Série Questões do professor Carlos Augusto (Ed Campus), que parece ser excelente.

Informática: Essa matéria é muito problemática, o conteúdo é imenso e não há limites para o que pode cair na prova. Para a ESAF, acho que a princípio existe uma linha separando as questões cobradas na área geral e as questões da área específica de Tecnologia da Informação. Mas é muito comum ver o examinador cruzando essa linha, ou seja, colocando questões na área geral tão aprofundadas como as de TI.

Por isso eu estudaria muito essa matéria, principalmente se não tivesse uma formação na área de Exatas. Começaria pelo livro do João Antônio. Depois estudaria os textos que o João Antônio escreveu na parte aberta do site do ponto sobre Segurança da Informação e Assinatura Digital. Em seguida resolveria as 9 provas da ESAF que o João comentou, também na parte aberta do site do ponto. E por último eu procuraria imprimir todas as demais provas da ESAF que eu encontrasse e tentaria eu mesmo comentá-las.

Aqui vale o mesmo comentário que eu fiz para Direito Constitucional, isto é, se o examinador quiser inventar uma questão impossível, que só um cara de TI saberia responder, ele pode fazer isso, mas não é essa questão que vai decidir nada. Com esse roteiro que eu fiz acho que é possível acertar de 70% a 80% das provas da ESAF com tranqüilidade.

Sem querer fazer propaganda de ninguém, se alguém tiver a chance de fazer o curso do prof João Antônio (Recife) eu recomendo muito, por mais que os livros dele sejam excelentes a aula presencial é melhor ainda. Ele ministrou um curso “super-info” aqui em São Paulo no final de 2004. Na época não fiz esse curso pois a sala estava lotada, mas depois de alguns meses peguei emprestado as fitas com um amigo e ouvi no carro, no caminho para o trabalho, sem dúvida essa foi a base do meu estudo dessa matéria.

Direito Previdenciário: Nessa matéria eu faria um estudo mais direcionado para a prova da ESAF, que costuma ser menos voltada para a parte de doutrina/jurisprudência e muito mais literal e decorativa. Começaria o estudo pelo livro do Ivan Kertzmam (Curso Prático de direito previdenciário, Ed Juspodium). Em seguida me dedicaria ao estudo do decreto 3048, que, junto com o texto da Constituição Federal, é a base de toda prova de previdenciário decorativa. Junto com a leitura do Decreto eu resolveria as quase 600 questões de prova comentadas que estão disponíveis gratuitamente no site do Dênis Agnello (www.previdenciaweb.com.br). Eu usei essas questões para direcionar meus estudos, pois o conteúdo de Direito Previdenciário é imenso e quando se começa a estudá-lo é difícil separar o que é importante do que não é.

Se houvesse muito tempo disponível, eu estudaria também o livro do Zambitte (Curso de Direito Previdenciário, ed Impetus). Esse é sem dúvida o melhor livro de todos, o problema é que ele não é muito objetivo, muitas vezes o autor se perde em coisas que não caem na prova. É um livro muito bom para usar como fonte de consulta. Acho que ele era indispensável quando a prova tinha 50 questões e era elaborada pelo CESPE, mas para fazer 15 questões da ESAF não acho que vale a pena de aprofundar tanto. Para quem for estudar pelo livro do Zambitte eu aconselho ter lido antes o texto do Decreto 3048.

Também recomendo o curso presencial com o Zambitte (RJ), pois na sala de aula ele é totalmente objetivo, vai direto ao ponto. De todos os cursos que eu fiz na área de Direito esse foi um dos que mais valeram a pena. Para quem não puder assistir as aulas presenciais do professor, existe um “tele-curso” gravado pela Teljur, talvez seja interessante.

Economia: Nessa matéria as provas da ESAF podem ser divididas em dois níveis de complexidade: as questões da área fiscal (provas de AFRF, AFC, MPOG) e as provas de Analista do Banco Central. Essas últimas são muito mais complexas e difíceis do que as primeiras. Mas às vezes o examinador passa por cima da linha que separa esses dois estilos de prova e coloca questões muito avançadas nas provas da área fiscal: isso aconteceu nos concursos de AFTN 96 e 98 (área de PAT) e no MPOG de 2005. Por isso é preciso ter em mente que por mais que o candidato estude, é impossível fechar o programa de economia, sempre haverá a possibilidade de ele encontrar na prova uma questão sobre um assunto que ele nunca viu.

Eu basearia o meu estudo no livro do Paulo Viceconti (Introdução à Economia – Ed Frase, capítulos 7 a 12), esse livro é, junto com o de tributário João Marcelo Rocha, um dos melhores livros que já li até hoje. Eu acho ele perfeito em quase tudo, o único problema é que não cobre 100% do programa de AFRF. Para complementar eu estudaria o capítulo 15 do livro do Mankiw (Macroeconomia, Ed LTC), que cobre a parte principal da economia intertemporal, além de estudar o capítulo de Balanço de Pagamentos do livro do Rodrigo Luz (REI, Ed Campus). O restante do programa eu simplesmente abandonaria.

Logo em seguida eu tentaria resolver todas as provas de Macroeconomia aplicadas pela ESAF para a área fiscal.

Finanças Públicas: Nessa matéria eu senti muita falta de um material de boa qualidade direcionado para concursos, que reunisse todos os assuntos cobrados no edital. A matéria em si é complexa e muito ampla, mas as provas da ESAF costumam ser bem simples, não cobram nada além de um conhecimento básico. É preciso tomar cuidado para não levar os conceitos de direito tributário para a prova de Finanças Públicas, muitas vezes o examinador comete alguns erros de nomenclatura (usa “imposto” quando deveria usar “tributo), muitos candidatos erram questões por causa disso.

Antes de começar o estudo de Finanças Públicas eu acho essencial ter terminado o estudo de Macroeconomia. Em primeiro lugar estudaria o capítulo 13 do livro de Economia do Viceconti (Ed Frase) e logo em seguida estudaria o livro do Rezende (Ed Atlas). Esse último é um livro acadêmico, não é muito didático para quem está vendo a matéria pela primeira vez, mas foi o único material que encontrei. Eu também daria uma lida na Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101), que costuma cair na prova de AFRF de maneira bem literal. Depois disso resolveria todas as provas de AFRF. Um professor excelente de Economia e Finanças Públicas é o Geraldo Góes (DF).

Comércio Internacional e DIP: Sobre essas matérias acho desnecessário eu fazer qualquer tipo de comentário, eu me orientei por um roteiro de estudos que o professor Rodrigo Luz escreveu no site do ponto no mesmo dia em que o edital foi publicado, acho que é interessante dar uma olhada nesse texto (ponto 41).

Eu estudaria pelos dois livros do Rodrigo Luz, Relações Econômicas Internacionais e Comércio Internacional (Ed Campus). Também estudaria os textos que o Rodrigo Luz escreveu no site do ponto, eles abordam alguns assuntos que não estão nos livros (ponto 43 em diante).

DIP eu começaria estudando o resumo que o Rodrigo Luz colocou no site do ponto. Logo em seguida eu estudaria o livro do Rezek, que é um livro acadêmico e meio difícil de ler, mas foi o único material que encontrei.

Gostei muito das aulas presenciais do Rodrigo Luz (RJ) de Comércio Internacional, esse foi o único curso que eu fiz após a publicação do Edital e valeu muito a pena, achei excelente a didática do professor.

Vicente Paulo: E se as orientações fossem para um candidato que já está estudando há muito tempo, que acreditava ser aprovado no AFRF/2005, mas não foi? Quais seriam as suas orientações para esse “recomeçar”?

Demetrio: O ideal seria se o candidato pudesse tirar umas “férias” do estudo para se recuperar do stress por que passou nesse concurso de AFRF, mas nesse momento acho que isso é justamente o que ele não deve fazer. 2006 está sendo um ano com excelentes oportunidades de concursos: logo depois do AFRF veio a prova do TCU, em breve teremos a de AFC, logo após serão publicados os Editais do ICMS SP e de Fiscal do Trabalho. Há mais 3 concursos de fiscais estaduais com grandes chances de acontecer esse ano: Rio Grande do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro. Além disso ainda há o ISS do município de São Paulo, que deve acontecer no segundo semestre. Então acho que esse candidato não poderia de modo algum deixar essas oportunidades passarem em branco, na minha opinião é muito provável que logo após essa “enxurrada” de concursos ter terminado vamos ter um longo período sem praticamente nenhum concurso bom na área fiscal. Se eu estivesse no lugar dessa pessoa, acho que agora tentaria iniciar o mais rápido possível o estudo para o concurso de ICMS de São Paulo ou de Fiscal do Trabalho.

Vicente Paulo: Sei que este pedido exigirá muito de você, mas não posso deixar de fazê-lo, conto com a sua compreensão e desprendimento. Você poderia fazer um resumo da sua história de preparação, isto é, de como você se preparou para o AFRF/2005 (quantas horas de estudo diariamente; quando descansava; qual a metodologia empregada; como programava os estudo; como dividia o tempo entre teoria e exercícios; quando fazia cursinho e quando só estudava em casa etc.)?

Demetrio: Estudei para esse concurso durante quase três anos , sendo dois com dedicação integral e um trabalhando. Durante esse tempo interrompi o estudo algumas vezes. Também fiz outras concursos, como o da CVM e o de TRF em 2003, mas meu objetivo principal sempre foi o AFRF.

Comecei a estudar em março de 2003. Eu não conhecia ninguém que estivesse no ramo dos concursos, por isso nesse ano eu fiz muitas coisas erradas, perdi muito tempo estudando por material ruim, fiz cursos que não me ajudaram em nada. Além disso, como eu não tinha amigos que tivessem os mesmos objetivos que eu, não sentia nenhuma motivação para estudar. Talvez se naquela época eu tivesse tido uma boa orientação eu teria feito tudo diferente e teria sido aprovado no AFRF de 2003.

A primeira coisa que eu fiz foi me matricular em um cursinho do estilo “pacotão”, daqueles que duram 8 ou 9 meses e prometem preparar a pessoa para qualquer concurso da área fiscal. Mais tarde descobri que essa foi o meu primeiro erro, porque aquelas aulas eram muito superficiais e consumiam muito tempo, teria sido melhor usar esse tempo para estudar em casa com bons livros. Mas naquela época eu achava que não ia precisar estudar por livros. E esse foi o segundo erro: eu não fazia a menor idéia de que precisaria estudar tanto para passar em um bom concurso da área fiscal.

Eu tinha o dia inteiro livre mas não aproveitava mais do que 3 ou 4 horas para o estudo. Acho que eu estava passando por um problema que é muito comum entre os concurseiros, a “desculpite” (essa palavra eu li no depoimento do Alexandre Meirelles e achei ela perfeita). A pessoa sabe o que deve fazer mas não consegue arrumar motivação para vencer a inércia e colocar seus planos em prática. Fica arrumando desculpa para tudo, era isso que eu fazia. Não estudava porque tinha acabado de sair de um curso muito puxado de Engenharia, estava cansado, etc, etc… Na verdade hoje eu vejo que isso era uma mistura de falta de informação com falta de motivação.

No meio de Agosto de 2003 foi publicado o Edital da CVM. Era um concurso com poucas vagas. Tirando duas matérias específicas de mercado de capitais, todas as outras estavam no Edital de AFRF. E ainda nesse segundo semestre de 2003 aconteceu algo parecido com o que está acontecendo nesse primeiro semestre de 2006: muitos concursos excelentes da área fiscal foram autorizados ao mesmo tempo. Isso divide a concorrência, faz com que cada candidato tenha que escolher uma prova e abandonar as outras. Por isso alguns concursos ótimos ficam bem mais acessíveis do que seriam em condições normais. Foi o que aconteceu com esse concurso da CVM, e acho que é o que talvez acontecerá esse ano com o ICMS-SP.

Quando decidi que ia fazer essa prova da CVM eu consegui vencer a barreira da “desculpite” e comecei a estudar pra valer. Abandonei aquele curso “pacotão” e passei a estudar em casa 8 horas por dia, todos os dias semana. Usei as apostilas do próconcurso, pois esse era o melhor material que eu conhecia na época. Fiz também um curso daquelas duas matérias específicas no próconcurso, aos sábados. Fui aprovado na CVM e logo em seguida me inscrevi para a prova da Receita Federal. Eu sabia que com conhecimento que eu tinha não havia chance de disputar uma vaga de Auditor, por isso escolhi fazer a prova de Técnico. Passei para TRF na 8ª região fiscal.

A partir de então eu parei completamente de estudar, ficava o dia todo em casa descansando. Foi nessa época eu conheci o antigo fórum do Correioweb. No começo eu só lia o que os outros escreviam, mas depois comecei a participar ativamente, fiz muitas amizades na internet, algumas das quais mantenho até hoje.

Quando eu conheci através do fórum as pessoas que se preparavam há tempo para a Receita Federal, o que mais me chamou a atenção foi como meu estudo no ano anterior havia sido superficial. Percebi que o pessoal da área fiscal estudava muito mesmo, em algumas matérias era como se eles quisessem gabaritar a prova, a maioria lia dois ou três livros por disciplina, lia 10x o CTN, fazia mais de mil de exercícios por matéria… Além disso quase todos usavam os livros escritos para concursos da Editora Ímpetus e da Editora Ferreira, ninguém estudava por apostila. Ou seja, eu vi que se eu realmente quisesse passar num concurso de AFRF ainda teria que ralar muito…

Passaram-se aproximadamente 4 meses até eu perceber que o concurso da CVM tinha melado na justiça e que eu teria que recomeçar a estudar o mais rápido possível. Retomei os estudos em março de 2004. Comecei do zero mesmo, como se nunca tivesse visto nenhuma matéria, usando o material que o pessoal do fórum me indicava. Estudava só aquelas 5 matérias básicas: Constitucional, Administrativo, Tributário, Contabilidade Geral e Português. Minha rotina era assim: acordava, fazia 30 minutos de exercício físico, estudava dois blocos de 1:30h, almoçava e estudava mais 4 blocos de 1:30h. Entre uma matéria e outra fazia um intervalo de 15 minutos. Fiz isso durante 5 meses, tempo que foi o suficiente pra terminar aquela primeira fase do estudo que eu comentei. Durante esse período eu também fiz alguns cursos aqui em São Paulo: Direito Tributário com o Lugon, Direito Previdenciário com o Zambitte e Contabilidade Avançada com o Antônio César. Eu tinha um gravador de fita cassete e com ele gravava as aulas que assistia, mais tarde essas gravações foram muito úteis para mim.

Em Agosto de 2004 começaram a surgir os boatos de que a prova de AFRF não seria mais dividida por áreas e a partir daí ninguém sabia mais quais matérias seriam cobradas. Isso foi me desestimulando e fazendo com que eu fosse reduzindo cada vez mais o meu ritmo de estudo, até parar completamente. Mas eu ainda fiz mais dois cursos nesse ano: Direito Administrativo com Cláudio José e exercícios de Direito Constitucional com Vicente Paulo. Só que não tinha mais motivação para estudar, pois eu já havia esgotado todo o material disponível daquelas cinco matérias básicas e não queria perder tempo estudando alguma coisa que não fosse cair. Hoje eu percebo que aquele era o momento de pensar em fazer outros concursos semelhantes ao AFRF, como o de ICMS de minas gerais ou da Polícia Federal, que aconteceram no final de 2004. Ou deveria ter estudado alguma das matérias incertas do AFRF, como Informática, Economia ou Finanças Públicas. Acabei ficando desestimulado e não estudei mais nada. E assim se passaram mais 4 meses.

Durante esses meses a prova de redação do concurso da CVM foi anulada e fiz uma nova prova. Finalmente, em janeiro de 2005, todos os candidatos aprovados foram nomeados. Comecei a trabalhar na CVM em fevereiro de 2005, a remuneração era equivalente à do AFC CGU, a lotação era aqui na capital de SP e o ambiente de trabalho era bom. Mas logo eu percebi que não podia desistir do concurso de AFRF, eu tinha que continuar tentando senão ficaria pra sempre com aquele peso na consciência. Então em março de 2005 eu decidi retomar os estudos para AFRF, mas agora tendo que conciliar isso com uma rotina de trabalho de 8 horas por dia.

No começo foi muito difícil, senti uma diferença enorme em relação à época em que eu tinha o dia todo livre para estudar. Eu chegava em casa cansado e a última coisa que eu tinha vontade de fazer era pegar nos livros. E mesmo quando eu conseguia fazer isso parecia que o estudo não rendia nada, eu tinha dificuldade para me concentrar, cada hora estudada não valia nem pela metade. Então tive que me adaptar a essa situação, para isso eu usei as dicas do Willian Douglas para disciplinar meus horários e as do Gustavo Barchet para mudar a metodologia de estudo.

Minha rotina de segunda a sexta passou a ser assim:, acordava 6:00 e estudava até as 8:00, tomava banho/café e 8:30 saía para o trabalho. No caminho para o trabalho escutava as fitas dos cursos que havia gravado no ano anterior, além de uma gravação do CTN que minha irmã fez pra mim. No trabalho saía para almoçar 12:30h, comia em 15 minutos num restaurante por quilo (ruim pra caramba) que ficava na frente do prédio da CVM, voltava e estudava mais 45 minutos. Das 18:00 às 18:30 voltava para casa ouvindo as fitas no carro. Jantava em meia hora e às 19:00 começava a estudar. Depois de algum tempo fazia uma pausa de 15 minutos e logo depois retomava até as 22:45. Dessa forma eu conseguia estudar 5 horas e meia por dia, com mais 1 hora ouvindo a gravação das aulas.

Nos finais de semana eu estudava de 8 a 10 horas por dia, sendo que tanto no sábado como no domingo eu separava 1 hora para o lazer. De vez em quando eu fazia meia hora de caminhada em casa com uma esteira ergométrica, também ouvindo as fitas gravadas. Toda essa rotina era controlada numa planilha que eu fiz no computador, nela eu digitava exatamente quantos minutos tinha conseguido estudar cada dia, quantas horas tinha ouvido as fitas na semana, etc… Essa era uma forma de me policiar, garantir que eu estava cumprindo aquele planejamento.

Consegui manter essa rotina até a publicação do edital, ou seja, durante aproximadamente 8 meses. Nesse tempo eu estudei todas aquelas matérias básicas (eu havia esquecido todas elas), além de matemática, estatística, informática, contabilidade avançada, ética, organização do ministério da fazenda e um pouco de direito previdenciário. O interessante é que esse foi o ano em que menos tive tempo livre, mas ao mesmo tempo foi o ano em que eu mais estudei. Por isso hoje eu acho que é possível estudar para um concurso como o de AFRF mesmo sem largar o emprego, normalmente as pessoas que têm o dia inteiro livre para estudar não aproveitam esse tempo. E mesmo que as horas disponíveis para o estudo sejam poucas (3 ou 4 por dia), se a pessoa conseguir manter essa rotina por muitos meses seguidos ela passa na frente de quem não está trabalhando. O importante é conseguir manter a disciplina por um período longo de tempo, sem “desculpites”.

Em 2005 minha metodologia de estudos era totalmente direcionada para a resolução de exercícios e memorização da legislação. Eu já tinha lido os livros teóricos, então no começo estudava só pelos livros de questões comentadas. Mais adiante eu mesmo comecei a comentar questões de prova, só que mentalmente. Eu pegava uma prova da ESAF, lia as alternativas e tentava justificar por que cada alternativa estava certa ou errada, para isso eu consultava de vez em quando os livros que já havia lido e sempre procurava fundamentar as respostas na legislação (CF, CTN, lei 8112, etc…). Fazia isso com 20 questões de uma matéria, depois com 20 de outra, e assim sucessivamente. Era uma espécie de “ciclo” em que tudo aquilo que eu havia estudado era revisado.

Com esse método eu fazia cerca de 200 ou 300 questões por semana. Devo ter resolvido mais de 2000 questões de cada disciplina. A princípio só estudava pelas questões da ESAF, mas depois de algum tempo essas provas se esgotaram, então passei a resolver questões de outras bancas também, além das questões de simulados inventados por professores. Mas sempre dava preferência às questões da ESAF, não importava se eu já tinha feito aquela questão antes, eu resolvia de novo. Algumas provas de contabilidade eu cheguei a resolver 5 vezes.

Quando saiu o Edital de AFRF assim como todo mundo eu fiquei muito nervoso. Achei que não ia dar tempo de aprender tanta coisa nova em menos de 60 dias, ainda mais pra mim que tinha que trabalhar também, parecia impossível. Então eu radicalizei, passei a dormir menos (6 horas por dia, no máximo), a ouvir as fitas enquanto comia (no café, almoço e jantar), além de aproveitar cada minuto que eu tivesse à minha disposição para o estudo. Nos finais de semana eu chegava a estudar até 13 horas líquidas em um dia. Eu só fiz isso porque estava muito motivado mesmo, queria muito passar. Hoje eu já não conseguiria mais estudar dessa forma por muito tempo.

Estudei até o último minuto antes da prova. Levei o material para a escola e estudei nos intervalos entre uma prova e outra também. Eu fiz isso porque estava confiante de que na hora da prova não ficaria nervoso. Para conseguir manter a calma usei um método que vi em algum livro de neurolinguística, era mais ou menos assim: um pouco antes da prova eu fechava os olhos e repetia mentalmente “tudo está dando certo”. Aí tentava me imaginar entrando na sala, abrindo o caderno de questões, lendo a prova e só vendo perguntas de assuntos que eu sabia. Eu imaginava as coisas acontecendo da melhor forma possível, com todos os detalhes. E continuava repetindo… “tudo está dando certo”. O resultado disso é que na hora da prova real tudo acabou dando certo mesmo, justamente porque eu estava calmo.

E é isso aí, escrevi esse depoimento para deixar algumas dicas pro pessoal que acessa o site do ponto, essa foi minha experiência nos concursos, tomara que ela sirva pra ajudar outras pessoas que estão começando agora. Cada um tem um método de estudar, isso é uma coisa muito pessoal, esse método funcionou bem pra mim mas não sei se funcionaria pra todos.

Vicente Paulo: O que você acha do Ponto? Já pensou em, depois desses seus estudos para o concurso de Fiscal de São Paulo (que, aliás, eu já te disse, são dispensáveis, porque você já está aprovado neste concurso de São Paulo, é dar uma olhada rápida nas disciplinas específicas!), passar pelo Ponto novamente para, de alguma maneira, colaborar com candidatos da área fiscal de todo o País? O convite está feito.

Demetrio: Legal, talvez depois que passe esse período de curso de formação e de adaptação ao trabalho na Receita Federal eu pense em dar aulas e escrever sobre alguma matéria de concurso. Por enquanto ainda nem pensei nisso, daqui a três semanas começa o curso de formação de AFRF, não sei como será dessa vez, mas aquele que minha mãe fez em 1998 foi terrível, muito estressante. E durante o curso de formação ainda vou tentar fazer o concurso de ICMS de São Paulo. Na realidade o que eu quero mesmo é trabalhar na Receita Federal, mesmo que lá eu ganhe um pouco menos que um auditor da fazenda estadual. Mas, como nós sabemos, a ESAF fez mais algumas trapalhadas no AFRF quando publicou 3 listas diferentes de aprovados, acho que depois daquilo que aconteceu no concurso da CVM eu fiquei meio traumatizado com esses “rolos” judiciais. Por isso pensei em fazer o concurso ICMS só pra garantir. Mas ainda não estudei quase nada! Olha a “desculpite” de novo…

Vicente Paulo: Deme (falaram-me que você é conhecido na web assim!), foi uma grande satisfação ter mantido esse contato contigo. Considero-me uma pessoa razoavelmente disciplinada, determinada, e tenho uma grande admiração por pessoas como você, jovem, que pensa grande, que não se acomoda, que vai à luta, na concretização de sonhos. Muito obrigado por esta entrevista, pelo respeito dispensado ao meu trabalho (e ao de outros professores do site). Tenho certeza de que suas palavras “viajarão” pelas mentes de muitos concursandos desse imenso País, de norte a sul, como um grande incentivo para continuarem na luta, para não se entregarem ao desânimo. Muitas realizações, a você e a todos os seus próximos, que têm a felicidade de conviver com uma pessoa tão positiva! É isso, Deme, pessoas como você merecem ir longe, e eu tenho certeza de que você irá, sei que ainda ouvirei falar muito nesse tal “Deme” por aí…

  Em viagem recente, tive a oportunidade de visitar o Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, e aprender um pouco mais sobre o vinho. Como se sabe, o país tem se notabilizado por um grande progresso na qualidade de seu vinho.Para aperfeiçoar a qualidade de nosso vinho, uma das providências foi diminuir a produção de uva por hectare. Antes, produzia-se de 20 a 25 mil quilos por hectare e, para se ter um bom vinho, reduziu-se a produção para a faixa de 10 a 13 mil quilos de uva por hectare. A iniciativa funcionou: o vinho ficou melhor.Para diminuir a produção de uva, os viticultores cortam parte dos cachos em formação. Em média, de cada três cachos dois são cortados. E o corte se justifica, pois os nutrientes e a força da parreira precisam ser direcionados. Se a parreira tiver que dividir seus nutrientes para três cachos, a uva fica menos doce, mais fraca, com menos qualidade. Além disso, quando os cachos ficam juntos, diminui a incidência de luz solar sobre eles e… eles ficam mais fracos. Para que haja mais luz, chega-se a cortar as folhas que ficam perto dos cachos.Depois de muitos e muitos concursos, com várias reprovações e, depois, vários primeiros lugares, comecei a me lembrar do assunto, enquanto o técnico em viticultura e enologia, Stevan Arcari, funcionário da Casa Valduga, explanava o tema. Era a manhã de um belo feriado e eu caminhava com ele pelos vinhedos.A administração do tempo do concursando é como fazer a uva e o vinho ficarem melhores. Se você quiser uma boa qualidade de estudo, e sucesso na produção do vinho, quer dizer, na sua produção nas provas, vai precisar fazer uns cortes. Ao cortar as atividades supérfluas (os cachos extras…) e ao organizar bem as atividades indispensáveis, você estará direcionando os “nutrientes” de que seu estudo precisa para dar certo. Você vai precisar cortar algumas folhas para que o “sol” do tempo e da concentração ilumine seus livros, sua mente e sua aprendizagem. Aparentemente, você estará perdendo produção, fazendo menos, mas será como o vinhedo que abaixa de 25 para 10 toneladas de uvas por hectare: as uvas que surgem são melhores.Anos atrás, o vinho brasileiro era discriminado e “reprovado”; depois que os produtores tiveram coragem de melhorar a qualidade e fazer os cortes recomendados, nosso vinho passou a ganhar prêmios e medalhas no exterior. O Merlot Premium 99, da Valduga, ganhou nove medalhas! E você ganhará as suas, seus justos prêmios e aprovações, nomeações e cargos, a partir do tempo em que se organizar. Claro que, até colher as uvas, leva algum tempo, mas – como se sabe – concurso público não é para passar, mas até passar.Outro dado relevante é que o vinho brasileiro é apontado com um dos melhores do mundo para evitar problemas cardíacos. A dose recomendada pela Organização Mundial da Saúde – OMS para que o consumo de vinho faça bem ao corpo é a de aproximadamente 300 ml por dia. Nessa dose, ele ajuda até mesmo ao fígado. Por outro lado, o consumo excessivo é causa de cirrose e de outros problemas de saúde, de grande parte das internações hospitalares, dos acidentes de trânsito e de uma série de tragédias, como perda de carreiras pelo alcoolismo, problemas familiares, separações e divórcios. Como se sabe, a única diferença entre o veneno e o remédio é a dose. O consumo de vinho na dose correta contribui para sua saúde; em excesso, pode se transformar em vício e causar tragédias. É preciso responsabilidade, pois.E a administração do seu tempo demanda o mesmo cuidado. É preciso esforço para alcançar sua aprovação, o vencimento certo, o status, a aposentadoria, a bela carreira pública, a chance de fazer diferença no país. Mas este esforço tem que respeitar limites para que o remédio não envenene sua qualidade de vida. Não adianta estudar tanto que você não agüente o longo e trabalhoso processo de preparação.Há atividades que não podem ser esquecidas: o sono na medida certa, alguma atividade física, algum lazer e o tempo para você aproveitar seu parceiro amoroso e sua família. Tentar eliminar estas atividades é contraproducente. Outro cuidado é separar algum tempo para sua relação com Deus. Algum tempo para ajudar o próximo e, em especial, pelo menos cinco minutos por dia, quando você pára, respira, não pensa em nada senão em como você está, onde quer chegar, onde pode acertar, onde errou e pode melhorar. Uma das inteligências é saber lidar com seu próprio eu, é conseguir ficar sozinho e se sentir bem. Claro que você pode usar estes cinco minutos para ouvir uma música e relaxar. O importante é que são só cinco minutos, mas cinco minutos que vão fazer seu organismo, sua mente e a qualidade de sua vida melhorar.Nunca pense que a solução é só estudar. O candidato mais produtivo não é o que estuda mais, mas sim o que estuda melhor. Com um pouco de esforço, você poderá organizar sua vida de modo a estudar o máximo possível, mas mantendo um mínimo de sanidade e equilíbrio. Um candidato que faz isso rende mais no estudo e não “surta” nem desiste no meio do caminho.Outro dado sobre vinho. Perguntei ao técnico, que em breve se formará em nível superior em viticultura e enologia, se era realmente verdade que nosso vinho é melhor para o coração do que os vinhos estrangeiros. Seria só marketing ou o que o Brasil tem é de fato melhor?A resposta foi espetacular. As substâncias que ajudam o coração e diminuem o risco de enfartes são os polifenóis; dentro dos polifenóis, há o grupo dos estilbenos (o mais famoso dos estilbenos é o resveratrol). Os estilbenos são absorvidos pela corrente sanguínea e transformam o LDL (colesterol ruim) em HDL (colesterol bom). Este tipo de polifenol é a principal defesa natural que a uva cria para proteger-se dos fungos. E, como o Brasil tem um sério problema de fungos, nossa uva tem mais estilbenos que as uvas e os vinhos produzidos na maioria das outras regiões vitivinícolas do mundo. Dessa forma, o fungo, que é um drama para o viticultor, torna nosso vinho mais especial. Se o produtor brasileiro conseguir fazer o fungo não destruir a produção de seu vinhedo, a uva bem cuidada que sair do vinhedo será a melhor para a saúde do que aquelas uvazinhas plantadas em lugares sem tantos transtornos e dificuldades.Mais uma vez o concurso. As dificuldades por que você está passando, hoje, podem ser comparadas aos fungos: vão dar um trabalho extraordinário, vão exigir esforço, fé, persistência, garra. Em compensação, você terá no sangue o equivalente emocional aos polifenóis das uvas. As dificuldades que não o vencerem vão transformá-lo em alguém mais forte, mas experiente, mais capacitado. Quando você chegar ao seu grau de maturidade para passar nas provas, verá que parte do candidato mais sério, organizado e preparado em que se transformou é fruto das dificuldades que exigiram sua melhora.Esse breve texto é um estímulo para você continuar se esforçando. Organize bem seu tempo, de modo que haja “nutrientes” para alimentar seu projeto de carreira; saiba dosar seu tempo para que as coisas funcionem como remédio, e não como veneno, e, por fim, lembre-se de que as dificuldades apenas estão moldando um vinho, digo, um candidato mais forte e especial.Quando passar, além de me mandar um e-mail pelo site (Menu/Fale com William Douglas), para que eu me alegre com, junto e por você, sugiro uma semana de descanso em Bento Gonçalves – RS. Merecidamente. Willian Douglas

              Periodicamente me preocupo em revisar o tema dos concursos públicos, tendo já feito comparações dele com construção de casa, com a preparação do vinho e assim por diante. Hoje, se você me permite, vou compartilhar um sofrimento novo.Passei décadas fugindo da implantação de aparelho ortodôntico necessário para a correção de minha oclusão mandibular imperfeita. Agora, aos 38 anos, fui compelido a fazê-lo. Tanto o meu dentista quanto a ortodontista disseram que se não corrigir o problema terminarei por perder os dentes! Daí, com uma alternativa tão dramática, acabei por me curvar à indicação do aparelho para os dentes. Coloquei-o e, na primeira semana, de boca inchada, doendo, tendo que ir ao dentista para consertar fios soltos e brackets quebrados, cheguei à conclusão de que só um louco coloca um troço desses na boca.Onde já se viu?! Metal na boca, com pontas, arranhando! É uma insanidade, dizia eu. Pensei em ir lá e mandar tirar tudo, preferia ficar com a mordida cruzada e pronto! Depois, pensei em mim daqui a alguns anos… com o quadro agravado… e acabei me dispondo a “segurar a onda”. Lembrei-me de quantas vezes pensei em desistir dos concursos públicos. Logo, vieram as comparações, que decidi pôr no papel e dividi-las com os amigos.Primeiro, tanto em concursos quanto no caso do aparelho, tentei fugir, mas ambos foram a melhor opção entre o leque de alternativas. No caso do aparelho, sofrer um pouco, agüentar dois anos mais ou menos e salvar meu sorriso e os dentes. É a relação custo-benefício. O concurso pode ter suas dificuldades, mas é uma das melhores formas de se conseguir um bom emprego, estabilidade, carreira etc.Segunda comparação: estou um pouco velho para o aparelho… mas nunca é tarde para começar. Antes agora do que depois, do que mais tarde. Recordo de quantos amigos fizeram concurso com 50, 60 anos. Esta semana um amigo com 38 anos me perguntou se era tarde para concursos… Respondi que para concursos é ótima hora, que tarde é para aparelhos! E mesmo assim, coloquei um aparelho agora, porque, como disse, antes tarde do que nunca.Outro ponto de contato é a dor. Como dói colocar isso nos dentes! Quanto incômodo, dor, a ponto de precisar de cera protetora e algum produto anestésico. Dói, mas é necessário; dói, mas é o jeito. Antes essa dor agora do que, depois, a dor do não ter feito o que foi recomendado. Aí, lembro-me da máxima que criei sobre concursos: “a dor é temporária, o cargo é para sempre.” Aplicada aos aparelhos ortodônticos, “a dor é temporária, o sorriso é para sempre”. Não pense que o concurso é tarefa indolor. Dói, mas dói muito mais não fazer nada, não tentar mudar para melhor o nosso destino. Ou seja, você não pode evitar a dor, apenas escolher qual delas prefere não sentir. Quem paga o preço do concurso evita a dor do desemprego, da falta de seu lugar ao sol, da falta de dinheiro para o sustento diário.Por outro lado, e aqui vai outra comparação, a ortodontista disse que com o tempo eu iria me acostumar, que haveria um período de adaptação. Segundo ela , o organismo criaria defesas próprias, se adaptaria, a gengiva iria engrossar o suficiente para suportar o metal, de modo que o incômodo inicial iria arrefecendo com o passar do tempo. Não que a coisa ficaria totalmente resolvida, mas pelo menos estaria no limite do tolerável. Para quem não está acostumado à vida de concursando, toda organização, disciplina, horários, técnicas e procedimentos básicos podem parecer insuportáveis, irrealizáveis, estressantes. Mas à medida que eles vão se tornando parte do dia-a-dia, passam a ser toleráveis a ponto de, um dia, pelo costume, você até ter um certo prazerzinho nesse negócio. Esse será o dia em que você se tornou concursando profissional, “cascudo”, “macaco velho”, quase pronto para passar. Tudo pode doer muito no início, depois melhora.As primeiras semanas de aparelho foram terríveis, mas já estou me acostumando. Já não estou precisando de tanta cera nem de anestésico: a boca já está quase acostumada aos novos tempos com brackets, fios, passadores de fio e tudo o mais que faz parte desse novo universo. Já tive de ir três vezes à ortodontista para trocar peças. Leva algum tempo para aprender a lidar com o aparelho sem quebrar nada.Importante também perceber o mergulho numa situação aparentemente pior. Você piora um pouco para depois melhorar. No caso do aparelho, meu sorriso enfeou temporariamente para, depois de um tempo, ficar mais bonito do que antes. Se você vai estudar para concurso, se optou por isso, sua vida vai ficar mais difícil do que antes durante algum tempo. Depois da aprovação, ela vai ficar bem mais bonita.O melhor exemplo ainda é o povo de Israel saindo do Egito. Os israelitas tinham algum conforto no Egito, mas eram escravos de Faraó. Para que conseguissem a liberdade foi necessária a marcha em direção à Terra Prometida, a Canaã, onde manava leite e mel. Para chegar lá, no entanto, tiveram que cruzar um deserto. O deserto era pior do que o Egito, mas era o caminho necessário para a terra onde uma nova vida, mais próspera e abundante, aguardava aqueles que se dispusessem a fazer a jornada, a peregrinação. Assim, por pouco mais de dois anos meu sorriso ficará mais feio, mas ao final melhorará. Não que concurso demande dois anos, pode ser mais ou menos. O que importa é saber que é uma troca boa, justa e convidativa.O aparelho custou dinheiro, a ser entendido como investimento e não como despesa. O concurso demandará investimento também: livros, cursos etc., mas valerá a pena lá na frente. No meu caso, posso afirmar que se não fosse o concurso eu não teria dinheiro para pagar o aparelho. Assim, leve com serenidade as despesas necessárias para a preparação: isso também faz parte do sistema.A ortodontista disse que o prazo para a retirada do aparelho será de uns dois anos, mas afirmou que não pode prometer. Eu quase a ouvi dizer que o aparelho é usado até que o problema seja sanado. Lembrei-me da frase que costumo ensinar: “concurso não é para passar, mas até passar.” Só faltou ela dizer que “a diferença entre o sonho e a realidade, digo, entre oclusão errada e oclusão perfeita, é a quantidade certa de tempo e trabalho”. De fato, vai levar um tempo e dar um trabalho enorme, mas vale a pena! Idêntico aos concursos.Para você que está lendo este artigo, acredite, eu sei bem o que é colocar um freio na boca para daqui a algum tempo, poucos anos, receber algo muito bom em troca como prêmio. Já fiz isso antes: nos concursos, na maratona e lá me vou outra vez num desses projetos para fazer algo de bom, agora aos próprios dentes. Pode até parecer uma insanidade fazer cursinhos e concursos, ou colocar aparelhos ortodônticos, mas insanidade mesmo é não fazer o que precisa logo ser feito. Escolha bem quais insanidades quer cometer. Seu melhor futuro depende disso! Willian Douglas

1- ATENÇÃO: SE VOCÊ NÃO SEGUIR ESSAS DICAS… ALGUÉM SEGUIRÁ!

2- A HORA É AGORA! Não se deixe enganar. A vida passa rapidamente. Não podemos ficar perdendo tempo para realizar nossos sonhos. Se você pensa que concurso é como carnaval, que acontece todo ano, você acabará passando muitos carnavais e aniversários vendo seus amigos comemorarem o sucesso na faculdade, enquanto você fica de fora vendo o bonde passar. Não deixe para amanhã quando você pode passar hoje!

3. PASSAR NO CONCURSO É UM OBJETIVO DE VIDA Se quiser passar no vestibular, você deve transformá-lo no seu maior objetivo no momento. Abra mão de uma série de atividades como visitas a parentes e amigos. A preparação exige certa dose de egoísmo. Ninguém fará a prova por você. Você estará lá sozinho. Quando alcançar o sucesso, todos elogiarão sua dedicação e força de vontade. Então, mãos à obra: O importante agora é estudar!

4. CONSIGA O APOIO DE SUA FAMÍLIA O seu estudo depende da compreensão e apoio daqueles que o rodeiam. Quando você passar, todos que vivem com você terão a satisfação de ter um aprovado dentro do lar. Convença-os disso e de que precisa conseguir o máximo de tempo para estudar. A aprovação deve ser uma meta e uma conquista da família. O carinho dos pais e do(a) namorado(a) conforta e diminui o estresse.

5. NÃO DÊ ATENÇÃO A BOATOSQuase todo concurso gera a proliferação de histórias fantásticas: há pessoas que compraram as vagas, o gabarito vazou… Não perca tempo com esses boatos, preocupe-se somente com o concurso. Não dê ouvidos a comentários que possam desmotivá-lo. O importante é continuar estudando. Faça a sua parte!

6. SACRIFIQUE ALGUMAS ATIVIDADES Se você nada, faz inglês, dá aula de catecismo e trabalha voluntariamente em um hospital, você não terá tempo para estudar. Abandone tudo o que puder. Deixe todas essas atividades – e muitas outras para depois da prova. Mas, até lá, só deve haver uma meta: o concurso! Não considere o concurso como mais uma atividade, ele deve ser a atividade!

7. FIQUE POR DENTRO No concurso costumam aparecer questões sobre atualidades, inclusive como tema de redação. Preste atenção nos fatos econômicos, acontecimentos políticos e sociais mais recentes, tais como conflitos raciais, religiosos e culturais. Para se manter bem informado, leia boas revistas e um bom jornal em sua cidade. Atualmente o poder está nas mãos daqueles que detêm a informação. No concurso não é diferente. Fique ligado!

8. SEJA CHATO Época de preparação para o concurso é um período de total dedicação. Então: só fale no concurso; só pense no concurso; sonhe com o concurso; alimente-se do concurso; viva para o concurso; Depois, quando você passar, todos dirão que fez a coisa certa e será considerado um cara superinteligente e superlegal. 9. SAIBA INVESTIR Não pense em comprar milhares de livros, apostilas e toda a parafernália à disposição no mercado de concursos. Não compre por ser barato; compre por ter um bom texto explicativo, por ser atualizado e por conter questões de concursos. Compare as opções e escolha pelo critério qualidade. Peça opinião ao seu professor quanto ao material que deseja adquirir. Material não é custo, é investimento!

10. ESTUDAR É UMA ATIVIDADE PENOSA Estudar requer dedicação, paciência e zelo. Isso significa freqüentar cursinhos, perder festas, ficar trancado em um quarto por horas a fio, enquanto o Sol brilha lá fora e seus amigos o chamam para sair. Todavia, há uma recompensa, que será comemorada com uma festa maior que todas que você perdeu. Esse é o sacrifício para a conquista do seu futuro!

11. NÃO DESPERDICE O SEU TEMPO Todo minuto é precioso numa preparação para o concurso. Abra mão das atividades que o afastarem excessivamente do estudo. Relaxar é preciso, mas da forma adequada. Ir a festas e chegar de madrugada pode fazê-lo perder boa parte do dia seguinte. Prefira atividades leves, que distraiam a sua mente sem estressá-lo ou sujeitá-lo a esforços físicos exagerados. Não perca tempo! Otimize seu dia!

12. NÃO MENOSPREZE OS OUTROS CANDIDATOS Às vezes, os candidatos ao nosso redor não estão se dedicando e achamos que o concurso será fácil. Não se iluda! Pelo Brasil afora são milhares de candidatos e muitos seguem dicas de como as que você está lendo. Então, cuidado, não pense que é o único que está verdadeiramente querendo passar em concurso. Estude: Pois há muitos que também estão empenhados!

13. TENHA PACIÊNCIA As coisas quase nunca acontecem na velocidade de desejamos. Assim, para manter seu ânimo, enfrente com paciência as adversidades que forem surgindo, tais como demora na entrega de livros que pedimos pelo correio, uma “perda de tempo” muito grande para absorvermos determinados assuntos, o ritmo de certas matérias do cursinho… Encare com naturalidade essas coisas e procure administrá-las da melhor maneira possível.

14. DIGA NÃO ÀS DROGAS Não use artifícios químicos para se manter acordado estudando ou se acalmar na hora da prova. Esses elementos podem diminuir sua capacidade de concentração, bem como sua capacidade de aprendizado. Assim, se tiver sono, tome um banho ou faça alguns exercícios de alongamento. Não brinque com sua saúde nessa fase de preparação. No dia de prova você precisa estar 100%! Portanto, pense bem antes de ingerir doses cavalares de café, guaraná ou calmantes.

15. FUJA DA TELEVISÃO Cuidado: a telinha tão amiga pode tomar tempo demais. Você sabe que é impossível assistir, caiu na armadilha: “só mais esse programa”. Não se deixe levar. Você precisa de tempo e de estar descansado. Se você for viciado em futebol ou novela, discipline-se, só assista ao compacto do jogo ou peça que contem o capítulo da véspera. TV – quanto menos, melhor!

16. MAS NÃO FUJA TANTO Já vimos que nesse período de preparação para concurso, todo tempo deve ser aproveitado. Portanto, se você insiste em ver televisão, aproveite para acordar mais cedo (cinco ou seis da manhã, que tal?) e assista às aulas do telecurso. Outra boa idéia é alugar fitas de vídeo didáticas. Essas são algumas maneiras de relaxar aprendendo.

17. ENCONTRE GUIAS DE ESTUDO Muitas vezes, em meio ao milhão de matérias que precisamos estudar, ficamos baratinados, sem saber por onde começar. Um cursinho pode ser uma boa saída, pois dita um ritmo e direciona o estudo. Mesmo que não cubra todos os detalhes, mostra o que deve ser estudado e aprimorado em casa. Em um cursinho, você conhecerá pessoas que poderão indicar livros e lhe fornecer provas já realizadas e novos exercícios.

18. PROGRAME O SEU DIA-A-DIA EM FUNÇÃO DO CONCURSO Não perca aulas do cursinho ou colégio devido a outras obrigações. O tempo planejado de estudo e as aulas são o que há de mais importante no momento. Comprometa horários do seu dia para estudar. Não abra exceções. Fuja daquelas idéias: “só hoje…”; “isso só acontece uma vez por ano…”. Esse esforço é o preço do sucesso. O seu dia e sua rotina devem ser planejados para que você obtenha o máximo de tempo possível para estudar. A conquista do seu futuro!

19. NÃO SE APRESSE Estudar sempre que pode não significa ler mil páginas por semana. Seja incansável, mas não apressado. Leia com calma, entenda os conceitos, resolva muitas questões sobre cada tema. Preocupe-se em assimilar as informações, não apenas em obtê-las. Assim, seu objetivo deve ser aprender e não acabar o livro. Leia com atenção linha a linha e faça resumos: Apreenda o que você estudou!

20. SEJA UM POUCO ANTI-SOCIAL Aprenda a recusar convites. Não se sinta obrigado a almoçar com colegas ou coisas do gênero. Não importa que o chamem de estranho. Quando passar no concurso, virará excêntrico. Não importa que o chamem de neurótico: é melhor ser um neurótico aprovado do que um suposto normal freqüentando o cursinho de novo…

21. SEJA EGOÍSTA (OU QUASE…) Deixe por uns tempos de visitar parentes distantes, perca festas familiares e reuniões do gênero. Concurso não rima com badalação. Nessa etapa da vida, você não pode se dar o luxo de se preocupar demais com o sentimento alheio. Preocupe-se com o estudo! Se os amigos insistirem, prometa-lhes um churrasco de comemoração quando sair a lista de aprovados com o seu nome. Se forem de fato amigos seus, eles o entenderão.

22. ESTUDAR SOZINHO? Professores e colegas podem ajudá-lo, mas você precisa de um tempo para estudar sozinho. Há detalhes da matéria que necessitam de amadurecimento e só são de fato apreendidos através de uma análise individual. Por outro lado, pode ser interessante manter um pequeno grupo (até três pessoas) para resolver e discutir exercícios. Um grupo empenhado funciona como um elemento motivador, que auxilia a manutenção do ritmo e do interesse.

23. SEJA CONFIANTE Da mesma maneira que não podemos desprezar nossos concorrentes, não devemos nos achar incapazes. Não tenha pena de você. Mergulhe de cabeça no concurso, valorize sua capacidade e acredite no seu potencial. Se não acreditar em você, ficará mais complicado envolver sua família e seus amigos no processo de preparação. Sendo confiante, conseguirá preservar e ganhará paciência para enfrentar as dificuldades que surgirem.

24. DIGA-ME COM QUEM ANDAS Procure, nesta etapa de preparação, ter amigos com o mesmo objetivo. Vocês servirão de apoio uns para os outros e poderão se reunir para discutir exercícios. Dividirão os problemas, compartilhando o que há em bom e ruim nesta fase da vida de vocês. Forme um círculo de amizades que o ajude a estudar e o afaste de distrações inúteis.

25. DESCUBRA SEU CAMINHO Cada pessoa tem características diferentes, que determinam quais os melhores meios de se colher e assimilar informações. Se perceber que suas táticas de estudo estão falhando, tente outros métodos. Há pessoas que aprendem mais ouvindo, outras fazendo resumo, outras através de associações e algumas comparando situações opostas. Não existe um meio perfeito para todos. Encontre seu método e seu horário para otimizar o aprendizado.

26. JUNTE-SE AOS MELHORES Não se compare com aqueles que não têm chance. Não adianta estar entre os 30% melhores. Você deve fazer parte do grupo de elite. Se fizer simulados, compare-se com os primeiros lugares. Converse com os melhores alunos do seu cursinho: veja como eles estudam, o material que usam. Entre para o grupo deles. Quando atingir esse nível, você também será procurado por todos da turma. Isso é sinal de que tem grande chance!

27. TENHA DISCIPLINA Procure fazer um planejamento, de modo a obter um ritmo de estudo progressivo. Organize seu material, prepare-se para uma rotina bem marcada. Terá que estudar todos os dias por longo período. Se um certo cansaço bater, resista. Não exagere em festas ou reuniões. Poupe energia para seu estudo. Valorize o seu dia. Seja moderado, procure maneiras rápidas de descansar a mente. E, acima de tudo: Mantenha o ritmo!

28. ESTABELEÇA UM MERCADO DE INFORMAÇÕES Não seja o bonzinho da turma. Não seja aquele que traz as novas, os exercícios e os bons livros. Compartilhe as informações com aqueles que compartilham com você. Deve haver uma relação de troca. Não procure, da mesma forma, só sugar. Isso o afasta das pessoas que possuem os mesmos objetivos que você e que, certamente, poderiam ajudá-lo.

29. GANHE O SEU DIA, NÃO PERCA A SUA NOITE Para ser aprovado no concurso, não é necessário passar a noite em claro, debruçado sobre os livros, acumulando mau humor e olheiras. Por que não estudar de dia, reservando a noite para dormir e, quem sabe, sonhar com a aprovação? Descansado você certamente aumentará a capacidade de aprender. No entanto, há pessoas que estudam melhor à noite. Se você for uma dessas pessoas, avalie melhor sua rotina para poder desfrutar de longas madrugadas junto aos livros.

30. NÃO DESPREZE DISCIPLINA ALGUMA A sua aprovação depende do sucesso em todas as disciplinas. Não pense que uma disciplina de pouco peso não deva ser estudada. Todo ponto é um passo rumo à sua conquista. Notas altíssimas em poucas disciplinas não irão suprir pontos que perderá em uma disciplina que desconheça. Por não estudar determinada matéria, você perderá muitos pontos fáceis e poderá perder sua vaga!

31. TODO LUGAR É LUGAR Não perca oportunidade de estudar. Em filas de banco, no ônibus, nos intervalos do trabalho, no banheiro: toda hora é uma boa hora. Sempre tenha à mão algum material. Deixe uma apostila no porta-luvas, carregue uma pasta com alguns exercícios, mantenha um livro na gaveta do escritório. Você nunca sabe quando aparecerá um tempinho: aproveite-o! Em um mês, 15 minutos por dia representam mais de 7,5 horas!

32. FAÇA EXERCÍCIOS Faça exercícios, faça muitos exercícios. Faça tantos quanto puder. As provas seguem padrões de questões e exigem rapidez. Por isso, esteja sempre procurando por novos exercícios, especialmente os que já caíram em concursos anteriores. À medida que for fazendo os exercícios, aprenderá a linha de raciocínio da instituição que prepara as provas e isso o ajudará a selecionar a melhor entre algumas alternativas aparentemente corretas.

33. SEJA SELETIVO Descubra quais são as matérias em que você pode evoluir mais e fazer mais pontos. Estudar o que se sabe menos é desgastante, porém pode ser bem mais lucrativo do que refinar conhecimentos nos campos em que já se possui uma certa qualificação e se tem muitos pontos garantidos. Vá em frente e não deixe que as matérias que você desconhece o assustem.

34. SEJA UM DECORADOR Transforme as paredes e portas de seu quarto em um imenso painel, colocando trechos e fórmulas das disciplinas para memorizar. O contato diário com essa nova decoração irá ajudá-lo a fixar a matéria e espantar o fantasma do “não consigo decorar”. Use durex, cola, o que for preciso.

35. ENCONTRE SUA MANEIRA DE RELAXAR Cada um possui uma maneira própria de relaxar. Evitar exercícios físicos pesados ou atividades que possam deixá-lo exausto. Dê preferência a atividades leves, como caminhadas, que ajudam a oxigenar melhor o cérebro. Chegando em casa, tome um com banho, vista uma roupa leve, procure seu ninho e… Bom estudo!

36. NUNCA É SUFICIENTE Nunca pense que já estudou o bastante. Assim, estude mais e mais. Se o seu concorrente disser que só estuda duas horas por dia fique feliz: ele não é seu concorrente! Pode ter certeza que aqueles que estão se preparando seriamente estudam de quatro a oito horas por dia. Interesse-se pelos assuntos, queira saber sempre mais. Você só descobrirá se sua preparação foi suficiente no dia da prova. Seja incansável na busca pelos meios de se superar.

37. MANTENHA O SONHO VIVO Se você está prestando concurso, deve haver uma boa razão para isso. Apóie-se nesse motivo para encontrar forças e superar suas dificuldades. Se estiver cansado, abatido ou desanimado por um problema qualquer, pense no que aspira, no que deseja, no que o faz estudar… Deixe-se envolver por essa imagem de um futuro promissor, se entusiasme com seu próprio sonho. À medida que ele for se apoderando de você, mais energia você terá para estudar.

38. DIMINUA O RITMO NA VÉSPERA Faltando um ou dois dias para o dia D, você não conseguirá aprender tudo que ainda não viu. Chegou a hora de começar a relaxar e de arejar a mente. Repasse os tópicos sem pressa e superficialmente. Evite atividades que exijam muita concentração e uma atenção redobrada. Essa capacidade é extremamente importante para uma boa prova.

39. TEXTOS: LEIA PRIMEIRO AS QUESTÕES Normalmente, um texto se refere a várias questões. Antes de ler os longos textos que se apresentam, descubra os pontos que merecem especial atenção na leitura. Muitas questões sequer exigem a leitura integral do texto ou do entendimento de todas as passagens. Seja objetivo: A sua meta é acertas as questões.

40. LEIA ATENTAMENTE AS QUESTÕES Muitas vezes a resposta está no próprio enunciado ou em questões seguintes. Por isso, é necessária a máxima atenção. A perfeita interpretação da questão é fundamental para sua resolução. Quando for passando pelas questões, não tente lê-las rapidamente para ganhar tempo. Leia-as com calma e atenção. Assim, aumentará muito as chances de acerto.

41. NÃO SE APAVORE No começo do ano, não se angustie com a quantidade de matéria que terá que estudar. Sendo calmo, poderá fazer um bom planejamento. Quando estiverem faltando um ou dois meses, não entre em pânico. Isso não ajudará em nada. Concentre-se para conseguir ler com atenção as suas apostilas e livros. É hora para seriedade e otimismo – afinal, o vestibular está chegando e fica cada vez mais concreta a perspectiva de você ser aprovado e conquistar sua vaga no futuro.

42. NÃO ESTACIONE EM QUESTÕES Cuidado: se você não souber uma questão, deixe-a para depois. Não fique gastando minutos preciosos para ganhar apenas um ponto (isso se não acabar errando de qualquer maneira). Seu subconsciente continuará processando a questão enquanto você enfrenta as outras. À medida que a priva for se desenvolvendo, as pendências poderão se resolver. Deixe as questões difíceis para o final; garanta pontos importantes com as fáceis.

43. NÃO BRIGUE COM AS QUESTÕES Uma prova tem questões mais fáceis e mais difíceis. Várias são ridículas. Não perca tempo com elas. Há pegadinhas, mas não deixe neurotizar por isso nem pense que a prova inteira é composta de pegadinhas. As provas seguem ideologias e obedecem a padrões de respostas. Não discuta se isso é certo ou errado. Diga “amém” e marque a resposta que julga conveniente correta. Não reclame dos elaboradores da prova. Adapte-se!

44. CONHEÇA O LOCAL ANTES DA PROVA Visite o local da prova alguns dias antes. Se a prova for em uma cidade diferente da sua, vá com certa antecedência, encontre lugares confiáveis para comer e um bom alojamento. No local da prova, procure observar se há fontes de barulho, problemas com iluminação e o tipo das carteiras. Envolva-se com o ambiente; isso lhe dará uma sensação se segurança e conforto.

45. NÃO CHEGUE EM CIMA DA HORA Alguns candidatos não gostam de chegar com muita antecedência. Tenha em mente, no entanto, que o horário de fechamento dos portões é rigoroso. Procure estar no local com certa folga e leve algo para companhia e da conversa dos “experientes”, que ficam fazendo terrorismo antes da prova na sala. Se eles fossem tão bons quanto dizem, já teriam passado em muitos concursos e não estariam ali.

46. ESTABELEÇA-SE COM CONFORTO NO LOCAL DA PROVA Muitas vezes não fazemos a prova em nossa cidade. Assim, planeje com antecedência sua ida. Reserve passagem e hotel. Se possível, chegue alguns dias antes na cidade e descubra locais para almoçar e jantar. Ao chegar na cidade, ajuste o relógio para o fuso horário local. Converse com um taxista, enfim, procure fazer de tudo para ter certeza de que estará no local da prova sem problema algum e sem estar sujeito a surpresas de última hora.

47. O FISCAL NÃO É INIMIGO (NEM AMIGO) Chegando à sala da prova, cumprimente o fiscal, sem se mostrar extrovertido demais. Seja educado e, em hipótese alguma, discuta com ele. Isso lhe trará prejuízo. Ele pode acabar dificultando pequenas coisas. Não tente ficar amigo, senão ele pode querer, inconscientemente até, observá-lo, a fim de descobrir se você está indo bem ou não. Essa proximidade pode tirar sua concentração.

48. NÃO TENHA MEDO DE SER EXAGERADO Para o dia da prova, compre todo o material que achar necessário. Leve quantas canetas, lápis e grafite achar conveniente. Material pode sobrar, jamais faltar! Se for errar quanto ao dimensionamento da quantidade de material, água, etc., erre pra mais. Leve algodão ou mesmo protetores auriculares. Nunca sabemos quando o barulho pode começar…

49. NÃO CORRA O RISCO DE SE ATRASAR NA MATÉRIA Às vezes, quando nos defrontamos com tópicos complicados, ficamos inventando desculpas para interromper nosso estudo. Assim, começamos a estudar e, em dois minutos, resolvemos tomar um copo d’água; voltamos e, logo em seguida, lembramos que tínhamos de ligar para algum amigo… Não faço isso. Não fique perdendo seu tempo. Enfrente os tópicos que lhe causam problemas!

50. CURTA A PROVA Não se apresse não queira se livrar da prova. Passe e repasse as questões. Há tempo suficiente por isso não se apresse e não se precipite. Por outro lado, equilibre o tempo de resolução. Resolva todas as questões óbvias e fáceis. Deixe as difíceis para depois. Controle o tempo para poder tirar o máximo proveito de seu breve relacionamento com a prova.

51. A PROVA É DIFÍCIL PARA TODOS Se começar a resolver a prova e achá-la mais difícil do que esperava, não entre em pânico. Ela estará difícil para todos. Normalmente aqueles que acham a prova muito fácil é porque nem conseguiram perceber do que, verdadeiramente, tratavam as questões. Então não esqueça: A prova é igual para todos.

52. NÃO SE DEPRIMA… Uma vez que a prova terminou, esqueça-se dela. Evite pensar e, especialmente, conversar sobre o tema. Não terá nada a ganhar com isso. Pense no que virá. Não se torture com o que passou. Não dê atenção àqueles que dizem que a prova estava fácil. Normalmente, quem fala demais sabe de menos. Não deixe se impressionar ou deprimir por esses comentários de concorrentes que só querem fazer terrorismo e tirar um pouco de sua calma. Willian Douglas

Os concursos públicos não fazem distinção de idade e por isso atraem profissionais muitas vezes já experientes e que buscam uma situação mais confortável. Mesmo assim, é cada vez maior o número de jovens tentando uma vaga nos órgãos do governo. “Conheço pessoas que freqüentam paralelamente universidade e cursinhos preparatórios para concursos. E, qualquer edital que sai, se inscrevem”, diz o diretor da escola de negócios Mercatus, e especialista em gestão de pessoas, Alessandro Saade.

O desemprego na área privada e a dificuldade do início na atividade profissional contribuem para esta situação. “A alternativa do concurso público pode ser também um caminho para o jovem que se sente inseguro perante o mercado privado e vê que sua formação não atende às necessidades impostas pelas empresas”, explica o gestor de carreiras Décio Tarallo.

Márcio Cecato do Nascimento ainda estava na faculdade de Direito quando resolveu, por curiosidade, prestar concurso do Banco do Brasil. Foi aprovado, começou a trabalhar e, mesmo depois de formado, preferiu continuar no cargo a atuar como advogado.

“No começo, pensava em ficar no banco só até concluir minha graduação. Percebi, entretanto, que seria difícil conseguir um outro emprego que me proporcionasse a mesma estabilidade, opções de crescimento e desenvolvimento”.

Hoje, gerente de Operações da instituição, Márcio afirma que só sairia do banco para atuar na área do Direito caso a vaga também fosse conseguida por meio de concurso público.

E seu caso não é exclusivo. “Alguns amigos que trabalham comigo se formaram em áreas como Engenharia e Publicidade. Este emprego foi o primeiro da maioria deles e ninguém pensa hoje em sair daqui para trabalhar na própria área”.

A irmã de Márcio, Sabrina Cecato do Nascimento, acompanhou a trajetória do irmão e acabou seguindo seus passos. Formada em Letras, ela prestou concurso público também para atuar no Banco do Brasil, onde foi aprovada e permanece até hoje.

Sabrina chegou até mesmo a fazer um curso de pós-graduação em Letras e pretende aliar, futuramente, sua formação acadêmica com o atual emprego. “Minha idéia é conseguir trabalhar no Centro Cultural do Banco do Brasil. Mas deixar o banco nem passa pela minha cabeça”, garante.

(O Estado de S. Paulo)

Petrobras, Prodesp, Prefeitura de São Paulo, Secretaria de Estado da Saúde, Fundacentro, Caixa Econômica Federal, Ministério Público do Trabalho, Prefeitura de Diadema, Hospital do Servidor Público Municipal e “outros já esquecidos”.

A lista de concursos em que o médico Mauro David Ziwian, 48, passou na primeira colocação parece que só não é maior do que o número de candidatos que deixou a ver navios.

Mesmo assim, faz questão de enfatizar: não é “concurseiro” nem persegue o topo da lista. “A única vantagem de ser primeiro é quando só existe uma vaga”, despista.

Ziwian, apesar de modesto, não esconde que a “facilidade em concursos” lhe rende louros -como o de poder optar pelo trabalho mais compensador.

Para tanto, conta, o caminho é árduo e passa por inúmeros exames e regularidade nos estudos.

“O principal, contudo, é eleger uma área de prioridade e se concentrar nela.”

O conselho, aliás, é unanimidade entre os “primeiráveis”. “Os programas são extensos, sobretudo quando surgem editais para novos exames”, diz Rafael Santana, 23.

Ele diz com conhecimento de causa: usou a estratégia no concurso para técnico da Receita Federal, em 2006, e ocupou a primeira colocação.

O engenheiro naval André Weiss, 26, seguiu tão à risca o plano de focar parte do conteúdo do exame ICMS/2006 que ficou no topo de uma lista com mais de 20 mil concorrentes -mesmo errando todas as questões de direito comercial. “Sabia que não daria conta de estudar essa parte. Nem me preocupei com ela na prova.”

(Folha de S. Paulo)