Planejamento de Carreira


Por: Universia

Os dados da pesquisa internacional Education at a glance (Panorama da Educação), produzida pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), comprovam que na maioria dos países – ricos ou em desenvolvimento – a renda dos profissionais é 50% maior para os que concluem o Ensino Superior. No Brasil, no entanto, esse aumento excede os 100%.

Além dos benefícios econômicos da educação, a pesquisa traz análises sobre o perfil educacional da população adulta dos países participantes e o impacto da educação no mercado de trabalho. São abordados ainda o atendimento escolar nas redes púbica e privada em cada país, a relação aluno/professor e os gastos educacionais.

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Participam do estudo os membros da OCDE e aqueles associados à organização, num grupo que inclui, além do Brasil, países como Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Coréia do Sul, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Japão, Chile e México.

A coleta de dados para a elaboração da pesquisa é feita pelos países participantes, por meio do preenchimento de planilhas e questionários encaminhados pela OCDE. No caso do Brasil, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) é o órgão responsável por fornecer as informações. Este levantamento é feito com base nos censos da Educação Básica e da Educação Superior e nas estatísticas fornecidas pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Os dados educacionais são referentes ao ano de 2007 e os financeiros a 2006. A publicação Education at a Glance 2009, assim como o sumário executivo, os dados e as tabelas on-line podem ser obtidos no site www.oecd.org/edu/eag2009.

Gestores e profissionais contam quais os 10 erros fatais nessa hora

Publicado em 28/04/200913:00 Por Larissa Leiros Baroni

Gerir a carreira é tarefa que se torna ainda mais difícil em momentos de crise. E, nessas épocas, o desespero e a falta de informação podem levar profissionais – tanto recém-formados como os mais experientes – a cometer erros cruciais na gestão de suas carreiras. Descuidos que podem colocar em xeque não apenas suas vagas, mas também a ascensão pessoal no mercado de trabalho.

O Universia conversou com professores e consultores de carreira que comentaram algumas das atitudes imperdoáveis no desenvolvimento profissional em épocas de crise, como a que o mundo atravessa atualmente. Elas poderão ajudá-lo a passar pela etapa sem grandes arranhões. Veja quais são os dez erros fatais para sua carreira em períodos de crise.

Não ter projeto estratégico
“A ausência de um projeto estratégico para a carreira pode deixar o profissional desorientado e até causar desespero em momentos de crise. Muitos profissionais não têm sequer um plano A, que dirá plano B que os proteja de problemas mais sérios. Sem planejamento, não há preparação. Portanto, é recomendável que todos tracem planos de carreira para os próximos dois, cinco e até dez anos. Identifique os objetivos, saiba o que o tornará um profissional desejável pelo mercado de trabalho e, por fim, desenhe diferentes caminhos a percorrer para alcançar essas metas. Lembre-se que profissionais de excelência optam por carreiras multifuncionais, ou seja, aquelas que envolvem mais de uma atividade. Seja flexível e antecipe-se para não ficar à mercê das mudanças”

Eduardo Carmello, consultor organizacional especialista em gestão estratégica e diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos

Deixar de se capacitar
“Até por falta de planejamento financeiro, muitos profissionais deixam de se aperfeiçoar. Esse, porém, é um engano. O conhecimento é a única moeda de troca do mercado de trabalho. Deixar de se preparar ou de buscar informações é se distanciar mais ainda das oportunidades. Mais do que nunca você precisa estar atualizado. A falta de dinheiro, muitas vezes é só uma desculpa, até porque há alternativas mais baratas. É possível optar por cursos on-line ou pela leitura de livros”

Marta Demattos, professora de administração de Recursos Humanos do Ibmec Minas.

Ser pessimista ou autoconfiante demais
“O pessimismo é ruim para a saúde mental, psicológica e física e principalmente para o desempenho profissional. Pode inclusive impedir o profissional de encontrar saídas para os problemas. Canalize as energias para trabalhar melhor, para administrar a angústia, medos e incertezas. Pondere, no entanto, a autoconfiança. Em excesso também pode ser prejudicial para a gestão da sua carreira. Além de causar acomodação, pode fazer perder o senso da realidade. Priorize o meio termo”

Werner Kugelmeier, consultor empresarial e diretor da WK Prisma.

Esconder-se
“Em época de crise, uma série de desculpas vêm à tona para justificar demissões. Daí, alguns profissionais exageram nos cuidados e se escondem demais para não se tornar alvo fácil. Isso, em vez de proteger, pode prejudicar, pois na mira dos gestores também estão os considerados sombras. Ou seja, aqueles que nada têm a contribuir com a empresa. Por outro lado, manter-se no centro das atenções também pode ser prejudicial porque, junto ao destaque profissional, sempre há a inveja. Mostre sua competência, mas conheça o espaço no qual está inserido”

Roberto Heloani, professor de comportamento organizacional e psicologia do trabalho da Unicamp (Universidade de Campinas) e FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Ficar alheio às mudanças
“As crises, em geral, são acompanhadas de mudanças. Portanto, é importante que os profissionais estejam conectados às transformações dentro do ambiente de trabalho. Ficar imerso em sua tarefa e não perceber o que acontece em volta pode afastá-lo das necessidades, demandas e até das novas prioridades da empresa. Nem sempre, porém, essas mudanças são explícitas. Procure ficar atento e buscar a comunicação, formal ou informal, com seus gestores. Seja pró-ativo e contribua para que a empresa sobreviva aos problemas. Tal atitude pode fazer toda a diferença”

Martim Francisco, gerente de educação executiva da IAG/PUC-Rio (Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

Ser inflexível
“A inflexibilidade, em momentos de crise, só tende a atrapalhar ainda mais a gestão da sua carreira. Isso porque, geralmente, a situação propicia mudanças de funções e até de departamentos. A resistência é natural, até porque sair da zona de conforto é difícil. Mas é preciso ressaltar que nem sempre as transformações são negativas. Qualquer oposição pode colocar em xeque o seu emprego e ainda uma oportunidade de crescimento. O profissional flexível avalia a situação e cria estratégias para agir”

Camila Mariano, gerente do serviço de apoio a carreira da Catho.

Deixar de inovar e criar
“Deixe de pensar como empregado e passe a agir como empregador. Vá sempre além do que foi combinado quando foi contratado e faça o que for necessário para a empresa superar a crise. Procure identificar onde é possível agregar valor, seja ao apagar a luz na hora do almoço ou pensar em projetos sustentáveis. Ultrapasse o convencional e tenha mente empreendedora para criar e inovar sempre. Aja, pois o ‘puxa-saquismo’ não salvará o seu emprego, mas tenha bom senso. Nada de se comprometer a fazer tudo só para evitar dizer não”

Renato Grinberg, diretor-geral do site Trabalhando.com.br.

Perder a motivação
“A motivação é a locomotiva dos bons profissionais. Não deixe o momento de crise te abalar e comprometer a qualidade do seu trabalho. Quando alguém deixa de acreditar, deixa de lado também os motivos que o levam a crescer. Além disso, perde a capacidade de inovar, de contribuir e ousar. Não permita que os problemas abalem sua felicidade profissional ou tornem os desafios mais difíceis do que são. Busque a motivação dentro de você e faça com que os momentos difíceis sejam os de maior prazer”

Sergio Piza, diretor de recursos humanos da Claro – empresa de telefonia móvel.

Tomar decisões precipitadas
“As tensões são comuns durante a crise. Portanto, cuidado. Nada de tomar decisões baseadas no desespero. Pondere todos os pontos negativos e positivos e pense bem antes de pedir demissão, trocar de emprego ou manter-se num emprego mesmo que insatisfeito. Em caso de nova proposta de emprego, compare os benefícios da atual e da futura empresa, analise a situação econômica de ambas e verifique se os setores às quais pertencem estão ou não em expansão. Lembre-se que crises estimulam a troca de emprego. Enquanto há mercados em declínio, há muitos outros em expansão”

Adélia Franceschini, consultora de marketing.

Entrar em pânico
“Demissões são comuns em situações de crise. Portanto, se você não conseguiu garantir sua vaga, não entre em pânico. O primeiro passo é refletir sobre os motivos que te levaram a perder o emprego. Converse com seu antigo gestor e faça auto-análise das suas atitudes profissionais. Trace estratégias para melhorá-las. Não é recomendável pegar o primeiro emprego que aparecer, o ideal é traçar planejamento estratégico de carreira antes de distribuir currículos. Ter foco é importante, mas é preciso também humildade. Ser muito seletivo pode te afastar do mercado de trabalho, o que pode baixar sua estima e ainda te desvalorizar profissionalmente”

João Batista Diniz Leite, professor de gestão de pessoas do Ibmec de Brasília.

Via – UNIVERSIA

Série de reportagens é publicada sempre às terças-feiras e aborda uma profissão diferente a cada vez

Do G1, em São Paulo
entre em contato

A cada quinze dias o Guia de Carreiras do G1 mostra uma profissão diferente. A série de reportagens traz informações sobre a formação necessária para desempenhar a função escolhida, as possibilidades do mercado de trabalho e dicas e relatos de quem se deu bem na área tratada.

Reunir informações sobre as diferentes carreiras e conhecer o mercado de trabalho são os primeiros passos para acertar a escolha profissional. “A escolha consciente só é feita quando a pessoa tem conhecimento de si mesma e também dos aspectos práticos e teóricos da carreira”, alerta Dulce Penna Soares, coordenadora do Laboratório de Informação e Orientação Profissional da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Por isso, toda semana confira as reportagens do Guia de Carreiras.

Clique nos links abaixo e veja as carreiras que já foram desvendadas:
A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | X | Z

A
Administração

Agronomia

Arquitetura e urbanismo

Artes cênicas (ou teatro)

B
Biblioteconomia

Biologia

Biotecnologia

Biomedicina

C
Cartunista, chargista e quadrinista

Ciências atuariais

Ciências contábeis

Ciências da computação

Ciências sociais

Cinema

Comissário de bordo

D
Dança

Design

Design de games

Direito

E
Economia

Educação física e esporte

Enfermagem

Engenharia aeronáutica

Engenharia ambiental

Engenharia cartográfica

Engenharia civil

Engenharia da computação

Engenharia de alimentos

Engenharia elétrica

Engenharia florestal

Engenharia de petróleo

Engenharia de pesca

Engenharia de produção

Engenharia mecatrônica

Engenharia mecânica

Engenharia metalúrgica

Engenharia química

Estatística

F
Farmácia

Filosofia

Física

Fisioterapia

Fonoaudiologia

G
Gastronomia

Geografia

Geologia

Gerontologia

Gestão ambiental

H
História

J
Jornalismo

L
Letras

M
Matemática

Medicina

Medicina veterinária

Meteorologia

Moda

Museologia

Música

N
Nutrição

O
Oceanografia

Odontologia

P
Pedagogia

Piloto

Publicidade

Psicologia

Q
Química

R
Relações internacionais

Relações públicas

S
Secretariado

Serviço social

Sistemas de informação

T
Teatro

Tecnologia em radiologia

Terapia ocupacional

Turismo

Z
Zootecnia

Um olhar sobre a aprendizagem ao longo da vida

30 Dezembro, 2008 by Vitorino Seixas

Não há nada que tenha ocupado tanto o meu pensamento quanto a educação. Não acredito que exista coisa mais importante para a vida dos indivíduos e do país que a educação. A democracia só é possível se o povo for educado. Mas ser educado não significa ter diploma superior. Significa ter a capacidade de pensar. Diplomas somente atestam que aqueles que os têm são portadores de um certo tipo de conhecimento. Mas ser portador de um certo tipo de conhecimento não é saber pensar. É ter arquivos cheios de informações. Nossas universidades são avaliadas pelo número de artigos científicos que seus cientistas publicam em revistas internacionais em línguas estrangeiras. Gostaria que houvesse critérios que avaliassem nossas universidades por sua capacidade de fazer o povo pensar. Para a vida do país, um povo que pensa é infinitamente mais importante que artigos publicados para o restrito clube internacional de cientistas.

É muito fácil continuar a repetir as rotinas, fazer as coisas como têm sido feitas, como todo mundo faz. As rotinas e repetições têm um curioso efeito sobre o pensamento: elas o paralisam. A nossa estupidez e preguiça nos levam a acreditar que aquilo que sempre foi feito de um certo jeito deve ser o jeito certo de fazer. Mas os gregos sabiam diferente: sabiam que o conhecimento só se inicia quando o familiar deixa de ser familiar; quando nos espantamos diante dele; quando ele se transforma num enigma. “O que é conhecido com familiaridade”, diz Hegel, “não é conhecido pelo simples fato de ser familiar”.

Dediquei grande parte da minha vida ao ensino universitário e tive muitas experiências boas. Mas a sensação que tenho é que, nas universidades, já é tarde demais. Os costumes e as rotinas já estão por demais sacralizados. Aqui o processo de deformação a que se referiu Hesse já atingiu um ponto irreversível.

Primeira Lição para os Educadores“, Rubem Alves

“O mundo odeia mudanças. No entanto, é a única coisa que tem trazido progresso.”

Gerenciando Mudanças em Projetos de Vida

Autor:Abraão Dahis

1. As dificuldades e resistências nas mudanças

“O mundo odeia mudanças. No entanto, é a única coisa que tem trazido progresso.”
Charles Franklin Kettering (1876-1958) – Inventor americano e co-fundador da Delco Eletronics.

Partiremos do princípio, que já se tem um Projeto de Vida e se sabe qual são as metas (marcos) deste projeto, como também, já se tem um Plano de Ação para alcançá-las.
Como as ferramentas de gerenciamento de projetos poderão ajudar a planejar, executar, controlar e, finalmente efetivar uma ou mais mudanças neste “Projeto de Vida”?
Quantos, diante da tentativa de transformar qualquer aspecto, não sentem grande dificuldade em mover-se na direção da mudança pretendida? Por que da dificuldade em romper com a inércia e assim, partir para o movimento? Mudar significa ocupar outro espaço, deslocar-se de uma situação para outra, de um estado atual para um estado desejado.
Este movimento exige liberdade de trânsito e, em oposição a isso, a grande dificuldade nestes momentos, é proporcional ao medo da perda, o medo de “deixar para trás”.

Embora o desejo de mudança seja forte, as circunstâncias onde mais facilmente se pode detectar o medo de perdas, são aquelas que envolvem perda material, perda de apoio afetivo, perda de segurança social e outros tipos de perdas.
Aprisionadas pelo medo de tantas possibilidades de perdas, a maioria das pessoas prefere se manter inerte, ao invés de “correr riscos” para transformar em ganhos, as questões que geram a necessidade de mudar. Um indivíduo para gerar mudança precisa agir, e, esta ação advém de um comportamento, das capacidades pessoais para lidar com as situações. É também baseada em crenças e valores que formam sua identidade e o norteam neste mundo; além disso, o conecta com a consciência do “algo maior”.
O que vivemos hoje é fruto de escolhas que fizemos no passado e, por isso, para mudarmos, temos que assumir que erramos ou, ao menos, que a opção que fizemos não nos interessa mais. Na maioria dos casos, é preciso transformar primeiro a si próprio para conseguir efetivar uma mudança desejada.
Uma mudança realmente não é simples e fácil de se fazer. Vale lembrar: “Não é possível fazer omeletes sem antes quebrar os ovos!”.

2. As necessidades de mudança

“Preciso ‘fazer algo’ resolverá mais problemas do que ‘algo precisa ser feito’.”
Glenn Van Ekeren

Você está conseguindo o que quer na vida?
Muitas pessoas desejam atingir os mesmos objetivos como, por exemplo, amar e ser amado, ter mais satisfação no trabalho, aproveitar melhor o tempo de lazer, aprimorar-se intelectualmente, parar de fumar, etc… Mas, poucas pessoas conseguem! Por que?
Descobri uma razão simples: a maioria de nós resiste ativamente à idéia de uma mudança, pois seria necessário sair da “zona de conforto”, seria necessário esforço adicional. Além disso, seria essencial romper a inércia e, principalmente, superar o medo de fracassar.
As pessoas com medo do fracasso lutam contra as mudanças porque não confiam em si mesmas para administrar o desconhecido, sem certezas e garantias. Para mim, é importante considerar o fracasso como um prelúdio para o êxito, mudando a forma de pensar (crença) e, utilizando as ferramentas gerenciais disponíveis no PMBoK* – uma das mais proeminentes entidades e líder mundial em gerenciamento de projetos – para, com elas, vislumbrar, por exemplo, cenários possíveis, analisando-os prospectivamente e tentando evitar riscos de fracasso nas mudanças pretendidas.

Você quer ou não quer atingir suas metas?
Riscos? Sim! São inerentes ao estado de viver porém podem ser controlados. Segundo o PMBoK 2004*, risco é “um evento ou condição incerta que, se ocorrer, provocará um efeito positivo ou negativo nos objetivos de um projeto”.

Todo o projeto está exposto ao risco. O grau de exposição a riscos de um projetos é determinado pela sua natureza, tamanho, complexidade e o ambiente no qual está inserido. Todos os aspectos que constituem um projeto, ou seja, tecnologia, recursos humanos e materiais, aspectos legais, políticos, ambientais, financeiros e outros pertinentes ou não ao seu “projeto de vida”, podem ser fontes de riscos.
O impacto da ocorrência dos eventos de risco sobre seu projeto pode ser positivo, negativo e, muitas vezes pode significar o seu sucesso ou fracasso. Estes riscos devem ser efetivamente gerenciados, de modo a garantir que os objetivos sejam atendidos através da minimização dos impactos negativos (AMEAÇAS) – “azar” e da maximização dos positivos (OPORTUNIDADES) – “sorte”.
*Guia editado pelo PMI Project Management Institute – USA

3. A Matriz SWOT de Análise de Riscos

Para montar uma Análise SWOT de Riscos (Identificação de pontos fortes, pontos fracos, ameaças e oportunidades), normalmente usamos uma simples planilha dividida em quatro grande áreas:

• (S) Strengths (Pontos Fortes, de origem interna)
• (W) Weaknesses (Pontos Fracos, de origem interna)
• (O) Opportunities (Oportunidades externas)
• (T) Threats (Ameaças externas)

A análise SWOT pode servir para se avaliar uma empresa, um projeto, uma parte do projeto, um produto, uma equipe, etc. Para cada um destes itens, fazemos perguntas similares a:

Pontos Fortes:
• O que você (empresa/equipe/pessoa) faz bem?
• Que recursos especiais você possui e pode aproveitar?
• O que outros (empresas/equipes/pessoas) acham que você faz bem?

Pontos Fracos:
• No que você pode melhorar?
• Onde você tem menos recursos que os outros?
• O que outros acham que são suas fraquezas?

Ameaças:
• Que ameaças (leis, regulamentos, concorrentes) podem lhe prejudicar ?
• O que seu concorrente anda fazendo?

Oportunidades:
• Quais são as oportunidades externas que você pode identificar?
• Que tendências e “modas” você pode aproveitar em seu favor?

S – STRENGTHS – FORTALEZAS
PONTOS FORTES:
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-
-
-
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W – WEAKNESSES – FRAQUEZAS
PONTOS A MELHORAR:
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O – OPPORTUNITIES – OPORTUNIDADES
FATORES FAVORÁVEIS:
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T – THREATS – AMEAÇAS
FATORES DESFAVORÁVEIS:
-
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-
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RESULTADOS POSSÍVEIS:
Ambiente interno Ambiente externo Resultado
PONTOS FORTES + FATORES FAVORÁVEIS = OPORTUNIDADES
PONTOS A MELHORAR + FATORES DESFAVORÁV. = AMEAÇAS

4. O planejamento

Podemos prever o futuro?
Ao contrário do que muitos pensam, é sim muito fácil prever o futuro em nossas vidas, pois ele geralmente é o resultado de uma equação exata de suas decisões e movimentos no presente. As pessoas acham que é difícil planejar o futuro porque não sabem exatamente o que querem, ou não conseguem se decidir. Ficam pendendo entre uma oportunidade aqui, outra ali, e estas oportunidades são geralmente vistas como “os eventos improváveis” que a maioria das pessoas fica esperando, e que muitas vezes se tornam razão para não planejar.
Você já viu um atleta se preparar para um desafio? Parece que não há mais nada no mundo, somente ele e a meta, não?! Ele sabe que há obstáculos no caminho, mas ele se prepara para enfrentá-los. Ele percebe que corre o risco de sofrer acidentes, mas não tem medo. Ele entende que seus competidores podem ser mais fortes que ele, mas só se concentra no seu trabalho e dá o melhor de si.

É assim que pessoas e empresas bem sucedidas articulam. Elas escolhem uma meta e seguem uma linha reta até alcancá-la. Elas não ficam olhando em volta para ver se estão perdendo uma oportunidade que pareça mais interessante. Fazer isto seria, na verdade, um grande problema! Pessoas que não estão bem certas do que querem não conseguem se concentrar em seu caminho, pois vivem na constante agonia de que podem estar perdendo “algo melhor”, enquanto estão ocupadas tentando “vislumbrar outras portas”.

Planejar não é a solução, entretanto. Um planejamento é como um mapa. Se você não mapear seu caminho corretamente, você não chegará onde quer!
Nem sempre se tem acesso aos dados reais, não se pode exatamente prever o futuro e saber o que vai acontecer em seu caminho até a sua meta. Às vezes, não se consegue sequer analisar a situação presente com clareza. Com base neste fato, algumas pessoas simplesmente desistem de planejar. Acham que, por a vida ser mesmo imprevisível, as coisas não vão sair como planejado de qualquer forma.
Se você é um indivíduo comum que não vive num ambiente turbulento de constantes mudanças, sua vida é previsível. De fato, a vida da maioria das pessoas é altamente previsível. Acidentes e eventos inesperados são raros. Para a grande maioria das pessoas, nada de diferente acontece, a vida é sempre a mesma. Algumas pessoas acreditam que algum evento imprevisível acontecerá, mudando suas vidas “da água pro vinho” inesperadamente. Para a maioria, os “eventos improváveis e inesperados” jamais acontecem e o futuro é uma equação exata de escolhas e movimentos do passado.

Empresas não deixam de planejar pela possibilidade de estourar uma 3º guerra mundial, ou de ocorrer outro ataque terrorista de grandes proporções. Elas simplesmente planejam com os dados que possuem no momento, usando imaginação estratégica, estatística e matemática para prever cenários futuros. Quase sempre elas estão certas. Se nada inimaginável e inesperado acontecer, o futuro acaba sendo o resultado exato das previsões realizadas.
Na vida da maioria das pessoas isso é a mais provável realidade. Elas ficam esperando “romanticamente” que a vida lhes traga por sorte, sucesso, riqueza e felicidade. Elas aguardam passivamente que a vida se encarregue de lhes trazer o futuro que desejam, enquanto isso sua falta de ação lentamente cria seu futuro real – aquele que elas não desejam!

Isso nos leva a uma simples verdade: alguns eventos improváveis podem eventualmente ocorrer em sua vida, mas seu futuro provavelmente será uma consequência do que você está fazendo agora. Prever o futuro é na verdade muito fácil: se continuar tendo as mesmas atitudes, fazendo do mesmo jeito, continuará obtendo os mesmos resultados. Se você não gosta dos resultados, mude o que está fazendo!

5. O Modelo T.O.T.S.

“É melhor arrepender-se por ter feito alguma coisa do que por não ter feito nada”
Giovanni Boccaccio (1313-1375), escritor italiano

Você gostaria de tirar a palavra “fracasso” de seu vocabulário? Livrar-se desse medo auto destruidor?
Primeiro, aprenda a trabalhar científicamente através de modelos e sistemas parametrizados e que possam ser confrontados e comprovados. A gerência de projetos é uma ciência que, junto a outras, poderá ajudá-lo a alcançar resultados esperados. Passe a ver, a partir de agora, seus esforços de mudanças como experiências. Sempre é preciso testar para saber se algo vai dar certo.
Citando Thomas Edison que, por exemplo, experimentou milhares de filamentos para descobrir qual deles funcionaria para gerar a luz elétrica. Na visão de Edison, ele nunca cometeu um erro, mas sim, caminhou, passo a passo até a descoberta do filamento certo. Ele persistiu no seu objetivo e mudou seus conceitos milhares de vezes antes de alcançá-lo. Inclusive, por várias vezes foi criticado e desacreditado, mas não permitiu que tais “fracassos” se transformassem em limitações, pelo contrário, transformava-os em aprendizados, que o incentivaram e o fizeram acreditar que alcançaria o sucesso em seu projeto.

Caso você esteja utilizando alguma fonte de luz elétrica agora, lendo este artigo, aproveite para imaginar se ele tivesse desistido.
O processo experimental é como aprender a ler. Você começa no seu nível de presteza e cresce em competência, à medida que abre possibilidades. Lembre-se: “O erro é parte inseparável da vida, porém, em um mundo capitalista corporativo, exigente e pressionável, saber como evitá-lo é algo de muito valor.
O Modelo T.O.T.S. significa “Teste – Operação – Teste – Sair” e, dita o padrão básico da estratégia em se verificar o alcance de sua meta. “Teste, Aja, Teste, ok?, pode ir em frente”.

Todo o trabalho científico necessita ser testado. Na indústria, podemos obter vários exemplos de produtos que obrigatoriamente precisam ser exaustivamente testados antes de serem aprovados à linha de produção e consequentemente ao público cosumidor. Quantos aparelhos eletrodomésticos, ferramentas, alimentos genéticamente modificados, produtos para crianças, etc, são testados sob modelos diversos? Sem “Testar-Operar-Testar(novamente)-Operar(novamente)-Testar-Sair” (e quantas vezes mais forem necessários testes e operações), não pode-se dizer que o trabalho, produto, ação… está em total acordo com as operacionalidades necessárias às funções a que se destinam.
O T.O.T.S. começa com um resultado – o que você está tentando alcançar? Veja o modelo exemplificado abaixo:

6. Gerenciando riscos

“Não somos capazes de ajustar os ventos, mas podemos ajustar as nossas velas.”
Familia Schurmann

É certo! Para evitarmos fracassos temos que manter os riscos controlados.
Projeto significa investir algum esforço para mudar uma situação existente, com o ojetivo de obter uma recompensa no futuro.
Pequeno problema: E se o futuro não se concretizar?
Tenho como concepção de vida ser responsável pelo futuro através do que planejo e realizo no presente, independente do meu projeto chegar ou não à “fase de encerramento”. Mesmo que este futuro não chegue ao presente, o terei planejado para, se chegar, ocorrer conforme minhas expectativas e desejos.

Existem 5 fases processuais em gerenciamento de projetos, segundo o PMBoK. São elas:
- Iniciação
- Planejamento
- Execução
- Controle
- Encerramento
Tratando-se aqui de gerenciamento de riscos e mudanças, temos que identificar, analisar e responder aos possíveis impactos no projeto.

De acordo com um estudo de “Benchmarking”, realizado pelo PMI – Project Management Institute, em 2006, os métodos de tratamento de riscos nas organizações encontram-se na seguinte subdivisão percentual:

a) 42% são realizados com metodologia formal
b) 50% são realizados “informalmente”
c) 8% não tratam riscos (“deixam rolar…”)

O objetivo maior é transformar o que pode ser uma “vaga incerteza” em “riscos identificados” e, se possível, “quantificados” de forma a nos permitir gerar ao final do processo, um Plano de Gerenciamento de Riscos.
Como disse o Dr. David Hilson em seu site www.risckdoctor.com, “Risco é uma incerteza com conseqüências”.

A célebre frase: “quem não arrisca, não petisca” é de certa forma um grande risco! Não devemos arriscar perder, somente em função do prazer de ganhar. Isso gera ansiedade e um foco errado na direção do resultado que se deve tentar alcançar. O sucesso em um projeto não se estabelece simplesmente através do ganho em prazer, mas sim, do ganho real, mensurável e analógicamente comparável com ganhos similares.

Nós estamos preparados para tomadas de decisão quanto a mudanças necessárias e riscos a serem corridos em nossos Projetos de Vida? Abaixo apresento um Mapa Mental (Mind Map) exemplificando a itemização de fatores quantitativos e qualitativos necessários à tomada de decisão:

É melhor que você aja e passe a sentir alguma coisa, em vez de ficar parado esperando sentir algo para então agir”
Jerome Bruner

7. Processo de Planejamento do Gerenciamento de Riscos – PMBoK 2004

7.1. Fatores Ambientais relacionados a seu projeto de vida:
Quais são suas atitudes e tolerâncias em relação aos riscos de seu projeto?

7.2. Ativos de Processos Organizacionais pertinentes:
Qual sua experiência em relação aos estudos sobre Riscos? Você conhece algum tipo de abordagem que já tenha sido definida em alguma ocasião, e que possa ser utilizada agora por você neste Plano Gerencial?

7.3. Declaração de Escopo de seu Projeto:
O que mais pode faltar em seu projeto? Quais são os “deliverables” mais importantes de seu escopo? Verifique o escopo de seu projeto e determine se ainda não precisa alterá-lo para alinhá-lo melhor a seus objetivos e resultados esperados?

7.4. Plano de Gerenciamento do Projeto:
O Plano de Gerenciamento do Projeto é a consolidação de todos os princípios necessários para se gerenciar adequadamente o projeto. São eles: Registro de Alterações, Definição da Equipe do Projeto, Escopo, Estrutura Analítica do Projeto (EAP) e seu Dicionário, Cronograma, Orçamento, Plano de Gerenciamento das Comunicações, Lista de Verificação da Qualidade e o Plano de Gerenciamento de Pessoal. Seu “Projeto de Vida” teria um Plano de Gerenciamento de Projeto similar?

8. Como elaborar um Plano de Gerenciamento de Riscos?

8.1. Identificação
• Precisamos identificar os riscos pois estes sempre existem e são inerentes a qualquer projeto. Projetos pioneiros ou com metas desafiadoras trabalham com maior grau de risco. Pelo fato de não se ter certeza absoluta do futuro, todo o processo de planejamento de respostas aos riscos, trabalha com um certo nível de subjetividade. Identificar os riscos e descrever suas características:

Modelo de Planilha para Identificação de Riscos

Nº Descrição do Risco Causas Sintomas Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10

Quadro de Categorização de Riscos

As categorias de riscos apresentadas acima podem e devem ser alteradas, substituídas ou acrescentadas de acordo com as particularidades dos projetos de cada um.

Grade de Metas

Podemos ainda, utililizar a Matriz SWOT, como modelo, para elaborar uma Grade de Metas que irá apresentar dados e permitir uma análise de quais metas do projeto, devemos, PRESERVAR, ELIMINAR, CONSEGUIR ou EVITAR.

8.2. Critérios
• Estabeleça os critérios de aceitação ou aversão de riscos que serão utilizados.
• Estabeleça priorização entre os riscos em função da possibilidade de ocorrência e impacto.
• Transforme possibilidades (conceito) em probabilidade (números).

8.3. Reflexão no Plano d Ação
Liste todas as metas expostas em sua Grade e analise as mudanças que precisa e pretende fazer. Coloque-as sob as seguintes perguntas que geram seu Plano de Ação:
Técnica do 5W2H
1- What/O que…?
2- Why/Para que…?
3- When/Quando…?
4- Where/Onde…?
5- Who/Quem…?
6- How/Como…?
7- How much/Quanto (custa)…?

8.4. Análise qualitativa de riscos
• A análise qualitativa de riscos visa priorizar os riscos mais importantes segundo seus prováveis efeitos no processo de mudança e baseia-se na avaliação da possiblidade e do impacto da ocorrência de acordo com o gráfico abaixo:

Moderado
Alto
Baixo
Moderado

8.5. Análise quantitativa de riscos
• A análise quantitativa de riscos visa avaliar numéricamente a probabilidade de um risco ocorrer e sua consequência, bem como, determina em termos matemáticos a possibilidade do projeto atingir seus objetivos. Produz um cronograma e um orçamento “factível”para o projeto.

8.5.1 Técnicas:
- Representação e coleta de dados
- Entrevistas (“Estimativas de 3 Pontos” ou “Cenários Otimista, Mais provável e Pessimista”)
- Distribuição Beta e Distribuição Triangular de Probabilidade
- Opinião Especializada (avaliando a metodologia)
- Modelagem
- Análise de Sensibilidade
- Análise do Valor Monetário Esperado (VME) ou Árvore da Decisão
- Modelagem e Simulação (Técnica de Montecarlo)
Obs: Neste artigo, não exemplificaremos as técnicas acima

8.6. Planejamento de Respostas a Riscos
É o fechamento do processo de planejamento uma vez que os riscos foram identificados e analisados sob a perspectiva qualitativa e quantitativa. Agora serão vistas as ações que serão desenvolvidas para cada ítem

8.6.1. Estratégias para riscos negativos ou ameaças:
- Prevenir – Significa mudar!
- Transferir – Colocar uma 3ª parte na condição de risco.
- Mitigar – Riscos “inevitáveis”- reduzir impacto
8.6.2. Estratégias para riscos positivos ou oportunidades
- Explorar – Tentar aumentar a probabilidade de ocorrência
- Compartilhar – Formar parcerias para capturar a oportunidade
- Melhorar – Tentar maximizar os impactos e efeitos.
8.6.3. Estratégias para ameaças ou oportunidades
- Aceitação – Ativa: Estabelecer um Plano de Contingência
Passiva: “deixar acontecer…”
8.6.4. Estratégias para respostas contingenciadas
- Plano de Contingência – Estratégia associada ao plano.

ESCALAS DE IMPACTO

Objetivo do Projeto
Desprezível 0,05
Baixo 0,1
Moderado 0,2
Alto 0,4
Muito Alto 0,8

Custo
Aumento insignificante do custo do projeto
Até 5% de aumento no custo do projeto
Entre 5% e 10% de aumento
Entre 10% e 20% de aumento
Acima de 20% de aumento

Cronograma
Atraso insignificante no tempo de projeto
Até 5% de atraso no tempo de projeto
Entre 5% e 10% de atraso no tempo de projeto
Entre 10% e 20% de atraso no tempo de projeto
Acima de 20% de atraso no tempo de projeto

Escopo
Redução do escopo não perceptível
Áreas menos importantes do escopo são afetadas
Áreas importantes do escopo são afetadas
Redução do escopo inaceitável pelo cliente
Produto final é inútil para o cliente

Qualidade
Degradação de qualidade não perceptível
Apenas aplicações mais críticas são afetadas
Redução de qualidade requer aprovação do cliente
Redução de qualidade inaceitável pelo cliente
Produto final não é utilizável

ESCALAS DE PROBABILIDADE

Avaliação qualitativa
Desprezível
Baixo
Moderado
Alto
Muito Alto

Probabilidade 5% 10% 20% 40% 80%

MAPA DE RESPOSTAS AOS RISCOS

Riscos Respostas Planejadas para os Riscos
1
2
3
4

8.7. Controle
Responder as seguintes perguntas:
- Os riscos previstos estão se confirmando?
- As respostas se revelaram eficientes?
- Surgiram novos riscos?
- Surgiram respostas inesperadas?
- É necessário mudar alguma coisa em relação ao que foi planejado?

9. Conclusão
A máxima do empreendedor consciente deve ser o que disse George Edward Woodberry: “A derrota não é o maior fracasso. O verdadeiro fracasso está em não tentar”.
Isto descreve você?
Considera-se corajoso para enfrentar riscos?
Considera agora que pode, aprendendo a utilizar um Plano de Gerenciamento de Riscos, controlar as mudanças em seu projeto?
Mesmo sendo este projeto, o seu “Projeto de Vida”?
Está apto para fazer mudanças que forem necessárias para você alcançar o objetivo de seu projeto?
“O fracasso é uma interpretação, não é um fato!”
Se você sempre quis escrever, então escreva alguma coisa, um artigo curto, um poema e, envie para uma editora ou jornal.
Se você é um fotógrafo amador, reúna suas melhores fotografias e inscreva-se em um concurso. Aja! Saia do “lugar comum”.
Escreva uma meta, trace um plano para alcançar seu objetivo e não tenha mais medo de mudar pois agora você já sabe que pode controlar possíveis riscos, bem como e, principalmente você aqui, aprendeu que, mesmo que não ganhe em primeiro lugar, terá aprendido com a experiência de simplesmente, tentar.
O maior fracasso é… não tentar. Gerencie suas mudanças e boa sorte.

10. Referências bibliográficas

LUZ, DANIEL C. (2001) – Insight 1. Editora DVS Ltda. São Paulo, Brasil.
LUZ, DANIEL C. (2002) – Insight 2. Editora DVS Ltda. São Paulo, Brasil.
CHRISTY, FRAN – Textos disponíveis no site www.sonhosestratégicos.com.br em 27/06/07
MANCILHA, JAIRO. Apostila do Curso de PNL Programação Neurolinguística, nivel Practitioner – INAp Instituto de Neurolinguística Aplicada
VARGAS, RICARDO VIANA. (2006) – Plano de Gerenciamento de Projetos. Editora Brasport Ltda. Rio de Janeiro, Brasil.
XAVIER, CARLO MAGNO; VIVÁCQUA, FLAVIO RIBEIRO; MACEDO, OTUALP SARMENTO; XAVIER, LUIZ F. DA SILVA. (2005) – Metodologia de Gerenciamento de Projetos Methodware. Editora Brasport Ltda. Rio de Janeiro, Brasil.
Site O Gerente – http://www.ogerente.com.br/produtividade/mm/mapas_mentais_swot.htm em 29-06-2007

Acostumada desde cedo com a velocidade e o excesso de informações da internet, a geração de profissionais que ingressa hoje no mercado de trabalho carrega consigo características próprias de quem viveu o estopim da revolução digital.Apelidados de geração Y –ou geração milênio–, os futuros líderes empresariais são identificados como ansiosos, preocupados com o equilíbrio entre qualidade de vida e trabalho e interessados em construir uma carreira que não dependa da empresa em que trabalham.

Esse perfil foi constatado pelos estudos das consultorias Stanton Chase International e Robert Half, aos quais a Folha teve acesso com exclusividade.

O primeiro, realizado com o Ibope Inteligência, traçou o perfil das gerações de executivos em oito países da Amé- rica Latina, incluindo o Brasil. Aqui, foram ouvidos 1.319 profissionais, desde estagiários até diretores (leia ao lado).

A geração Y –mais nova do que a X, que tem entre 30 e 39 anos– teve duas subdivisões: internet, de 25 a 29 anos, e juniores, com menos de 24 anos.

No geral, trata-se de jovens atraídos por empregos que lhes permitam sentir-se bem com projetos, crescer rapidamente e ter boa remuneração. Preocupam-se com o ambiente de trabalho e com o tempo livre.

“Eles não desejam ser empreendedores no sentido de terem o próprio negócio. Querem ser empreendedores dentro de suas carreiras”, analisa Cássia Zanini, diretora de desenvolvimento do Grupo Foco.

A idéia de trabalhar até a aposentadoria no mesmo lugar é descartada pela nova geração, segundo Zanini. Esse desapego, pondera, é reflexo de um senso de individualidade maior: “A carreira vai embaixo do braço, com o notebook”.

Audaciosos

Em sintonia com a pesquisa, o analista de produto Sandro Marques da Silva, 27, é um dos que dizem não ter medo de colocar sua capacidade à prova.

“Se chegasse o momento em que não tivesse metas, não me submeteria a ficar na empresa por acomodação”, diz.

Esse ritmo frenético, quando gera excesso de ansiedade, é visto como fator negativo dessa geração por Fernando Mantovani, gerente da Robert Half. Em parceria com o site Yahoo! Hotjobs, a consultoria fez um estudo sobre a nova geração, tendo como base a juventude universitária norte-americana.

Um dos traços marcantes dos entrevistados é não terem medo de arriscar, aponta o estudo.

Ainda vista com cautela por empresas tradicionais, essa característica é bem-vinda em firmas como a produtora de filmes publicitários Maria Bonita, cuja maioria dos 40 funcionários tem menos de 30 anos.

“Aqui, arriscar é o que faz a diferença”, comenta o cineasta João Vicente de Castro, 25.

Via: UOL

Fonte: http://vidauniversitaria.com.br/blog/?p=11598

Às vezes, para construir nosso futuro, é necessário rever nosso passado.


UM COMEÇO DE CONVERSA

Como alguém pode se transformar num profissional bem sucedido? Esta é uma pergunta para a qual não se pode fornecer uma resposta definitiva. Ninguém possui a fórmula do sucesso. E vários são os motivos. O mais evidente é que ele não depende exclusivamente do fato de querermos ter sucesso ou das nossas ações nesta direção; existem variáveis intervenientes sob as quais não possuímos nenhum controle. Mas se não podemos garantir o sucesso, sabemos com algum grau de certeza, o que produz o fracasso. Então, não é exagero pensar que se conseguirmos nos afastar deste caminho, se pudermos evitar as formas de pensar e agir que induzem ao insucesso, teremos boas possibilidades de engrossar o time dos bem sucedidos profissionalmente. Antes de iniciar este pequeno estudo, é conveniente que procuremos o significado que a palavra “sucesso” pode ter para cada um de nós. Por exemplo, para alguns representa a possibilidade de movimentar-se no palco da vida sob os aplausos permanentes da multidão; para outros, é contar com o reconhecimento dos seus pares; para outros ainda é apenas sentir-se útil e produtivo. Mas também é bom não esquecer que seja qual for o significado que “sucesso” possa ter para nós, devemos compreender que, em nossa sociedade, embora ele seja parte importante da construção de nossa identidade, não deveria ser o único objetivo em nossas vidas. É muito provável que nosso viver se transforme em algo muito penoso se fizermos
do sucesso profissional a única razão de nossa existência – mesmo que o alcancemos. Vamos então apresentar algumas formas de pensar e agir que podem nos levar ao fracasso ou, pelo menos, dificultar o atingimento do
sucesso profissional.

SOB A ÉGIDE DA JUSTIÇA

Algumas pessoas acreditam que, se um indivíduo é honesto, bom filho, dedicado, educado, trabalhador, etc, cedo ou tarde, por uma questão de justiça, acabará por ser reconhecido e beneficiado em função de suas boas qualidades. Desta forma de encarar a vida geralmente fazem parte afirmações do tipo: “A verdade sempre aparece”, “A justiça tarda mas não falha”, “O criminoso sempre volta ao local do crime” (e será descoberto e, subentende-se, certamente punido). Esta “filosofia, pelo menos indiretamente, está associada à teoria da verdade evidente, isto é, à crença exageradamente otimista de que a verdade, o bem, a justiça sempre serão revelados e se imporão naturalmente. Essas pessoas geralmente acreditam que o mundo e nossas vidas são regidos por leis
justas que a todos atingirá – mesmo que não seja nesta vida. A Justiça pode tardar, mas não pode falhar.
Pessoas deste tipo costumam esperar “que os outros reconheçam sua competência”, mas pouco fazem para mostrá-la.

O PRIMADO DA SORTE

Uma variante do ponto de vista anterior é o daquelas pessoas que acreditam na sorte…Mas não na sorte como é definida pelos dicionários: algo casual, fortuito, aleatório. Mas um tipo de sorte que faz, por exemplo, com que algumas pessoas ganhem sempre a melhor parte, enquanto outras, fiquem com a pior ou sem nenhuma (1). Cada um já nasce com sorte ou sem sorte. E nada se pode fazer num caso ou noutro. Se nascemos com sorte, vamos desfrutar; se nascemos sem sorte, o melhor é rezar. Rezar, resignar e esperar.

O DESTINO IMPERATIVO

De um modo geral, estas pessoas também acreditam no destino. Nada aconteceria se o acontecimento já não estivesse pré-determinado. A pequena folha flutuando no espaço, não se desloca ao léu; alguém ou alguma coisa determinou sua queda e seu rumo. Existe uma causalidade imperativa que pode sempre ser descoberta.
Quando uma pessoa alcança algum sucesso, costumam dizer que ela “tem uma boa estrela”; quando fracassa: “que nada se pode fazer, é o destino”, “é a vontade de Deus” ou que “Ele escreve certo por linhas tortas”. As pessoas que pensam assim, não só negam sua competência para o sucesso como sua responsabilidade pelo fracasso. Além disso transferem para Deus, a responsabilidade pela condução de suas vidas. Mas é muito provável que Deus não leve muito a sério esta história de destino – se o fizesse, não concordaria com o livre-arbítrio. As Igrejas que o representam neste lado do Universo, estimulam a responsabilidade do crente na escolha do seu caminho. A Igreja Católica, há algum tempo, divulgou pela mídia, uma mensagem que era mais ou menos assim: “Deus ajuda, mas só ajuda. Você tem que arregaçar as mangas e trabalhar”.

A SOLUÇÃO MÁGICA

Existem também, dentro desta mesma forma de interpretar os eventos da vida, as pessoas que se encantam com as histórias daqueles grandes vultos – principalmente do mundo artístico – que casualmente, fruto de um encontro inesperado, ficaram face-a-face com o sucesso e se tornaram estrelas de primeira grandeza no mundo dos seres bem sucedidos. Aquela artista que nem sabia que era artista, que nada conhecia sobre artes cênicas, que nem gostava de teatro, num certo dia casualmente tem um encontro e descobre toda a sua real vocação. E então, como que por milagre, da noite para o dia é colocada sob as luzes da ribalta e vive seu fulgurante sucesso. Estas crenças subentendem, além de uma monumental sorte, uma competência inata, latente e pronta para despertar
tão logo surja a oportunidade. Pessoas que acreditam em tais histórias, tendem a tomar a exceção como regra e a destacar apenas o sucesso do personagem, sem levar em conta todo o caminho que teve que trilhar para chegar ao topo. Não percebem que este caminho é difícil e exige persistência, vontade de vencer e alta resistência à frustração. Queriam ter a sorte da grande pianista internacional que nasceu com a vocação musical. Regra geral esquecem que esta mesma pianista que nasceu vocacionada para a música, só alcançou o sucesso porque estudou com seriedade, aproveitou todas as oportunidades que surgiram e trabalhou duramente em seu piano, corrigindo erros e aprimorando qualidades.

OS “NATURALISTAS”

Existem também aqueles que acreditam que todos têm que ser naturais. Como alguém pode ser natural por obrigação? Isto não importa. O que interessa é que todos devemos ser completamente naturais. As coisas devem acontecer por si mesmas. Neste sentido, planejar sua vida profissional – como é a proposta deste trabalho – seria, no mínimo, obsceno. Planejamento é primo direto de um outro palavrão: racionalização (2). Para os “naturalistas”, racionalização é, basicamente uma força que impede a manifestação da verdadeira natureza humana. Seu lema pode ser assim resumido “Seja natural. Viva seus impulsos com espontaneidade. Não permita que a razão o (a) impeça de viver a verdadeira vida. Não planeja nada. Deixe a vida fluir”. Essas pessoas não podem compreender (porque talvez “sofram” de algo semelhante ao que Galbraith chama de crenças convenientes) que o uso da razão se, por um lado, pode bloquear o fluir de certos impulsos naturais, é por outro, um recurso conveniente e eminentemente humano que tem, entre outras, a função de criar condições para que as emoções se manifestem em sua plenitude.

A COMPETÊNCIA

Para outros, a condição necessária e suficiente para que alguém alcance sucesso profissional, é, acima de qualquer outra, a competência. Embora este atributo seja um dos requisitos fundamentais para aqueles que pretendem ser bem sucedidos em suas profissões, a experiência tem demonstrado que, mesmo sendo a competência condição necessária, não é suficiente. São muitos os elementos definidores do
sucesso. Conhecemos alguns: conhecimento geral e especial, senso de oportunidade, decisão, persistência, planejamento, aprimoramento nas relações interpessoais e se tivermos sorte, um pouco de sorte.
Todas estas características têm pouca utilidade se o indivíduo não souber usa-las com adequação. Um plano bem feito e bem executado é uma ajuda inestimável para o sucesso. Sem um bom plano é mais provável que o candidato dê muitas voltas desnecessárias e perca muito tempo até descobrir que, na melhor das hipóteses, apenas marcou passo.

O PLANEJAMENTO

Este planejamento é uma compilação de outros já existentes e foi adaptado para o profissional do campo da Psicologia. Embora nada de novo apresente, pode se constituir num conveniente instrumento de ajuda para os que querem ter sucesso profissional por esforço próprio. O PIC é um plano que visa o estabelecimento dos passos a serem dados para alcançar um objetivo profissional previamente determinado. Um planejamento de carreira compõem-se, basicamente, de duas partes: (1) o estabelecimento do objetivo(s) – claramente definido(s) – a ser(em) alcançado(s) e (2) as operações que devem ser realizadas para que a meta seja atingida. Antes de iniciar seu plano, é importante que você tenha um bom conhecimento sobre você mesmo e sobre as características do seu campo profissional. As questões abaixo podem ajudá-lo:

1) Que motivos levaram você a escolher a psicologia como sua futura profissão? Observação: Por favor, não responda: “Meu desejo de ajudar aos outros”. Ninguém escolhe uma profissão, seja ela qual for, por qualquer motivo que não esteja voltado para sua própria sobrevivência e/ou satisfação. Escolhemos uma profissão porque gostamos de fazer o que ela oferece; porque com ela poderemos ganhar mais dinheiro; para aumentar ou criar nosso status social, etc. Se você respondesse: “Sinto-me bem quando ajudo aos outros” ou “A psicologia vai me permitir ajudar aos outros e isto me fará sentir uma pessoa importante”, provavelmente estaria sendo mais coerente e “verdadeiro” com relação a você mesmo.

2) Após formado (a) qual a especialização que você pretende desenvolver? Porque?

3) Após formado (a), que objetivo ou objetivos você pretende alcançar? Indique, aproximadamente, dentro de quanto tempo?

4) Você acredita que já possui as condições necessárias?

5) Se ainda não as possui, acredita que possui meios para desenvolvê-las?

6) Para atingir seus objetivos, que dificuldades você acredita que poderá encontrar? Neste caso, o que poderá fazer para superá-las? Após responder a estas questões, você provavelmente estará apto para iniciar seu Plano. Seguem-se algumas recomendações que poderão ajudá-lo nesta tarefa:

a) Estabeleça seu(s) objetivo(s) e o(s) prazo(s) que supõe necessitar para atingi-lo(s). Por exemplo: “Dentro de cinco anos quero estar dirigindo Setor de Relações Humanas da empresa X”. ou “Dentro de
três anos quero estar realizando meu mestrado em psicologia clínica”.

b) Esteja certo(a) de que o prazo que você estabeleceu é adequado: nem muito longo nem muito curto.

c) Certifique-se de que, estando devidamente preparado(a), você poderá ocupar a função desejada, isto é, certifique-se de que não existirão barreiras extra-profissionais que possam tornar impossível ou
muito difícil atingir sua meta. Por exemplo, você terá que avaliar o esforço que deve despender para tentar chegar a chefe ou gerente numa instituição que é dirigida por um grupo familiar que somente permite aos
seus familiares o acesso a posições-chave ou, sendo você do sexo masculino, aspirar o posto de Gerente de Recursos Humanos, numa empresa onde este nível de gerência é vetado aos homens.

d) Estabeleça níveis intermediários e prazos para atingir cada um dos seus objetivos. Por exemplo: trabalhar durante x anos em tal equipe multi-profissional com o objetivo de adquirir a experiência que lhe
permita montar seu próprio serviço de atendimento psicológico ou tanto tempo para fazer os cursos de especialização que lhe darão o necessário respaldo teórico para ocupar tal ou qual função. Esteja certo(a) de que dispõe de tempo, competência e condições materiais para alcançar tais objetivos.

e) É um bom procedimento procurar pessoas confiáveis que possam auxiliá-lo(a) a determinar, se seu plano é realmente exeqüível. Você estará se super ou subestimando?

f) Adquira competência instrumental para facilitar o atingimento de suas metas. Duas sugestões:
A especialidade pretendida está publicada predominantemente em idioma estrangeiro que lhe é desconhecido, coloque como uma de suas metas importantes, o estudo daquela língua. Atualmente o inglês é a “língua universal”. E é sabido que são suficientes apenas 600 horas para que
você domine este idioma. Hoje a Internet é uma das maiores fontes de informação disponível no mundo. Saber usá-la é condição indispensável para o seu aprimoramento.

g) Escolha um profissional competente que possa auxiliá-lo(a) na definição de objetivos e na escolha de leituras, cursos de especialização, estágios, etc. Esteja certo de que esta ajuda não está sendo influenciada por outros fatores que não a competência, experiência e seriedade do profissional.

h) Se você ainda não possui um grupo de estudo, organize um. Um grupo com objetivos, recursos, motivações semelhantes, é uma ajuda inestimável no planejamento e execução de seus objetivos profissionais.

i) Esteja atento para identificar suas deficiências profissionais e elimine-as logo que possível.

j) Sempre que possível amplie seus conhecimentos para além dos limites da psicologia. Dificilmente alguém pode atingir proficiência ficando apenas nos limites de sua especialização.

k) Esteja aberto (a) às críticas; disponha-se a mudar toda vez que essas críticas sinalizarem a necessidade de revisões e mudanças.

l) Esteja alerta para atualizar seu Plano toda vez que o surgimento de novas condições possam influenciar sua concretização. Um dos motivos mais comuns de fracasso é deixar de reformular nossos objetivos mesmo
quando eles se tornam inexeqüíveis face a novas informações ou a mudanças contextuais.
Finalmente, para atingir o sucesso profissional é indispensável – e parece que todos concordamos – que cada um tenha um Plano. Pode ser um Plano com este ou maior, menor, melhor, escrito, pensado, diferente.
Isto não importa. Importa que você o elabore e siga. Também é importante ressaltar que seja lá qual for o plano você escolher, não lhe será útil se for um plano que determine em todas as situações e rigidamente tudo o que se deve fazer. Sugeri que você tivesse um plano para servi-lo e não
um plano ao qual você deva servir.

Notas:
(1) Não sei se este tipo de sorte existe. Mas vou supor que sim e vou chamá-la de oportunidade. E neste sentido, quando a oportunidade chegar, é importante que utilizemos a nossa competência para garantir que “a
sorte” não nos abandone. (2) A expressão não é aqui considerada como na psicanálise: “processo
segundo o qual o indivíduo utiliza uma explicação coerente do ponto de vista da lógica, para justificar e ocultar determinada motivação”. É utilizada como é definida nos dicionários: “tornar racional, reflexivo; utilização do raciocínio”.

Psicólogo Luiz Fernando Teixeira Dantas

Fonte: http://www.existencialismo.org.br/
Saiba como o autoconhecimento pode ajudar profissionais

Publicado em 24/04/200813:00

Por Lilian Burgardt

Teoria dos tipos de Jung

Em 1921, Jung escreveu um de seus mais importantes trabalhos, o livro “Tipos Psicológicos”. Ele estabeleceu quatro inteligências básicas: atenção, percepção, julgamento e orientação. Segundo Jung, dentro de cada uma destas inteligências os indivíduos podem exercer duas formas de atitude assim distribuídas:

Atenção: extroversão/introversão
Percepção: sensação/intuição
Julgamento: pensamento/sentimento
Orientação: julgamento/percepção

Para Jung, nenhum indivíduo é totalmente representado por um destes pólos. O que acontece é que ele tem uma preferência por determinada característica.

Anos mais tarde, a teoria de Jung, serviu de base para que fossem criados 16 tipos psicológicos utilizados até hoje na Psicologia.

Não faltam teorias sobre como os profissionais devem pensar ou agir para atingir o sucesso na carreira. Há inúmeras recomendações sobre o que o atual mercado de trabalho espera e sob qual cartilha se deve rezar para conseguir uma vaga, um aumento de salário e até uma promoção. Quem busca informação sobre como proceder para ser bem-sucedido, fatalmente se depara com uma lista de competências indispensáveis, entre elas: foco no cliente, poder de negociação e orientação para resultados, além de características pessoais como: pró-atividade, motivação e espírito empreendedor. (Saiba mais na matéria “Habilidades pessoais aumentam salários“)

Especialistas em comportamento e analistas de carreira, porém, chamam a atenção para um fator que, muitas vezes, é ignorado pelos profissionais, mas considerado determinante para o sucesso individual de cada um, o autoconhecimento. Na Grécia Antiga, Sócrates já filosofava “conhece-te a ti mesmo”. Para eles, o que se propõe hoje é reavaliar esta idéia e aplicar teorias e métodos, a fim de mostrar às empresas e aos profissionais que nela atuam como sua personalidade pode ajudá-lo a obter o sucesso desejado.

Em seu livro “Relacionamentos” – como desenvolver relações saudáveis e equilibradas que farão a diferença em sua vida pessoal e profissional (Editora M.Books – 2004), o psicólogo e consultor de carreira, Gustavo Henrique Boog, cita quatro personagens. Segundo ele, eles são uma síntese de diversos autores sobre as personalidades que todo indivíduo possui em maior ou menor intensidade, são elas: Rei, Mago, Guerreiro e Amante.

Para o especialista, estes perfis exemplificam as características psicológicas observadas na teoria de personalidades de Hipócrates – filósofo grego que definiu quatro temperamentos: o melancólico, sanguíneo, fleumático e colérico – e também na teoria dos tipos psicológicos do consagrado psicólogo Carl Gustav Jung, no início do século passado. (Conheça a teoria no box ao lado)

Na opinião de Boog, são estas personalidades que indiscriminadamente se aplicam a qualquer indivíduo e que influenciam nos comportamentos humanos, tanto em âmbito pessoal como profissional. Embora afirme que mapeá-las não garante o sucesso para ninguém, o consultor acredita que conhecê-las e identificá-las ajuda cada um a conhecer um pouco mais sobre si mesmo. Isso inclui pontos fortes e fracos que podem ser trabalhados em busca de evolução. “Todo indivíduo possui os quatro perfis dentro de si, mas um deles é sobressalente. O melhor é aproveitar o que cada perfil tem de bom para o ambiente profissional e trabalhar os quesitos em que ainda se é fraco”, estabelece.

REI GUERREIRO MAGO AMANTE
Visionário, o rei está à frente de seu tempo. Ele tem iniciativa, é extremamente otimista e energético, o grande puxador de projetos. Sua visão é de longo prazo. Objetividade, persistência e dedicação são características do guerreiro. A impaciência é outra marca registrada. Com ele, os resultados são, no máximo, para amanhã. Metódico, organizado, sistemático e perfeccionista. O mago gosta de escrever e detalhar tudo. Na empresa, é aquele que faz ata de reunião. O amante é um ótimo ouvinte que se preocupa com o bem-estar do outro. Ele busca a harmonia da equipe. Falta-lhe, porém, um pouco de assertividade. Por isso, acaba sendo um engolidor de sapos.

Boog defende que não existe um só perfil que seja considerado o melhor ou mais adequado, inclusive para cargos de liderança. O que se observa é que a depender do perfil da empresa e do momento pelo qual ela passa determinada personalidade pode obter um resultado mais significativo. Isso foi visto na prática pelo consultor durante um workshop com 25 presidentes de grandes empresas do Rio Grande do Sul.

“Observamos que em casos de empresas que perdem fatia de mercado e precisam driblar a concorrência, os guerreiros exercem papel fundamental, pois irão combater para mudar resultados. Quando a empresa vive uma confusão de papéis e de hierarquia, os magos podem estabelecer uma definição clara das atribuições de cada um. Quando se tem um ambiente em que a empresa é muito conservadora e não está sensível ao mercado, o Rei tem uma posição de destaque para pensar novas estratégias. Agora, quando a empresa sofre com falta de motivação entre os colaboradores e o trabalho em equipe não funciona, o amante pode ser o elemento chave para dar equilíbrio”, exemplifica Boog.

Empresas valorizam mapeamento

Grandes empresas estão atentas à relevância de conhecer o perfil de cada um de seus colaboradores de forma a utilizar seu quadro de funcionários para desenhar equipes de projeto cada vez mais bem-sucedidas, além de promover o autoconhecimento de cada indivíduo para que isso contribua para sua evolução profissional. O psicólogo da IDH, empresa de desenvolvimento humano, Péricles Pinheiro Machado Junior, diz que é grande o número de empresas que procuram a IDH para aplicar as ferramentas de avaliação tipológica como o MTBI (Myers-Briggs Type Indicator) – indicador de preferências pessoais – e o TMP (Team Management Profile) – indicador para ambiente organizacional -, em suas companhias.

Para as empresas, a ferramenta tipológica serve para conhecer melhor seu corpo de colaboradores e estabelecer equipes de trabalho e, dessa forma, aproveitar as características de cada um em prol de um resultado. Atitude que, na opinião de Machado, ajuda a fazer funcionar a engrenagem do trabalho em equipe. (Saiba mais sobre o tema trabalho em equipe na matéria Para empresas, trabalho em equipe é fundamental“)

“O fato de 10 pessoas trabalharem juntas, não faz disso uma equipe. Uma verdadeira equipe é formada a partir do momento em que se tem cooperação, interação, respeito, objetivos comuns e divisão de tarefas. Os diferentes atores de uma equipe de trabalho devem congregar características que apontem ser possível trabalhar nesse sentido. Para identificá-los, a tipologia é uma ferramenta eficiente”, afirma o psicólogo.

As ferramentas utilizadas pela consultoria são fundamentadas na teoria das quatro inteligências de Jung e também procuram indicar as características psicológicas dos indivíduos. O psicólogo explica, no entanto, que o instrumento de avaliação não serve para que empresas selecionem os candidatos com base no perfil psicológico apresentado, até porque, ela não deve servir como fator excludente. “Embora a gente ouça que hoje o mercado valoriza quem é extrovertido, isso não significa que um indivíduo introvertido esteja fadado ao fracasso, ou seja, excluído do mercado,” ressalta Machado.

Para ele, a teoria tipológica serve para desmistificar essa questão ao passo que um indivíduo pode deter as quatro inteligências e exercê-las em maior ou menor intensidade de acordo com sua preferência. No caso de uma pessoa introvertida, por exemplo, se houver treino, ele estará apto a exercer a competência de negociação, mas sua personalidade irá influenciar sua maneira de negociar tornando-a diferente da maneira de uma pessoa extrovertida fazê-lo.

“Há uma diferença entre característica pessoal e competência. Competência é algo que se pode desenvolver com treino. A característica pessoal é que vai determinar como cada um irá desenvolver determinada competência, o que não significa que um introvertido, por exemplo, seja incapaz de se comunicar com eficácia em relação a um extrovertido. Eles só o farão de maneira diferenciada. Por essa razão, consideramos até antiético utilizar as ferramentas tipológicas como método de seleção”, alerta o psicólogo.

Segundo Machado, mais do que uma ferramenta corporativa, a avaliação psicológica serve para dar clareza ao indivíduo sobre sua personalidade e serve para seu aprimoramento. “O retorno dado ao profissional que fez a avaliação é importante não só para ajudá-lo a conhecer seus pontos fracos e trabalhá-los, mas para mostrar a ele como aproveitar melhor suas características mais determinantes, porque todas as características pessoais podem trazer resultados positivos, desde que se saiba utilizá-las”, explica.

Fonte: http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=15809

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR76794-6014,00.html

Ela nasceu com as conquistas do feminismo, é independente e segura. Ao mesmo tempo, admite que precisa de um companheiro e não se importa em ser admirada pela beleza. Ela é a mulher alfa

Beatriz Velloso, Mariana Sanches e Martha Mendonça

Um híbrido novo circula pelas grandes cidades do Brasil e do mundo. É uma mistura entre dois tipos conhecidos, mas até há pouco tempo inconciliáveis. Essa nova espécie é encontrada apenas entre as mulheres e vem sendo observada com admiração, respeito, esperança – e, em alguns casos, com certo receio. Trata-se de uma combinação entre a figura da feminista clássica, aquela surgida nos anos 60, que, para conquistar espaço e independência, teve de ser durona, agressiva e por vezes masculina, e a “mulherzinha” dos anos 90, personificada pela personagem Bridget Jones, que queria arrumar um companheiro bacana, manter o corpo em forma, ir à manicure uma vez por semana e comprar muitos pares de sapato sem medo de ser tachada de perua.

A mulher alfa é uma
combinação entre a
feminista dos anos 60
e a “mulherzinha” dos
anos 90, como
Bridget Jones

Essa nova espécie é a mulher alfa, uma feminista feminina, criatura nascida para ser líder, dona de uma segurança e uma auto-suficiência sem precedentes, competente na vida acadêmica e no universo profissional. Um tipo de mulher que nasce pronta para enfrentar tudo, capaz de admitir que precisa, e gosta, dos homens – mas capaz, também, de viver sem eles. Uma mulher vaidosa, que gosta de cuidar de si e de ser admirada pela beleza, sem risco de cair no estereótipo da futilidade. A mulher alfa tem potencial para mudar a estrutura do casamento, da família e do mercado de trabalho. E já há quem sustente que ela vai dominar o futuro.

Essa é a tese do livro Alpha Girls (Meninas Alfa), que acaba de ser lançado nos Estados Unidos. Escrito por Dan Kindlon, psicólogo e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, o livro transporta para o universo feminino um termo conhecido da biologia animal: o macho alfa – o mais forte do bando, que lidera os demais, consegue os melhores alimentos e as melhores fêmeas. Para Kindlon, entre os seres humanos esse papel caberá, muito em breve, às mulheres. No livro, ele reúne entrevistas, estudos e estatísticas sobre a nova geração de meninas americanas, com idade variando entre 15 e 20 anos, e afirma que elas estão mais bem preparadas para cair no mundo que os meninos (leia a entrevista na seqüência da matéria). Kindlon não está só – e as idéias sobre a mulher alfa não se restringem às moças da sociedade americana. Recentemente, o filósofo francês Gilles Lipovetsky cravou que este será o “século da mulher-sujeito”, aquela que é senhora da própria vida. Em seu livro A Terceira Mulher, Lipovetsky escreve: “Nenhuma transformação social de nossos tempos foi tão profunda, rápida e rica de possibilidades futuras quanto a emancipação feminina”. E acrescenta: “A situação presente é marcada por tal defasagem entre as qualificações das mulheres e sua posição hierárquica que a pressão para o topo é quase inevitável”.

Amora Mautner
Idade: 31 anos
Estado civil: casada, está grávida do primeiro filho

Por que é alfa: tem espírito de liderança. É diretora de TV do primeiro escalão da Globo. Desistiu de ser atriz porque não gostava de receber ordens

No Brasil, o fenômeno já pode ser identificado. Está presente nas ruas, começa a invadir o alto escalão do governo e das grandes empresas e tem suas maiores promessas entre as meninas da geração mais jovem, que estão na idade de fazer vestibular e iniciar uma carreira – cada vez mais certas da própria capacidade de triunfar. A tendência está cravada, ainda, em diversos indicadores sociais: elas já são maioria nas universidades brasileiras, tiram melhores notas e têm mais anos de estudo que os homens. “Nunca a distância entre homens e mulheres foi tão pequena”, afirma Marcelo Neri, economista da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, que pesquisa a participação da mulher no mercado de trabalho. “A sociedade de hoje tem um viés pró-mulher.” Em artigo recente, a revista The Economist resumiu a questão: “Esqueça a China, a Índia ou a internet. O mais poderoso motor do crescimento global são as mulheres”.

O nome vem de um
termo da biologia:
o macho alfa – o
mais forte do bando,
que consegue as
melhores fêmeas

O que levou ao surgimento da mulher alfa? Quais transformações sociais, culturais e econômicas levaram a esse novo caminho? Há várias respostas para essas perguntas, e todas contribuíram de igual forma para a ascensão da mulher e sua metamorfose até que ela chegasse ao ponto em que se encontra hoje – as “filhas da revolução feminista”, nas palavras de Dan Kindlon. A primeira justificativa, e a mais óbvia, está justamente no movimento da emancipação feminina dos anos 60, nas batalhas travadas para permitir que as mulheres deixassem a função de dona de casa e passassem a trabalhar, ganhar salário e ter uma vida além do cotidiano doméstico. O surgimento da pílula anticoncepcional, em 1960, também foi fator preponderante, pois deu às mulheres a chance de optar – ou não – pela maternidade. O controle de quando (e se) a mulher teria filhos foi uma arma poderosa para que ela pudesse investir em outras áreas da própria vida, como a carreira. As mulheres passaram a estudar e a trabalhar mais. Começaram a ganhar bons salários – o que lhes permitiu, caso quisessem, despachar os maridos e sustentar-se sozinhas.

Gabriela Masciolo
Idade: 31 anos
Estado civil: separada, sem filhos

Por que é alfa: não tem medo de arriscar. Largou um emprego bem pago e estável num grande banco para realizar o sonho de abrir uma livraria

NOVA GERAÇÃO
As estudantes do Colégio Santa Cruz, em
São Paulo, não têm pressa de casar, não
ligam para regime e planejam mestrado

Tudo isso já se sabia. Mas há uma novidade no cenário: agora, estamos diante da primeira geração de mulheres adultas que cresceram quando todas essas conquistas estavam estabelecidas. “As mulheres que hoje têm cerca de 30 anos nasceram num mundo onde é natural freqüentar boas faculdades, trabalhar fora, ganhar bem e tomar a iniciativa de pedir o divórcio”, diz Dan Kindlon. “Isso faz toda a diferença. Elas já partem do pressuposto que podem fazer tudo aquilo que os homens fazem, e é essa certeza que as fará avançar.” A afirmação remete ao clássico feminista O Segundo Sexo, da francesa Simone de Beauvoir. Lançado em 1949, o livro trazia uma frase hoje célebre: “Não se nasce mulher. Torna-se”. Hoje, o raciocínio é oposto: as novas mulheres são alfa justamente porque nasceram alfa. “Quando exemplos de igualdade e mulheres em cargos de liderança são observados desde a infância, a informação que fica é positiva”, afirma Kay Hymowitz, especialista em Políticas Públicas pela Universidade Columbia e autora do livro Liberation’s Children: Parents and Kids in a Postmodern Age (Filhos da Libertação: Pais e Crianças na Era Pós-Moderna). “As novas gerações já largam com vantagem. Para as mulheres que cresceram nos anos 60, não havia isso. Elas tiveram de remar contra a maré”, diz Kay.

As mulheres dividem
o mercado de trabalho com os homens em
partes quase iguais,
nos Estados Unidos
e no Brasil

Nunca houve tantos exemplos comprovando a potência das mulheres. A segunda pessoa mais importante do alto escalão do governo Lula é mulher, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nos EUA, a Câmara dos Deputados tem hoje a primeira presidente mulher da História (Nancy Pelosi) e Hillary Clinton é candidata a candidata à Presidência. Os exemplos se multiplicam pelo Chile, pela França, Alemanha, Libéria, Coréia do Sul e outras paragens (leia o quadro na seqüência da matéria). Essas mulheres fazem parte de outra geração – aquela que “remou contra a maré”, nas palavras de Kay Hymowitz. Mas são elas, e outras mais, que dão às alfa de hoje a certeza de que o céu é o limite.

E quem são as mulheres alfa? O que pensam sobre trabalho, casamento, família e a convivência com os homens? A paulista Ana Cristina Tena é bom exemplo. Aos 39 anos, casada, dois filhos, ela é vice-presidente de vendas do Credicard Citibank no Brasil. Comanda, entre funcionários internos e externos, uma massa de mais de 6 mil pessoas. No ano em que fez vestibular, passou, de uma só vez, em três das faculdades mais disputadas do país: a Escola Politécnica e a Faculdade de Direito, ambas da Universidade de São Paulo, e o curso de Administração da Fundação Getúlio Vargas. Optou por cursar as duas últimas e, depois, fez mestrados na Universidade Stanford, nos EUA, e no Instituto Insead, na França. A descrição de mulher alfa pode sugerir uma mulher durona, seca e masculinizada. Nada mais equivocado. Ana Cristina é bonita, faz ginástica todos os dias, passa esmalte vermelho nas unhas e não reza pelo antigo breviário feminista, segundo o qual é preciso vencer a dominação masculina. O que ela quer é equilíbrio. Como boa alfa, tirou de letra o que poderia ser visto como entrave para uma mulher. “O fato de que exatas e finanças ainda são áreas dominadas pelos homens foi irrelevante na minha escolha profissional. Eu queria fazer isso, estudei, me dediquei e estou aqui.”

Ana Cristina Tena
Idade: 30 anos
Estado civil: casada, dois filhos

Por que é alfa: é bem-sucedida. Ao sair do colégio, passou nos vestibulares de Engenharia, Direito e Administração de uma só vez. É vice-presidente de vendas de um banco internacional e comanda uma equipe de 6 mil funcionários

As estatísticas ajudam a entender a convicção de Ana Cristina. Nos Estados Unidos, a divisão dos empregos entre mulheres e homens mostra uma evidente tendência de ascensão feminina: da década de 50 para cá, a participação dos homens no mercado de trabalho caiu de 70% para 52%, enquanto a das mulheres subiu de 30% para 48% no mesmo período. Por lá, e também em países da Europa, como Inglaterra, Alemanha e Suécia, as mulheres estudam mais anos, têm mais diplomas e mais títulos de mestrado e doutorado. O Brasil segue firme no mesmo rumo. A participação feminina no mercado de trabalho caminha para a paridade com os homens: elas ocupam 44% dos postos. Segundo o IBGE, o número de mulheres chefes de família aumentou oito vezes entre 1995 e 2005, e elas já são as principais provedoras em 28% dos lares brasileiros. As mulheres representam 56% dos brasileiros que têm 12 anos de estudo ou mais. “Elas estão finalmente começando a colher os resultados da revolução que fizeram”, diz o economista Marcelo Neri, da FGV.
Não é o caso de dizer que todas as batalhas já foram vencidas ou que a igualdade é total. Apesar dos avanços, os cargos de chefia em quase todos os setores ainda são dominados por homens. De acordo com um estudo da publicação americana Academy of Management Perspectives, publicado na edição de março da revista Época Negócios, entre as mil maiores empresas americanas, apenas 1,7% tem mulheres na presidência. No universo do poder público, a situação é semelhante. A pesquisadora Tânia Fontenele-Mourão, da Universidade de Brasília, fez um retrato completo da participação feminina na chefia do governo brasileiro – o resultado é o livro Mulheres no Topo de Carreira, uma análise esclarecedora sobre o assunto. Tânia apurou que a presença feminina no alto da administração pública é maior que no conjunto da sociedade – 19% dos cargos de chefia -, mas ainda é pequena. “Quanto mais alto o nível de responsabilidade e decisão, menor a participação das mulheres”, afirma Tânia. No Legislativo, a disparidade também é grande: as mulheres representam apenas 12% do Senado e 9% da Câmara em Brasília. No Congresso, ser alfa ainda é difícil – como atesta a deputada gaúcha Manuela d’Ávila, de 25 anos, bonita, determinada, firme e bem-sucedida (ela foi eleita em 2006 com 272 mil votos). “Minha geração já cresceu contando com a igualdade, sempre tivemos liberdade para fazer o que quiséssemos”, diz ela. “Por isso, é estranho entrar num universo em que as relações ainda são preconceituosas. Foi um choque sentir que a dominação masculina ainda é maciça em Brasília.”

Manuela d’Ávila
Idade: 25 anos
Estado civil: solteira, mora com o namorado

Por que é alfa: : chegou a uma área dominada por homens. Foi eleita deputada federal com 272 mil votos na eleição de outubro de 2006. Trabalha no Congresso, no qual apenas 9% dos parlamentares são mulheres

De qualquer forma, as perspectivas são auspiciosas. A Academy of Management Perspectives prevê que a participação de mulheres na presidência de grandes empresas saltará de 1,7% para 6,2% num intervalo de nove anos. Além disso, a defasagem na remuneração está caindo. “Nos últimos anos, a diferença entre o salário dos homens e das mulheres vem diminuindo rapidamente”, diz Marcelo Neri, da FGV. Na prática, outras searas tradicionalmente dominadas pelos homens – como o Congresso onde está Manuela d’Ávila ou a área financeira de Ana Cristina Tena – estão abrindo espaço para as mulheres. A carioca Amora Mautner, de 31 anos, desbrava um desses territórios: é uma das poucas mulheres no quadro de diretores de novela da TV Globo. Comandou produções grandiosas como as minisséries JK e Mad Maria. Agora ela está à frente do elenco da novela das 8, Paraíso Tropical. A vocação de Amora para a liderança é evidente. Ela desistiu de atuar depois de uma curta carreira como atriz. “Eu não gostava que mandassem em mim, achava que do meu jeito era sempre melhor.” Na vida pessoal, Amora vive uma situação simbólica dos novos tempos: em duas ocasiões, ela já dirigiu seu marido, o ator Marcos Palmeira. Os dois esperam um filho para agosto.

As mulheres não têm
mais medo da solidão:
72% dos divórcios não-
consensuais do país
são pedidos por elas

A situação do casal, em que a mulher “dirige” o marido, é uma boa metáfora dos novos tempos. O exemplo dos dois aponta para uma alteração na estrutura do casamento, que já se observa aqui e ali, e será mais comum dentro de alguns anos: o processo de adaptação dos homens às mulheres alfa. Nesse processo, os maridos estão aprendendo a conviver com mulheres que, por vezes, são mais poderosas que eles, podendo eventualmente deixá-los à sombra. Muitos estão até desfrutando da situação.

É o caso de Michel Klein, de 56 anos, dono da rede de lojas Casas Bahia, que há três anos mora com Maria Alice Pereira, uma empresária de 37 anos. Maria Alice é dona de um café badalado na região dos Jardins, em São Paulo, e de três centros de convivência para funcionários das fábricas das Casas Bahia. Trabalha pelo menos dez horas por dia e controla tudo por um laptop (que chama de “meu bebê”). Por ele, assiste a imagens em tempo real de seus negócios – tudo sem descuidar do visual, da ginástica, da maquiagem. Diante de uma mulher com tamanha autonomia e segurança, Klein não esconde o orgulho. “As mulheres independentes são mais interessantes”, diz ele. “É gostoso chegar em casa e poder sair daquele assunto que eu chamo de ‘cricri’, sobre criada e crianças. Sinto a maior admiração pela carreira da Maria Alice.” Ela confirma o companheirismo do marido. “O Michel jamais me pediria para deixar de trabalhar. Quando tenho de trabalhar no fim de semana, ele vai para o meu escritório comigo, leva umas revistas e fica lendo, enquanto eu resolvo as minhas coisas.”

“Os homens estão aprendendo a conviver com mulheres confiantes e auto-suficientes, e mostram-se mais preparados para ter relações equilibradas”, diz Dan Kindlon, de Harvard. “Muitos dizem que uma mulher bem-sucedida é mais sexy.” Kindlon aposta que as mulheres alfa vão causar uma mudança na estrutura das famílias. “Os adolescentes de hoje, que desde cedo convivem com mães, irmãs e colegas alfa, vão dividir mais as tarefas domésticas, o cuidado com os filhos”, afirma Kindlon. Hoje, esse homem ainda é exceção – principalmente em países latinos como o Brasil, onde o machismo é mais arraigado. “O brasileiro ainda está preso ao papel de provedor”, diz a psicóloga Maria Isabel Wendling, autora do estudo O Casamento na Contemporaneidade. “Se ele perde esse papel, fica confuso. No consultório, no entanto, percebo que os homens estão dispostos a se adaptar ao novo espaço que as mulheres estão ocupando na relação.”

Maria Alice Pereira
Idade: 37 anos
Estado civil: é noiva do empresário Michel Klein, com quem mora há três anos

Por que é alfa: controla os negócios por imagens em tempo real de seu laptop (o qual chama de “meu bebê”) sem descuidar da ginástica

Para chegar a esse equilíbrio, as mulheres também tiveram de mudar. Da postura confrontadora do início do movimento feminista, por vezes até agressiva, elas caminharam para um ponto em que não têm mais vergonha de dizer que gostam e precisam dos homens – ainda que não seja pelo salário, e sim pelo apoio e companheirismo. “Adoro homem, Deus não inventou nada melhor”, afirma a publicitária pernambucana Ana Venina, de 42 anos. Ela foi casada duas vezes e, com o último marido, teve o filho Matheus, de 8 anos. “Mas sei que homem não é emprego, é companheiro. Não acredito em relacionamento com dependência financeira ou emocional.” A postura de Ana é típica das mulheres alfa: elas querem ter um homem a seu lado e reconhecem os prazeres da vida a dois. Mas não precisam se casar nem dependem dos homens – mais que isso, elas não dependem de ninguém. As estatísticas comprovam que, quando estão infelizes, elas não hesitam em seguir “carreira-solo”. Segundo o IBGE, 72% dos divórcios não-consensuais do país são pedidos pela mulher. “Até a década de 70, o casamento era a junção de duas metades: o provedor e a responsável pelo lar”, diz o economista Marcelo Neri. “Agora, as mulheres são as duas metades em uma só.”

O número de mulheres
chefes de família
aumentou oito vezes
entre 1995 e 2005. Elas
já são 28% no Brasil

Essa virada de mesa foi fundamental para que as alfas se sentissem à vontade para arriscar e decidir o rumo da própria vida – seja no momento de pedir o divórcio, de adiar (ou rejeitar) a maternidade, de deixar o marido em casa para sair à noite com as amigas. O novo panorama produz mulheres que, sem ter a obrigação de se afirmar, desfrutam de uma serenidade que não se via nas gerações anteriores. É a serenidade que se observa na administradora de empresas Gabriela Mascioli, de 31 anos. Há quatro anos, ela largou um emprego estável num banco de investimentos, onde ganhava bem, era respeitada e tinha chances de ascensão, para realizar o sonho de trabalhar com dois assuntos que adora: culinária e livros. Abriu em São Paulo uma livraria especializada em títulos sobre gastronomia. Há três anos, veio outra mudança: separou-se do marido, com quem estava casada havia sete anos. O divórcio veio sem traumas. “Vejo cada um desses passos como experiências que me deixaram mais forte”, diz ela. “Quero estar casada, ou empregada, se isso for fazer minha vida melhor. Se for para fazer minha vida pior, não quero.”

O espírito alfa encontra sua última fronteira nas meninas jovens, as mulheres adultas de amanhã. As garotas alfa, encontráveis nas escolas das grandes cidades do Brasil, deverão reunir a serenidade de Gabriela Mascioli, a firmeza de Maria Alice Pereira, a competência de Ana Cristina Tena e a liderança de Amora Mautner. Essas características estão presentes num grupo de alunas do 3o ano do ensino médio do Colégio Santa Cruz, tradicional escola da classe média alta paulistana. Diana Garcia, de 16 anos, não demonstra a menor ansiedade em arrumar marido e ter uma família. “Pode ser que eu case, pode ser que não. Acho que minha vida pode ser boa dos dois jeitos.” Nina Giglio, de 17, ainda nem fez o vestibular para Arquitetura e já planeja mestrado e doutorado, prometendo engrossar as estatísticas que mostram as mulheres dominando as universidades. “Acho importante não parar de estudar nunca”, diz. E Bruna Keese, também de 17, mostra desprendimento até com o ponto que costuma atingir as mulheres em cheio: o corpo. “Tenho tanta coisa boa para fazer… Não entro nessa paranóia de ficar me preocupando em emagrecer”, afirma. É assim – de cabeça fresca, com segurança, autonomia e a passos largos – que as mulheres alfa caminham para o futuro.

Ana Venina
Idade: 42 anos
Estado civil: divorciada

Por que é alfa: é uma publicitária bem-sucedida. Gosta de homem e diz que Deus não inventou nada melhor. Com seu segundo marido, teve Matheus, de 8 anos. Mas diz que não acredita em relacionamentos com dependência emocional ou financeira

64% dos entrevistados possuem especialização; 24% graduação; 7% mestrado; 3,5% ensino médio; 1% doutorado; menos de 1% estudou até ensino fundamental.Capacitação profissional é a ferramenta essencial para ter sucesso financeiro e alcançar o patamar da classe alta brasileira, ou seja, remuneração superior a R$ 6.563 mil/mês como classifica o IBGE, é o que concluiu estudo do Instituto de Pesquisa IP2 Outsourcing, de Curitiba.

A pesquisa que sustenta essa tese foi realizada no final do ano passado com 526 pessoas pertencentes a elite, de todas as regiões do País. Dos indivíduos que responderam ao estudo, 66% eram homens e 34% mulheres.

Do total, 95% dos entrevistados disseram que o sucesso profissional somente foi alcançado por meio do estudo. “Sem formação acadêmica, é praticamente impossível fazer parte da elite”, concluiu o professor de marketing e diretor do estudo, Marcelo Peruzzo.

Outra característica da elite, segundo ele, é a visão empreendedora de cada indivíduo, que busca esse meio por ser um caminho mais “curto e rápido para o sucesso”, sintetiza. Entre os entrevistados, 25% pensam em ter empresa própria; 21% afirmam que terão sua empresa; e 33% já possuem empresa própria.

Hoje, no Brasil, aproximadamente 11 milhões de pessoas são consideradas parte da elite – classes A1 e A2 (famílias com renda superior a R$ 6.563,73 – ou 6% da população total).

Confira outros dados da pesquisa

- 91% da elite considera que o ganho salarial/remuneração traz felicidade;

- 80% dos entrevistados se consideram satisfeitos profissionalmente;

- 60% da amostra afirma ter um ótimo ou bom relacionamento com seus chefes;

- 59% dos entrevistados dizem cumprir papéis ao mesmo tempo estratégicos e operacionais;

- Apenas 7% da amostra anseia ter um cargo político no futuro;

- 90% dos integrantes da elite praticam ou já praticaram ações de responsabilidade social;

- 95% acreditam em uma força superior;

- Formação acadêmica do entrevistados: 64% possuem especialização; 24% graduação; 7% mestrado; 3,5% ensino médio; 1% doutorado; e menos de 1% concluiu apenas o ensino fundamental.

Fonte: http://www.bonde.com.br/bondenews/bondenewsd.php?id=782LINKCHMdt=20080318

Marketing Por Ari Lima Assinar feed do autor
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Normalmente existe uma grande diferença entre a percepção que você tem de si mesmo e a forma como os outros o avaliam. O problema é que esta diferença pode representar um grande prejuízo para sua carreira e dificuldades em sua vida pessoal.

Muitas pessoas definem-se como perfeccionistas, acreditando ser isso uma de suas mais importantes qualidades. No entanto, quem convive com estas pessoas podem estar insatisfeitas com estas características, por tornar a vida delas difícil. Algumas se consideram sinceras, mas o que as outras consideram mesmo é que elas são extremamente críticas. Muitas vezes você acredita realmente que é de um determinado jeito, mas acontece que as pessoas podem está percebendo você de uma maneira completamente diferente.

Uma Janela para o Auto Conhecimento

Existe um modelo de auto conhecimento, a chamada Janela de Johari, criada por dois psicólogos americanos, Joseph Luft e Harrington Ingham, há cerca de 50 anos, que mostra a interação entre nossa auto percepção e a maneira como os outros nos vêem.

Criar sua própria Janela de Johari, pode ser uma forma para verificar o quanto sua auto percepção está alinhada com a imagem que os outros têm de você.

A Janela de Johari é dividida em quatro quadrantes, veremos a seguir o que significa cada um destes partes.

EU PÚBLICO

Este primeiro quadrante, chamado de eu aberto ou eu público, é formado por sua auto percepção e pela maneira como os outros percebem você. Quanto mais informações sobre si mesmo você disponibilizar para as pessoas maior transparência haverá nas relações.

EU FECHADO

Esta é nossa área secreta, neste quadrante estão incluídas as informações e características pessoais que somente você conhece sobre si mesmo. E só você mesmo é quem pode decidir o que irá revelar ou não aos outros. Muitos mal entendidos poderiam ser desfeitos se você se mostrasse mais e se abrisse mais para as pessoas com quem convive.

EU CEGO

Esta é nossa área cega. Aquela área de nossa vida que desconhecemos em relação ao que os outros percebem de nós. Quando temos um baixo nível de relacionamento interpessoal, a tendência é que as pessoas não exponham o que pensam de nós, e com isso ficamos sem ter feedback. Ficar mais atento às mensagens transmitidas pelas pessoas em relação a nós ajuda a diminuir esta área do eu cego.

EU DESCONHECIDO

O eu desconhecido compreende o campo de nosso inconsciente, daquilo que tanto você desconhece sobre si mesmo, como também os outros desconhecem sobre você. Desenvolver um maior auto conhecimento através do estudo de suas próprias atitudes, muitas vezes sem nexo aparente, ou se necessário através de análise pode ajudar muito a diminuir está área em sua vida.

Para desenvolver um programa de Marketing Pessoal é fundamental que os profissionais trabalhem melhor o auto conhecimento, procurando ampliar a área do eu público e diminuir as áreas do eu cego, do eu fechado e do eu desconhecido.

O desequilíbrio entre estas áreas certamente irá prejudicar sua carreira profissional, como também sua vida e relacionamentos pessoais. Como orientação básica oferecemos a seguir um conjunto de sete dicas para melhorar nosso marketing pessoal baseado no estudo da Janela de Johari:

  • faça um levantamento de todas as características positivas e negativas sobre sua pessoa;
  • seja transparente, torne público o maior número de características sobre sua pessoa no seu ambiente de trabalho e pessoal, tomando o cuidado de não prejudicar sua imagem expondo informações desnecessárias e inadequadas ao contexto;
  • mantenha um grupo restrito de pessoas no trabalho e na vida pessoal em que possa compartilhar um número maior de informações recíprocas, isto gera confiança mútua e possibilita uma maior abertura pessoal;
  • procure dar abertura às pessoa para falar de você mesmo, peça feedback, procure deixar as pessoas à vontade e com liberdade para falar sobre você, assim, diminuirá a sua área cega, pelo menos saberá mais o que os outros acham de você e poderá se beneficiar dessa informações, corrigindo erros;
  • pergunte mais às pessoa sobre si mesmo, e preste bastante atenção nas respostas;
  • desenvolva alguma forma de auto conhecimento, leia mais sobre o assunto, descubra-se mais, conheça-se mais;
  • defina todas as área que precise mudar, e crie disposição e vontade para fazer a mudança.

Concluímos que, para construirmos uma imagem positiva tanto pessoalmente como profissionalmente, é necessário que possamos perceber a diferença existente entre a imagem que as pessoas têm de nós e a nossa própria percepção pessoal, e diminuirmos esta diferença. O objetivo do marketing pessoal é construir uma imagem positiva, para ser apresentada às pessoas e organizações e conseguir passar uma imagem o mais próxima possível do que definirmos como a ideal.

Dinheirama e o Meio Ambiente!Segundo o poeta Vinicius de Morais, mais importante do que ser feliz é viver. Nossa vida é composta de momentos de bonança e outros de maiores dificuldades. Muitas vezes a escassez de oportunidades traz à tona problemas pessoais e financeiros. É no bolso, aliás, que quase todos os problemas começam e terminam. Assim, exercitar o papel do dinheiro[bb] e saber o que podemos esperar dele se tornam atitudes cada vez mais necessárias.

Entre neste artigo Publicado por Ricardo Pereira em 22.02.2008 na seção Finanças Pessoais do site http://www.dinheirama.com


Muito inteligente foi o discurso do Steve Jobs (fundador da Apple, Mac e Pixar), em 2005, na universidade de Stanford. Coloco aqui no blog as duas partes (com legendas em português).

1

2

Você tem que encontrar o que você ama

Veja a íntegra do discurso de Steve Jobs, o criador da Apple, para os formandos de Stanford

Por Steve Jobs, o criador da Apple, na Stanford

Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?
Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.” Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade.
E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes.
Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.
Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.
Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o Macintosh – e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo.
Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.
Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último”. Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.
Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas – que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.
O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário. Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: “Continue com fome, continue bobo”. Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.
Obrigado.

Steve Jobs em Stanford

Antônio Caetano


“As constelações servem para esclarecer a noite”. Bela frase, não? A mim, soa como Guimarães Rosa, o uso ambíguo do verbo esclarecer sugerindo algo de arcaico e místico. Um astrólogo certamente enxergaria nela vestígios simbólicos, as constelações servindo para aclarar a obscuridade de nossos destinos. Um marinheiro, por outro lado, veria na frase a expressão de uma verdade empírica: à noite, navegamos orientados pelas estrelas — conhecimento indispensável quando nos faltam instrumentos. Eu fico com a ressonância lírica — me basta.

Juro: se pudesse, roubava a frase para dizê-la como um comentário displicente depois de observar longamente o céu salpicado de estrelas numa noite de lua nova, lá no alto da serra. Sim, depois de um longo silêncio eu sussurraria ao teu ouvido num tom grave e sorrateiro: “As constelações servem para esclarecer a noite”, e certamente mais duas estrelas se acenderiam no teu rosto, cheias de admiração pela sabedoria que eu teria se a frase fosse minha…

E nem seria difícil me apropriar da frase, visto que ela talvez hoje envergonhe seu autor anônimo, depois de ter sido enjeitada pelos bedéis do senso comum que julgaram as redações da galera que prestou vestibular para UFRJ este ano. Eles não só não gostaram da frase como a incluíram em uma mensagem eletrônica que fizeram circular pela Internet (eu só recebi agora) reunindo o que consideraram ironicamente como “pérolas”: frases que continham erros mais ou menos crassos — fosse de informação, sintaxe ou grafia.

Há outras frases igualmente geniais. Por exemplo: “O Brasil é um país abastardo com um futuro promissório”. Engraçadíssima síntese histórica, sociológica e econômica! E se há erro no uso do “abastardo”, salva-se o “promissório” — que, basta consultar o Aurélio, serve de sinônimo de “promissor”, sim — além de criar uma ambigüidade semântica digna dos melhores humoristas.

Outra na mesma linha: “É preciso melhorar as indiferenças sociais e promover o saneamento de muitas pessoas”. Esta é irretocável! Nossa indiferença social é mais do que visível, é chocante, e certamente o saneamento de algumas pessoas poderia ser a solução — isto é, se crermos que certas pessoas são mesmo saneáveis… Um jovem sustentar essa esperança me enche de genuína alegria.

Outras duas me surpreenderam positivamente por seu evidente surrealismo: “A Geografia Humana estuda o homem em que vivemos”. Ora, não sei se existe mesmo uma geografia humana, mas certamente não faltariam acadêmicos que defenderiam a idéia de que o homem é um produto da cultura e que, portanto, o homem antecede o homem — isto é, vivemos “em” um homem que nos é dado ou imposto sob a forma de uma língua, costumes, preconceitos e gostos que seria mesmo importante estudar, até para podermos saneá-lo.

A segunda diz assim: “A História se divide em 4: Antiga, Média, Moderna e Momentânea (esta, a dos nossos dias)”. O.K., era pra se dizer “contemporânea”, mas na velocidade em que anda a história o rapaz ou a moça foi talvez premonitório — ou deveria eu dizer promontório?

Finalmente, três frases que foram rejeitadas certamente apenas por seu tom coloquial, pois a verdade delas é tão cristalina que dispensa qualquer defesa: “Com a morte de Jesus Cristo os apóstolos continuaram a sua carreira.” (E com enorme sucesso, ressalte-se). “Os pagãos não gostavam quando Deus pregava sua dotrina e tinham a idéia de eliminá-lo.” (Está certo, faltou o u de doutrina, mas a ênclise chiquérrima compensa-a com sobras). “Entre os povos orientais os casamentos eram feitos “no escuro” e os noivos só se conheciam na hora h.”

Pois é, eis aí exposta a diferença entre a ignorância e a burrice. Ignorância é falta de conhecimento. Burrice é preconceito travestido de conhecimento. O ignorante pode ou não ter consciência do que não sabe. O burro tem certeza de que sabe o que, na verdade, não sabe. O burro, enfim, privilegia o mediano, o medíocre, o conhecido e reiterado. Está condenado a repetir, cego para a “milionária contribuição de todos os erros” de que falava Mário de Andrade — ou seria Oswald?

Bom, ficam desde já convidados os autores das frases citadas a comparecer a este jornal para receber a Comenda Mário de Andrade (ou será Oswald?) em reconhecimento a sua modesta, mas decisiva, contribuição ao nosso milionário acervo de erros. Pois, vítimas de um ensino dominado pelos burros, conseguiram dar um brilho de genialidade à própria ignorância. Parabéns e obrigado — minhas melhores esperanças repousam sobre vós.


Antônio H. Caetano é carioca, nascido em 1958. Foi repórter, editor e redator de publicidade, fez seus sambas e cometeu poemas. Seu livro, “O Escafandrista e a Bailarina“, edição do autor, pode ser comprado em sua página.

Atualmente (janeiro/2002) o autor escreve — às segundas-feiras — crônicas no jornal “Tribuna da Imprensa” e é o “factótum” do Café Impresso.

Visite o site do autor: http://www.cafeimpresso.com.br

Viagem longa, destino incerto…

Rubem Alves


Esse é o mês em que sofro mais por causa de vocês, moços. Tenho dó. Ainda nem deixaram de ser adolescentes, e já são obrigados a comprar passagens para um destino desconhecido, passagens só de ida, as de volta são difíceis, raras, há uma longa lista de espera. Alguns me contestam: afirmam saber muito bem o lugar para onde estão indo. Assim são os adolescentes: sempre têm os bolsos cheios de certezas. Só muito tarde descobrem que certezas valem menos que um tostão.

Seria muito mais racional e menos doloroso que vocês fossem obrigados agora a escolher a mulher ou o marido. Hoje casamento é destino para o qual só se vende passagem de ida e volta. É muito fácil voltar ao ponto de partida e recomeçar: basta que os sentimentos e as idéias tenham mudado.

Mas a viagem para a qual vocês estão comprando passagens dura cinco anos, pelo menos. E se depois de chegar lá vocês não gostarem? Nada garante…Vocês nunca estiveram lá. E se quiserem voltar? Não é como no casamento. É complicado. Leva pelo menos outros cinco anos para chegar a um outro lugar, com esse bilhete que se chama vestibular e essa ferrovia que se chama universidade. E é duro voltar atrás, começar tudo de novo. Muitos não têm coragem para isso, e passam a vida inteira num lugar que odeiam, sonhando com um outro.

Em Minas, onde nasci, se diz que para se conhecer uma pessoa é preciso comer um saco de sal com ela. Os apaixonados desacreditam. Quem é acometido da febre da paixão desaprende a astúcia do pensamento, fica abobalhado, e passa a repetir as asneiras que os apaixonados têm repetido pelos séculos afora: “Ah! mãe, ele é diferente…” “Eu sei que o meu amor por ela é eterno. Sem ela eu morro…” E assim se casam, sem a paciência de comer um saco de sal. Se tivessem paciência descobririam a verdade de um outro ditado: “Por fora bela viola; por dentro pão bolorento…”

Coisa muito parecida acontece com a profissão: a gente se apaixona pela bela viola, e só tarde demais, no meio do saco de sal, se dá conta do pão bolorento.

O Pato Donald arranjou um emprego de porteiro, num edifício de ricos. Sentiu-se a pessoa mais importante do mundo e estufou o peito por causa do uniforme que lhe deram, cheio de botões brilhantes, fios dourados e dragonas…

Acontece assim também na escolha das profissões: cada uma delas tem seus uniformes multicoloridos, seus botões brilhantes, fios dourados e dragonas. Veja, por exemplo, o fascínio do uniforme do médico. Por razões que Freud explica qualquer mãe e qualquer pai desejam ter um filho médico. Lembram-se da “Sociedade dos Poetas Mortos”? O pai do jovem ator queria, por tudo nesse mundo, que o filho fosse médico. E ele não está sozinho. O médico é uma transformação poética do herói Clint Eastwood: o pistoleiro solitário, apenas com sua coragem e o seu revólver, entra no lugar da morte, para travar batalha com ela. Como São Jorge. O médico, em suas vestes sacerdotais verdes, apenas os olhos se mostrando atrás da máscara, a mão segurando a arma, o bisturi, o sangue escorrendo do corpo do inocente, em luta solitária contra a morte. Poderá haver imagem mais bela de um herói?

Todas as profissões têm seus uniformes, suas belas imagens, sua estética. Por isso nos apaixonamos e compramos o bilhete de ida… Mas a profissão não é isso. Por fora bela viola, por dentro pão bolorento…

Uma amiga me contou, feliz, que uma parente querida havia passado no vestibular de engenharia. “Que engenharia?”, perguntei. “Civil”, ela respondeu. “Por que esta escolha?” — insisti. “É que ela gosta muito de matemática”. Pensei então na bela imagem do engenheiro — régua de cálculo, compasso e prumo nas mãos, em busca do ponto de apoio onde a alavanca levantaria o mundo! “Se ela tanto ama a matemática talvez tivesse feito melhor escolha estudando matemática”.

Engenheiro, hoje, mexe pouco com matemática. Tudo já está definido em programas de computador. O dia a dia da maioria dos engenheiros é tomar conta de peão em canteiro de obra…”

Isso vale para todas as profissões. É preciso perguntar: “Como será o meu dia a dia, enquanto como o saco de sal que não se acaba nunca?”

Mas há outros destinos, outros trens. Não é verdade que o único caminho bom seja o caminho universitário. Acho que poucos jovens sequer consideram tal possibilidade. É que eles se comportam como bando de maritacas: onde vai uma vão todas. Não podem suportar a idéia de ver o “bando” partindo, enquanto ele não embarca, e fica sozinho na plataforma da estação…

Deixo aqui, como possibilidade não pensada, este poema de Walt Whitman, o poeta da “Sociedade dos Poetas Mortos”:

“Em nome de vocês…
Que ao homem comum ensinem
a glória da rotina e das tarefas
de cada dia e de todos os dias;
que exaltem em canções
o quanto a química e o exercício
da vida não são desprezíveis nunca,
e o trabalho braçal de um e de todos
— arar, capinar, cavar,
plantar e enramar a árvore,
as frutinhas, os legumes, as flores:
que em tudo isso possa o homem ver
que está fazendo alguma coisa de verdade,
e também toda mulher
usar a serra e o martelo
ao comprido ou de través,
cultivar vocações para a carpintaria,
a alvenaria, a pintura,
trabalhar de alfaiate, costureira,
ama, hoteleiro, carregador,
inventar coisas, coisas engenhosas,
ajudar a lavar, cozinhar, arrumar,
e não considerar desgraça alguma
dar uma mão a si próprio.”

Desejo a vocês uma boa viagem. Lembrem-se do dito do João: “A coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia…” Se, no meio da viagem, sentirem enjôo ou não gostarem dos cenários, puxem a alavanca de emergência e caiam fora. Se, depois de chegar lá, ouvirem falar de um destino mais alegre, ponham a mochila nas costas, e procurem um outro destino. Carpe Diem!


O texto acima foi extraído do livro “Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares”, editora Ars Poetica — São Paulo, 1995, pág. 37.
Dica de meu caro cunhado, Dr. Ricardo A. Bacci, paradigma de “gente”.

Rubem Alves: conheça a vida e a obra do autor em Biografias“.

Cresci escutando relatos de pessoas que “chegaram lá”: aquele empresário famoso, o médico daquele hospital importante, o artista que se deu bem e está numa exposição em Nova Iorque. Ninguém porém, me falou sobre o que eles sentiam quando “chegavam lá” nem o que significava isso.


Eu pensava que o importante em uma profissão seria chegar em algum lugar, num ponto decisivo e definitivo a partir do qual todas as questões, dilemas, anseios e problemas acabariam. Chegar lá seria o máximo!

Se eu chegasse lá, tudo ficaria tranqüilo e cristalino e minha vida seria um lago calmo e plácido.


Mas… quem disse que eu queria uma vida assim? Ora, sou uma pessoa inquieta. Desde o momento em que escolhi minha profissão percebi isso: eu gostava de um monte de coisas: arquitetura, engenharia, educação física, administração e psicologia. Acabei optando por esta última e lembro como se fosse hoje a cara do meu pai: preocupado com meu futuro e se eu conseguiria chegar lá. Meus amigos me perguntavam se eu não preferia tentar uma profissão mais tradicional, mais séria, eles diziam. Mas não, aquela era a minha escolha e eu acreditava que poderia chegar lá de um jeito ou de outro.

Cheguei. Neste 15 anos de carreira, conquistei muito mais do que eu mesmo sonhara. E hoje frequentemente me percebo sonhando mais e mais e mais. Percebi que meus sonhos jamais pararão de crescer, pois sonhar faz parte da minha natureza.

Quer saber a verdade? O melhor de tudo que conquistei não foram os valores que eu recebi. Isso me trouxe conforto e alguma segurança, mas felicidade é outra coisa. Se hoje fosse o último dia da minha vida, poderia dizer tranquilamente que o que valeu, o que me marcou não foram os valores pagos pelo meu trabalho. Foi o sorriso dos meus pacientes, as coisas que aprendi, as pessoas que amparei, os erros com os quais aprendi e cresci, além, claro, das pessoas que amei e pelas quais fui amado. Isso é que teve impacto real na pessoa que me tornei hoje.

Há pessoas que são mais amenas em seus desejos. Isso não quer dizer que elas sejam acomodadas ou tolas. Cada um é único e deve seguir os seus instintos, seu ritmo, mas também saber que é preciso pagar o preço de nossas escolhas com responsabilidade e dignidade.

Há pessoas que sonham com uma vida calma e serena. Elas apenas precisam saber que com pouco empenho profissional, deverão esperar também pouco retorno financeiro da vida. Afinal, salvo um golpe de sorte, o mundo lhes devolverá o mesmo grau de investimento que elas fizeram na vida. Isso, de forma alguma é errado ou indigno. Há quem realmente não ambicione uma vida farta de recursos, nem quer ter um carrão ou um apartamento num bairro chique.

Para alcançar a posição profissional que tenho hoje, optei por abrir mão de muitos finais de semana cheios de sol, investi boa parte do meu dinheiro em livros e cursos, enfim, cheguei até a sacrificar momentos gostosos com minhas namoradas, em função de algo que pulsava dentro de mim, que me pedia para criar mais um teste, mais um livro[bb], para estudar aquele caso desafiador de um paciente, para melhorar minhas palestras, enfim, eu precisava atender à minha vida interior que explodia de dentro para fora, me pedindo para ir além, para não parar de melhorar.

Hoje percebo que nunca chegarei lá. Sempre desejarei mais. Isso é meu, faz parte da natureza da minha alma.

Lá, é um lugar dentro da gente, que se acende quando estamos no caminho certo. É dentro do peito, aquela energia, aquela vontade de viver que a gente sente quando está fazendo algo que irá fazer a diferença para nós mesmos e para os outros. Lá é um lugar que pulsa de força, quando estamos atrás de nossos verdadeiros sonhos.

Se você ainda não sabe a sua missão, nem como chegar lá, pode ser que você tenha uma natureza menos sonhadora e irá trabalhar com mais moderação, obtendo prazer e satisfação em outras áreas da sua vida. Ok, tudo bem em ser assim, até mesmo pois quem sonha menos se frustra menos também.

Porém, pode ser que você se acomodou com a idéia de que seus pais iriam lhe proporcionar tudo que precisasse. E, claro, pode ser também que você tenha um montão de sonhos, mas tem medo de encará-los por pura vaidade: -“Ah… e se eu tentar e não der certo?”; “E se eu não chegar lá?”; “E o que os outros vão pensar se eu falhar?”. Se este for o seu caso meu amigo, enfrente uma boa terapia, procure um aconselhamento filosófico, faça uma viagem sozinho, dê um tempo, enfim, crie espaço para que seu inconsciente lhe traga de novo as pistas de onde estão os sonhos que na sua infância certamente existiam.

Ás vezes, as vozes dos outros gritam tão alto dentro de nossa cabeça que nem conseguimos mais escutar a nós mesmos.

Aí é o momento de se perguntar: se eu quero chegar lá, por que tenho tanto medo de estar aqui, dentro de mim me escutando, me respeitando. Viva a sua vida meu amigo, este é o único modo de chegar em algum lugar, caso contrário, quando olhar para trás não verá as suas pegadas no chão e sim que andou por cima do desejo dos outros. A isso chamo de covardia. Você também pode chegar lá. Ou não. A vida é sua.

Existem sete lições que você deve treinar para que seu projeto de vida seja bem realizado:
1) Invista em autoconhecimento. É preciso se conhecer muito bem para poder fazer planos que tenham a ver com suas verdadeiras vontades e interesses.
2) Escute suas paixões. Se você tem paixão por algo, naturalmente vai se dar bem nisso. É importante seguir a intuição, aquela voz que teima em nos direcionar para um caminho, mesmo quando a razão nos leva a outro. Escute seu eu interior.
3) Acredite. Não dar crédito para o seu desejo é o mesmo que não tê-lo. Dificilmente, algo se concretiza sem que você acredite que isso pode acontecer.
4) Assuma seu destino. Seja o principal responsável por aquilo que tem como projeto. Termine as coisas que começar. Seja seu amigo e celebre nas horas gostosas e nas vitórias, e da mesma forma, seja seu maior incentivador nos momentos em que as coisas desandarem ou que pensar em desistir.
5) Amadureça. Invista na melhora da sua auto-estima e aprenda a ser uma pessoa positiva e otimista. Treine pensar assim. Escolha amadurecer e prestar atenção nas suas atitudes perante os outros, no modo como trata seu corpo, seus amigos, parentes e as suas emoções. Esteja no centro da sua vida. Estas são algumas das chaves para garantir o equilíbrio emocional e, conseqüentemente, desenvolver o amadurecimento.
6) Busque o Empowerment. Este termo quer dizer “empoderamento”, tornar-se poderoso. Desenvolva o hábito de aprender coisas novas, tenha atitude aberta para sempre se aprimorar. Agregue valor nas coisas que faz, nas mínimas coisas. Capriche na sua letra, faça seus trabalhos com esmero, apresente seus trabalhos em classe com todo empenho. Mantenha seu quarto e suas roupas bem organizadas. Viva bem. Cada atitude na juventude é um treino para sua vida adulta. Cada vez que nos dedicamos, damos uma ordem ao nosso cérebro do que ele somente nos traga as coisas boas, e as energias do sucesso. Ame-se e torne-se poderoso.
7) Seja útil. Não fique parado, e busque na sua agenda espaço para a diversão e para o estudo. Para a escola e para as atividades extracurriculares. Não se esconda da vida atrás de uma tela de televisão, no sono, na preguiça ou nos jogos de videogame. Uma vida produtiva é uma vida na qual fazemos de tudo um pouco. Na qual abrimos espaço para sermos pessoas solidárias, do bem. Seja através do trabalho voluntário, seja dentro da nossa própria casa podemos sempre escolher o tipo de pessoa que queremos ser. Isso está diretamente ligado às energias que mandamos para a vida e para o que receberemos de volta em nosso futuro.

Por: Léo Fraima. Psicoterapeuta e diretor da Clínica Fraiman, é conselheiro do Ikwa. Foi orientador educacional do Colégio Hebraico Brasileiro Renascença e Visconde de Porto Seguro. Atualmente é professor da cadeira de Orientação Profissional do Colégio Guilherme Dumont Villares, além de autor de diversos livros sobre o tema.